Acho que este texto vai irritar muita gente, por isto vou tentar ser o mais cauteloso possível, no entanto não sou politicamente correto e, portanto vou acabar sendo rude em alguns momentos. Peço ao atencioso leitor que foque apenas nos argumentos e não na forma como será exposto. Antes de começar com meus argumentos gostaria de falar que este texto é genérico, não refere-se a minha pessoa ou em nada específico, portanto as críticas não devem se basear em minha pessoa e sim aos argumentos propostos, obrigado.
Nada é feito sem interesse, ou seja, nada é simplesmente de graça. Todos suprimos algo quando realizamos uma ação, seja financeiro, seja emocional, seja alguma carência, ou seja simplesmente para satisfazer algum desejo. Nossas ações, sejam lá qual forem, não são desprovidas de algum interesse, nada é feito somente por amor ou qualquer outro sentimento mais nobre ou por algo divino, ou seja lá como queria chamar uma ação desprovida de interesse.
Não encarem interesse num sentido ruim, acho que deveríamos entender esta palavra, neste contexto, como algo necessário, como uma causa para existir esta relação. Tudo, digo TUDO, na natureza tem alguma causa e alguma função a exercer no ecossistema. Alguns seguidores da Liga não gostam das minhas comparações das relações humanas com a natureza, no entanto isto é inevitável, as coisas, assim como o pensamento, a linguagem, a sociedade, ou seja, tudo a nossa volta tem paralelo na sobrevivência da espécie, é difícil nos enxergarmos sempre como animais, mas esta é nossa história, nossa formação e nossa programação prevista no DNA de cada um. Portanto o homem sempre executa alguma ação seguindo instintos naturais, que são sempre baseados na teoria da seleção natural de Darwin. Provem-me o contrario se discordarem, porém, ninguém ainda descobriu nada concreto contra.
Vamos começar pelas amizades, já imagino a angustia de vocês ao lerem esta frase, mas vamos lá. As amizades são baseadas em afinidades, não tem jeito, pode-se dizer o que quiser, somos amigos daquelas pessoas que confiamos e portanto que temos algo em comum, pois não confiamos no desconhecido, ou naquilo que não compreendemos, concordam? Por isto mesmo, buscamos algo em troca nesta relação que pode ser a confiança, a necessidade de convivência social, apoio sentimental e financeiro em alguns casos, posso elencar vários fatores para esta relação, mas em TODOS, irá existir interesse.
Vamos evoluir nos argumentos para o amor conjugal. Ora neste caso tenho muito a comentar. Comecemos pela imposição social, o casamento é um dogma, a família é uma instituição secular, os casados sempre foram convidados a festa e cerimônias, eram chamados a jantares. O casamento é necessário para uma adequada proteção da cria e conseqüentemente, perpetuação da espécie. E o amor? Como disse anteriormente este sentimento surge de um desejo sexual e pode sim evoluir a algo mais forte que chamamos amor, ninguém ama sem exigir nada em troca, nenhum amor é duradouro sem retorno, sem compartilhamento com a outra parte. O casamento também foi utilizado durante os anos como um meio para manter o patrimônio familiar e sua descendência.
Mas Carlos, alguns diriam, o que me diz da doação e caridade, estas pessoas dedicam a vida aos outros sem exigir nada em troca, o que me diz disto? Ora, meus caros, como disse anteriormente: nada é de graça. Afirmo que estas pessoas têm muita carência emocional, e que, portanto precisam do amor do próximo para viver sem depressões ou crises. Não tenho em mãos estudos científicos a respeito, nem acho que alguém vá querer falar mal destas pessoas tão adoradas socialmente. Porém digo que elas recebem aquilo que falta nelas, amor próprio, ajudam os outros para receber gratidão, afeição e algum carinho que normalmente não receberiam por falta de auto-estima. Desculpem pela sinceridade, mas estou analisando as coisas sem emoção mesmo. Racionalmente é sempre mais fácil de perceber a verdade (se existir) a nossa volta. Também tem o lado religioso, muitas acham que com isto estarão assegurando seu lugar no reino dos céus.
Por fim vou novamente comprar uma briga com todos e falar do amor considerado inquestionável, o amor de mãe. Não vou me prolongar muito, pois já falei muito disto em outros textos. Basicamente, afirmo que este amor é TOTALMENTE instintivo e necessário a sobrevivência, principalmente na maioria dos mamíferos que necessitam amamentar por um período muito longo. Percebam, racionalmente, sem este sentimento muito forte, muitas mães abandonariam os filhos (estou falando em geral, algumas abandonam mesmo, mas por outros motivos) e a espécie não perpetuaria.
Já comprei muita briga com este texto para gerar semanas de discussões, portanto podem me bombardear, mas venha com argumentos e sem histórias específicas, sejamos gerais, please.
História: liga criada em 1780, por Henriette Herz na Alemanha com o propósito da virtude e produto das idéias iluministas, pregava a igualdade de todos os seres humanos. Era um local onde intelectuais se reuniam uma vez por semana para falar sobre Deus, política e sobre seus sentimentos. Re-criada em 13 de março de 2009 em Salvador, Brasil, para a expressão livre de pensamento baseada na razão.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Linguagem – Introdução
Nas próximas semanas estarei publicando comentários sobre a leitura do livro: O Instinto da Linguagem de Steven Pinker, já comecei a ler o primeiro capítulo e estou impressionado com a confirmação de minhas suspeitas sobre nossa limitação de enxergarmos o mundo, o ser humano só percebe as coisas a sua volta através da linguagem adquirida, veremos nas próximas semanas e na próxima semana começo com o capítulo 1: Um instinto para adquirir uma arte.
Quando falo de linguagem não estou falando de línguas no termo gramatical, esta leitura fala da ciência por trás da forma como percebemos o mundo em nossas mentes, também chamada de ciência cognitiva ou ciência da mente. Estas buscam entendem como nosso cérebro assimila a compreensão do mundo e de nós mesmos.
Acho que será uma leitura muito interessante e de grande valor filosófico para discussão na Liga.
Quando falo de linguagem não estou falando de línguas no termo gramatical, esta leitura fala da ciência por trás da forma como percebemos o mundo em nossas mentes, também chamada de ciência cognitiva ou ciência da mente. Estas buscam entendem como nosso cérebro assimila a compreensão do mundo e de nós mesmos.
Acho que será uma leitura muito interessante e de grande valor filosófico para discussão na Liga.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Encontros e desencontros
Tenho viajado muito nas ultimas semanas e venho amadurecendo algumas idéias e argumentos sobre o tema acima. Talvez eu venha a parecer muito comum em minhas palavras, porém me deu muita vontade de refletir novamente sobre a impressionante quantidade de situações inusitadas de encontros e desencontros que acontecem a cada segundos em nossas vidas.
Primeiramente gostaria de tratar do assunto puramente físico destes encontros. Tenho encontrado um numero razoavelmente grande de colegas e amigos há muito não vistos que me impressionaram nos últimos dias, pessoas que não via há anos e em situações bastante curiosas, num virar de esquinas ou num banheiro de festa, incrível! Isto me fez imaginar a quantidade de pessoas que também conheço que devem passar diante de mim uma centena de vezes sem que tenha percebido. Não tenho aqui nenhuma pretensão de parecer supersticioso ou místico em imaginar coisas como: “era para encontrar aquela pessoa” ou “Vocês se encontraram para trocar alguma energia ou coisa parecida”, ainda mais que não acredito nisto mesmo.
No entanto vou contar aqui a história mais esquisita acontecida comigo quando viajava pela Europa há muito tempo atrás. Cheguei de trem em Berlim, provavelmente em alguma data de julho de 1996, quando conheci um americano muito engraçado, viajava pelo mundo há mais de 1 ano e como mochileiro e viajando sozinho, também procurava algum lugar para dormir. Como tínhamos a mesma necessidade logo buscamos um albergue para aquela noite. Bom, ficamos amigos e passamos uns 3 dias conhecendo a cidade de Berlim, que por sinal é linda. Após este período resolvemos ir a Budapeste juntos. A maneira mais rápida de ir de trem de Berlim para Budapeste (Hungria) é passando pela República Tcheca que necessitava de visto para Brasileiros na época, os americanos não. Então o meu trajeto seria mais longo, por Munique e marcamos a hora de minha chegada em Budapeste para 2 dias após, no trem das 9 da manhã.
Bem, como um bom mochileiro acabei conhecendo 2 paulistas no trem para Munique, passamos a noite tocando pandeiro para um grupo de alemãs numa cabine. Formamos um grupo legal e decidimos mudar nossos roteiros para acompanhar uma chilena a Salzburg (Áustria). Achei que o americano iria entender, a vida às vezes nos mostra outro caminho e não gosto de seguir estritamente nada em minha vida. Então me perdi do mochileiro americano. Fiquei imaginado-o me esperando na estação de trem, mas não podia contatá-lo.
Após 120 dias viajando sozinho pela Europa voltei à Inglaterra para trabalhar onde fiquei mais 5 meses e em janeiro de 1997 resolvi conhecer o Egito. A cidade do Cairo é uma loucura, muita confusão, muito tráfego, muita gente para todo lado. Cheguei ao albergue umas 23 h da noite e imagina quem eu encontro na recepção indo embora? Ele mesmo, o americano de Berlim, aproximadamente 6 meses depois, foi difícil explicar a ele o acontecido, ele me esperou na estação por 2 horas, mas logo entendeu que caminhos são traçados e fechados o tempo todo, este imprevisto é o grande barato de viajar sozinho como mochileiro, assim como na vida também.
Por um instante, segundos, teríamos nos desencontrados novamente, que coisa!
Levando para um lado mais filosófico, queria analisar estes eventos numa amplitude de vida e caminhos traçados por todos nós. Ora, estes encontros podem abrir caminhos em nossas vidas assim como desencontros podem fechá-los. Gosto de imaginar novas oportunidades quando reencontro amigos ou também quando faço novos, pessoas são canalizadores ou pontes que nos ligam a novos rumos e conquistas. Nem todos temos a mesma percepção da realidade e quando conversamos com o próximo, devemos ficar atentos as suas experiências, elas podem nos levar a caminhos jamais imaginados.
Outra coisa importante a destacar é que quando viajamos aumentamos estas possibilidades, nossos canais sensoriais estão mais abertos e receptivos a novas experiências e isto nos ajuda a perceber coisas que normalmente nem passariam em nossas mentes ocupadas.
Pois é, só consigo encontrar benefícios nestas minhas andanças pelo mundo, tento mais não consigo encontrar argumentos contrários, alguém consegue?
Boa viagem amigos
Primeiramente gostaria de tratar do assunto puramente físico destes encontros. Tenho encontrado um numero razoavelmente grande de colegas e amigos há muito não vistos que me impressionaram nos últimos dias, pessoas que não via há anos e em situações bastante curiosas, num virar de esquinas ou num banheiro de festa, incrível! Isto me fez imaginar a quantidade de pessoas que também conheço que devem passar diante de mim uma centena de vezes sem que tenha percebido. Não tenho aqui nenhuma pretensão de parecer supersticioso ou místico em imaginar coisas como: “era para encontrar aquela pessoa” ou “Vocês se encontraram para trocar alguma energia ou coisa parecida”, ainda mais que não acredito nisto mesmo.
No entanto vou contar aqui a história mais esquisita acontecida comigo quando viajava pela Europa há muito tempo atrás. Cheguei de trem em Berlim, provavelmente em alguma data de julho de 1996, quando conheci um americano muito engraçado, viajava pelo mundo há mais de 1 ano e como mochileiro e viajando sozinho, também procurava algum lugar para dormir. Como tínhamos a mesma necessidade logo buscamos um albergue para aquela noite. Bom, ficamos amigos e passamos uns 3 dias conhecendo a cidade de Berlim, que por sinal é linda. Após este período resolvemos ir a Budapeste juntos. A maneira mais rápida de ir de trem de Berlim para Budapeste (Hungria) é passando pela República Tcheca que necessitava de visto para Brasileiros na época, os americanos não. Então o meu trajeto seria mais longo, por Munique e marcamos a hora de minha chegada em Budapeste para 2 dias após, no trem das 9 da manhã.
Bem, como um bom mochileiro acabei conhecendo 2 paulistas no trem para Munique, passamos a noite tocando pandeiro para um grupo de alemãs numa cabine. Formamos um grupo legal e decidimos mudar nossos roteiros para acompanhar uma chilena a Salzburg (Áustria). Achei que o americano iria entender, a vida às vezes nos mostra outro caminho e não gosto de seguir estritamente nada em minha vida. Então me perdi do mochileiro americano. Fiquei imaginado-o me esperando na estação de trem, mas não podia contatá-lo.
Após 120 dias viajando sozinho pela Europa voltei à Inglaterra para trabalhar onde fiquei mais 5 meses e em janeiro de 1997 resolvi conhecer o Egito. A cidade do Cairo é uma loucura, muita confusão, muito tráfego, muita gente para todo lado. Cheguei ao albergue umas 23 h da noite e imagina quem eu encontro na recepção indo embora? Ele mesmo, o americano de Berlim, aproximadamente 6 meses depois, foi difícil explicar a ele o acontecido, ele me esperou na estação por 2 horas, mas logo entendeu que caminhos são traçados e fechados o tempo todo, este imprevisto é o grande barato de viajar sozinho como mochileiro, assim como na vida também.
Por um instante, segundos, teríamos nos desencontrados novamente, que coisa!
Levando para um lado mais filosófico, queria analisar estes eventos numa amplitude de vida e caminhos traçados por todos nós. Ora, estes encontros podem abrir caminhos em nossas vidas assim como desencontros podem fechá-los. Gosto de imaginar novas oportunidades quando reencontro amigos ou também quando faço novos, pessoas são canalizadores ou pontes que nos ligam a novos rumos e conquistas. Nem todos temos a mesma percepção da realidade e quando conversamos com o próximo, devemos ficar atentos as suas experiências, elas podem nos levar a caminhos jamais imaginados.
Outra coisa importante a destacar é que quando viajamos aumentamos estas possibilidades, nossos canais sensoriais estão mais abertos e receptivos a novas experiências e isto nos ajuda a perceber coisas que normalmente nem passariam em nossas mentes ocupadas.
Pois é, só consigo encontrar benefícios nestas minhas andanças pelo mundo, tento mais não consigo encontrar argumentos contrários, alguém consegue?
Boa viagem amigos
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Fábula “O Passarinho”
Com um estilo bem parecido aos textos do Peixinho Doido, apresento abaixo a fábula do Passarinho, muito legal, vale a pena uma leitura com atenção.
A Liga sempre busca a liberdade em todos os sentidos, e textos que procuram libertar nossos desejos e que nos impulsiona para alguma experiência nova sempre será estimulado.
Estou começando a leitura sobre Linguagem, muito interessante, virão textos nas próximas semanas.
Boa leitura.
Era uma vez um passarinho que vivia em uma linda gaiola dourada. Ele tinha aparentemente uma vida invejável. Todos os dias lhe era servida uma boa alimentação, água límpida e sua gaiola era sempre limpa e posta em lugar fresco e agradável. Nos dias de sol ele era levado para fora da casa e ele se aquecia e cantava. Nas noites frias era posto com sua gaiola em lugares protegidos do vento. O passarinho parecia viver contente até o dia em que passou a observar outros passarinhos que não viviam em gaiolas e pareciam mais alegres do que ele. Eles cantavam mais, voavam livres e escolhiam os galhos onde pousar. O passarinho observou também, que os outros passarinhos procuravam no chão e nos galhos a sua comida, parecia às vezes que desprezavam muitas coisas que pegavam para tomar outras um pouco mais distantes no galho de outra arvores. Tinham vários frutos, mas nem de todos eles comiam. Aquela desenvoltura, aquela liberdade, encantou o passarinho que passou também a querer aquela vida. Seria ótimo se pudesse voar também como os outros, cantar com eles e a noite voltar para a sua gaiola. Mas o dono da gaiola não aceitava isso e ele passou a pressionar a porta da gaiola.
À medida que aumentava sua vontade de voar como os outros, parecia-lhe menos agradável a vida que levava, parecia-lhe menos importante o fato de poder estar na gaiola à noite.
Visto seu visível descontentamento na gaiola ele foi passado para um viveiro. Lá estavam muitos passarinhos que viviam como ele, e estavam satisfeitos com o conforto que tinham, apesar de terem visto outros passarinhos livres. Alguns passarinhos do viveiro até achavam ruim a vida dos outros que viviam na árvore.
“Não temos que correr e até brigar por uma minhoca para sobreviver, porque temos o melhor alpiste” – dizia um.
“Nem que voar distâncias incríveis atrás de água” – dizia outro
Mas o que atraía o nosso passarinho era a liberdade. Agora, além da vontade de viver voando com os outros na árvore, nascia nele à vontade de provar aos outros do viveiro, a sua capacidade de voar como os “das árvores”.
Eis que, depois de muitas dúvidas e tentativas, o passarinho saiu do viveiro. Só que talvez por falta de sorte, não saia em um daqueles dias de sol como eles pensava; naqueles dias em que todos cantam e brincam nas árvores.
O dia estava nublado e o passarinho que nunca havia precisado se preocupar com o tempo, não tinha a experiência de saber se o sol voltaria a parecer ou se iria cair uma tempestade. Nesse dia ele teve de se preocupar em buscar um lugar que não ventasse muito.
O outro dia amanheceu mais claro, e o passarinho com fome saiu em busca de alimentos. Mas que dificuldade! Os passarinhos “das árvores” que muitas vezes lhe pareceu dividir os alimentos que encontravam, na verdade os disputavam, brigavam e para ele não deixavam senão os restos. A água que tinha encontrado seguindo os outros tinha um gosto horrível, muitas daqueles frutas que ele imaginava serem desprezadas pelos passarinhos livres, numa escolha de sabor, não eram digeridas por serem intragáveis ou estarem apodrecidas e para seu desespero, a tarde aconteceu-lhe uma coisa terrível: foi apedrejado. Ele desconhecia totalmente o perigo, não sabia que se caçavam passarinhos de badoque, de espingarda e até mesmo de pau.
Apavorado, mal alimentado e decepcionado, voltou ao viveiro. A água ele pode tomar do lado de fora. Que sabor! Que diferença para aquela do charco? A comida, alguns dos passarinhos do viveiro trouxeram até a tela. Todos queriam saber das notícias, muitos prontos para lhe dizer: “Eu não falei!” outros: “está vendo, que eu não passo por uma desta!” a porta estava fechada e o passarinho dormiu fora, e sentiu frio, vendo os outros bem instalados dormirem tranqüilos.
Quando amanheceu, o passarinho tinha de decidir se entrava quando o dono do viveiro viesse mudar a água, ou se ficava fora. A qualidade dos alimentos o atraía, o conforto não tinha comparação e a segurança imensurável. Mas tinha a aceitação da derrota a amargar. Tinha a aceitação das normas do viveiro, que passariam a ser mais desagradáveis, visto o desencanto de mudar, mas tinha algo mais forte, mais válido: a liberdade, pequena, frágil ainda, porém conquistada e a esperança de encontrar água mais limpa numa fonte, frutos melhores em outros pomares, e de construir um ninho em um lugar protegido do vento e da chuva.
Quando o dono do viveiro, satisfeito de vê-lo de volta, trazido por suas necessidades, quando os outros passarinhos esperavam por sua entrada, o nosso passarinho voou, mais alto que o dia anterior e para mais longe.
Nunca mais voltou ao viveiro. Dizem alguns que ele inexperiente sucumbiu com uma pedrada de um menino travesso, outros dizem que ele morreu envenenado ao comer uma semente ruim, outros que ele morreu de sede, mas têm outros que dizem, e eu acredito nestes, que o passarinho aprendeu a escolher os seus alimentos, a fugir do perigo e com ajuda de outro construiu um ninho a beira de um regaço.
Deraldo Gonzaga Pitombo
A Liga sempre busca a liberdade em todos os sentidos, e textos que procuram libertar nossos desejos e que nos impulsiona para alguma experiência nova sempre será estimulado.
Estou começando a leitura sobre Linguagem, muito interessante, virão textos nas próximas semanas.
Boa leitura.
Era uma vez um passarinho que vivia em uma linda gaiola dourada. Ele tinha aparentemente uma vida invejável. Todos os dias lhe era servida uma boa alimentação, água límpida e sua gaiola era sempre limpa e posta em lugar fresco e agradável. Nos dias de sol ele era levado para fora da casa e ele se aquecia e cantava. Nas noites frias era posto com sua gaiola em lugares protegidos do vento. O passarinho parecia viver contente até o dia em que passou a observar outros passarinhos que não viviam em gaiolas e pareciam mais alegres do que ele. Eles cantavam mais, voavam livres e escolhiam os galhos onde pousar. O passarinho observou também, que os outros passarinhos procuravam no chão e nos galhos a sua comida, parecia às vezes que desprezavam muitas coisas que pegavam para tomar outras um pouco mais distantes no galho de outra arvores. Tinham vários frutos, mas nem de todos eles comiam. Aquela desenvoltura, aquela liberdade, encantou o passarinho que passou também a querer aquela vida. Seria ótimo se pudesse voar também como os outros, cantar com eles e a noite voltar para a sua gaiola. Mas o dono da gaiola não aceitava isso e ele passou a pressionar a porta da gaiola.
À medida que aumentava sua vontade de voar como os outros, parecia-lhe menos agradável a vida que levava, parecia-lhe menos importante o fato de poder estar na gaiola à noite.
Visto seu visível descontentamento na gaiola ele foi passado para um viveiro. Lá estavam muitos passarinhos que viviam como ele, e estavam satisfeitos com o conforto que tinham, apesar de terem visto outros passarinhos livres. Alguns passarinhos do viveiro até achavam ruim a vida dos outros que viviam na árvore.
“Não temos que correr e até brigar por uma minhoca para sobreviver, porque temos o melhor alpiste” – dizia um.
“Nem que voar distâncias incríveis atrás de água” – dizia outro
Mas o que atraía o nosso passarinho era a liberdade. Agora, além da vontade de viver voando com os outros na árvore, nascia nele à vontade de provar aos outros do viveiro, a sua capacidade de voar como os “das árvores”.
Eis que, depois de muitas dúvidas e tentativas, o passarinho saiu do viveiro. Só que talvez por falta de sorte, não saia em um daqueles dias de sol como eles pensava; naqueles dias em que todos cantam e brincam nas árvores.
O dia estava nublado e o passarinho que nunca havia precisado se preocupar com o tempo, não tinha a experiência de saber se o sol voltaria a parecer ou se iria cair uma tempestade. Nesse dia ele teve de se preocupar em buscar um lugar que não ventasse muito.
O outro dia amanheceu mais claro, e o passarinho com fome saiu em busca de alimentos. Mas que dificuldade! Os passarinhos “das árvores” que muitas vezes lhe pareceu dividir os alimentos que encontravam, na verdade os disputavam, brigavam e para ele não deixavam senão os restos. A água que tinha encontrado seguindo os outros tinha um gosto horrível, muitas daqueles frutas que ele imaginava serem desprezadas pelos passarinhos livres, numa escolha de sabor, não eram digeridas por serem intragáveis ou estarem apodrecidas e para seu desespero, a tarde aconteceu-lhe uma coisa terrível: foi apedrejado. Ele desconhecia totalmente o perigo, não sabia que se caçavam passarinhos de badoque, de espingarda e até mesmo de pau.
Apavorado, mal alimentado e decepcionado, voltou ao viveiro. A água ele pode tomar do lado de fora. Que sabor! Que diferença para aquela do charco? A comida, alguns dos passarinhos do viveiro trouxeram até a tela. Todos queriam saber das notícias, muitos prontos para lhe dizer: “Eu não falei!” outros: “está vendo, que eu não passo por uma desta!” a porta estava fechada e o passarinho dormiu fora, e sentiu frio, vendo os outros bem instalados dormirem tranqüilos.
Quando amanheceu, o passarinho tinha de decidir se entrava quando o dono do viveiro viesse mudar a água, ou se ficava fora. A qualidade dos alimentos o atraía, o conforto não tinha comparação e a segurança imensurável. Mas tinha a aceitação da derrota a amargar. Tinha a aceitação das normas do viveiro, que passariam a ser mais desagradáveis, visto o desencanto de mudar, mas tinha algo mais forte, mais válido: a liberdade, pequena, frágil ainda, porém conquistada e a esperança de encontrar água mais limpa numa fonte, frutos melhores em outros pomares, e de construir um ninho em um lugar protegido do vento e da chuva.
Quando o dono do viveiro, satisfeito de vê-lo de volta, trazido por suas necessidades, quando os outros passarinhos esperavam por sua entrada, o nosso passarinho voou, mais alto que o dia anterior e para mais longe.
Nunca mais voltou ao viveiro. Dizem alguns que ele inexperiente sucumbiu com uma pedrada de um menino travesso, outros dizem que ele morreu envenenado ao comer uma semente ruim, outros que ele morreu de sede, mas têm outros que dizem, e eu acredito nestes, que o passarinho aprendeu a escolher os seus alimentos, a fugir do perigo e com ajuda de outro construiu um ninho a beira de um regaço.
Deraldo Gonzaga Pitombo
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O que você está sentindo?
Coração acelerado, suor nas mãos e “frio” no estômago, que sentimento provoca essas reações? Pense um pouco...
Na verdade,vai depender da situação em que você se encontra.Se você estiver diante de um grande público prestes a palestrar pela primeira vez, provavelmente estará apreensivo, ansioso. Se estiver diante de uma situação de perigo, com certeza estará com medo.Mas se estiver diante de alguém especial, pode estar apaixonado.
Estimulada a encontrar explicações neuroquímicas para sentimentos como felicidade e paixão, deparei-me com a constatação de que estas não existem realmente, pelo menos não de maneira conclusiva ou satisfatória. E pior, descobri como as respostas fisiológicas aos sentimentos são inespecíficas, como as manifestações citadas acima (taquicardia, sudorese e contrações estomacais) e o que vai nos ajudar a identificar o que estamos sentindo é o estímulo social ou situacional, segundo alguns estudiosos. Assim, suas mãos podem suar por medo ou por paixão, e o coração acelerar em qualquer das situações supracitadas.
Desse modo, será que até nossos sentimentos nos são socialmente impostos e não nos cabe individualidade alguma no sentir?
Refletindo bem, essa possibilidade não é aceitável. A influência social existe e é inegável em nossas vidas, entretanto, por mais que nos digam como é sentir medo, estar feliz ou apaixonado, só aprendemos seus significados ao experimentarmos cada sentimento, e a experiência é algo vivenciado de maneira bem particular por cada indivíduo.
Cada pessoa experimenta determinado sentimento, nomeando-o de acordo com sua própria avaliação. Ninguém pode experimentar o sentimento do outro para saber se ele está confundindo medo com paixão diante de alguém (os “sintomas” são os mesmos).
Além disso, os sentimentos são desencadeados por estímulos e o mesmo estímulo pode provocar diferentes reações em pessoas diferentes, logo os sentimentos não serão os mesmos.
Como qualquer outro sentimento, assim é a felicidade. Todos que já experimentaram sabem o que é, apesar de não ser a mesma coisa para todos que experimentaram.
Se todos sentissem da mesma forma não haveria um conceito universalmente aceito para a felicidade? Esse conceito não existe. Tentar entender como esse e outros sentimentos acontecem é fascinante, mas, na prática, fundamental é sentir e descobrir quais estímulos movem seu cérebro na “produção” da sua felicidade.
Concluo com isso que mais importante que discutirmos sobre o que é e como ocorre a felicidade, ganhamos mais ao descobrirmos, individualmente, o que faz nosso coração acelerar, as mãos suarem e o estômago contrair de maneira prazerosa (e não nos faz ter vontade de correr ou lutar - só uma dica!) para direcionarmos nossa busca na vida pelo que nos desperta aquele sentimento bom, que todos conhecemos, mesmo que não saibamos definir, e que podemos chamar de felicidade.
Marcela R. da Costa
Na verdade,vai depender da situação em que você se encontra.Se você estiver diante de um grande público prestes a palestrar pela primeira vez, provavelmente estará apreensivo, ansioso. Se estiver diante de uma situação de perigo, com certeza estará com medo.Mas se estiver diante de alguém especial, pode estar apaixonado.
Estimulada a encontrar explicações neuroquímicas para sentimentos como felicidade e paixão, deparei-me com a constatação de que estas não existem realmente, pelo menos não de maneira conclusiva ou satisfatória. E pior, descobri como as respostas fisiológicas aos sentimentos são inespecíficas, como as manifestações citadas acima (taquicardia, sudorese e contrações estomacais) e o que vai nos ajudar a identificar o que estamos sentindo é o estímulo social ou situacional, segundo alguns estudiosos. Assim, suas mãos podem suar por medo ou por paixão, e o coração acelerar em qualquer das situações supracitadas.
Desse modo, será que até nossos sentimentos nos são socialmente impostos e não nos cabe individualidade alguma no sentir?
Refletindo bem, essa possibilidade não é aceitável. A influência social existe e é inegável em nossas vidas, entretanto, por mais que nos digam como é sentir medo, estar feliz ou apaixonado, só aprendemos seus significados ao experimentarmos cada sentimento, e a experiência é algo vivenciado de maneira bem particular por cada indivíduo.
Cada pessoa experimenta determinado sentimento, nomeando-o de acordo com sua própria avaliação. Ninguém pode experimentar o sentimento do outro para saber se ele está confundindo medo com paixão diante de alguém (os “sintomas” são os mesmos).
Além disso, os sentimentos são desencadeados por estímulos e o mesmo estímulo pode provocar diferentes reações em pessoas diferentes, logo os sentimentos não serão os mesmos.
Como qualquer outro sentimento, assim é a felicidade. Todos que já experimentaram sabem o que é, apesar de não ser a mesma coisa para todos que experimentaram.
Se todos sentissem da mesma forma não haveria um conceito universalmente aceito para a felicidade? Esse conceito não existe. Tentar entender como esse e outros sentimentos acontecem é fascinante, mas, na prática, fundamental é sentir e descobrir quais estímulos movem seu cérebro na “produção” da sua felicidade.
Concluo com isso que mais importante que discutirmos sobre o que é e como ocorre a felicidade, ganhamos mais ao descobrirmos, individualmente, o que faz nosso coração acelerar, as mãos suarem e o estômago contrair de maneira prazerosa (e não nos faz ter vontade de correr ou lutar - só uma dica!) para direcionarmos nossa busca na vida pelo que nos desperta aquele sentimento bom, que todos conhecemos, mesmo que não saibamos definir, e que podemos chamar de felicidade.
Marcela R. da Costa
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Peixinho bobo
Continuação dos textos do Peixinho Doido:
1) Peixinho Doido: http://ligadavirtude.blogspot.com/2009/11/o-peixinho-doido.html
2) Peixinho Esquentado: http://ligadavirtude.blogspot.com/2010/03/peixinho-esquentado.html
3) Peixinho de volta para casa: http://ligadavirtude.blogspot.com/2010/03/o-peixinho-de-volta-para-casa.html
Envolvido em sua rotina diária de afazeres no seu aquário, o peixinho vivia um pouco entediado. Passear, procurar comida, estudar e trabalhar eram sua rotina. Mesmo se conhecendo, mesmo vivendo na busca de seus sonhos, às vezes ele sentia um vazio enorme em seu coração, não sabia por que, vivia a vida que queria e tinha plena consciência de tudo a sua volta, sua cabeça lhe mostrava o caminho e comandava seu coração.
Um dia passeando, como sempre, entre uma pedra amarronzada e uma alga em um dos cantos do aquário, percebeu algo diferente. Logo após a virada a esquerda na pedra, sentiu algo estranho, sentiu um arrepio, sentiu uma pontada no coração, uma luz surgiu a sua frente, uma luz ainda fraca, parecia bem diferente da luminária do aquário, na verdade ele nunca tinha visto aquele brilho antes.
E se aproximando bem lentamente da luz surgiu uma peixinha, uma peixinha bem diferente das outras e fisicamente bem diferente dele, tinha caldas longas, era menor em tamanho, suas escamas eram douradas, parecia outra espécie de peixe, mas seus olhos, ah seus olhos, o brilho que preenchia seu coração vinha dali, daqueles olhos. Por um momento pensou: será que ninguém está vendo esta luz, este brilho, mas parecia que mais ninguém poderia enxergar o que seus olhos não conseguiam desviar.
Ela parou em sua frente parecendo esperar sua passagem, porém ele não sabia mais para onde ir, seu destino fora esquecido, seu horizonte, naquele momento, ficou restrito a poucos metros, seus sonhos lhe escaparam, seu chão que sempre era tão certo e planejado caiu num abismo sem fim.
Até hoje não sabe como algo teve tanta força em sua vida. Não parecia racional, sua vida tinha um sentido e aquilo não tinha. Que sentimento forte era aquele que preenchia seu “eu” de forma tão intensa e vibrante, e por um momento, tudo parecia não ter mais sentido algum, aquele brilho se transformou em seu próprio brilho.
E então descobriu que a vida sempre irá lhe tirar do caminho planejado, o certo não faz parte deste mundo e que existe uma coisa mais forte que sua admiração por si.
Não foi fácil para ele, percebeu que em matéria de paixão era uma criança inexperiente, não podia controlar a situação, sentimentos não são possíveis de manobrar, mas o imprevisível tomou conta de seu destino e o transformou num bobo, um peixinho bobo sem rumo e sem direção.
A peixinha era bem parecida com ele na forma de pensar, tinha sonhos elevados, já tinha também visitado alguns rios e mares e sabia que a vida era muito maior que seu aquário. Nesta descoberta mútua, ficaram bobos, a paixão preencheu seus corações e nada mais fazia sentido. Como é bom estar apaixonado, pensava o peixinho e a peixinha.
Então, o peixinho apreendeu mais uma coisa, que em matéria de amor nada tinha lógica, sua razão foi vencida, este sentimento é mais forte que seu pensamento. Sua vida, agora, parecia sem rumo, mas que toda vez que via a peixinha aparentava ter um sentido, que sentido? Ele ainda não sabe, porém a sensação de que tinha encontrado a coisa mais importante de sua vida não lhe escapava, se antes sua razão lhe mostrava o caminho agora seu coração comanda sua vida.
Se era instinto ou apenas sinais elétricos dentro de sua cabeça ele não sabia, mas tudo a sua volta parecia diferente, a peixinha havia lhe mostrado algo novo, algo que ele não entendia ainda muito bem, mas que depois que sentimos não há volta, quando o coração comanda nossas vidas a razão perde a importância. O que o peixinho vai fazer agora? Ele ainda não descobriu, porém se um peixinho doido podia viver tanta aventura, imaginem o que dois peixinhos doidos juntos e apaixonados poderiam fazer?
Haja tanta vontade de viver.
Obs.: Vale ressaltar que este texto é pura ficção, rs.
1) Peixinho Doido: http://ligadavirtude.blogspot.com/2009/11/o-peixinho-doido.html
2) Peixinho Esquentado: http://ligadavirtude.blogspot.com/2010/03/peixinho-esquentado.html
3) Peixinho de volta para casa: http://ligadavirtude.blogspot.com/2010/03/o-peixinho-de-volta-para-casa.html
Envolvido em sua rotina diária de afazeres no seu aquário, o peixinho vivia um pouco entediado. Passear, procurar comida, estudar e trabalhar eram sua rotina. Mesmo se conhecendo, mesmo vivendo na busca de seus sonhos, às vezes ele sentia um vazio enorme em seu coração, não sabia por que, vivia a vida que queria e tinha plena consciência de tudo a sua volta, sua cabeça lhe mostrava o caminho e comandava seu coração.
Um dia passeando, como sempre, entre uma pedra amarronzada e uma alga em um dos cantos do aquário, percebeu algo diferente. Logo após a virada a esquerda na pedra, sentiu algo estranho, sentiu um arrepio, sentiu uma pontada no coração, uma luz surgiu a sua frente, uma luz ainda fraca, parecia bem diferente da luminária do aquário, na verdade ele nunca tinha visto aquele brilho antes.
E se aproximando bem lentamente da luz surgiu uma peixinha, uma peixinha bem diferente das outras e fisicamente bem diferente dele, tinha caldas longas, era menor em tamanho, suas escamas eram douradas, parecia outra espécie de peixe, mas seus olhos, ah seus olhos, o brilho que preenchia seu coração vinha dali, daqueles olhos. Por um momento pensou: será que ninguém está vendo esta luz, este brilho, mas parecia que mais ninguém poderia enxergar o que seus olhos não conseguiam desviar.
Ela parou em sua frente parecendo esperar sua passagem, porém ele não sabia mais para onde ir, seu destino fora esquecido, seu horizonte, naquele momento, ficou restrito a poucos metros, seus sonhos lhe escaparam, seu chão que sempre era tão certo e planejado caiu num abismo sem fim.
Até hoje não sabe como algo teve tanta força em sua vida. Não parecia racional, sua vida tinha um sentido e aquilo não tinha. Que sentimento forte era aquele que preenchia seu “eu” de forma tão intensa e vibrante, e por um momento, tudo parecia não ter mais sentido algum, aquele brilho se transformou em seu próprio brilho.
E então descobriu que a vida sempre irá lhe tirar do caminho planejado, o certo não faz parte deste mundo e que existe uma coisa mais forte que sua admiração por si.
Não foi fácil para ele, percebeu que em matéria de paixão era uma criança inexperiente, não podia controlar a situação, sentimentos não são possíveis de manobrar, mas o imprevisível tomou conta de seu destino e o transformou num bobo, um peixinho bobo sem rumo e sem direção.
A peixinha era bem parecida com ele na forma de pensar, tinha sonhos elevados, já tinha também visitado alguns rios e mares e sabia que a vida era muito maior que seu aquário. Nesta descoberta mútua, ficaram bobos, a paixão preencheu seus corações e nada mais fazia sentido. Como é bom estar apaixonado, pensava o peixinho e a peixinha.
Então, o peixinho apreendeu mais uma coisa, que em matéria de amor nada tinha lógica, sua razão foi vencida, este sentimento é mais forte que seu pensamento. Sua vida, agora, parecia sem rumo, mas que toda vez que via a peixinha aparentava ter um sentido, que sentido? Ele ainda não sabe, porém a sensação de que tinha encontrado a coisa mais importante de sua vida não lhe escapava, se antes sua razão lhe mostrava o caminho agora seu coração comanda sua vida.
Se era instinto ou apenas sinais elétricos dentro de sua cabeça ele não sabia, mas tudo a sua volta parecia diferente, a peixinha havia lhe mostrado algo novo, algo que ele não entendia ainda muito bem, mas que depois que sentimos não há volta, quando o coração comanda nossas vidas a razão perde a importância. O que o peixinho vai fazer agora? Ele ainda não descobriu, porém se um peixinho doido podia viver tanta aventura, imaginem o que dois peixinhos doidos juntos e apaixonados poderiam fazer?
Haja tanta vontade de viver.
Obs.: Vale ressaltar que este texto é pura ficção, rs.
terça-feira, 6 de abril de 2010
As teorias sobre a Homossexualidade
Sempre evitei escrever sobre este tema, não que tenha qualquer preconceito ou receio, mas porque nunca tive uma opinião formada sobre o tema. O mesmo acontece sobre o Aborto, não tenho embasamento suficiente para ser contra ou a favor. Entretanto, este artigo visa somente esclarecer algumas teorias naturais sobre o tema embasado no livro Além de Darwin.
Existem atualmente duas teorias sobre a origem do homossexualidade. A primeira teoria é que a homossexualidade é estritamente psicológica, ou seja, que os eventos necessários e a escolha feita para um ser desejar outro ser do mesmo sexo é estritamente psicológica. Neste caso a cultura, família e a sociedade como um todo favorece ou não o aparecimento dos mesmos.
Tudo na natureza tem uma explicação ou função. De acordo com a teoria da evolução a natureza é formada por um sistema aleatório de eventos que poderíamos chamar de caos. Dentro deste ambiente somente progridem eventos cujos resultados são necessários ou que possuam alguma função neste conjunto, dentro deste aspecto é que surgiu a segunda teoria, pois algumas observações relataram que o número de indivíduos homossexuais entre humanos sempre foi constante ao longo do tempo, em diferentes sociedades e também na maioria dos seres vivos vertebrados terrestres. Portanto se existem outros seres vivos homossexuais que não somente o Homo Sapiens, então deve haver alguma função natural para isto ou pelo menos alguma explicação natural de sua existência.
A segunda teoria é que exista um gene no DNA de cada ser, responsável pela manifestação de desejo entre seres do mesmo sexo, o processo neste caso seria natural, com função para o meio ambiente e para a perpetuação da espécie. Vamos voltar um pouco, se realmente existir um gene responsável por isto (nada foi provado ainda) então o homossexualismo tem alguma função importante para a sobrevivência da espécie, não esqueçam que tudo somente continua na natureza se tiver alguma função para a natureza ou para o ambiente que está inserido. No entanto como a relação entre dois indivíduos do mesmo sexo pode ser importante para a perpetuação da espécie se eles não poderiam procriar e neste caso estariam colaborando para a não perpetuação da mesma? Muitos estudos começaram a ser feitos sobre isto e recentemente o pesquisador italiano Andrea Camperio Ciani desenvolveu uma teoria baseada em pesquisas na descendência da família de homossexuais e é bastante simples: se a seleção natural não podou a homossexualidade, pode ser que os componentes genéticos por trás dela tragam algum tipo de vantagem reprodutiva, por mais paradoxal que isso soe.
Mães e tias de homossexuais masculinos são mais férteis que a média das mulheres. Pela teoria estas mães sentir-se-iam mais atraídas pelo sexo oposto e, portanto tenderiam a ter mais filhos. Assim como conseqüência de mais descendentes, mais probabilidade desses genes se propagarem pela população. O efeito disto é que a natureza, visando impedir que houvesse pouca diversidade de DNA, devido ao grande número de filhos, gera alguns com tendência a homossexualidade impedindo que um número ainda maior de descendentes se propagasse.
Pode parecer maluquice mais explica de certo modo a função da homossexualidade na população ativa de alguns seres vertebrados.
É bom lembrar que este estudo não é conclusivo e apenas tenta explicar a continuidade de homossexuais em população de seres vivos. O que acham?
Existem atualmente duas teorias sobre a origem do homossexualidade. A primeira teoria é que a homossexualidade é estritamente psicológica, ou seja, que os eventos necessários e a escolha feita para um ser desejar outro ser do mesmo sexo é estritamente psicológica. Neste caso a cultura, família e a sociedade como um todo favorece ou não o aparecimento dos mesmos.
Tudo na natureza tem uma explicação ou função. De acordo com a teoria da evolução a natureza é formada por um sistema aleatório de eventos que poderíamos chamar de caos. Dentro deste ambiente somente progridem eventos cujos resultados são necessários ou que possuam alguma função neste conjunto, dentro deste aspecto é que surgiu a segunda teoria, pois algumas observações relataram que o número de indivíduos homossexuais entre humanos sempre foi constante ao longo do tempo, em diferentes sociedades e também na maioria dos seres vivos vertebrados terrestres. Portanto se existem outros seres vivos homossexuais que não somente o Homo Sapiens, então deve haver alguma função natural para isto ou pelo menos alguma explicação natural de sua existência.
A segunda teoria é que exista um gene no DNA de cada ser, responsável pela manifestação de desejo entre seres do mesmo sexo, o processo neste caso seria natural, com função para o meio ambiente e para a perpetuação da espécie. Vamos voltar um pouco, se realmente existir um gene responsável por isto (nada foi provado ainda) então o homossexualismo tem alguma função importante para a sobrevivência da espécie, não esqueçam que tudo somente continua na natureza se tiver alguma função para a natureza ou para o ambiente que está inserido. No entanto como a relação entre dois indivíduos do mesmo sexo pode ser importante para a perpetuação da espécie se eles não poderiam procriar e neste caso estariam colaborando para a não perpetuação da mesma? Muitos estudos começaram a ser feitos sobre isto e recentemente o pesquisador italiano Andrea Camperio Ciani desenvolveu uma teoria baseada em pesquisas na descendência da família de homossexuais e é bastante simples: se a seleção natural não podou a homossexualidade, pode ser que os componentes genéticos por trás dela tragam algum tipo de vantagem reprodutiva, por mais paradoxal que isso soe.
Mães e tias de homossexuais masculinos são mais férteis que a média das mulheres. Pela teoria estas mães sentir-se-iam mais atraídas pelo sexo oposto e, portanto tenderiam a ter mais filhos. Assim como conseqüência de mais descendentes, mais probabilidade desses genes se propagarem pela população. O efeito disto é que a natureza, visando impedir que houvesse pouca diversidade de DNA, devido ao grande número de filhos, gera alguns com tendência a homossexualidade impedindo que um número ainda maior de descendentes se propagasse.
Pode parecer maluquice mais explica de certo modo a função da homossexualidade na população ativa de alguns seres vertebrados.
É bom lembrar que este estudo não é conclusivo e apenas tenta explicar a continuidade de homossexuais em população de seres vivos. O que acham?
terça-feira, 30 de março de 2010
Tudo por mulher
Estou lendo neste momento um livro chamado Além de Darwin – Reinaldo José Lopes, neste livro o autor descreve algo muito interessante no capítulo sobre Parceiros. Este livro procura trazer a realidade atual os ensinamentos da Teoria da Seleção Natural. Apesar de toda esta “inteligência” humana ainda somos programados a agirmos como animais na maioria das nossas ações.
Neste capítulo o autor descreve como a reprodução influencia a vida dos seres vivos e principalmente dos humanos. Vou contar um pouco a história ali retratada.
Todos sabem sobre a história de Troia e a guerra travada com a Grécia para recuperar a princesa seqüestrada: Helena. De acordo com análises modernas a verdadeira história não foi bem assim. A Grécia atacou Troia por causa de suas famosas mulheres solteiras e não por causa de somente uma, Helena. Pessoas acham que Aquiles teve como objetivo a glória eterna, no entanto a glória, fama ou status social nos garante o acesso a uma série de recursos, como mulheres.
Pode parecer primitivo demais, porém estudos recentes trazem a tona muitas verdades sobre as guerras primitivas que nos deixariam perplexos. A Grécia tinha falta de mulheres neste período. Vivia numa crise sem precedentes por causa das invasões bárbaras, e sociedades primitivas tinham como causa comum de suas guerras, as mulheres. Guerreiros e chefes tribais lutavam para aumentar o numero de concubinas. Com mais mulheres na mão do chefão, maior a chance de ele deixar uma família numerosa e poderosa – exatamente o maior prêmio que a evolução pode conceber a um ser vivo. De acordo com o autor isto acontece porque as mulheres humanas somente podem procriar por um tempo determinado de vida, que naquela época era até perto dos 25 anos e somente poderiam gerar 1 filho ao ano. Portanto os chefes precisavam de outras mulheres para criar uma maior descendência.
Outro ponto é que tribos primitivas precisam de um numero maior de guerreiros que mulheres, então acontecia com freqüência o infanticídio de crianças do sexo feminino. Quando as crianças, do sexo masculino, atingiam a puberdade, não tinha numero suficiente de mulheres para procriar e o excesso de guerreiros levava naturalmente a guerras com os vizinhos em busca do sexo feminino.
Era muito comum os chefes tribais terem um harém de mulheres, assim como acontece na grande maioria dos mamíferos, os mais poderosos procriam mais e deixam mais descendentes.
Num dos trechos da Ilíada – obra grega, dizia Aquiles: “Passei muitas noites insones e dias sangrentos na batalha, lutando com outros homens por suas mulheres”.
Vocês não vão acreditar mas até hoje é possível ter provas destas teorias acima. Grandes guerreiros da antiguidade deixaram grande numero de descendentes que pode ser provado pelos testes de DNA, vamos aos exemplos:
1. Niall – grande guerreiro celta que vivia na Escócia: a proporção de DNA com o mesmo filamento que remonta com grande precisão á época de Niall é de 15% no oeste e centro da Escócia e 2% dos Nova-iorquinos;
2. Giocangga – fundador da dinastia Qing na China: cerca de 1,5 milhões de pessoas na china carregam seu gene;
3. Gengis Khan – guerreiro mongol: 12 milhões de pessoas na Ásia trazem consigo o cromossomo Y dele;
Vamos agora trazer este questão a realidade atual, para que o homem precisa de dinheiro, poder, fama e status? Ora senão para a procriação, maior quantidade e possibilidade de deixar mais descendentes e de copular mais. Para que ter um carro melhor? Para conseguir um numero maior de mulheres.
Muito do nosso comportamento pode ser descrito pela necessidade natural, de qualquer ser vivo, de deixar um numero maior de descendentes.
No próximo capítulo o autor tenta explicar a presença, um bocado comum, da homossexualidade nos seres vivos vertebrados terrestres. Vocês não vão acreditar nas teorias sobre a homossexualidade, haja discussão.
Outra coisa acabei de comprar um livro ótimo sobre a linguagem - O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. Agora vocês vão ver o quanto limitados nós somos (risos), aguardem.
Neste capítulo o autor descreve como a reprodução influencia a vida dos seres vivos e principalmente dos humanos. Vou contar um pouco a história ali retratada.
Todos sabem sobre a história de Troia e a guerra travada com a Grécia para recuperar a princesa seqüestrada: Helena. De acordo com análises modernas a verdadeira história não foi bem assim. A Grécia atacou Troia por causa de suas famosas mulheres solteiras e não por causa de somente uma, Helena. Pessoas acham que Aquiles teve como objetivo a glória eterna, no entanto a glória, fama ou status social nos garante o acesso a uma série de recursos, como mulheres.
Pode parecer primitivo demais, porém estudos recentes trazem a tona muitas verdades sobre as guerras primitivas que nos deixariam perplexos. A Grécia tinha falta de mulheres neste período. Vivia numa crise sem precedentes por causa das invasões bárbaras, e sociedades primitivas tinham como causa comum de suas guerras, as mulheres. Guerreiros e chefes tribais lutavam para aumentar o numero de concubinas. Com mais mulheres na mão do chefão, maior a chance de ele deixar uma família numerosa e poderosa – exatamente o maior prêmio que a evolução pode conceber a um ser vivo. De acordo com o autor isto acontece porque as mulheres humanas somente podem procriar por um tempo determinado de vida, que naquela época era até perto dos 25 anos e somente poderiam gerar 1 filho ao ano. Portanto os chefes precisavam de outras mulheres para criar uma maior descendência.
Outro ponto é que tribos primitivas precisam de um numero maior de guerreiros que mulheres, então acontecia com freqüência o infanticídio de crianças do sexo feminino. Quando as crianças, do sexo masculino, atingiam a puberdade, não tinha numero suficiente de mulheres para procriar e o excesso de guerreiros levava naturalmente a guerras com os vizinhos em busca do sexo feminino.
Era muito comum os chefes tribais terem um harém de mulheres, assim como acontece na grande maioria dos mamíferos, os mais poderosos procriam mais e deixam mais descendentes.
Num dos trechos da Ilíada – obra grega, dizia Aquiles: “Passei muitas noites insones e dias sangrentos na batalha, lutando com outros homens por suas mulheres”.
Vocês não vão acreditar mas até hoje é possível ter provas destas teorias acima. Grandes guerreiros da antiguidade deixaram grande numero de descendentes que pode ser provado pelos testes de DNA, vamos aos exemplos:
1. Niall – grande guerreiro celta que vivia na Escócia: a proporção de DNA com o mesmo filamento que remonta com grande precisão á época de Niall é de 15% no oeste e centro da Escócia e 2% dos Nova-iorquinos;
2. Giocangga – fundador da dinastia Qing na China: cerca de 1,5 milhões de pessoas na china carregam seu gene;
3. Gengis Khan – guerreiro mongol: 12 milhões de pessoas na Ásia trazem consigo o cromossomo Y dele;
Vamos agora trazer este questão a realidade atual, para que o homem precisa de dinheiro, poder, fama e status? Ora senão para a procriação, maior quantidade e possibilidade de deixar mais descendentes e de copular mais. Para que ter um carro melhor? Para conseguir um numero maior de mulheres.
Muito do nosso comportamento pode ser descrito pela necessidade natural, de qualquer ser vivo, de deixar um numero maior de descendentes.
No próximo capítulo o autor tenta explicar a presença, um bocado comum, da homossexualidade nos seres vivos vertebrados terrestres. Vocês não vão acreditar nas teorias sobre a homossexualidade, haja discussão.
Outra coisa acabei de comprar um livro ótimo sobre a linguagem - O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. Agora vocês vão ver o quanto limitados nós somos (risos), aguardem.
terça-feira, 16 de março de 2010
O peixinho de volta para casa
Continuação dos textos do Peixinho Doido (http://ligadavirtude.blogspot.com/2009/11/o-peixinho-doido.html e http://ligadavirtude.blogspot.com/2010/03/peixinho-esquentado.html)
Certo dia, enquanto a mãe (peixinha nervosa) voltava de suas compras diárias, percebeu que havia alguma coisa diferente na cor das pedras do aquário onde seu buraco ficava. Parecia que aquelas cores nunca estiveram tão claras e brilhantes, sabia que algo tinha acontecido.
Quando finalmente se adentrou no orifício de seu recife artificial, percebeu que aquilo que havia perdido, sabe lá quando, havia voltado. A sensação de perder um filho era demais para ela, mas no fundo sabia que este dia chegaria, o pai (peixão preocupado) já estava interrogando seu peixinho doido sobre as loucuras de largar uma vida pronta para viver o desconhecido. Achavam que o gato tinha comido ele.
Os irmãos incrédulos começaram a pôr-lhe atualizado sobre realidade a sua frente, relatando os estudos perdidos, aniversários desperdiçados, banquetes de novas algas industrializadas desprezados. Queriam saber o que deu nele, não estavam preocupados com suas estórias e sim cobravam dele explicações sobre como pode ter jogado parte de sua vida fora. Agora não podia entrar na universidade, não tinha diploma para isto. Como pôde o peixinho ter ficado tão doido.
Naquele momento ele lembrou-se de uma passagem importante que poderia esclarecer seus motivos a seus familiares incrédulos. O peixinho sabia que às vezes a família é a que mais cobra de seus membros comportamentos sociais típicos e desse jeito tole seus desejos e sonhos. Lembrou que certo dia enquanto procurava comida, estava sendo seguido por outro peixe bem maior e que em vez de caçar estava sendo caçado, naquele momento de medo e angústia, repentinamente suas escamas mudaram de cor se confundindo com as algas ao redor e deixando-o invisível para o peixão faminto. Demonstrou aos seus irmãos que eles também podiam mudar de cor, que tinha feito descobertas e adquirido muito conhecimento em suas andanças, mas eles não entendiam porque precisavam mudar de cor, suas escamas eram cuidadas pelo peixe escameiro – peixe embelezador – mais famoso da cidade e cor das algas estava totalmente fora de moda, cafonérrimo.
E assim o peixinho percebeu outra coisa importante: que somente quando somos colocados em situações de risco é que habilidades, qualidades e potencialidades são descobertas. Quando limites são testados sonhos são revelados. Sem risco e sem uso, barbatanas são atrofiadas.
Não adiantava contar suas descobertas, seus familiares estavam tão entretidos com a sombra de suas rotinas que não conseguiam enxergar a ilusão de suas vidas subaquáticas. E assim o peixinho foi novamente taxado de doido, recolhendo-se ao seu minúsculo buraquinho. Como é difícil ser diferente.
Mas..., o peixinho voltou para sua casa, voltou porque entendeu que todas as buscas e inquietações partem e chegam num só lugar, DENTRO DELE MESMO. Precisamos viajar e buscar novos ares, novas correntes marítimas, encontrar peixes esquisitos e bravos, encantar-se com uma sereia, para perceber que tudo tinha apenas um objetivo, SE DESCOBRIR.
Aquele vazio que sentia toda vez que saturava-se com uma nova descoberta, era justamente o vazio de seu próprio "eu" não revelado, a verdadeira viagem é aquela que encontra seu propósito, seus sonhos.
Não bastava descobrir os rios, mares, céus e universo, sem encantar-se consigo mesmo. Não importava mais se estava novamente no aquário, se tinha voltado para a segurança de sua vida, nem para aqueles que não percebiam nada além do vidro de seu aquário, ele tinha se encontrado, sua primeira jornada havia acabado, sonhos haviam emergido das profundezas de seu pequeno, mas palpitante, coração.
Ele sabia que para chegar até ali precisava ter se arriscado, corrido até risco de vida e ter pulado do aquário naquele momento; sem risco não há descoberta, mesmo aquelas que estavam diante de seus olhos. Mesmo voltando ao ponto de partida, ele sabia que aonde vamos, não importa, a busca e o caminho traçado é que marca nossa existência.
Pois é, uma jornada se foi, uma vida se foi, se foi? O peixinho sabe que momentos intensos, trilhas aquáticas desbravadas são momentos eternos. Esta viagem lhe ensinou que o fim era apenas o começo de uma nova viagem. Depois que descobrimos nossos sonhos, todos os momentos se tornam especiais, mesmo dentro de seu aquário.
A verdadeira viagem é a busca de si mesmo e esta não termina nunca.
Certo dia, enquanto a mãe (peixinha nervosa) voltava de suas compras diárias, percebeu que havia alguma coisa diferente na cor das pedras do aquário onde seu buraco ficava. Parecia que aquelas cores nunca estiveram tão claras e brilhantes, sabia que algo tinha acontecido.
Quando finalmente se adentrou no orifício de seu recife artificial, percebeu que aquilo que havia perdido, sabe lá quando, havia voltado. A sensação de perder um filho era demais para ela, mas no fundo sabia que este dia chegaria, o pai (peixão preocupado) já estava interrogando seu peixinho doido sobre as loucuras de largar uma vida pronta para viver o desconhecido. Achavam que o gato tinha comido ele.
Os irmãos incrédulos começaram a pôr-lhe atualizado sobre realidade a sua frente, relatando os estudos perdidos, aniversários desperdiçados, banquetes de novas algas industrializadas desprezados. Queriam saber o que deu nele, não estavam preocupados com suas estórias e sim cobravam dele explicações sobre como pode ter jogado parte de sua vida fora. Agora não podia entrar na universidade, não tinha diploma para isto. Como pôde o peixinho ter ficado tão doido.
Naquele momento ele lembrou-se de uma passagem importante que poderia esclarecer seus motivos a seus familiares incrédulos. O peixinho sabia que às vezes a família é a que mais cobra de seus membros comportamentos sociais típicos e desse jeito tole seus desejos e sonhos. Lembrou que certo dia enquanto procurava comida, estava sendo seguido por outro peixe bem maior e que em vez de caçar estava sendo caçado, naquele momento de medo e angústia, repentinamente suas escamas mudaram de cor se confundindo com as algas ao redor e deixando-o invisível para o peixão faminto. Demonstrou aos seus irmãos que eles também podiam mudar de cor, que tinha feito descobertas e adquirido muito conhecimento em suas andanças, mas eles não entendiam porque precisavam mudar de cor, suas escamas eram cuidadas pelo peixe escameiro – peixe embelezador – mais famoso da cidade e cor das algas estava totalmente fora de moda, cafonérrimo.
E assim o peixinho percebeu outra coisa importante: que somente quando somos colocados em situações de risco é que habilidades, qualidades e potencialidades são descobertas. Quando limites são testados sonhos são revelados. Sem risco e sem uso, barbatanas são atrofiadas.
Não adiantava contar suas descobertas, seus familiares estavam tão entretidos com a sombra de suas rotinas que não conseguiam enxergar a ilusão de suas vidas subaquáticas. E assim o peixinho foi novamente taxado de doido, recolhendo-se ao seu minúsculo buraquinho. Como é difícil ser diferente.
Mas..., o peixinho voltou para sua casa, voltou porque entendeu que todas as buscas e inquietações partem e chegam num só lugar, DENTRO DELE MESMO. Precisamos viajar e buscar novos ares, novas correntes marítimas, encontrar peixes esquisitos e bravos, encantar-se com uma sereia, para perceber que tudo tinha apenas um objetivo, SE DESCOBRIR.
Aquele vazio que sentia toda vez que saturava-se com uma nova descoberta, era justamente o vazio de seu próprio "eu" não revelado, a verdadeira viagem é aquela que encontra seu propósito, seus sonhos.
Não bastava descobrir os rios, mares, céus e universo, sem encantar-se consigo mesmo. Não importava mais se estava novamente no aquário, se tinha voltado para a segurança de sua vida, nem para aqueles que não percebiam nada além do vidro de seu aquário, ele tinha se encontrado, sua primeira jornada havia acabado, sonhos haviam emergido das profundezas de seu pequeno, mas palpitante, coração.
Ele sabia que para chegar até ali precisava ter se arriscado, corrido até risco de vida e ter pulado do aquário naquele momento; sem risco não há descoberta, mesmo aquelas que estavam diante de seus olhos. Mesmo voltando ao ponto de partida, ele sabia que aonde vamos, não importa, a busca e o caminho traçado é que marca nossa existência.
Pois é, uma jornada se foi, uma vida se foi, se foi? O peixinho sabe que momentos intensos, trilhas aquáticas desbravadas são momentos eternos. Esta viagem lhe ensinou que o fim era apenas o começo de uma nova viagem. Depois que descobrimos nossos sonhos, todos os momentos se tornam especiais, mesmo dentro de seu aquário.
A verdadeira viagem é a busca de si mesmo e esta não termina nunca.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Solteiros x Casados = Funeiros
Há algum tempo tenho pensado em escrever um artigo sobre este tema, muitos têm me questionado sobre como tem sido minhas experiências em ambos os casos. Todos temos opiniões sobre este tema, já que faz parte da vida cotidiana e moderna a passagem habitual entre estes dois estados.
Não pretendo aqui repetir a mesma ladainha de sempre sobre o tema, pretendo tentar ir um pouco além das analises de botequim.
O homem é um animal, um mamífero, somos da mesma linhagem animal dos símios. Como mamíferos temos a necessidade natural de convivência em grupo, todos os mamíferos precisam dos pais por um tempo médio maior que outros gêneros animais. Isto decorre da nossa necessidade de amamentação, alimentação diária, proteção, entre outros. Quando crias, precisamos ser amamentados e nesta fase precisamos dos pais para quase tudo, uma criança humana não pode sobreviver sozinho nem por um dia. Também não temos capacidade de nos alimentarmos sozinho, o homem não tem armas naturais para caçar, nossos membros não são desenvolvidos para este propósito e sem falar em proteção, precisamos conviver em grupo para dividirmos as tarefas de proteção e alimentação.
Com isto, averiguamos a necessidade humana de conviver em grupo e assim desenvolver as características afetivas que temos. Podem perceber que os mamíferos, em geral, desenvolvem laços afetivos muito maiores que outros grupos de animais.
Dentro deste contexto, vejo como natural a união dos humanos em grupo, família ou casais, apesar deste ultimo ser muito mais uma característica desenvolvida pela cultura e religiões, que propriamente da natureza da espécie. No entanto me parece mais coerente vivermos em família que sozinhos ou em grupos maiores. Quanto menor o grupo a que pertencemos mais afetividade e mais proteção recebemos e o homem tem uma necessidade grande de proteção, precisamos nos sentir protegidos o tempo todo para conquistarmos a felicidade
Ora, então parece que pessoas que vivem solteiras ou sozinhas estão indo contra a tendência natural da espécie? Percebe-se que nosso sistema econômico e de governo atual, influenciou em muito nossa cultura e nossa forma de enxergar o mundo nos últimos dois séculos, principalmente após a segunda guerra mundial que trouxe uma aparente sensação de paz e prosperidade no mundo ocidental a partir desta data. Conquistamos as necessidades básicas de alimentação e de moradia, pelo menos para parte da população, mesmo que ainda pequena, hoje é muito maior que na idade média. Para esta classe média, alimentação e proteção não são mais problemas, aquela necessidade natural foi suprida e outras necessidades começaram a surgir.
O homem começou a se diferenciar pela competência individual, cada um passou a ser responsável pelas suas decisões. O grau de sucesso no capitalismo é medido pela diferenciação e pela capacidade individual de fazer mais que o outro. Criaram-se assim indivíduos que não precisam mais de proteção familiar. A mudança do bem do grupo para o bem individual trouxe muitas mudanças culturais e refletem a forma de viver do homem atual.
Ser solteiro é ser responsável por você mesmo, é fugir, também, do conceito: nascer - estudar – trabalhar – criar filhos – morrer. Os solteiros, em geral, saem um pouco deste padrão, eles querem conhecer lugares, ter mais amigos, descobrir o mundo.
Não estou defendendo os solteiros, nem tampouco os casados, acho que ambos têm seu lugar, quero aqui é criar um novo padrão, o Funeiro (junção da palavra em inglês “fun” com companheiro).
Esta classe seria formada por pessoas que gostem de ter relacionamentos com o outro sexo mais não querem deixar de descobrir o mundo. Nesta classe as pessoas se uniram apenas por quererem muito compartilhar experiências, conhecimentos, carinhos e sexo de forma completa. Cada um teria sua própria vida, suas individualidade, suas experiências, mas também compartilhariam as experiências do parceiro. Teriam sim, que ter muitas afinidades, mas poderiam aumentar suas capacidades individuais de experimentar e de descobrir novas potencialidades.
Os casais somente estariam juntos para viver a vida intensamente, sem obrigações, sem casamentos, sem filhos, sem buscar suprir necessidades e proteção nos outros, sem carências, sem compartilhar a vida financeira.
Poderiam viver num mesmo teto ou não (bem que dormir juntinho é bom demais), poderiam dividir a vida financeira, mas cada um precisa ter seu controle financeiro, viver junto não é dividir patrimônio (este conceito é de séculos atrás, quando o casamento era apenas para unir famílias). O interessante é que a convivência precisa ser livre, sem compromissos ou formalidades.
Estaríamos juntos apenas para vivermos intensamente nossas experiências e buscas. Seria um mix entre os solteiros e os casados, tentando unir o lado bom de cada.
Bem, já falei demais, podemos juntos pensar melhor nesta próxima etapa de convivência humana. Tragam-me mais idéias de como poderia ser os Funeiros. Vamos criar um novo mundo juntos.
Obs: se não gostaram do nome, me dêem alternativas, rs.
Não pretendo aqui repetir a mesma ladainha de sempre sobre o tema, pretendo tentar ir um pouco além das analises de botequim.
O homem é um animal, um mamífero, somos da mesma linhagem animal dos símios. Como mamíferos temos a necessidade natural de convivência em grupo, todos os mamíferos precisam dos pais por um tempo médio maior que outros gêneros animais. Isto decorre da nossa necessidade de amamentação, alimentação diária, proteção, entre outros. Quando crias, precisamos ser amamentados e nesta fase precisamos dos pais para quase tudo, uma criança humana não pode sobreviver sozinho nem por um dia. Também não temos capacidade de nos alimentarmos sozinho, o homem não tem armas naturais para caçar, nossos membros não são desenvolvidos para este propósito e sem falar em proteção, precisamos conviver em grupo para dividirmos as tarefas de proteção e alimentação.
Com isto, averiguamos a necessidade humana de conviver em grupo e assim desenvolver as características afetivas que temos. Podem perceber que os mamíferos, em geral, desenvolvem laços afetivos muito maiores que outros grupos de animais.
Dentro deste contexto, vejo como natural a união dos humanos em grupo, família ou casais, apesar deste ultimo ser muito mais uma característica desenvolvida pela cultura e religiões, que propriamente da natureza da espécie. No entanto me parece mais coerente vivermos em família que sozinhos ou em grupos maiores. Quanto menor o grupo a que pertencemos mais afetividade e mais proteção recebemos e o homem tem uma necessidade grande de proteção, precisamos nos sentir protegidos o tempo todo para conquistarmos a felicidade
Ora, então parece que pessoas que vivem solteiras ou sozinhas estão indo contra a tendência natural da espécie? Percebe-se que nosso sistema econômico e de governo atual, influenciou em muito nossa cultura e nossa forma de enxergar o mundo nos últimos dois séculos, principalmente após a segunda guerra mundial que trouxe uma aparente sensação de paz e prosperidade no mundo ocidental a partir desta data. Conquistamos as necessidades básicas de alimentação e de moradia, pelo menos para parte da população, mesmo que ainda pequena, hoje é muito maior que na idade média. Para esta classe média, alimentação e proteção não são mais problemas, aquela necessidade natural foi suprida e outras necessidades começaram a surgir.
O homem começou a se diferenciar pela competência individual, cada um passou a ser responsável pelas suas decisões. O grau de sucesso no capitalismo é medido pela diferenciação e pela capacidade individual de fazer mais que o outro. Criaram-se assim indivíduos que não precisam mais de proteção familiar. A mudança do bem do grupo para o bem individual trouxe muitas mudanças culturais e refletem a forma de viver do homem atual.
Ser solteiro é ser responsável por você mesmo, é fugir, também, do conceito: nascer - estudar – trabalhar – criar filhos – morrer. Os solteiros, em geral, saem um pouco deste padrão, eles querem conhecer lugares, ter mais amigos, descobrir o mundo.
Não estou defendendo os solteiros, nem tampouco os casados, acho que ambos têm seu lugar, quero aqui é criar um novo padrão, o Funeiro (junção da palavra em inglês “fun” com companheiro).
Esta classe seria formada por pessoas que gostem de ter relacionamentos com o outro sexo mais não querem deixar de descobrir o mundo. Nesta classe as pessoas se uniram apenas por quererem muito compartilhar experiências, conhecimentos, carinhos e sexo de forma completa. Cada um teria sua própria vida, suas individualidade, suas experiências, mas também compartilhariam as experiências do parceiro. Teriam sim, que ter muitas afinidades, mas poderiam aumentar suas capacidades individuais de experimentar e de descobrir novas potencialidades.
Os casais somente estariam juntos para viver a vida intensamente, sem obrigações, sem casamentos, sem filhos, sem buscar suprir necessidades e proteção nos outros, sem carências, sem compartilhar a vida financeira.
Poderiam viver num mesmo teto ou não (bem que dormir juntinho é bom demais), poderiam dividir a vida financeira, mas cada um precisa ter seu controle financeiro, viver junto não é dividir patrimônio (este conceito é de séculos atrás, quando o casamento era apenas para unir famílias). O interessante é que a convivência precisa ser livre, sem compromissos ou formalidades.
Estaríamos juntos apenas para vivermos intensamente nossas experiências e buscas. Seria um mix entre os solteiros e os casados, tentando unir o lado bom de cada.
Bem, já falei demais, podemos juntos pensar melhor nesta próxima etapa de convivência humana. Tragam-me mais idéias de como poderia ser os Funeiros. Vamos criar um novo mundo juntos.
Obs: se não gostaram do nome, me dêem alternativas, rs.
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