História: liga criada em 1780, por Henriette Herz na Alemanha com o propósito da virtude e produto das idéias iluministas, pregava a igualdade de todos os seres humanos. Era um local onde intelectuais se reuniam uma vez por semana para falar sobre Deus, política e sobre seus sentimentos. Re-criada em 13 de março de 2009 em Salvador, Brasil, para a expressão livre de pensamento baseada na razão.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O que é morte? – Visão da ciência – O quebra cabeça da senescência
Voltando ao assunto, a morte do ser humano começa com a morte das células individuais e é totalmente explicada por ela. Morte por ataque cardíaco, câncer, ou simplesmente velhice é morte causada por morte de células individuais. No entanto vimos anteriormente que a morte não é, a priori, uma exigência da vida. A morte das células somáticas – que morrem compulsoriamente - somente surgiu depois quando o DNA começou a fazer cópias de si mesmo e que seriam utilizadas para fins diferentes da reprodução. Para os seres humanos, isto significa que, depois que um número razoável de células germinativas tiver oportunidade de conferir seu DNA reprodutivo para gerações seguintes, o resto de nós – nosso eu somático – vira excesso de bagagem. Esta é a ordem biológica da senescência e morte.
Do ponto de vista humano, nosso eu somático é onde estão inseridas coisas como mente personalidade, consciência, amor e vontade, ou seja, coisas que nos definem como indivíduos únicos. Pensamos na reprodução apenas como uma das muitas atividades em que podemos desenvolver, mas não é assim que a natureza nos criou, fomos feitos para reproduzir e morrer. Temos usado nossa mente para inventar sistemas complexos de crenças para explicar a morte. Nenhum deles nos retrata como excesso de bagagem. Nenhum deles nos dispõe como meros instrumentos para transmitir DNA. No entanto, quando levamos a origem de nossa mente para além da mente e da crença, para seus verdadeiros primórdios – a morte das células individuais – chegamos a uma conclusão sombria e nada agradável: a irrelevância, no esquema maior do universo, de nosso eu somático. Não admira que a crença triunfe com tanta freqüência sobre a razão.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Fé x Religião
Por Camila Lisboa:
A leitura do texto sobre Fé x Razão (http://ligadavirtude.blogspot.com/2009/07/por-um-mundo-mais-tolerante.html) me fez querer discutir outra coisa: Fé x Religião, que na minha percepção são idéias distintas. As pessoas podem não seguir uma determinada religião, mas põem captar os ensinamentos que lhes pareçam mais interessantes em diversas religiões e estabelecer suas próprias doutrinas de viver baseadas no bem.
Infelizmente a religião não seguiu o seu propósito de União, vinda do verbo “religare” do latim. Os seres humanos e toda sua inteligência deturparam a essência da religião quando perceberam nela uma ferramenta de força e poder, utilizando-a de formas negativas. Foram se criando assim diversas religiões e o que por princípio deveria “re-ligar” as pessoas fez surgir blocos de doutrinas e pensamentos segregados.
Não vou discorrer sobre religião, pois este não é o foco deste texto. O que venho defender aqui é a Fé. Esta é uma das palavras mais fortes e presentes na vida de quem busca a felicidade. Fé pode ser em qualquer coisa... Fé que você vai conseguir correr 10km, fé que vai concluir um trabalho com sucesso, fé que um membro da família vai se curar... Simplesmente fé que não é mais do que acreditar com muita força de que algo que se deseje muito irá de fato ocorrer com sucesso.
Algumas pessoas atribuem a conquista de seus desejos de fé a Deus. Bem, para mim Deus é uma ilustração da força de vontade humana... Quando se diz que a fé move montanhas, nada mais é do que a força do homem focada em algo com muito vigor e desejo.
Adoro ler sobre grandes aventuras humanas e vejo a fé presente nas conquistas de homens que se depararam em situações onde só existiam eles, a natureza (com toda sua força e adversidades), a vontade de sobreviver e superar obstáculos e ninguém para contar. Nesta hora estas pessoas são regidas pela FÉ DA SOBREVIVÊNCIA. Por causa dela, podem ficar dias sem comer e mesmo assim ter forças para superar obstáculos que a ciência não explica.
Poderia dar INÙMEROS exemplos de fé aqui, de experiências pessoais, com amigos e relatos e livros que li. Vou comentar apenas um que para mim é uma das estórias mais impressionantes de força humana e fé que é a história de Shackleton. Foi a fé na vida que fez com que ele e sua tripulação completa sobrevivessem, apesar da escassez de comida, abrigos, referências e frio encontrados na Antártida no início do século passado. Recomendo esta leitura, é um exemplo de fé, determinação, coragem e liderança, além do enredo emocionante: A Incrível Viagem de Schackleton.
A fé na cura também é algo impressionante. É lindo ver pessoas reunidas em prol de ajudar a salvar a vida de alguém, seja através de doações, preces, conversas ou sorrisos. Esta energia dividida entre pessoas que amam alguém e desejam o seu bem é um ensinamento genuíno de amor e união através da fé. A fé une pessoas, independente de cor, raça, idade, classe social e religião – esta união vem da idéia comum, pensamentos positivos e ações em prol de ajudar o próximo. É uma pena que muitas pessoas só recorram à fé em momentos de desespero, mas é justamente nestes que fica claro a idéia de que somos todos iguais e a união de forças é a melhor forma de vencer barreiras, principalmente na luta pela sobrevivência.
O que defendo não é a religião em si e sim a MENTE RELIGIOSA, aquela voltada para o bem, que ama o próximo como a si mesmo.Conheço pessoas que vão à missa todos os domingos e, no entanto adoram uma fofoca e não têm uma postura religiosa na vida. Conheço outras ATÉIAS que negam a Deus e têm uma conduta exemplar de humanidade. Não existe um padrão de se ser religioso ou não faz as pessoas melhores ou piores, acho que a bondade e o amor estão no coração de cada um e cabe a cada pessoa expressar isso como sentir que é melhor. A religião pode servir apenas como ferramenta para uns... Cada um tem seu meio, não julgo nenhum.
Andar com fé: http://www.youtube.com/watch?v=yIyerOldVYA&feature=related
Camila Lisboa
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
O que é a morte? – Visão da Ciência – Porque envelhecemos?
Dentre as muitas teorias sobre porque as células envelhecem, apenas duas são objetos de estudos atualmente:
1. Escola de pensamento “Catastrofista”: nesta escola acredita-se que à medida que as células param de se dividir, quando atingimos a maturidade física, a síntese das varias moléculas diminui muito, e começam a perde a capacidade de se reproduzir adequadamente, gerando cópias irregulares, incapazes de executar as tarefas vitais para sua sobrevivência;
2. Escola de pensamento “Programadores Genéticos”: percebe-se que diferentes estágios do nosso crescimento e desenvolvimento são programados e são irreversíveis, porque a morte das células também não seria? Os pensadores desta escola argumentam que se fosse uma questão de partes se desgastando, o que explicaria as enormes diferenças na expectativa de vida dos organismos pluricelulares, todos basicamente feitos do mesmo material molecular? Não existem diferenças reais entre as proteínas de um camundongo e de um ser humano. Porque um vive três anos e outro oitenta?
Na verdade as duas escolas têm argumentos sólidos e possuem provas convincentes, por isto acredita-se que as duas estão certas. As células realmente sofrem desgastes na reposição e reconstrução de seu DNA ao longo dos anos, as células somáticas não possuem instrumentos de correção das mutações, as enzimas de reparos do DNA são muito mais ineficientes que nas células germinativas ou reprodutoras.
Também existem evidencias em favor da determinação genética. Por exemplo, gêmeos idênticos morrem em média com uma diferença de 36 meses, ou seja, sua expectativa de vida é muito parecida, em irmão que não são gêmeos o tempo médio entre as mortes é de 106 meses.
Dentro deste cenário, outra pergunta vem à tona, porque já que descendemos de células imortais como os seres unicelulares, nos tornamos mortais? A resposta parece ser que todas as células de um embrião humano em crescimento retêm a propriedade da imortalidade, porém quando o embrião começa a sofrer as especializações ou diferenciação das células que dão origem aos órgãos e tecidos do indivíduo, todas estas células tornam-se mortais.
A idéia de a mortalidade ser geneticamente programada é importantíssima, pois, neste caso, poderíamos alterar este processo conhecendo os mecanismos.
Somos mortais porque é vantajoso, os seres precisam sofrer mutações para melhor se adaptarem ao meio (lembram-se da teoria da evolução das espécies).
Bem, este assunto está começando a se tornar interessante e levando a algumas perguntas:
Poderíamos alterar a programação de morte em nossa DNA e nos tornarmos imortais?
Quais os efeitos disto na natureza, já que bloquearíamos um processo natural de adaptabilidade sobre as alterações do meio ambiente?
Existem seres imortais (seres unicelulares), porque não poderíamos também ser? A morte não é um co-requisito automático da vida.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
O que é a morte? – Visão da Ciência – Porque morremos?
Como relatado nos artigos anteriores certos os seres unicelulares como bactérias e amebas não possuem mecanismos de morte em seu interior, portanto somente podem morrer a causas acidentais. Então a morte não é inextricavelmente entretecida com a definição de vida. O ser humano, assim como todos os seres pluricelulares, deve morrer e há muitos mecanismos em nós para que morramos com toda certeza.
Parece que a morte que não pode ser evitada, ou morte programada, ou senescência, surgiu a partir dos primeiros organismos pluricelulares, estes seres apareceram quando a atmosfera começou a ser amplamente destruída pelo oxigênio, este gás é extremamente corrosivo e mortal. Isto fez surgir formas mais complexa de vida que pudessem sobreviver à mudança climática, este seriam os primeiro seres pluricelulares, estes seres tinham a capacidade de atribuir funções biológicas específicas a cada tipo de célula, atingindo também tamanho maior e capacidade maior de sobrevivência num mundo em transformação.
A morte programada fez sua aparição justamente neste período quando os primeiro seres pluricelulares começaram a reprodução sexuada. Neste momento uma pergunta ficou no ar: porque o sexo rapidamente se tornou a forma dominante de reprodução, já que antes a reprodução era assexuada, ou por fissão das células? A teoria mais aceita no momento e que acho mais adequada seria que o sexo produz variação genética na espécie trazendo uma maior adaptação das mesmas ao ambiente externo em transformação, ou seja, o início da evolução das espécies e seleção natural.
Uma segunda vantagem da reprodução sexuada é o reparo ou eliminação de erros genéticos, como os genes são misturados e redistribuídos aleatoriamente na descendência, reduzia-se assim o numero de cópias “ruins” do gene que flutuam pela população.
Outro ponto importante é que neste momento os seres pluricelulares passaram a ter células exclusivamente para reprodução, chamadas de germinativas, diferentemente de todas as outras células chamadas de somáticas. Estas células têm poder de se auto-corrigir mantendo seu DNA praticamente intacto por todo vida, já as células somáticas perdem parte do seu DNA com o tempo fazendo com que morram.
A morte pode não ser necessária para a vida, mas parece que a morte programada é necessária para que vejamos toda a vantagem biológica do sexo como parte da reprodução.
Que coisa, o sexo nos trouxe a morte.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
O que é a morte? – Visão da ciência – A morte de uma célula
As células são os “átomos da vida” para os seres vivos, elas são responsáveis por toda a diversidade de vida em nosso planeta. Entretanto sabemos que a vida não começou na forma de animais pluricelulares como os humanos, na verdade a composição da terra há bilhões de anos atrás criou um cenário propicio para o surgimento dos primeiros seres vivos que foram as células unicelulares, a ciência já conseguiu recriar em laboratório este cenário e conseguiu reproduzir a criação destes primeiros seres.
Estes organismos iniciais ainda existem hoje como bactérias, fungos, amebas e muitas outras formas de vida unicelular. As células, sejam indivíduos isolados ou parte de um organismo pluricelular, agora surgem somente de outras células, isto quer dizer que as bactérias e seres unicelulares existentes hoje são descendentes dos primeiros organismos há bilhões de anos. Este ponto é importante uma reflexão: nem todo ser vivo é programado para morrer, na verdade os seres unicelulares são imortais, eles somente morrem em decorrência de acidentes ou mudanças no ambiente, é bem possível que ainda hoje encontremos bactérias de bilhões de anos de existência.
Outro ponto importante é que todos os seres vivos do planeta nascem de uma única célula, ou seja, todo ser humano começa com uma célula, formada pela união de um espermatozóide com um óvulo.
Uma célula pode morrer de 3 formas: acidente ou infortúnio, chamada de necrose; por morte programada em seu DNA, a senescência; ou por autodestruição ou suicídio, chamada de apoptose. Isto mesmo que você leu, uma célula pode se autodestruir, esta descoberta foi um dos principais avanços no estudo da morte, algumas células de nosso corpo são programadas ou podem ser levadas a se suicidar em decorrência de algum evento importante de nossas vidas. Quando comentem suicídio, as células estão reagindo a um programa que não podem alterar de jeito nenhum e o numero de situações em que esta necessidade aparece é surpreendentemente grande. Como exemplo temos os neurônios, sua morte é o estado padrão de sua criação quando são enviados ao sistema nervoso central. Somente quando encontra uma conexão com outra célula é que desativarão seu programa de morte, cada célula nervosa que não encontra ou não consegue fazer uma conexão deve morrer cometendo suicídio. As células do sistema imunológico seguem o mesmo padrão, se não encontram nada para eliminar, devem morrer.
Outra descoberta importante é que toda célula do corpo tem embutido em si um programa de autodestruição, que podem ser ativados por outras células.
Próximo texto: Porque morremos?
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
O que é a morte? – Visão da Ciência – Introdução
O conhecimento realmente nos traz muita responsabilidade e ao mesmo tempo um medo muito grande das coisas que não podemos explicar. E a morte como o fim de nossa existência é o maior destes medos, somos os únicos seres no planeta que sabem que um dia vão morrer, criamos com isto inúmeras explicações para ela, nenhuma sociedade na história humana deixou de ter uma explicação para isto. A morte é tão importante para nós que ela influencia nossas vidas individuais e também nossos atos coletivos. Entende-la é uma parte muito importante da história humana.
Não existe uma área específica da ciência que estude a morte, na verdade a ciência tem até estudado muito pouco este assunto. Tem se preocupado mais em relação à vida das espécies e esqueceu que a morte ou o fim da vida é também importante para explicar a própria existência dos seres vivos.
Portanto, o que é a morte? A melhor maneira de estudar a morte é procurar entender a menor unidade indivisível da vida humana que é a célula. Neste ponto não somos diferentes dos outros seres vivos, todos são condenados a morrer como condição do nascimento e a morte de todos começa com a morte de algumas células.
Surpreendentemente, para os organismos unicelulares, evolutivamente mais antigos, a morte não é uma característica obrigatória da sua vida na terra. Parece que o envelhecimento e morte só tenham passado a existir muito após o surgimento dos seres unicelulares. A morte programada, ou morte por envelhecimento, ou senescência, somente apareceu quando as células começaram a experimentar o sexo ligado a reprodução. A ciência chama este período de perda da inocência, bem sugestivo.
Próximo Texto: A morte de uma célula.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
O que é a morte?
Sugiro que a seguinte ordem seja seguida visando um melhor aproveitamento do tema e que os comentários enviados por email para mim fossem feitos nos comentários abaixo de cada artigo:
1. Visão da ciência
2. Visão das religiões
3. Visão da Filosofia
Nos próximos dias estarei publicando um resumo com meus comentários sobre a visão da ciência sobre a morte baseada no livro:
Sexo e as origens da morte: como a ciência explica o envelhecimento e o fim da vida
William R. Clark
Abraços a todos
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita – Proposições 8º e 9º
Finalizando o tema “liberdade humana” onde começamos com a 1º de 9º proposições de Kant, descrevo abaixo um resumo das últimas proposições 8º e 9º. Quem ainda não leu da 1º a 7º favor dar uma olhada nos artigos anteriores para melhor compreensão.
Oitava proposição
Kant agora nos revela seu interesse em determinar a história humana, e que esta história é determinada pela disposição natural da raça humana e não depende da vontade individual de seus indivíduos.
Estas disposições naturais, na verdade, caminharão para o estabelecimento de uma constituição republicana, pois será determina pela vontade da maioria de seus cidadãos e das relações entre seus estados vizinhos.
Aparentemente não conseguimos hoje vislumbrar esta constituição perfeita, que Kant chama de estado cosmopolita universal, no qual poderemos desenvolver todas as nossas disposições originais da espécie humana. Vivemos ainda em conflitos de relações muito acirradas entre nações que impedem o estado de direcionar seus recursos para o aperfeiçoamento, através da educação, de seus cidadãos.
Nona proposição
A tentativa de Kant de estabelecer uma história universal do mundo e aonde esta historia irá nos levar, não é seu objetivo, e seria impossível esta determinação, a razão não pode ser determinada, pois não sabemos com exatidão o caminho e os obstáculos que serão encontrados, nem tão pouco podemos determinar aonde é o ponto de chegada.
Mas Kant procura deixar claro que seu objetivo não é determinar o ponto de chegada e sim estabelecer um fio condutor deste caminho e que poderá servir, como um sistema, para determinar um plano das ações humanas.
Podemos concluir ao observar o desenvolvimento humano até agora que existe sim um curso regular do aperfeiçoamento de uma constituição civil buscando revolver os conflitos gerados pelo excesso de liberdade entre os estados e seus cidadãos.
Parece-me louvável este estudo e a conclusão de Kant sobre o curso da história humana até os dias atuais, mas farei algumas considerações a seguir.
Considerações Finais
A história da humanidade realmente parece caminhar como Kant nos revela, o desenvolvimento da raça humana pressupõe o desenvolvimento da razão humana e esta acontece no estabelecimento de leis que regulam as relações entre os seres. No entanto parece-me um pouco exagerado a idéia que o desenvolvimento da razão e da sociedade humana seja regulado e determinado por leis naturais. Não me parece que a razão possa ter limites tão estabelecidos de seu desenvolvimento e que estes sejam totalmente determinados.
A liberdade do desenvolvimento da razão pode ser direcionada pelos conflitos gerados nas relações humanas e sociais, mas não podem ser controlados e determinados individualmente. Não creio que nosso fim como homens possa ser determinado.
A razão humana pode ser direcionada por leis naturais, entretanto não pode ser medida por estas leis. O desenvolvimento da razão humana, segundo Kant, não pode ser controlado individualmente, mas poderia e é medida coletivamente através do desenvolvimento das sociedades. Este argumento é forte mais ainda não foi provado, já que ainda estamos em estágios inicias desta história; o desenvolvimento humano também é marcado por idéias e brilhantismo de seres individuais que romperam as leis criadas pelas sociedades na história, e que influenciaram o modo de viver de gerações futuras. A liberdade no pensamento individual pode também influenciar o coletivo e não somente o contrário, e como este não pode ser determinado então às variáveis neste sistema, não podem ser determinadas, nem controladas, da maneira como Kant as apresenta.
As relações humanas moldam e amplificam nossa razão e nosso modo de pensar, mais não determinam isto, por isto não podemos afirmar qual será o destino da raça humana. As relações humanas podem ser alteradas e modificadas e por isto não podemos determinar qual será esta constituição perfeita universal. A razão em si também sofre evolução e uma constituição perfeita em determinado espaço e tempo, pode ser derrotada em outro.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Re-socialização x Punição
Constantemente temos escutado decisões jurídicas baseadas na frase “... o papel de pena é a re-socialização do preso...” ou “... o preso que não oferece mais risco a sociedade não deve mais continuar preso...”, temos visto várias decisões de juízes baseadas nestas premissas. O que devemos avaliar neste momento não é se estas decisões são justas, ou são corretas, ou ainda se são baseadas em princípios universais, devemos analisá-las sobre o aspecto social, ou seja, esta decisão tem amparo nos anseios e expectativas da sociedade?
Desde Kant as leis foram criadas para transparecer um desejo social de convivência mútua e não de serem impostas pelos legisladores ou pelos princípios de justiça estabelecidos pelos juristas, alias qual seriam estes princípios? Não existem verdades neste terreno, não existe certo ou errado, quem define o papel de limitador para uma boa convivência social é a própria sociedade. Esta sim deve estabelecer os limites do certo ou errado e que é diferente em cada sociedade do planeta.
Após esta breve descrição sobre os princípios da justiça, vamos discorrer mais sobre os diversos pontos de vista deste tópico.
A re-socialização do preso deve sempre ser uma das metas a serem alcançadas, já que em algum momento este indivíduo será devolvido à sociedade e devemos nos assegurar que ele tenha condições de viver novamente sem cometer crimes. No entanto esta meta é de responsabilidade do sistema prisional, dos presídios e do poder executivo que é o responsável pelo cárcere destes presos. Considero inadequado que o poder judiciário tenha em suas leis a previsão de reduções altíssimas de pena, como exemplo de 5/6 em caso de bom comportamento, ora quem deve avaliar se o preso tem condições ou não de viver novamente em sociedade? Um juiz ou o responsável pela guarda deste elemento? Precisa-se ter muito cuidado quando o poder judiciário começa a participar demais da execução das ações sociais, o principal papel deste poder é de regular, controlar e julgar os atos cometidos pelos outros poderes, não te interferir em sua execução.
Dentro deste contexto considero que o papel do poder judiciário não é de buscar a re-socialização dos condenados e sim de puni-los, de avaliar a pena para o delito que cometeram e de estipular a pena que deve ser cumprida pelo erro cometido. Quando a sociedade prende um cidadão pelo erro cometido, em primeiro lugar, este cidadão deve pagar através de uma pena pelo seu erro. A função da justiça é estabelecer uma pena para o delito e não buscar a re-socialização do mesmo, esta busca é responsabilidade do poder executivo.
Esta dissonância entre os anseios da sociedade e o poder judiciário é a principal causa de descontentamento entre estes entes, a sociedade precisa ter a certeza que quando alguém comete um crime este será julgado e pagará a pena estabelecida como PUNIÇÃO pelo delito infringido.
Pelo pretexto de re-socialização soltam presos de crimes graves que cumpriram apenas 1/6 da pena, ora cadê a punição? Para que serve um julgamento sem punição? Toda a sociedade brasileira precisa de uma reformulação, os problemas não são somente políticos, o poder judiciário não atende mais os anseios da sociedade, sua principal função de reguladora não está sendo atendida; crimes considerados sem periculosidade como sonegação, corrupção são julgados através de penas leves como prisão domiciliar, liberdade condicional ampliada, cestas básica. Entretanto são estes crimes, entre outros, que destroem a sociedade por dentro, pois são crimes que envolvem a moral e ética de uma sociedade, sonegação é um crime gravíssimo, quando sonega, um cidadão está roubando seu próximo, está tirando de seu vizinho uma parte de seus benefícios sociais.
O poder judiciário deve começar a rever os princípios que tem regido a maioria de suas decisões, muitas vezes buscando diminuir o contingente de presos devido a falta de condições mínimas de dignidade no sistema prisional, a justiça passa para o descrédito quando solta criminosos que ainda não cumpriram a totalidade de sua pena com o pretexto de que este não oferece mais risco a sociedade. Volto a bater nesta tecla, o papel da justiça é estabelecer uma pena para um crime cometido, esta pena tem caráter PUNITIVO.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita – Proposições 6º e 7º
Sexta proposição
Kant nos coloca agora a seguinte pergunta: como podemos desenvolver nossas potencialidades com liberdade de vontade, com oposição e coerção social e com limitação, sem gerar conflitos que tornem impossível o convívio social?
O homem sempre abusará de sua liberdade individual e sempre se inclinará em sua busca, por isto ele tem necessidade de um senhor, de alguém que o regule e quebre sua vontade particular e o obrigue a obedecer à vontade universalmente válida.
Esta realmente parece ser um dos maiores desafios para a espécie humana, como encontrar alguém, humano, que lance mão de suas vontades particulares e submeta-se a cumprir e a estabelecer metas universais, contrariando sua própria natureza egoísta e individual.
Parece-me que este ponto será atingido pela espécie em inúmeras tentativas de erros e acertos, onde a experiência adquirida irá, aos poucos, estabelecer critérios de escolhas onde se possa atingir uma constituição possível, e uma boa vontade de sua maioria para aceitar esta imposição.
Sétima Proposição
O estabelecimento de uma constituição civil perfeita é um objetivo que a razão deve alçar, e que somente pode ser alcançado com a resolução dos problemas gerados entre as próprias sociedades existentes. A relação entre os estados tem a mesma origem dos conflitos descrito na proposição sexta, ou seja, do mesmo desafio de limitar a liberdade de uma sociedade em contra posição a liberdade da outra.
Para uma sociedade atingir uma constituição perfeita, ela precisa primeiramente resolver seus problemas e conflitos com outros estados concorrentes e isto somente pode ser alcançado quando estas sociedades também saírem do estado sem leis dos selvagens e buscarem nas leis resolverem seus conflitos e desavenças.
Como comentado na proposição anterior, o estado precisa abdicar de sua liberdade total sem limites e buscar numa constituição seus limites em relação aos outros. Somente assim poderá encontrar um equilíbrio para o pleno desenvolvimento das finalidades naturais de seus cidadãos.
Um estado que não busque este equilíbrio estará privando seus indivíduos de seus propósitos e em algum momento e viverá em conflito até que perceba que seus propósitos expansionistas e muitas vezes egoísta, quando tentar impor seu modo de agir e pensar, estará indo de encontro com o perfeito desenvolvimento de suas partes, seus cidadãos.
Considero que Kant coloca com muita propriedade esta questão. O desenvolvimento dos humanos depende muito do desenvolvimento da sociedade em que estão dispostos, pois as relações humanas dependem das relações entre as sociedades e estas últimas moldam sua constituição civil.
O homem pode viver sem conflitos em seu estado selvagem, mais jamais atingirá suas disposições naturais sem conviver com seus pares. Contrariando Rousseau, é justamente na desigualdade gerada nas relações humanas que desenvolvemos nossas capacidades e saímos de um estado animal para uma realidade humana. Nossa razão somente é plenamente desenvolvida com a desigualdade e competição entre nossos pares.