Escrevi este texto há 1 ano e acho que seria legal relembrar um pouco:
Estava esperando um momento para falar sobre nosso presidente e acho que chegou o momento.
Eu realmente devo estar cego ou maluco por ser o único ser neste planeta que não ame o Lula, não tenho nada contra a pessoa dele, acho até carismático, mas cadê o preparo para ser presidente de um país. Sempre tento achar alguma coisa no presidente para elogiar e não consigo, juro.
Não consigo enxergar nada que tenha sido feito de maneira correta e planejada, ou alguma coisa que terá benefícios futuro a sociedade brasileira. A Era Lula é a era do imediatismo e do camarada.
Se o mundo o ver ele como o “Cara” ou o mundo está, na verdade, brincando com a situação ou está muito mal freqüentado no momento.
Camarada! Sim, pois desconheço um governo na história mundial que tenha feito um governo tão covarde, Lula não briga com ninguém, se você está insatisfeito com alguma coisa, vai lá no planalto e pede, tenho certeza que sairá com alguma coisa. Este governo não nega nada para ninguém e por isto mesmo não faz nenhuma reforma, não executa nenhuma obra importante, não acaba com a corrupção, não acaba com as aposentadorias milionárias, não diminui o gasto estatal, não privatiza nada, ou seja, não faz nada. Em termos de administração pública não conheço um governo tão inerte.
São 250 mil novos funcionários públicos, de 2003 a 2009 o gasto com pessoal subiu 100 bilhões de reais anuais, tem emprego para todo mundo, quem vai pagar por tudo isto agora e nas aposentadorias futuras? O Brasil é um país rico, não é mesmo?
O PT realmente tomou o poder, tomou de tal forma que levará outros 20 anos para corrigir as mazelas trazidas pelos companheiros, pelos camaradas que lutaram muito pelo partido no passado e agora merecem alguma coisa. O problema é que este “alguma coisa” está se tornando muito caro para a sociedade.
Basta dar uma olhada no currículo dos ministros do nosso querido presidente para ver que estudo não vale mais nada mesmo, tem de tudo, sindicalista, político, petista, companheiros de longa data (alguns já saíram por corrupção), é mesmo uma festa este governo. Aposto que muito poucos conseguiriam um emprego decente numa empresa privada. Já viram a estirpe do ministro do trabalho? é uma piada.
Alguém se lembra do Fome Zero?
Entretanto, alguém poderia dizer, e o bolsa família? E a economia? Bem, meus companheiros, isto é papo para gente grande.
O Bolsa Família é a maior compra de votos da história mundial. Tem lugares do Nordeste que empresas estão tendo dificuldades de contratar pessoal, as pessoas preferem ficar em casa e ganhar R$ 95,00 do que trabalhar para ganhar R$ 400,00. Esta é a lógica, enquanto alguém ajuda, o cara não se move. Este é o Brasil. Se o cara está com fome ele vai se virar para conseguir comida, dando a ele o peixe estamos mantendo-o sem ocupação, sem produção, sem PIB, sem nada.
Economia? O governo Lula não mudou uma vírgula do plano Real do governo anterior e ainda deu sorte por não ter tido Apagão, Crise Russa, Crise Asiática, Eleição de Lula. Bem, na economia tenho que dar um mérito para o Banco Central. Entretanto será que apenas um órgão do governo administrado por um banqueiro é merecedor de elogios?
PAC: realmente uma piada. A Revista Veja publicou, faz uns meses, uma reportagem demonstrando com andam estas obras, vale a pena dar uma olhada para ver o absurdo.
Meio ambiente: nosso ministro ainda tenta, mas não tem conseguido muita coisa, há 6 meses o governo legalizou milhões de hectares de terras invadidas na Amazônia. Para mim a Amazônia é um patrimônio mundial e que governos internacionais não podem deixar o Brasil destruir. Não importa se eles já destruíram as florestas deles, o que importa agora é que esta floresta é a única que sobrou e o mundo precisa dela. Nosso papel é exigir um retorno pela manutenção da mesma e não destruí-la.
Diante deste quadro, fico muito pessimista em relação ao nosso país, será muito difícil mudar alguma coisa, a estabilidade da economia pode trazer benefícios de curto prazo, no longo prazo precisamos acabar com a corrupção, educação, segurança pública, desmatamentos na Amazônia, investimentos em infra-estrutura, reformas política, previdenciária, da justiça, administrativa, tributária e não consigo enxergar nada disto neste governo, estamos há 8 anos sem andar nada com pontos acima.
Esqueci de alguma coisa?
Brasil, país do futuro que nada, a frase agora é: Brasil, país dos companheiros!
História: liga criada em 1780, por Henriette Herz na Alemanha com o propósito da virtude e produto das idéias iluministas, pregava a igualdade de todos os seres humanos. Era um local onde intelectuais se reuniam uma vez por semana para falar sobre Deus, política e sobre seus sentimentos. Re-criada em 13 de março de 2009 em Salvador, Brasil, para a expressão livre de pensamento baseada na razão.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Cachorros de Palha – Capítulo 4: O não-salvado
A idéia de pecado e redenção surgiu com o cristianismo, fundamentando esta crença e destacando-se no centro dos ensinamentos de Jesus. Afinal, se não formos pecadores, não precisaremos ser redimidos e a promessa cristã de redenção não aliviaria nossas dores.
Os humanos pensam que são seres livres, conscientes, mas são, na verdade, animais enganados. Ao mesmo tempo nunca cansam de tentar escapar do que imaginam ser, pois suas religiões são tentativas de livrar-se de uma liberdade que nunca possuíram. [O que torna o homem um ser não livre? A pouca consciência de si? Talvez o conceito aqui empregado para liberdade esteja errado. O homem é capaz de decidir sobre seus caminhos mesmo que em poucos e fugazes momentos de consciência e qualquer outro modelo de liberdade que não o experimentado pelo humano é teórico. Nossa liberdade é limitada em relação a que parâmetro? O engano deve estar no conceito.]
A média da humanidade leva seus salvadores muito pouco á sério para precisar deles e quando os buscam é por distração, não salvação.
Como o cristianismo no passado, o moderno culto da ciência vive da espera de milagres (fim da velhice, das doenças, da finitude da espécie humana), contudo, mesmo trazendo benefícios, a ciência trará também prejuízos (aperfeiçoamento da arte da guerra e refinamento da tirania), não restando “salvação” para a humanidade.
Segundo Gray, é raro indivíduos valorizarem sua liberdade mais do que o conforto que vem da subserviência, e mais raro ainda que povos inteiros o façam. [Carlos: percebam a profundidade desta afirmação, as pessoas preferem viver na ilusão que enxergarem a realidade]
O ateísmo é fruto da paixão cristã pela verdade. Nenhum pagão está pronto para sacrificar o prazer da vida em troca de mera verdade. Entre os gregos, a meta da filosofia era a felicidade ou a salvação, não a verdade. A adoração da verdade é um culto cristão. Deste modo, o cristianismo atingiu a tolerância pagã à ilusão, e ao sustentar que existe uma única fé verdadeira, deu à verdade um valor nunca antes atribuído, tornando possível, pela primeira vez, a descrença no divino. A consequência de efeito tardio da fé cristã foi uma idolatria da verdade que teve sua mais complexa expressão no ateísmo. Se hoje vivemos em um mundo sem deuses devemos ao cristianismo. [Carlos: que critica bem feita, sempre busquei a verdade, John tem destruído muito de meus conceitos]
Por que outros animais não buscam libertar-se do sofrimento? Será porque ninguém lhes disse que tem que viver novamente? Ou será porque, sem precisar pensar nisto, sabem que não viverão? Para aqueles que se sabem mortais, o que Buda buscava está sempre á mão (mortalidade e não ter que viver de novo). Já que a salvação já está assegurada, por que nos negamos o prazer da vida? [Marcela: Realmente incompreensível] [Carlos: não achei, o que o autor quer demonstrar é que a expectativa de uma vida após a morte traz sofrimento e angustia, por não sabermos o que nos espera, se vivêssemos sabendo de nossa finitude, teríamos muito mais prazer]
A verdade não é que tememos o passar do tempo porque conhecemos a morte, tememos a morte porque resistimos ao passar do tempo. Se outros animais não temem a morte como nós não é porque sabemos algo que eles não sabem, é porque não estão oprimidos pelo tempo. [Marcela: Como saber o que passa no íntimo dos outros animais se ainda não estabelecemos uma comunicação eficiente com eles? O autor, ao meu ver, interiorizou de maneira extrema o culto á sua própria verdade. Opinião não é sinônimo de verdade.] [Carlos: Marcela não resista a dialogar com o autor entre no mundo dele primeiro, é claro que o animais não sofrem com a morte natural – não estamos falando da morte acidental aqui - 99% deles não tem consciência de sua existência, precisamos conversar com eles para perceber isto?]
Comentário (Marcela): Acredito que os homens que buscam a fé em salvadores não o fazem por diversão e sim pelo conforto de transferir a responsabilidade pelo que acontece em suas vidas, aliviando-se deste “peso”. Ou buscam a fé para consolar-se de dores irreversíveis, tendo em vista o pesado fardo da mão única do tempo, como o próprio autor coloca “O tecido de nossas vidas é feito de atos irrecuperáveis e atos inalteráveis...”
Além disso, nascer sabendo que a morte é o fim certo é algo que nós humanos temos dificuldade em lidar. A idéia de vida eterna é aconchegante e tranquilizadora (bom para os que acreditam e péssimo para os que deixam de viver plenamente esta vida que conhecemos para viver outra que ninguém tem certeza). O argumento de que os animais não temem a morte é falso, eles temem a morte iminente e manifestam seu medo reconhecidamente. Não somos os únicos animais que temem o desconhecido.
Comentário (Carlos): a fé alivia mesmo o “peso” da existência, mas somente para os fracos, enxergar uma vida finita é muito mais confortável, acabamos com a espera e a ansiedade de uma vida melhor depois e passamos a viver como se cada momento fosse único e irrecuperável. Isto faz o homem viver para executar as coisas aqui e agora e o torna um ser muito mais feliz e realizador.
Desculpem-me mas não consigo ver benefícios a longo prazo para a religião, ela até pode trazer um conforto no curto prazo, mas ao longo da vida ela escraviza, manipula e domina as ações humana individuais para algo coletivo e ilusório.
Precisamos entender que não importa se teremos vida após a morte ou não, se Deus não está aqui e agora nos falando o que fazer é por que isto não é importante, se ele realmente existir quer que vivamos nossas vidas sem ele. Vivendo assim, o homem traz o paraíso eterno para o presente e vive sua vida de forma completa. Só vejo benefícios em imaginar uma vida finita, no entanto vale e muito esta discussão.
Sempre digo: "Se houver outra vida depois, será lucro"
Os humanos pensam que são seres livres, conscientes, mas são, na verdade, animais enganados. Ao mesmo tempo nunca cansam de tentar escapar do que imaginam ser, pois suas religiões são tentativas de livrar-se de uma liberdade que nunca possuíram. [O que torna o homem um ser não livre? A pouca consciência de si? Talvez o conceito aqui empregado para liberdade esteja errado. O homem é capaz de decidir sobre seus caminhos mesmo que em poucos e fugazes momentos de consciência e qualquer outro modelo de liberdade que não o experimentado pelo humano é teórico. Nossa liberdade é limitada em relação a que parâmetro? O engano deve estar no conceito.]
A média da humanidade leva seus salvadores muito pouco á sério para precisar deles e quando os buscam é por distração, não salvação.
Como o cristianismo no passado, o moderno culto da ciência vive da espera de milagres (fim da velhice, das doenças, da finitude da espécie humana), contudo, mesmo trazendo benefícios, a ciência trará também prejuízos (aperfeiçoamento da arte da guerra e refinamento da tirania), não restando “salvação” para a humanidade.
Segundo Gray, é raro indivíduos valorizarem sua liberdade mais do que o conforto que vem da subserviência, e mais raro ainda que povos inteiros o façam. [Carlos: percebam a profundidade desta afirmação, as pessoas preferem viver na ilusão que enxergarem a realidade]
O ateísmo é fruto da paixão cristã pela verdade. Nenhum pagão está pronto para sacrificar o prazer da vida em troca de mera verdade. Entre os gregos, a meta da filosofia era a felicidade ou a salvação, não a verdade. A adoração da verdade é um culto cristão. Deste modo, o cristianismo atingiu a tolerância pagã à ilusão, e ao sustentar que existe uma única fé verdadeira, deu à verdade um valor nunca antes atribuído, tornando possível, pela primeira vez, a descrença no divino. A consequência de efeito tardio da fé cristã foi uma idolatria da verdade que teve sua mais complexa expressão no ateísmo. Se hoje vivemos em um mundo sem deuses devemos ao cristianismo. [Carlos: que critica bem feita, sempre busquei a verdade, John tem destruído muito de meus conceitos]
Por que outros animais não buscam libertar-se do sofrimento? Será porque ninguém lhes disse que tem que viver novamente? Ou será porque, sem precisar pensar nisto, sabem que não viverão? Para aqueles que se sabem mortais, o que Buda buscava está sempre á mão (mortalidade e não ter que viver de novo). Já que a salvação já está assegurada, por que nos negamos o prazer da vida? [Marcela: Realmente incompreensível] [Carlos: não achei, o que o autor quer demonstrar é que a expectativa de uma vida após a morte traz sofrimento e angustia, por não sabermos o que nos espera, se vivêssemos sabendo de nossa finitude, teríamos muito mais prazer]
A verdade não é que tememos o passar do tempo porque conhecemos a morte, tememos a morte porque resistimos ao passar do tempo. Se outros animais não temem a morte como nós não é porque sabemos algo que eles não sabem, é porque não estão oprimidos pelo tempo. [Marcela: Como saber o que passa no íntimo dos outros animais se ainda não estabelecemos uma comunicação eficiente com eles? O autor, ao meu ver, interiorizou de maneira extrema o culto á sua própria verdade. Opinião não é sinônimo de verdade.] [Carlos: Marcela não resista a dialogar com o autor entre no mundo dele primeiro, é claro que o animais não sofrem com a morte natural – não estamos falando da morte acidental aqui - 99% deles não tem consciência de sua existência, precisamos conversar com eles para perceber isto?]
Comentário (Marcela): Acredito que os homens que buscam a fé em salvadores não o fazem por diversão e sim pelo conforto de transferir a responsabilidade pelo que acontece em suas vidas, aliviando-se deste “peso”. Ou buscam a fé para consolar-se de dores irreversíveis, tendo em vista o pesado fardo da mão única do tempo, como o próprio autor coloca “O tecido de nossas vidas é feito de atos irrecuperáveis e atos inalteráveis...”
Além disso, nascer sabendo que a morte é o fim certo é algo que nós humanos temos dificuldade em lidar. A idéia de vida eterna é aconchegante e tranquilizadora (bom para os que acreditam e péssimo para os que deixam de viver plenamente esta vida que conhecemos para viver outra que ninguém tem certeza). O argumento de que os animais não temem a morte é falso, eles temem a morte iminente e manifestam seu medo reconhecidamente. Não somos os únicos animais que temem o desconhecido.
Comentário (Carlos): a fé alivia mesmo o “peso” da existência, mas somente para os fracos, enxergar uma vida finita é muito mais confortável, acabamos com a espera e a ansiedade de uma vida melhor depois e passamos a viver como se cada momento fosse único e irrecuperável. Isto faz o homem viver para executar as coisas aqui e agora e o torna um ser muito mais feliz e realizador.
Desculpem-me mas não consigo ver benefícios a longo prazo para a religião, ela até pode trazer um conforto no curto prazo, mas ao longo da vida ela escraviza, manipula e domina as ações humana individuais para algo coletivo e ilusório.
Precisamos entender que não importa se teremos vida após a morte ou não, se Deus não está aqui e agora nos falando o que fazer é por que isto não é importante, se ele realmente existir quer que vivamos nossas vidas sem ele. Vivendo assim, o homem traz o paraíso eterno para o presente e vive sua vida de forma completa. Só vejo benefícios em imaginar uma vida finita, no entanto vale e muito esta discussão.
Sempre digo: "Se houver outra vida depois, será lucro"
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Cachorros de Palha – 3º capítulo: Os vícios da moralidade (última parte)
Voltando ao capítulo 3 do livro Cachorros de Palha. Para o autor a conclusão final de todo trabalho de Freud é que ser uma boa pessoa é uma questão de sorte. Ser gentil ou ser cruel é um senso de justiça que dependem dos acidentes da infância. Para Freud a bondade é uma dádiva do acaso e, portanto não é uma liberalidade da vontade, esta liberdade de escolha é uma ilusão.
Outro aspecto é a moralidade como afrodisíaco. Dificilmente a moralidade nos terá transformado em melhores pessoas, mas ela certamente enriquece nossos vícios. Todos que de alguma maneira foram cristãos, o prazer só pode ser intenso se estiver misturado com a sensação de estar agindo imoralmente, alguém discorda?
A moralidade humana é imoral. A paz e prosperidade de uma geração é sustentada por injustiças de gerações anteriores. A filosofia moral é um ramo da ficção
O mais importante para o ser humano é viver suas escolhas. Entretanto para os pré-socráticos as coisas eram um pouco diferentes, eram justamente os limites que nos tornavam humanos: forte ou fraco, belo ou feio, bravo ou covarde, todos estes aspectos de nossas vidas, alias os mais importantes, nos são dados e não podem ser escolhidos.
Os gregos antigos estavam certos, o ideal da vida que escolhemos não combina com a maneira como vivemos. O tempo e o lugar que nascemos, nossos pais, a primeira língua, tudo são acasos, não escolhas. A vida de cada um de nós é um capítulo feito de eventos acidentais.
A ética não é atributo humano, suas raízes estão nas virtudes animais. Nietzsche escreveu:
“As origens da justiça, bem como da prudência, da moderação, da bravura – em suma, de tudo aquilo que designamos como virtudes socráticas – são animais: uma consequência daquele impulso que nos ensina a buscar comida e escapar de inimigos. Agora, se considerarmos que mesmo o mais elevado ser humano apenas se tornou mais elevado e sutil quanto à natureza do que come e em sua concepção do que é antagônico a ele, não é inadequado descrever todo fenômeno da moralidade como animal.”
Ao contrário da visão grega e ocidental de que viver bem é viver livre e através de nossas escolhas individuais, para o Taoístas, a vida boa é viver sem esforços, de acordo com nossas naturezas, sem propósito, sem possibilidade de saber o que vem após a morte, sem possibilidade de progresso, um fatalismo muito próximo do determinismo, até mesmo a sugestão de que o organismo humano opera como uma máquina.
Podemos perceber algumas diferenças entre nós e os outros animais que, em parte, surgem nos conflitos entre nossos instintos. Os humanos buscam segurança, mas são facilmente entediados; são animais amantes da paz, mas tem um gosto pela violência; são inclinados a pensar, mas ao mesmo tempo odeiam e temem a incerteza trazida pelo pensar. Também como atesta a história da filosofia, os humanos tem um talento para o autoengano e crescem na ignorância de suas naturezas.
Não vamos esquecer: a moralidade é uma doença tipicamente humana.
Outro aspecto é a moralidade como afrodisíaco. Dificilmente a moralidade nos terá transformado em melhores pessoas, mas ela certamente enriquece nossos vícios. Todos que de alguma maneira foram cristãos, o prazer só pode ser intenso se estiver misturado com a sensação de estar agindo imoralmente, alguém discorda?
A moralidade humana é imoral. A paz e prosperidade de uma geração é sustentada por injustiças de gerações anteriores. A filosofia moral é um ramo da ficção
O mais importante para o ser humano é viver suas escolhas. Entretanto para os pré-socráticos as coisas eram um pouco diferentes, eram justamente os limites que nos tornavam humanos: forte ou fraco, belo ou feio, bravo ou covarde, todos estes aspectos de nossas vidas, alias os mais importantes, nos são dados e não podem ser escolhidos.
Os gregos antigos estavam certos, o ideal da vida que escolhemos não combina com a maneira como vivemos. O tempo e o lugar que nascemos, nossos pais, a primeira língua, tudo são acasos, não escolhas. A vida de cada um de nós é um capítulo feito de eventos acidentais.
A ética não é atributo humano, suas raízes estão nas virtudes animais. Nietzsche escreveu:
“As origens da justiça, bem como da prudência, da moderação, da bravura – em suma, de tudo aquilo que designamos como virtudes socráticas – são animais: uma consequência daquele impulso que nos ensina a buscar comida e escapar de inimigos. Agora, se considerarmos que mesmo o mais elevado ser humano apenas se tornou mais elevado e sutil quanto à natureza do que come e em sua concepção do que é antagônico a ele, não é inadequado descrever todo fenômeno da moralidade como animal.”
Ao contrário da visão grega e ocidental de que viver bem é viver livre e através de nossas escolhas individuais, para o Taoístas, a vida boa é viver sem esforços, de acordo com nossas naturezas, sem propósito, sem possibilidade de saber o que vem após a morte, sem possibilidade de progresso, um fatalismo muito próximo do determinismo, até mesmo a sugestão de que o organismo humano opera como uma máquina.
Podemos perceber algumas diferenças entre nós e os outros animais que, em parte, surgem nos conflitos entre nossos instintos. Os humanos buscam segurança, mas são facilmente entediados; são animais amantes da paz, mas tem um gosto pela violência; são inclinados a pensar, mas ao mesmo tempo odeiam e temem a incerteza trazida pelo pensar. Também como atesta a história da filosofia, os humanos tem um talento para o autoengano e crescem na ignorância de suas naturezas.
Não vamos esquecer: a moralidade é uma doença tipicamente humana.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Cachorros de Palha – 3º capítulo: Os vícios da moralidade (1ª parte)
Desculpem pela ausência do blog nas ultimas 2 semanas, andei bem ocupado.
Voltando ao capítulo 3 do livro Cachorros de Palha. Nesta parte do livro o autor quer demonstrar que a moralidade não é importante para o ser humano. Para introduzir melhor as ideias do autor, vou tentar fazer um resumo da parte 11 do capítulo 3º onde é feita uma excelente introdução sobre o inicio da moralidade nas sociedades humanas.
De acordo com John Gray a moralidade começou com Sócrates, sobre sua influencia a ética deixou de ser a arte de viver bem num mundo perigoso, e tornou-se a busca de um bem maior que nada possa destruir, um valor potente que derrota todos os outros.
Para Sócrates a virtude e a felicidade andavam juntas, nada pode causar dano a um homem realmente bom, então ele imaginou o bom para torna-lo indestrutível. Surgiu, então, a ideia de que a ética está preocupada com algum tipo de valor além da vida terrena, que pode, de algum modo, prevalecer sobre qualquer tipo de perda ou infortúnio. Criou-se a moralidade.
Pensamos a moralidade como um conjunto de leis ou regras a que todos têm de obedecer e que consiste nesses preconceitos que herdamos parcialmente do cristianismo e parcialmente da filosofia grega clássica.
No mundo antes de Sócrates não havia moralidade. Havia ideias sobre certo e errado, mas não havia nenhuma ideia de um conjunto de regras que todos devessem seguir, ou de um tipo de valor que superava todos os outros. A ética tratava de virtudes como coragem e sabedoria, mas não de valores ideais.
Preferimos basear nossas vidas na presunção de que a moralidade sempre vence, no entanto não acreditamos nisto realmente. No fundo sabemos que nada pode nos tornar a prova do destino e do acaso.
Para o autor não há progresso na moralidade humana, existem hoje mais assassinatos em massa do que em qualquer outra época humana. A ideia de criar uma raça humana superior sempre esteve presente no homem e o holocausto tinham preceitos totalmente progressistas que são utilizados até hoje.
Sócrates, também, trouxe a ideia de que a razão pode guia a vida, esta ideia está impregnada nos sociedades ocidentais e faz parte do humanismo moderno, porém está totalmente equivocada. Percebe-se isto quando colocamos o homem em situação extrema, como numa prisão perpetua sem esperanças, neste momento a vida humana não é trágica, mas desprovida de sentido, a alma é quebrada, mas a vida persiste.
A moralidade torna as leis universais, eternas e divinas, porém a crença de justiça e de ética são totalmente temporais, superficiais e transitórias. Leis utilizadas no século XVII são incompreensíveis hoje, e assim sempre será. A justiça é um artefato do costume, portanto instável e mutável.
Este capítulo é um dos melhores, destrói alguns conceitos de moralidade que veem principalmente das religiões modernas trazidas anteriormente pelos filósofos gregos e que permeia nossa sociedade hoje. As pessoas tendem a repugnar um ateu, principalmente pelo medo da amoralidade deste, entretanto não percebem que a falta de moral é justamente o principal preceito da virtude de viver bem, viver o presente e desfrutar a vida.
Semana que vem escrevo sobre a segunda e ultima parte deste capítulo.
Voltando ao capítulo 3 do livro Cachorros de Palha. Nesta parte do livro o autor quer demonstrar que a moralidade não é importante para o ser humano. Para introduzir melhor as ideias do autor, vou tentar fazer um resumo da parte 11 do capítulo 3º onde é feita uma excelente introdução sobre o inicio da moralidade nas sociedades humanas.
De acordo com John Gray a moralidade começou com Sócrates, sobre sua influencia a ética deixou de ser a arte de viver bem num mundo perigoso, e tornou-se a busca de um bem maior que nada possa destruir, um valor potente que derrota todos os outros.
Para Sócrates a virtude e a felicidade andavam juntas, nada pode causar dano a um homem realmente bom, então ele imaginou o bom para torna-lo indestrutível. Surgiu, então, a ideia de que a ética está preocupada com algum tipo de valor além da vida terrena, que pode, de algum modo, prevalecer sobre qualquer tipo de perda ou infortúnio. Criou-se a moralidade.
Pensamos a moralidade como um conjunto de leis ou regras a que todos têm de obedecer e que consiste nesses preconceitos que herdamos parcialmente do cristianismo e parcialmente da filosofia grega clássica.
No mundo antes de Sócrates não havia moralidade. Havia ideias sobre certo e errado, mas não havia nenhuma ideia de um conjunto de regras que todos devessem seguir, ou de um tipo de valor que superava todos os outros. A ética tratava de virtudes como coragem e sabedoria, mas não de valores ideais.
Preferimos basear nossas vidas na presunção de que a moralidade sempre vence, no entanto não acreditamos nisto realmente. No fundo sabemos que nada pode nos tornar a prova do destino e do acaso.
Para o autor não há progresso na moralidade humana, existem hoje mais assassinatos em massa do que em qualquer outra época humana. A ideia de criar uma raça humana superior sempre esteve presente no homem e o holocausto tinham preceitos totalmente progressistas que são utilizados até hoje.
Sócrates, também, trouxe a ideia de que a razão pode guia a vida, esta ideia está impregnada nos sociedades ocidentais e faz parte do humanismo moderno, porém está totalmente equivocada. Percebe-se isto quando colocamos o homem em situação extrema, como numa prisão perpetua sem esperanças, neste momento a vida humana não é trágica, mas desprovida de sentido, a alma é quebrada, mas a vida persiste.
A moralidade torna as leis universais, eternas e divinas, porém a crença de justiça e de ética são totalmente temporais, superficiais e transitórias. Leis utilizadas no século XVII são incompreensíveis hoje, e assim sempre será. A justiça é um artefato do costume, portanto instável e mutável.
Este capítulo é um dos melhores, destrói alguns conceitos de moralidade que veem principalmente das religiões modernas trazidas anteriormente pelos filósofos gregos e que permeia nossa sociedade hoje. As pessoas tendem a repugnar um ateu, principalmente pelo medo da amoralidade deste, entretanto não percebem que a falta de moral é justamente o principal preceito da virtude de viver bem, viver o presente e desfrutar a vida.
Semana que vem escrevo sobre a segunda e ultima parte deste capítulo.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Realidade x Ilusão: em busca da felicidade
Esta discussão é antiga, inclusive já foi tema de um artigo aqui do blog (http://ligadavirtude.blogspot.com/2009/05/ignorancia-e-felicidade.html), porém como é muito subjetivo o conceito de felicidade vamos alongá-lo um pouco mais e discutir outras possibilidades ainda não contempladas no artigo anterior.
O autor do livro Cachorros de Palha, que é nossa leitura atual, levanta alguns pontos intrigantes, num deles comenta que o conhecimento não é importante e jamais trará felicidade ao homem, ele parte da premissa que como não há evolução humana, nem individual, o conhecimento não pode tornar o homem mais capacitado a ser feliz, o “ser” filosófico, ou o “eu” psicológico, não existem, ou pelo menos para a grande parte de nossas ações. Nosso pensamento é condicionado e totalmente material. O “ser” consciente representa muito pouco de nossas vidas e de nossas ações, pesquisas recente falam em algo em torno de 1%, ou seja, 99% de nossas ações são coordenadas pelo inconsciente, que é a percepção sensorial que adquirimos do meio, não há interferência individual neste processo, portanto somos condicionados a agir em 99% de nossas ações. Para o autor não há o livre-arbítrio para a quase totalidade de nossas vidas.
A vida da mente é como a do corpo, é comportamental. Pensamos que nossas ações expressam nossas decisões. Mas em praticamente toda a nossa vida, a vontade não decide nada. Nossas ações são formadas sobre uma estrutura quase infinitamente complexa de hábitos e habilidades. A noção de si mesmo nos humanos não é expressão de nenhuma unidade essencial. É um padrão de organização que não difere daquele encontrado em colônias de insetos, por exemplo.
Não quero parecer prepotente, entretanto já comentei anteriormente que a maior parte da população humana não consegue se desvencilhar deste comportamento, e podemos dizer que são 100% determinadas pelo meio, poucas são as pessoas que são mais que uma coleção de percepções de seu inconsciente. Estamos programados para perceber uma identidade em nós, mas ela é ilusória, uma construção frágil, que pode ser destruída por uma febre ou na loucura, e podemos deixá-la ou esquecê-la em estado de latência quando estamos absorvidos em ação.
Veja este trecho de um texto de Chuang-tsu, filósofo e poeta que viveu na china antes de cristo:
Se “A vida é um sonho” significa que nenhum ganho é duradouro, também implica que a vida pode ser impregnada com o maravilhamento dos sonhos, que andamos a deriva espontaneamente, através de eventos que seguem uma lógica diferente daquela de inteligência cotidiana, que medos e arrependimentos são tão irreais quanto esperanças e desejos.
Se não há livre-arbítrio então será muito difícil conseguir felicidade em conhecimento, já que este não é responsável por 99% do nosso cotidiano. Então como podemos ser felizes?
Bem, alguns filósofos da antiguidade, não tinham a verdade como meta, buscavam um estado de tranqüilidade apenas em suas buscas, sua meta era a paz interior. O objetivo da filosofia era a serenidade que advém de se ficar livre do mundo.
Não podemos fugir de algumas ilusões, pois somos governados pelo inconsciente, então o máximo que podemos fazer é tentarmos descobrir quais ilusões podemos controlar. Não podemos ter a esperança de uma vida sem ilusão, isto é impossível, e indissociável da vida humana, porém podemos tentar identificar e nos livrar de algumas, e assim, controlarmos o 1% das ações conscientes. Lembram daquela frase: “Carpe diem”. Pois é, somente podemos viver momentos de consciência individual e devemos buscá-los ao máximo, fora isto somos apenas animais condicionados.
A ilusão é parte integrante em nossas vidas e não podemos nos livrar dela, então devemos tentar ser felizes com ela, não podemos fugir da realidade e da condição comportamental humana. Sugiro neste caso, um mix das duas palavras:
A felicidade seria um contemplar de ilusões passageiras controladas, em parte, por uma consciência individual frágil, porém presente nos momentos decisivos.
Não vejo tristeza nem pessimismo nisto, vejo desafio, vejo coragem, vejo um meio de vivermos um pouco uma individualidade mutável, passageira e finita. Vejo mais um motivo para vivermos todos os momentos como únicos. Vou aperfeiçoar meu antigo lema, A VIDA É UMA SÓ, para um outro mais adequado: OS MOMENTOS SÃO UNICOS.
O autor do livro Cachorros de Palha, que é nossa leitura atual, levanta alguns pontos intrigantes, num deles comenta que o conhecimento não é importante e jamais trará felicidade ao homem, ele parte da premissa que como não há evolução humana, nem individual, o conhecimento não pode tornar o homem mais capacitado a ser feliz, o “ser” filosófico, ou o “eu” psicológico, não existem, ou pelo menos para a grande parte de nossas ações. Nosso pensamento é condicionado e totalmente material. O “ser” consciente representa muito pouco de nossas vidas e de nossas ações, pesquisas recente falam em algo em torno de 1%, ou seja, 99% de nossas ações são coordenadas pelo inconsciente, que é a percepção sensorial que adquirimos do meio, não há interferência individual neste processo, portanto somos condicionados a agir em 99% de nossas ações. Para o autor não há o livre-arbítrio para a quase totalidade de nossas vidas.
A vida da mente é como a do corpo, é comportamental. Pensamos que nossas ações expressam nossas decisões. Mas em praticamente toda a nossa vida, a vontade não decide nada. Nossas ações são formadas sobre uma estrutura quase infinitamente complexa de hábitos e habilidades. A noção de si mesmo nos humanos não é expressão de nenhuma unidade essencial. É um padrão de organização que não difere daquele encontrado em colônias de insetos, por exemplo.
Não quero parecer prepotente, entretanto já comentei anteriormente que a maior parte da população humana não consegue se desvencilhar deste comportamento, e podemos dizer que são 100% determinadas pelo meio, poucas são as pessoas que são mais que uma coleção de percepções de seu inconsciente. Estamos programados para perceber uma identidade em nós, mas ela é ilusória, uma construção frágil, que pode ser destruída por uma febre ou na loucura, e podemos deixá-la ou esquecê-la em estado de latência quando estamos absorvidos em ação.
Veja este trecho de um texto de Chuang-tsu, filósofo e poeta que viveu na china antes de cristo:
Se “A vida é um sonho” significa que nenhum ganho é duradouro, também implica que a vida pode ser impregnada com o maravilhamento dos sonhos, que andamos a deriva espontaneamente, através de eventos que seguem uma lógica diferente daquela de inteligência cotidiana, que medos e arrependimentos são tão irreais quanto esperanças e desejos.
Se não há livre-arbítrio então será muito difícil conseguir felicidade em conhecimento, já que este não é responsável por 99% do nosso cotidiano. Então como podemos ser felizes?
Bem, alguns filósofos da antiguidade, não tinham a verdade como meta, buscavam um estado de tranqüilidade apenas em suas buscas, sua meta era a paz interior. O objetivo da filosofia era a serenidade que advém de se ficar livre do mundo.
Não podemos fugir de algumas ilusões, pois somos governados pelo inconsciente, então o máximo que podemos fazer é tentarmos descobrir quais ilusões podemos controlar. Não podemos ter a esperança de uma vida sem ilusão, isto é impossível, e indissociável da vida humana, porém podemos tentar identificar e nos livrar de algumas, e assim, controlarmos o 1% das ações conscientes. Lembram daquela frase: “Carpe diem”. Pois é, somente podemos viver momentos de consciência individual e devemos buscá-los ao máximo, fora isto somos apenas animais condicionados.
A ilusão é parte integrante em nossas vidas e não podemos nos livrar dela, então devemos tentar ser felizes com ela, não podemos fugir da realidade e da condição comportamental humana. Sugiro neste caso, um mix das duas palavras:
A felicidade seria um contemplar de ilusões passageiras controladas, em parte, por uma consciência individual frágil, porém presente nos momentos decisivos.
Não vejo tristeza nem pessimismo nisto, vejo desafio, vejo coragem, vejo um meio de vivermos um pouco uma individualidade mutável, passageira e finita. Vejo mais um motivo para vivermos todos os momentos como únicos. Vou aperfeiçoar meu antigo lema, A VIDA É UMA SÓ, para um outro mais adequado: OS MOMENTOS SÃO UNICOS.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Cachorros de Palha – 2º capítulo: O Engano (2ª parte - FINAL)
Platão identificava a realidade última como o que é percebido por humanos em seus momentos de máxima consciência, sendo um axioma, desde Descartes, que o conhecimento pressupõe atenção consciente. Contudo, sensação e percepção não dependem de consciência, muito menos de autoconsciência tendo em vista que elas existem por todo o reino animal e vegetal. Mesmo em seres nos quais a consciência é altamente desenvolvida, a percepção e o pensar, normalmente, acontecem sem consciência. [Importante esta parte, pouca gente percebe isto].
A maior parte do conhecimento adquirido é proveniente da percepção subliminar e as coisas que nos vem em consciência são apenas frações do que já sabemos de maneira inconsciente. Quase todos os nossos afazeres diários são realizados sem atenção consciente, nossas maiores motivações não estão no consciente e os atos mais criativos da vida da mente acontecem sem ser notados. Muito pouco do que tem conseqüência em nossas vidas requer consciência e muito do que é vital só acontece na ausência dela. [Vejam bem isto, de acordo com o autor nossa consciência não tem poder de processar nossas ações, inclusive é provado por pesquisas, portanto 99% de nossas ações são providas pelo inconsciente].
Outros animais diferem dos humanos na ausência da sensação de si mesmos a qual pode ser tanto uma deficiência quanto um poder já que a mais exímia pianista não é aquela mais consciente de seus movimentos quando está tocando e o melhor artesão pode não saber como opera.
Argumentos contra o livre-arbítrio avolumaram-se com o apoio da pesquisa científica de Benjamin Libet a qual mostrou que o impulso elétrico que inicia a ação ocorre meio segundo antes de tomarmos a decisão consciente de agir. Nós nos concebemos como deliberando sobre o que fazer e, imediatamente após, fazendo, mas, na verdade, nossas ações são iniciadas inconscientemente em quase todos os momentos de nossas vidas. O cérebro nos prepara para a ação, então temos a experiência de agir.
A conclusão da experiência neurocientífica é que não podemos ser autores de nossos atos, contudo, o responsável por esta pesquisa conservou algum livre-arbítrio através da noção de veto (capacidade da consciência de adiar ou abortar um ato que o cérebro iniciou). A questão é que nunca poderemos saber quando (ou se) exercemos o veto, tendo em vista que nossa experiência subjetiva é frequentemente, talvez sempre, ambígua. [muito legal isto, nosso livre-arbítrio apenas tem o poder de veto, bastante interessante isto, não tinha a menor noção disto]
Quando na iminência do ato, não somos capazes de predizer o que faremos, mas ao avaliarmos a decisão tomada veremos que foi “um passo num caminho ao qual já estávamos confinados”.
Consideramos nossos pensamentos como eventos que nos acontecem em alguns momentos e em outros como atos próprios sendo o sentimento de liberdade e o livre-arbítrio, consequentemente, truques de perspectiva.
Schopenhauer acreditava no caráter intrínseco e inalterável dos homens, contudo, para Gray esta idéia surge da necessidade que temos em buscar explicações para nossos atos dentro de nós mesmos.
Pensamos que nossas ações expressam nossas decisões, mas a vontade não decide quase nada em nossas vidas. Não podemos acordar ou adormecer, lembrar ou esquecer os sonhos, evocar ou banir pensamentos a partir de uma decisão nossa. [Seriam estas ações citadas realmente decisivas no curso de nossa história? Não decidimos lembrar ou esquecer, mas decidimos investir em um negócio ou não, escolhemos ciências exatas ou humanas, refletimos sobre nossas escolhas antes de decidir e trilhamos nosso caminho mesmo sem poder escolher lembrar dos nossos sonhos - Marcela]. [No entanto estas decisões correspondem a 1% ou menos de nossas ações e, portanto acabam sendo consequência das ações anteriormente executadas pelo nosso inconsciente, não acha? – Carlos].
Segundo Gray, resistimos à idéia de que nosso self consciente sofre, apenas, pequena influência da atenção consciente por este fato parecer nos privar do controle sobre nossas vidas. No entanto, isto não significa que sejamos governados por instinto ou hábito e, sim, que passamos nossas vidas lidando com as situações que nos ocorrem.
Buscamos continuidades em nossas ações, frequentemente imaginárias, porque estamos programados para perceber identidade em nós mesmos quando, na verdade, existe apenas mudança. A noção de si mesmo é um efeito colateral da falta de refinamento da consciência; a vida interior é muito sutil e transitória para ser conhecida em si mesma.
Por Marcela Costa
Comentários de Carlos: simplesmente adorei este capítulo, vale a pena comprar o livro apenas por este capítulo, todo psicólogo deveria ler, tudo muito novo para mim, mas encaixa-se perfeitamente na Teria da Seleção Natural de Darwin. Sempre tive esta ambiguidade de ideias: somos animais, no entanto não conseguia explicar a complexidade do pensamento e justamente o livre-arbítrio. Existem animais que também tem consciência de si mesmo, então o homem apenas tornou isto mais complexo. Nossa consciência se dá apenas depois de tomada as decisões, que louco isto, temos apenas o poder de veto. Acho que agora fechou o ciclo do homem, mais uma vez pode parecer pessimista esta abordagem, mas quem disse que a realidade é linda e maravilhosa, temos que aprender a viver e buscar a felicidade dentro da realidade e não vivermos na ilusão, apesar deste ultimo ser bem mais fácil e divertido. Estou escrevendo o texto prometido no artigo anterior, bem complexo o tema.
A maior parte do conhecimento adquirido é proveniente da percepção subliminar e as coisas que nos vem em consciência são apenas frações do que já sabemos de maneira inconsciente. Quase todos os nossos afazeres diários são realizados sem atenção consciente, nossas maiores motivações não estão no consciente e os atos mais criativos da vida da mente acontecem sem ser notados. Muito pouco do que tem conseqüência em nossas vidas requer consciência e muito do que é vital só acontece na ausência dela. [Vejam bem isto, de acordo com o autor nossa consciência não tem poder de processar nossas ações, inclusive é provado por pesquisas, portanto 99% de nossas ações são providas pelo inconsciente].
Outros animais diferem dos humanos na ausência da sensação de si mesmos a qual pode ser tanto uma deficiência quanto um poder já que a mais exímia pianista não é aquela mais consciente de seus movimentos quando está tocando e o melhor artesão pode não saber como opera.
Argumentos contra o livre-arbítrio avolumaram-se com o apoio da pesquisa científica de Benjamin Libet a qual mostrou que o impulso elétrico que inicia a ação ocorre meio segundo antes de tomarmos a decisão consciente de agir. Nós nos concebemos como deliberando sobre o que fazer e, imediatamente após, fazendo, mas, na verdade, nossas ações são iniciadas inconscientemente em quase todos os momentos de nossas vidas. O cérebro nos prepara para a ação, então temos a experiência de agir.
A conclusão da experiência neurocientífica é que não podemos ser autores de nossos atos, contudo, o responsável por esta pesquisa conservou algum livre-arbítrio através da noção de veto (capacidade da consciência de adiar ou abortar um ato que o cérebro iniciou). A questão é que nunca poderemos saber quando (ou se) exercemos o veto, tendo em vista que nossa experiência subjetiva é frequentemente, talvez sempre, ambígua. [muito legal isto, nosso livre-arbítrio apenas tem o poder de veto, bastante interessante isto, não tinha a menor noção disto]
Quando na iminência do ato, não somos capazes de predizer o que faremos, mas ao avaliarmos a decisão tomada veremos que foi “um passo num caminho ao qual já estávamos confinados”.
Consideramos nossos pensamentos como eventos que nos acontecem em alguns momentos e em outros como atos próprios sendo o sentimento de liberdade e o livre-arbítrio, consequentemente, truques de perspectiva.
Schopenhauer acreditava no caráter intrínseco e inalterável dos homens, contudo, para Gray esta idéia surge da necessidade que temos em buscar explicações para nossos atos dentro de nós mesmos.
Pensamos que nossas ações expressam nossas decisões, mas a vontade não decide quase nada em nossas vidas. Não podemos acordar ou adormecer, lembrar ou esquecer os sonhos, evocar ou banir pensamentos a partir de uma decisão nossa. [Seriam estas ações citadas realmente decisivas no curso de nossa história? Não decidimos lembrar ou esquecer, mas decidimos investir em um negócio ou não, escolhemos ciências exatas ou humanas, refletimos sobre nossas escolhas antes de decidir e trilhamos nosso caminho mesmo sem poder escolher lembrar dos nossos sonhos - Marcela]. [No entanto estas decisões correspondem a 1% ou menos de nossas ações e, portanto acabam sendo consequência das ações anteriormente executadas pelo nosso inconsciente, não acha? – Carlos].
Segundo Gray, resistimos à idéia de que nosso self consciente sofre, apenas, pequena influência da atenção consciente por este fato parecer nos privar do controle sobre nossas vidas. No entanto, isto não significa que sejamos governados por instinto ou hábito e, sim, que passamos nossas vidas lidando com as situações que nos ocorrem.
Buscamos continuidades em nossas ações, frequentemente imaginárias, porque estamos programados para perceber identidade em nós mesmos quando, na verdade, existe apenas mudança. A noção de si mesmo é um efeito colateral da falta de refinamento da consciência; a vida interior é muito sutil e transitória para ser conhecida em si mesma.
Por Marcela Costa
Comentários de Carlos: simplesmente adorei este capítulo, vale a pena comprar o livro apenas por este capítulo, todo psicólogo deveria ler, tudo muito novo para mim, mas encaixa-se perfeitamente na Teria da Seleção Natural de Darwin. Sempre tive esta ambiguidade de ideias: somos animais, no entanto não conseguia explicar a complexidade do pensamento e justamente o livre-arbítrio. Existem animais que também tem consciência de si mesmo, então o homem apenas tornou isto mais complexo. Nossa consciência se dá apenas depois de tomada as decisões, que louco isto, temos apenas o poder de veto. Acho que agora fechou o ciclo do homem, mais uma vez pode parecer pessimista esta abordagem, mas quem disse que a realidade é linda e maravilhosa, temos que aprender a viver e buscar a felicidade dentro da realidade e não vivermos na ilusão, apesar deste ultimo ser bem mais fácil e divertido. Estou escrevendo o texto prometido no artigo anterior, bem complexo o tema.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Cachorros de Palha – 2º capítulo: O Engano (1ª parte)
Neste capítulo o autor questiona a idéia de que a “consciência, noção de si e livre-arbítrio são o que nos define como seres humanos” sendo que, segundo Gray, controlamos muito pouco do que mais prezamos e muitas das nossas decisões mais importantes são tomadas sem nosso conhecimento. Para ele, o domínio consciente da própria existência é algo inalcançável para os indivíduos, logo inviável para a humanidade.
Ao passo que classifica como irracionais as crenças sobrepujantes em Deus e na humanidade, lança o questionamento sobre qual sentido daremos às nossas vidas caso estejamos dispostos a abdicar das esperanças do cristianismo e do humanismo, mesmo sendo estas esperanças vazias.
Segundo Schopenhauer, principal pólo questionador citado neste capítulo, a filosofia era governada por preconceitos cristãos e o Iluminismo foi apenas uma versão secular do principal equívoco do cristianismo : a idéia de que somos bem diferentes dos outros animais. Para este filósofo, somos iguais a todos os outros animais, no íntimo, a individualidade não passa de uma ilusão e, assim como os outros animais, somos encarnações de uma Vontade Universal – energia [supostamente] responsável por dar vida a todas as coisas no mundo.
Davi Humer, filósofo escocês do século XVIII, também questionou a capacidade humana de ter consciência de si e do mundo argumentando que ao olharmos para dentro de nós mesmos veremos apenas feixes de sensações. Como saber, deste modo, o que é real se só podemos conhecer os fenômenos que a experiência nos propicia?
Jomhn Gray afirma que grande parte dos filósofos trabalhou para dar sustentação ás crenças de seu tempo, Schopenhauer foi uma exceção. Aceitando a idéia de que o mundo é incognoscível, conclui que tanto o mundo quanto o homem que imagina conhecê-lo fazem parte de uma espécie de sonho, sem nenhuma base na realidade.
Se para Kant apenas poderemos dar sentido á nossa experiência moral quando acreditarmos que somos um self autônomo e dotado de vontade livre, para Schopenhauer nossa experiência real consiste em estarmos sendo levados por necessidades corporais, como medo, fome e, principalmente, sexo. De acordo com este, o sexo “é o fim último de quase todo esforço humano.”
“Gostamos de pensar que a razão guia nossas vidas, mas a própria razão é apenas a atormentada serva da vontade. Nossos intelectos não são observadores imparciais do mundo mas particularmente ativos. A imagem que moldam dele nos ajuda em nossas dificuldades.”
Para Gray, se deixarmos para trás o cristianismo, temos que desistir da idéia de que a história humana tem algum significado. Se acreditarmos que os humanos são animais, não pode haver algo como a história da humanidade, apenas vidas de humanos particulares. [Não é contraditório afirmar que a individualidade é uma ilusão e a história coletiva não existe? Se não somos seres individuais e também não fazemos parte de um grupo -humanidade- o que somos afinal?]
A idéia de que a história tem que fazer algum sentido é apenas um preconceito cristão. Buscar significado na história é como buscar padrões nas nuvens. Nenhuma vida humana, ou de qualquer outro animal, tem significado que vá além de si mesma.
Filósofos de Platão a Hegel interpretaram o mundo como um espelho do pensamento humano enquanto, mais recentemente, Heiddeger e Wittgenstein afirmaram que o mundo, na verdade, é uma construção do pensamento. Estas duas idéias diferem pouco entre si e da mais antiga das filosofias – o Idealismo. Para os idealistas o pensamento é a realidade final e não há nada que seja independente da mente, o que significa que o mundo é uma invenção humana.
Por Marcela Costa
Comentários de Marcela: Se cada ser humano tem sua visão parcial do mundo a partir do conhecimento adquirido de experiências particulares, então não existe uma realidade universal. Não há uma verdade e sim várias verdades, cada uma tão verdadeira quanto as outras. Caberia, deste modo, a cada ser humano buscar sua verdade através da consciência de si que lhe seja possível alcançar.
Comentários de Carlos: é realmente muito difícil aceitar o óbvio, incrível como não conseguimos nos enxergar como meros e apenas animais. Surgiu a pergunta: o que somos afinal? Somos animais, criativos mas extremamente predadores e destruidores, e como animais seguimos a lei da seleção natural como qualquer outro ser vivo, portanto não temos livre-arbítrio em 99% de nossas ações (no próximo artigo será melhor explicado). O significado de nossas vidas é ela mesma, não tem mais nada depois. O homem não consegue se ver assim, a filosofia também não consegue isto, nenhum filósofo admitiu esta possibilidade, apesar de estar diante deles. Meu favorito Nietzsche por exemplo, chegou perto, mas criou a figura do super-homem e assim caiu no mesmo abismo que os outros. Não vejo isto com pessimismo, existem coisas maravilhosas que podemos fazer em nossas vida quando realmente temos consciência que ela é única, e vou tentar demonstrar isto no próximo artigo que estou começando a escrever: Realidade x Ilusão: em busca da felicidade.
Ao passo que classifica como irracionais as crenças sobrepujantes em Deus e na humanidade, lança o questionamento sobre qual sentido daremos às nossas vidas caso estejamos dispostos a abdicar das esperanças do cristianismo e do humanismo, mesmo sendo estas esperanças vazias.
Segundo Schopenhauer, principal pólo questionador citado neste capítulo, a filosofia era governada por preconceitos cristãos e o Iluminismo foi apenas uma versão secular do principal equívoco do cristianismo : a idéia de que somos bem diferentes dos outros animais. Para este filósofo, somos iguais a todos os outros animais, no íntimo, a individualidade não passa de uma ilusão e, assim como os outros animais, somos encarnações de uma Vontade Universal – energia [supostamente] responsável por dar vida a todas as coisas no mundo.
Davi Humer, filósofo escocês do século XVIII, também questionou a capacidade humana de ter consciência de si e do mundo argumentando que ao olharmos para dentro de nós mesmos veremos apenas feixes de sensações. Como saber, deste modo, o que é real se só podemos conhecer os fenômenos que a experiência nos propicia?
Jomhn Gray afirma que grande parte dos filósofos trabalhou para dar sustentação ás crenças de seu tempo, Schopenhauer foi uma exceção. Aceitando a idéia de que o mundo é incognoscível, conclui que tanto o mundo quanto o homem que imagina conhecê-lo fazem parte de uma espécie de sonho, sem nenhuma base na realidade.
Se para Kant apenas poderemos dar sentido á nossa experiência moral quando acreditarmos que somos um self autônomo e dotado de vontade livre, para Schopenhauer nossa experiência real consiste em estarmos sendo levados por necessidades corporais, como medo, fome e, principalmente, sexo. De acordo com este, o sexo “é o fim último de quase todo esforço humano.”
“Gostamos de pensar que a razão guia nossas vidas, mas a própria razão é apenas a atormentada serva da vontade. Nossos intelectos não são observadores imparciais do mundo mas particularmente ativos. A imagem que moldam dele nos ajuda em nossas dificuldades.”
Para Gray, se deixarmos para trás o cristianismo, temos que desistir da idéia de que a história humana tem algum significado. Se acreditarmos que os humanos são animais, não pode haver algo como a história da humanidade, apenas vidas de humanos particulares. [Não é contraditório afirmar que a individualidade é uma ilusão e a história coletiva não existe? Se não somos seres individuais e também não fazemos parte de um grupo -humanidade- o que somos afinal?]
A idéia de que a história tem que fazer algum sentido é apenas um preconceito cristão. Buscar significado na história é como buscar padrões nas nuvens. Nenhuma vida humana, ou de qualquer outro animal, tem significado que vá além de si mesma.
Filósofos de Platão a Hegel interpretaram o mundo como um espelho do pensamento humano enquanto, mais recentemente, Heiddeger e Wittgenstein afirmaram que o mundo, na verdade, é uma construção do pensamento. Estas duas idéias diferem pouco entre si e da mais antiga das filosofias – o Idealismo. Para os idealistas o pensamento é a realidade final e não há nada que seja independente da mente, o que significa que o mundo é uma invenção humana.
Por Marcela Costa
Comentários de Marcela: Se cada ser humano tem sua visão parcial do mundo a partir do conhecimento adquirido de experiências particulares, então não existe uma realidade universal. Não há uma verdade e sim várias verdades, cada uma tão verdadeira quanto as outras. Caberia, deste modo, a cada ser humano buscar sua verdade através da consciência de si que lhe seja possível alcançar.
Comentários de Carlos: é realmente muito difícil aceitar o óbvio, incrível como não conseguimos nos enxergar como meros e apenas animais. Surgiu a pergunta: o que somos afinal? Somos animais, criativos mas extremamente predadores e destruidores, e como animais seguimos a lei da seleção natural como qualquer outro ser vivo, portanto não temos livre-arbítrio em 99% de nossas ações (no próximo artigo será melhor explicado). O significado de nossas vidas é ela mesma, não tem mais nada depois. O homem não consegue se ver assim, a filosofia também não consegue isto, nenhum filósofo admitiu esta possibilidade, apesar de estar diante deles. Meu favorito Nietzsche por exemplo, chegou perto, mas criou a figura do super-homem e assim caiu no mesmo abismo que os outros. Não vejo isto com pessimismo, existem coisas maravilhosas que podemos fazer em nossas vida quando realmente temos consciência que ela é única, e vou tentar demonstrar isto no próximo artigo que estou começando a escrever: Realidade x Ilusão: em busca da felicidade.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Cachorros de Palha – Capítulo 1 – O humano
Gostaria de destacar que o local das reuniões da LV está sendo preparado, acho que a partir de outubro poderemos ter nossas reuniões quinzenais com muito vinho. Sugiro que este livro seja base das primeiras reuniões, ou talvez seja muito determinista para um começo, vamos ver. Neste capítulo o autor destrói a espécie humana, olhem o primeiro parágrafo:
“Atualmente, a maior parte das pessoas pensa que pertence a uma espécie que pode ser senhora de seu destino. Isso é fé, não ciência...”
O que o autor quer dizer é que espécies, como os humanos, por exemplo, são aglomerados de genes interagindo aleatoriamente com o ambiente e, portanto não é senhora de seu destino, quem determina sua existência não é seu cérebro nem seu conhecimento.
Humanismo é uma crença no progresso e acreditar nisto é imaginar que os humanos podem se libertar dos limites que constrangem a vida de todos os seres vivos da terra. De acordo com o autor embora o conhecimento humano continue a crescer, o animal humano permanecerá o mesmo: uma espécie inventiva mais também predadora e destrutiva.
A crença no humanismo não possui relação com Darwin, já que não há progresso na teoria da seleção natural, apenas adaptabilidade, ela traz a crença do controle que é apenas uma visão secular do cristianismo, ou seja, os humanistas tentam mais não conseguem se separar de seu maior inimigo. O destino das espécies é determinado por mutações que não são feitas de forma consciente por nenhum Deus, acontecem aleatoriamente e não podem ser controladas.
O homem se espalhou pelo mundo e tornou-se uma espécie patogênica, ou seja, que tem contribuído para a destruição do mesmo. De acordo com Lovelock existem quatro possíveis conseqüências da primatemaia disseminada de alguma espécie em relação às outras:
1) Destruição dos organismos patogênicos
2) Infecção crônica
3) Destruição do hospedeiro
4) Simbiose (duradoura relação de benefício mútuo entre o hospedeiro e o invasor): esta é a menos provável, a humanidade jamais iniciará uma simbiose com a terra.
No entanto para o autor a destruição do organismo patogênico, o homem no caso, se dará justamente pela via mais valorizada hoje em dia, a tecnologia. As novas tecnologias de destruição em massa são baratas e o conhecimento incorporado é gratuito. É impossível impedir que se tornem cada vez mais facilmente disponíveis.
O que o autor quer demonstrar é que o homem jamais dominará a terra, e sua atividade predatória irá destruí-lo de uma forma ou de outra. A ciência e o conhecimento não possuem ética, este não é seu papel, portanto o acúmulo de conhecimento e tecnologia irá proporcionar ao homem formas de se autodestruir. Outra coisa interessante é que a natureza já tem buscado sua forma de se proteger do homem, a queda vertiginosa na taxa de natalidade em grande parte do mundo já pode ser considera uma resposta para infestação de humanos no planeta.
Escrevi uma vez sobre o início do processo de extinção do homem, vale à pena dá uma olhada: http://ligadavirtude.blogspot.com/2009/06/seremos-todos-cyborgs.html
Pode parecer duro, mas se nos livrarmos desta visão de Deus que nossa cultura nos impregnou podemos enxergar exatamente o que diz o autor, o homem é uma espécie sem controle e destruidora atualmente e não irá mudar isto, pois não evoluiu em ética ou moral, apenas em conhecimento. Ele termina o capítulo justamente com a frase:
“Céu e terra não têm atributos e não estabelecem diferenças tratam as miríades de criaturas como cachorros de palha”
“Atualmente, a maior parte das pessoas pensa que pertence a uma espécie que pode ser senhora de seu destino. Isso é fé, não ciência...”
O que o autor quer dizer é que espécies, como os humanos, por exemplo, são aglomerados de genes interagindo aleatoriamente com o ambiente e, portanto não é senhora de seu destino, quem determina sua existência não é seu cérebro nem seu conhecimento.
Humanismo é uma crença no progresso e acreditar nisto é imaginar que os humanos podem se libertar dos limites que constrangem a vida de todos os seres vivos da terra. De acordo com o autor embora o conhecimento humano continue a crescer, o animal humano permanecerá o mesmo: uma espécie inventiva mais também predadora e destrutiva.
A crença no humanismo não possui relação com Darwin, já que não há progresso na teoria da seleção natural, apenas adaptabilidade, ela traz a crença do controle que é apenas uma visão secular do cristianismo, ou seja, os humanistas tentam mais não conseguem se separar de seu maior inimigo. O destino das espécies é determinado por mutações que não são feitas de forma consciente por nenhum Deus, acontecem aleatoriamente e não podem ser controladas.
O homem se espalhou pelo mundo e tornou-se uma espécie patogênica, ou seja, que tem contribuído para a destruição do mesmo. De acordo com Lovelock existem quatro possíveis conseqüências da primatemaia disseminada de alguma espécie em relação às outras:
1) Destruição dos organismos patogênicos
2) Infecção crônica
3) Destruição do hospedeiro
4) Simbiose (duradoura relação de benefício mútuo entre o hospedeiro e o invasor): esta é a menos provável, a humanidade jamais iniciará uma simbiose com a terra.
No entanto para o autor a destruição do organismo patogênico, o homem no caso, se dará justamente pela via mais valorizada hoje em dia, a tecnologia. As novas tecnologias de destruição em massa são baratas e o conhecimento incorporado é gratuito. É impossível impedir que se tornem cada vez mais facilmente disponíveis.
O que o autor quer demonstrar é que o homem jamais dominará a terra, e sua atividade predatória irá destruí-lo de uma forma ou de outra. A ciência e o conhecimento não possuem ética, este não é seu papel, portanto o acúmulo de conhecimento e tecnologia irá proporcionar ao homem formas de se autodestruir. Outra coisa interessante é que a natureza já tem buscado sua forma de se proteger do homem, a queda vertiginosa na taxa de natalidade em grande parte do mundo já pode ser considera uma resposta para infestação de humanos no planeta.
Escrevi uma vez sobre o início do processo de extinção do homem, vale à pena dá uma olhada: http://ligadavirtude.blogspot.com/2009/06/seremos-todos-cyborgs.html
Pode parecer duro, mas se nos livrarmos desta visão de Deus que nossa cultura nos impregnou podemos enxergar exatamente o que diz o autor, o homem é uma espécie sem controle e destruidora atualmente e não irá mudar isto, pois não evoluiu em ética ou moral, apenas em conhecimento. Ele termina o capítulo justamente com a frase:
“Céu e terra não têm atributos e não estabelecem diferenças tratam as miríades de criaturas como cachorros de palha”
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Cachorros de Palha – Prefácio – 2º parte
Segue a segunda e ultima parte do prefácio do livro Cachorros de Palha – John Gray.
Em [ ] meus comentários.
Prefácio – 2º e última parte
Entre filósofos contemporâneos, é uma questão de orgulho ser ignorante em teologia. Por conseqüência, as origens cristãs do humanismo secular raramente são compreendidas. No entanto eram perfeitamente claras para os seus fundadores. No inicio do século XIX, os positivistas franceses Henri Saint-Simon e Auguste Comte inventaram a Religião da Humanidade, uma visão de uma civilização universal baseada na ciência; o positivismo tornou-se o protótipo das religiões políticas do século XX. Através do impacto que tiveram sobre John Stuart Mill, fizeram do liberalismo o credo secular que é hoje. [o pior é que sou um dos maiores defensores do liberalismo] Através da profunda influencia que exerceram sobre Karl Marx, ajudaram a moldar o “socialismo científico”. Mas ironicamente, pois Saint-Simon e Comte eram críticos ferozes do laissez-faire econômico, também inspiraram, no final do século XX, o culto do livre mercado global. Contei essa história paradoxal, e com freqüentes traços de farsa, em meu livro Al-Qaeda e o significado de ser moderno.
O humanismo não é ciência, mas religião [olhem só a afirmação dele] – a crença pós-cristã de que os humanos podem fazer um mundo melhor do que qualquer outro em que tenham vivido até agora. Na Europa pré-cristã assumia-se que o futuro seria igual ao passado. O conhecimento e a invenção poderiam avançar, mas a ética permaneceria basicamente a mesma. A história era uma série de ciclos, sem nenhum significado geral. [não tinha a menor idéia disto, sempre imaginamos um mundo em progresso, assim como a humanidade, isto está tão entranhado em nossa cultura que não conseguimos enxergar o contrário]
Contra essa idéia pagã, os cristãos entenderam a história como uma narrativa sobre o pecado e a redenção. O humanismo é a transformação dessa doutrina cristã da salvação em um projeto de emancipação humana universal. A idéia de progresso é uma versão secular da crença cristã na providencia. É por isso que era desconhecida entre os antigos pagãos. [tudo isto é novo para mim, na verdade ainda tenho minhas dúvidas nesta afirmação, o homem tem dentro de si uma vontade muito grande em se superar e isto o levar a acreditar no seu progresso, pode ser enganoso, mas não é totalmente uma imposição da herança cristã]
A crença no progresso tem uma outra fonte. Na ciência, o crescimento do conhecimento é cumulativo. Mas a vida humana, como o todo, não é uma atividade cumulativa; o que se ganha numa geração pode ser perdido na próxima. Na ciência, o conhecimento é um bem puro; na ética e na política, tanto pode ser um bem quanto um mal. [ vejam bem aonde ele quer chegar] A ciência aumenta o poder humano – e amplia as imperfeições da natureza humana. Ela nos permite viver mais e ter padrões de vida mais elevados do que no passado. Ao mesmo tempo, permite-nos causar destruição – uns aos outros, e à própria Terra – numa escala jamais vista.
A idéia de progresso baseia-se na crença em que o crescimento do conhecimento e o avanço das espécies caminham juntos – se não agora, pelo menos a longo prazo. O mito bíblico da Queda do Homem contém a verdade proibida. O conhecimento não nos torna livres. [contradiz todos os meus textos no blog] Ele nos deixa como sempre fomos, vítimas de todo tipo de loucura. A mesma verdade é encontrada no mito grego. A punição de Prometeu, acorrentado a uma rocha por ter roubado o fogo dos deuses, não foi injusta.
Se a esperança no progresso é uma ilusão, como – pode-se perguntar – haveremos de viver? A pergunta parte do princípio de que os humanos podem viver bem apenas se acreditarem que tem o poder de refazer o mundo. [falta idéia de esperança eterna que temos] No entanto a maior parte dos humanos que já existiram não acreditava nisso – e um grande número teve vidas felizes. A questão presume que o objetivo da vida seja a ação, mas isso é uma heresia moderna. Para Platão, a contemplação era a mais elevada forma de atividade humana. Uma idéia semelhante existia na Índia antiga. O objetivo da vida não era mudar o mundo. Era enxergá-lo corretamente. [o autor acaba de jogar um balde de água fria em mim, sempre tive a idéia de que viver a vida por viver era inútil e ignorante e que o conhecimento nos liberta. Percebam que o autor é inteligentíssimo e extremamente pessimista em relação à história humana. Ele nos relega o papel de apenas outro animal na terra, que querendo ou não, é a única coisa sensata que podemos deduzir da vida]
Atualmente, essa é uma verdade subversiva, pois implica a vacuidade da política. A boa política é medíocre e improvisada, mas, no inicio do século XXI, o mundo está apinhado de grandiosas ruínas de utopias fracassadas. [bastante oportuno e esclarecedor] Com a esquerda moribunda, a direita tornou-se o abrigo da imaginação utópica. O comunismo global foi seguido pelo capitalismo global. As duas imagens do futuro tem muito em comum. Ambas são horrendas e, felizmente, quiméricas.
A ação política veio a ser um substituto para a salvação, mas nenhum projeto político pode salvar a humanidade de sua condição natural. Por mais radicais que sejam, os programas políticos são modestos expedientes concebidos para lidar com males recorrentes. Hegel escreve em algum lugar que a humanidade só se contentará quando estiver vivendo num mundo construída por si mesma. Ao contrário, Cachorros de Palha argumenta a favor de uma mudança que se afaste do solipsismo humano. Os humanos não podem salvar o mundo, mas isso não é razão para desespero. Ele não precisa de salvação. Felizmente, os humanos nunca viverão num mundo construído por si mesmo.
John Gray, maio de 2003.
Comentário
Que choque de realidade, incrível como o autor nos defronta com um realismo frio e inevitável. O homem não pode construir um mundo perfeito para ele, ele nunca será um Deus aqui na terra. Fazemos parte de um ecossistema limitado, no qual somos apenas uma parte pequena dele. O homem não evolui, o acumulo de conhecimento adquirido por ele será inevitavelmente sua ruína, pois torna sua destruição, a cada dia, mais fácil e barata de ser executada. A evolução tecnológica não acompanha seu crescimento moral e ético.
Chegamos a um ponto extremo de desequilíbrio com o planeta que será cobrado em breve. Como disse em alguns artigos atrás, o planeta não suporta mais a praga humana e seu crescimento descontrolado.
Em [ ] meus comentários.
Prefácio – 2º e última parte
Entre filósofos contemporâneos, é uma questão de orgulho ser ignorante em teologia. Por conseqüência, as origens cristãs do humanismo secular raramente são compreendidas. No entanto eram perfeitamente claras para os seus fundadores. No inicio do século XIX, os positivistas franceses Henri Saint-Simon e Auguste Comte inventaram a Religião da Humanidade, uma visão de uma civilização universal baseada na ciência; o positivismo tornou-se o protótipo das religiões políticas do século XX. Através do impacto que tiveram sobre John Stuart Mill, fizeram do liberalismo o credo secular que é hoje. [o pior é que sou um dos maiores defensores do liberalismo] Através da profunda influencia que exerceram sobre Karl Marx, ajudaram a moldar o “socialismo científico”. Mas ironicamente, pois Saint-Simon e Comte eram críticos ferozes do laissez-faire econômico, também inspiraram, no final do século XX, o culto do livre mercado global. Contei essa história paradoxal, e com freqüentes traços de farsa, em meu livro Al-Qaeda e o significado de ser moderno.
O humanismo não é ciência, mas religião [olhem só a afirmação dele] – a crença pós-cristã de que os humanos podem fazer um mundo melhor do que qualquer outro em que tenham vivido até agora. Na Europa pré-cristã assumia-se que o futuro seria igual ao passado. O conhecimento e a invenção poderiam avançar, mas a ética permaneceria basicamente a mesma. A história era uma série de ciclos, sem nenhum significado geral. [não tinha a menor idéia disto, sempre imaginamos um mundo em progresso, assim como a humanidade, isto está tão entranhado em nossa cultura que não conseguimos enxergar o contrário]
Contra essa idéia pagã, os cristãos entenderam a história como uma narrativa sobre o pecado e a redenção. O humanismo é a transformação dessa doutrina cristã da salvação em um projeto de emancipação humana universal. A idéia de progresso é uma versão secular da crença cristã na providencia. É por isso que era desconhecida entre os antigos pagãos. [tudo isto é novo para mim, na verdade ainda tenho minhas dúvidas nesta afirmação, o homem tem dentro de si uma vontade muito grande em se superar e isto o levar a acreditar no seu progresso, pode ser enganoso, mas não é totalmente uma imposição da herança cristã]
A crença no progresso tem uma outra fonte. Na ciência, o crescimento do conhecimento é cumulativo. Mas a vida humana, como o todo, não é uma atividade cumulativa; o que se ganha numa geração pode ser perdido na próxima. Na ciência, o conhecimento é um bem puro; na ética e na política, tanto pode ser um bem quanto um mal. [ vejam bem aonde ele quer chegar] A ciência aumenta o poder humano – e amplia as imperfeições da natureza humana. Ela nos permite viver mais e ter padrões de vida mais elevados do que no passado. Ao mesmo tempo, permite-nos causar destruição – uns aos outros, e à própria Terra – numa escala jamais vista.
A idéia de progresso baseia-se na crença em que o crescimento do conhecimento e o avanço das espécies caminham juntos – se não agora, pelo menos a longo prazo. O mito bíblico da Queda do Homem contém a verdade proibida. O conhecimento não nos torna livres. [contradiz todos os meus textos no blog] Ele nos deixa como sempre fomos, vítimas de todo tipo de loucura. A mesma verdade é encontrada no mito grego. A punição de Prometeu, acorrentado a uma rocha por ter roubado o fogo dos deuses, não foi injusta.
Se a esperança no progresso é uma ilusão, como – pode-se perguntar – haveremos de viver? A pergunta parte do princípio de que os humanos podem viver bem apenas se acreditarem que tem o poder de refazer o mundo. [falta idéia de esperança eterna que temos] No entanto a maior parte dos humanos que já existiram não acreditava nisso – e um grande número teve vidas felizes. A questão presume que o objetivo da vida seja a ação, mas isso é uma heresia moderna. Para Platão, a contemplação era a mais elevada forma de atividade humana. Uma idéia semelhante existia na Índia antiga. O objetivo da vida não era mudar o mundo. Era enxergá-lo corretamente. [o autor acaba de jogar um balde de água fria em mim, sempre tive a idéia de que viver a vida por viver era inútil e ignorante e que o conhecimento nos liberta. Percebam que o autor é inteligentíssimo e extremamente pessimista em relação à história humana. Ele nos relega o papel de apenas outro animal na terra, que querendo ou não, é a única coisa sensata que podemos deduzir da vida]
Atualmente, essa é uma verdade subversiva, pois implica a vacuidade da política. A boa política é medíocre e improvisada, mas, no inicio do século XXI, o mundo está apinhado de grandiosas ruínas de utopias fracassadas. [bastante oportuno e esclarecedor] Com a esquerda moribunda, a direita tornou-se o abrigo da imaginação utópica. O comunismo global foi seguido pelo capitalismo global. As duas imagens do futuro tem muito em comum. Ambas são horrendas e, felizmente, quiméricas.
A ação política veio a ser um substituto para a salvação, mas nenhum projeto político pode salvar a humanidade de sua condição natural. Por mais radicais que sejam, os programas políticos são modestos expedientes concebidos para lidar com males recorrentes. Hegel escreve em algum lugar que a humanidade só se contentará quando estiver vivendo num mundo construída por si mesma. Ao contrário, Cachorros de Palha argumenta a favor de uma mudança que se afaste do solipsismo humano. Os humanos não podem salvar o mundo, mas isso não é razão para desespero. Ele não precisa de salvação. Felizmente, os humanos nunca viverão num mundo construído por si mesmo.
John Gray, maio de 2003.
Comentário
Que choque de realidade, incrível como o autor nos defronta com um realismo frio e inevitável. O homem não pode construir um mundo perfeito para ele, ele nunca será um Deus aqui na terra. Fazemos parte de um ecossistema limitado, no qual somos apenas uma parte pequena dele. O homem não evolui, o acumulo de conhecimento adquirido por ele será inevitavelmente sua ruína, pois torna sua destruição, a cada dia, mais fácil e barata de ser executada. A evolução tecnológica não acompanha seu crescimento moral e ético.
Chegamos a um ponto extremo de desequilíbrio com o planeta que será cobrado em breve. Como disse em alguns artigos atrás, o planeta não suporta mais a praga humana e seu crescimento descontrolado.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Cachorros de Palha - Prefácio - 1º parte
Como achei bastante interessante os assuntos abordados neste livro, vou descrever aqui o prefácio, onde o autor resume sua obra e nos deixa curiosos sobre os argumentos que serão utilizados para estas afirmativas. Farei entre [ ] meus comentários.
Prefácio – 1º parte
Cachorros de Palhas é um ataque às crenças impensadas de pessoas pensantes [bem colocado]. O humanismo liberal dos dias de hoje possui o poder disseminado que antes pertencia à religião revelada. Os humanistas gostam de pensar que tem uma visão racional do mundo, mas sua crença essencial no progresso é uma superstição, mais afastada da verdade sobre o animal humano do que qualquer outra das religiões existentes. [caramba, me deu um tapa na cara, pode-se dizer que sou um humanista]
Fora da ciência, o progresso não passa de um mito. Parece que em alguns leitores de Cachorros de Palha essa observação produziu um pânico moral. Será mesmo verdade, perguntam eles, que ninguém pode questionar o principal artigo de fé das sociedades liberais? Sem ele, não nos desesperamos? Como trêmulos vitorianos aterrorizados diante do risco de perder a fé, esses humanistas agarram-se ao brocado roto das esperanças progressistas. Os crentes religiosos atuais são mais livres-pensadores. Levados para as margens de uma cultura na qual a ciência reivindica autoridade sobre o conhecimento humano, tiveram que cultivar uma capacidade de duvidar. Já os crentes seculares – firmemente subjugados pela sabedoria convencional do tempo – estão sob forte influencia de dogmas não examinados. [a falta de moral e de rumo a seguir, quando excluímos a religião de nossas vidas, precisa ser preenchida, o homem não consegue viver sem uma moral ou um caminho, ficaríamos a deriva e ácidos devido à terrível constatação de que a vida é realmente temporária e sem sentido mesmo, a verdade é crua e dura, por isto procuramos nos agarrar a alguma coisa e neste caso ao progresso humano, mas a frente o autor mostrará que ele não existe]
A visão de mundo secular predominante é um pastiche da ortodoxia científica atual e de esperanças piedosas. Darwin mostrou que somos animais; mas – como os humanistas nunca se cansam de pregar – a maneira como vivemos “depende de nós”. Diferentemente de qualquer outro animal, dizem-nos, somos livres para viver como escolhemos. No entanto a idéias de livre-arbítrio não vem da ciência. Suas origens estão na religião – não numa religião qualquer, mas na fé cristã contra a qual os humanistas se batem tão obsessivamente. [incrível como não conseguimos nos livrar da cultura, nossas ações, na maioria das vezes, de forma inconsciente, são causas de nossa formação e é muito difícil mudar isto]
No mundo antigo, os epicuristas especulavam sobre a possibilidade de que alguns eventos pudessem ser não causados; mas a crença de que os humanos se distinguem de todos os outros animais por terem livre-arbítrio é uma herança cristã. A teoria de Darwin não teria causado tanto escândalo se tivesse sido formulada na Índia hinduísta, na China taoísta ou na África animista. Da mesma forma, é apenas nas culturas pós-cristãs que os filósofos se esforçam tão piedosamente por reconciliar o determinismo científico com uma crença na capacidade única dos humanos de escolher o modo como vivem. A ironia do darwinismo evangélico é que ele usa a ciência para apoiar uma idéia da humanidade que tem sua origem na religião.
Alguns leitores viram Cachorros de Palha como uma tentativa de aplicar o darwinismo à ética e à política, mas em parte alguma o livro sugere que a ortodoxia neodarwiniana detenha a última palavra sobre o animal humano. Em vez disso, o darwinismo é estrategicamente exposto, a fim de romper a visão de mundo humanista predominante. Os humanistas buscam em Darwin um apoio para sua abalada fé moderna no progresso; mas não há progresso no mundo revelado por ele. Uma perspectiva verdadeiramente naturalista do mundo não deixa espaço algum para a esperança secular. [o autor agora começa a demonstrar alguns argumentos de sua obra, ele tem toda razão quando diz que não há progresso numa visão de mundo Darwinista, a Teoria da Evolução, na verdade, não fala de evolução alguma, os seres vivos mudam para se adaptar as mudanças no ambiente e nem sempre isto é progresso ou evolução, seres podem perfeitamente se tornarem mais simples de agora adiante se isto for determinante para sua sobrevivência. Muita gente confunde isto com evolução e parece que os humanistas entraram neste caminho sem suporte algum]
Comentário
Fica claro para mim que os humanistas tentaram criar uma nova crença para um mundo pós-religião, e para isto não poderiam simplesmente dizer, como fica bem claro quando examinamos o mundo a nossa volta, que não há rumo, não há caminho a seguir, a vida é finita e o mundo existe independente do homem. Neste cenário os humanistas criaram a figura do progresso humano sem qualquer fundamento, apenas para não criar um pânico para um mundo sem um rumo. Nos próximos capítulos o autor irá criticar a figura do conhecimento, para que ter conhecimento das coisas quando sabemos que somos finitos? Parece que o desejo por conhecimento vem justamente desta visão distorcida de progresso. Deixo a pergunta no ar para dialogarmos mais a frente.
Vou parar por aqui para não alongar demais o artigo, na semana que vem trago a ultima parte do prefácio.
Prefácio – 1º parte
Cachorros de Palhas é um ataque às crenças impensadas de pessoas pensantes [bem colocado]. O humanismo liberal dos dias de hoje possui o poder disseminado que antes pertencia à religião revelada. Os humanistas gostam de pensar que tem uma visão racional do mundo, mas sua crença essencial no progresso é uma superstição, mais afastada da verdade sobre o animal humano do que qualquer outra das religiões existentes. [caramba, me deu um tapa na cara, pode-se dizer que sou um humanista]
Fora da ciência, o progresso não passa de um mito. Parece que em alguns leitores de Cachorros de Palha essa observação produziu um pânico moral. Será mesmo verdade, perguntam eles, que ninguém pode questionar o principal artigo de fé das sociedades liberais? Sem ele, não nos desesperamos? Como trêmulos vitorianos aterrorizados diante do risco de perder a fé, esses humanistas agarram-se ao brocado roto das esperanças progressistas. Os crentes religiosos atuais são mais livres-pensadores. Levados para as margens de uma cultura na qual a ciência reivindica autoridade sobre o conhecimento humano, tiveram que cultivar uma capacidade de duvidar. Já os crentes seculares – firmemente subjugados pela sabedoria convencional do tempo – estão sob forte influencia de dogmas não examinados. [a falta de moral e de rumo a seguir, quando excluímos a religião de nossas vidas, precisa ser preenchida, o homem não consegue viver sem uma moral ou um caminho, ficaríamos a deriva e ácidos devido à terrível constatação de que a vida é realmente temporária e sem sentido mesmo, a verdade é crua e dura, por isto procuramos nos agarrar a alguma coisa e neste caso ao progresso humano, mas a frente o autor mostrará que ele não existe]
A visão de mundo secular predominante é um pastiche da ortodoxia científica atual e de esperanças piedosas. Darwin mostrou que somos animais; mas – como os humanistas nunca se cansam de pregar – a maneira como vivemos “depende de nós”. Diferentemente de qualquer outro animal, dizem-nos, somos livres para viver como escolhemos. No entanto a idéias de livre-arbítrio não vem da ciência. Suas origens estão na religião – não numa religião qualquer, mas na fé cristã contra a qual os humanistas se batem tão obsessivamente. [incrível como não conseguimos nos livrar da cultura, nossas ações, na maioria das vezes, de forma inconsciente, são causas de nossa formação e é muito difícil mudar isto]
No mundo antigo, os epicuristas especulavam sobre a possibilidade de que alguns eventos pudessem ser não causados; mas a crença de que os humanos se distinguem de todos os outros animais por terem livre-arbítrio é uma herança cristã. A teoria de Darwin não teria causado tanto escândalo se tivesse sido formulada na Índia hinduísta, na China taoísta ou na África animista. Da mesma forma, é apenas nas culturas pós-cristãs que os filósofos se esforçam tão piedosamente por reconciliar o determinismo científico com uma crença na capacidade única dos humanos de escolher o modo como vivem. A ironia do darwinismo evangélico é que ele usa a ciência para apoiar uma idéia da humanidade que tem sua origem na religião.
Alguns leitores viram Cachorros de Palha como uma tentativa de aplicar o darwinismo à ética e à política, mas em parte alguma o livro sugere que a ortodoxia neodarwiniana detenha a última palavra sobre o animal humano. Em vez disso, o darwinismo é estrategicamente exposto, a fim de romper a visão de mundo humanista predominante. Os humanistas buscam em Darwin um apoio para sua abalada fé moderna no progresso; mas não há progresso no mundo revelado por ele. Uma perspectiva verdadeiramente naturalista do mundo não deixa espaço algum para a esperança secular. [o autor agora começa a demonstrar alguns argumentos de sua obra, ele tem toda razão quando diz que não há progresso numa visão de mundo Darwinista, a Teoria da Evolução, na verdade, não fala de evolução alguma, os seres vivos mudam para se adaptar as mudanças no ambiente e nem sempre isto é progresso ou evolução, seres podem perfeitamente se tornarem mais simples de agora adiante se isto for determinante para sua sobrevivência. Muita gente confunde isto com evolução e parece que os humanistas entraram neste caminho sem suporte algum]
Comentário
Fica claro para mim que os humanistas tentaram criar uma nova crença para um mundo pós-religião, e para isto não poderiam simplesmente dizer, como fica bem claro quando examinamos o mundo a nossa volta, que não há rumo, não há caminho a seguir, a vida é finita e o mundo existe independente do homem. Neste cenário os humanistas criaram a figura do progresso humano sem qualquer fundamento, apenas para não criar um pânico para um mundo sem um rumo. Nos próximos capítulos o autor irá criticar a figura do conhecimento, para que ter conhecimento das coisas quando sabemos que somos finitos? Parece que o desejo por conhecimento vem justamente desta visão distorcida de progresso. Deixo a pergunta no ar para dialogarmos mais a frente.
Vou parar por aqui para não alongar demais o artigo, na semana que vem trago a ultima parte do prefácio.
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