quarta-feira, 23 de março de 2011

Sobre Amor e Paixão

O que é o amor? Certamente, a grande maioria das pessoas tem uma resposta para esta pergunta baseada em experiências pessoais e idéias próprias. Mas o que dizem os especialista a respeito deste assunto? (Sim, existem muitos estudiosos sobre o amor e a paixão além de experimentos científicos para auxiliar no desvendar destes sentimentos).
Buscando respostas, encontrei contradições e deparei-me com a inexistência de um consenso. Inclusive, há pesquisadores que tratam amor e paixão como um mesmo sentimento. Particularmente, descordo desta idéia.
A paixão é o resultado de uma "descompensação" de neurotransmissores: elevação de dopamina e/ou noradrenalina (responsáveis pela excitação - todos os principais vícios estão associados com elevação de dopamina) e redução da serotonina ( neurotransmissor do prazer). A porção do cérebro responsável pelo desejo de recompensa é ativado, por isso, a pessoa apaixonada torna-se obcessiva por sua recompensa (aquela pessoa que eleva seus níveis de serotonina). Por esta razão, a paixão é tratada também como uma obsessão por alguns autores.
Um estudo visando avaliar o cérebro dos apaixonados, comparou as atividades cerebrais de pessoas saudáveis que não estavam apaixonadas, apaixonados confessos e pacientes portadores de transtorno obsessivo-compulsivo, e descobriram que os dois últimos grupos apresentam alterações semelhantes na atividade cerebral.
Apesar da definição não ser consenso, todos concordam que a paixão tem prazo de validade (por volta de 2 anos), que é responsável pelo distanciamento da razão e turvação da visão, pois, só quando a euforia da paixão abranda o (ex)apaixonado consegue realmente enxergar o outro. Quem nunca ouviu: "ele(a) não era assim quando o/a conheci"? Não se encontra controvérsias, também, quanto à paixão ser involuntária e incontrolável.
Para os estudiosos que separam esses sentimentos, só após o fim da paixão pode surgir amor verdadeiro mas este não depende de paixão prévia para acontecer. Outras divergências surgem quanto ao caráter volitivo ou involuntário do amor. Para alguns, o amor é uma escolha inconsciente pois, por mais que se identifique algo no jeito de ser, de sorrir ou na aparência do amado que agrade, nada disto explica a origem do amor. Outros autores assumem que o amor é uma escolha consciente, reunindo razão e emoção.Contudo, esta visão limita-se aos casais que, após o fim da paixão, decidem construir o amor, não abrangendo o amor que surge sem o estágio da paixão.
A paixão é um evento fadado ao fracasso. Uma fixação por um ser perfeito criado pela ilusão romântica e com prazo para expirar. Alguns autores afirmam tratar-se de um instinto natural humano na busca de parceiros para a cópula e manutenção da espécie, tendo em vista os estímulos sexuais intensos provocados por uma paixão.
O amor não nos priva da razão nem da visão plena, talvez aí esteja o segredo de sua maior longevidade. Conhecemos os defeitos do outro (e ainda assim amamos), não somos enganados pela fantasia de perfeição, não há o desejo de fundir dois seres em um (uma das maiores frustações dos apaixonados) pois olhamos o outro em sua individualidade e encontramos razões para amá-lo (mesmo que não justifiquem o surgimento do amor).
Acredito que a razão nos permite selecionar critérios mínimos para nos interessarmos por alguém mas o amor não depende só disso. Mesmo sem a euforia e a obsessão da paixão, o amor também tem a sua química, a química, ainda misteriosa, da compatibilidade. Dentre muitas explicações relativas ao amor e à paixão, não é possível encontrar nenhuma que ajude a entender porque uma pessoa é a "escolhida" entre tantas outras. Muitas pessoas podem atender aos nossos critérios racionais de escolha de parceiros, contudo, só aquela pessoa desperta a vontade persistente de estar perto e mesmo certos de que podemos viver bem sem sua presença, a certeza é de que a vida pode ser bem melhor ao seu lado. Ainda não há explicação para esta escolha.
Concordo com a teoria do amor involuntário, assim como a paixão, mas ao assumirmos o amor podemos deixar de ser objetos para nos tornarmos sujeitos de nossas histórias.
"...o amor é indissociável de um certo não-saber. Apresenta-se como um enigma e nunca se deixa decifrar totalmente." - Betty Milan

segunda-feira, 21 de março de 2011

Desastres Naturais

Bastou acontecer mais um desastre natural para os supersticiosos, religiosos, lunáticos, conspiracionistas e todo tipo de crendice aparecer para tentar arrematar seguidores pelo mundo a fora. É impressionante como muitos acreditam, chocados pelas imagens, pois não conseguem explicar o acontecido.
Vamos separar um pouco as coisas e tentar analisar os fatos sem emoção e sem perplexidade.
Primeiramente, vamos acabar de vez com a ideia de ação divina, ora bolas, que mal o Japão fez para alguém. Um país de paz, onde mora um povo extremamente humilde, trabalhador, honesto e também bastante religioso. Não sei se os religiosos conseguirão encontrar motivos divinos para uma tragédia ao povo japonês, mas lanço o desafio.
Descartada esta primeira hipótese, vamos à segunda: Aquecimento Global e reação da natureza a ação humana. Sou partidário da causa, sempre fui, sou sócio do Greenpeace e do WWF Foundation, no entanto não vamos colocar as coisas de forma irresponsável e fora de propósito. Terremotos são causados por movimentos nas placas tectônicas que movem-se desde que a terra foi formada a 5 bilhões de anos atrás. Gostaria que algum espertinho ou algum cientista possa estabelecer uma relação entre ação humana e aquecimento global a movimentação anormal das placas tectônicas. Esta teoria eu gostaria de ouvir por ai.
Terceira e que será bastante proferida nos próximos dias será a do fim do mundo, seria o começo das previsões Maias e etc., etc. e etc. 2012 vem aí, dirão outros. Bem, esta prefiro nem me aprofundar muito, digo apenas o seguinte: se existe mesmo destino escrito e que tudo não passa de uma novela orquestrada por Deus, ele é um bom de um sacana. Como pôde criar o mundo, e ter tanto trabalho para determinar tudo, escrever cada detalhe e, ainda, planejar seu fim. Neste caso, Deus que me perdoe, mas foi tudo uma tremenda sacanagem divina.
Prefiro não acreditar em nenhum dos absurdos acima e apenas dizer que a terra está em movimento, tudo na natureza sempre esteve e sempre estará em constantes mudanças e acomodações, portanto aguardem os próximos episódios trágicos, é só uma questão de tempo.
Se esqueci de alguma outra teoria, favor relembrá-la abaixo.

Quase ia me esquecendo, minhas sinceras condolências ao povo japonês que admiro muito.

Precisamos mesmo de Paz?

Esta palavra tem me intrigado há tempos, sempre me perguntei pelo seu significado, principalmente quando alguém deseja “Paz” à outra pessoa. Podem apostar, as respostas são bastante variadas quando insisto na definição. Acho que no fundo a palavra “Paz” virou um modismo e as pessoas não sabem seu verdadeiro sentido, e pior, suas consequências.
Não encontramos “Paz” em nada em nossas vidas, não temos paz quando nascemos, não temos paz quando choramos por comida, quando ouvimos milhões de “nãos” dos nossos pais, quando temos que lutar pelo nosso espaço num grupo, seja pessoal ou profissional. Então, ora bolas, porque almejamos tanto isto, já que não faz parte de nossas vidas. Eu somente consigo encontrar alguma definição: na morte. “Paz” nada mais significa que “vazio” e este somente podemos encontrar quando morremos. Uma explicação para este desejo poderia sugerir nossa eterna insatisfação, nosso desejo de querer sempre aquilo que não temos. Poderia ser também por acomodação. Pensando bem, será que desejamos a morte? Bom tema para um próximo artigo, ah como me divirto escrevendo. Sei lá, deixo a pergunta no ar.
Desculpem aos que adoram esta palavra, mas na verdade ela não existe, não existe uma definição adequada para ela que possa ser provada. Digo isto porque não existe em nosso estado psicológico, não faz parte do intelecto humano, nem da natureza humana. Alguém poderia dizer que a meditação é um estado de Paz, entretanto eu diria que é um estado de guerra. Quando meditamos estamos tentando paralisar nossas inquietudes, nossos desejos, nossos conflitos internos e isto é lutar arduamente contra nossa natureza. Dito isto, vou mais longe: se não temos este estado natural, então é porque não precisamos dele.
Vivemos numa eterna luta pela sobrevivência, alias todos os seres vivos, então a Paz nos mataria aos poucos, nos deixaria num estado de desatenção que poderia ser fatal, por isto ela foi excluída de nossas qualidades, já que não constitui num diferencial de sobrevivência. Não poderíamos enxergar novos horizontes com ela, não desenvolveríamos novas habilidades, nem buscaríamos alcançar sonhos. A Paz simplesmente nos paralisaria. Ela nos empobrece, nos deixa sem rumo, sem meta, sem sonhos.
Sem brigas, sem buscas, sem guerras, não seríamos nós mesmos, não teríamos identidade, seríamos mais um ao vento dos outros. Todo o tempo precisamos nos afirmar perante o próximo, este conflito faz parte do convívio humano em sociedade e é importante nas relações sociais. O conflito cria espaço, move montanhas, realiza sonhos e também constrói novos mundos e novas sociedades.
Desculpe os “pró-paz”, mas não teríamos chegado até aqui com ela. Foi através de conflitos e guerras que nos desenvolvemos. Guerras trouxeram tecnologia, saúde, riqueza e também nosso bem maior que é a liberdade. No fundo toda guerra ambiciona liberdade, seja ela boa ou ruim, o referencial será sempre do vencedor. Liberdade jamais será conquista com Paz. Vocês preferem viver em Paz, sobre controle, ou em batalhas buscando a liberdade? Pensem um pouquinho nisto.
Dito isto, chego onde desejava, as guerras são imprescindíveis para a manutenção do mundo livre, justo e fraterno que alcançamos em algumas partes do globo. Se pregarmos demasiadamente a Paz, poderemos ser tomados pelos que querem alterar o status quo e estes últimos estarão muito mais preparados. A mudança nem sempre é boa, muitas vezes voltamos no tempo e regredimos com ela.
Devemos lutar pelos nossos ideais, sem esta meta perderemos qualquer tentativa de realização, triunfo e felicidade em nossas vidas. Então, por favor, não se desejem paz, nem agora, nem no ano novo, nem em vossos aniversários. Precisamos é de força, coragem e paixão (adoro esta palavra). Deveríamos desejar batalhas para que possamos testar nossos limites e nos superarmos, só assim estaremos crescendo e reinventando nossas vidas, nossas metas e nossos sonhos.
Boa guerra para você também.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Egito – Uma nova Revolução Francesa

É sempre bom ver como o povo pode ainda destituir governos, exigir reforma, ou ainda fazer uma revolução e mudar toda a ordem vigente.
O Egito demonstrou como se devem fazer protestos, foi às ruas, exigiu, gritou, pulou, bateu, brigou, tomou pancada, morreu, mas demonstrou sua vontade.
Às vezes não percebemos bem as coisas que estão acontecendo no momento e passamos despercebidos, mas estamos vivendo hoje um momento histórico, países islâmicos não tem cultura de democracia, sinal que a forma vitoriosa de governos ocidentais está influenciando o mundo oriental principalmente nos jovens.
É bem possível que as reformas que serão feitas de agora em diante no Egito mude completamente o quadro daquela região para sempre. Aguardem os outros países da região, o povo não vai parar de protestar.
Em toda revolução há excessos, faz parte do processo, pois o povo é só emoção, não dá para controlar massas num momento como este. Quando leio detalhes sobre a revolução francesa fico admirado como aconteceu e como o povo governou uma nação por 22 anos sem um único governante, nunca tinha acontecido isto antes na história humana e provavelmente nunca mais acontecerá.
Pena que nunca tivemos nada parecido aqui no Brasil, pena que somos acomodados, alienados e otários por assistir as vergonhas que vemos de nossos governos e não fazemos nada.
Viva o Egito, viva o povo que se mexe e muda o mundo!!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Fim da Astrologia

Finalmente algum cientista corajoso resolveu colocar um fim nesta estupidez.
Vamos explicar melhor o fato, de acordo como foi publicado na revista Veja desta semana, o astrônomo Parke Kunkle provou que o alinhamento dos astros quando foi formado o zodíaco há 3.000 anos atrás, muda e não é mais o mesmo atualmente, segue um resumo:
1) Para determinar cada signo, observa-se qual é a constelação alinhada com o trajeto aparente do sol no céu. Os astrólogos antigos observaram que o sol faz um círculo em torno da terra durante um ano (depois, descobriu-se que é o contrário) e que em cada período ele aparentemente coincide com uma constelação no universo. As pessoas têm signo referente ao conjunto de estrelas alinhado com o sol na data em que nascem;
2) Astrônomos, porém, afirmam que a relação feita entre as datas não é mais correta. A posição do eixo da terra mudou devido a força gravitacional do sol e da lua. Ao fenômeno, dá-se o nome de precessão. Tal oscilação faz um círculo do eixo, que realiza uma volta completa, retornando ao ponto inicial a cada 26.000 anos. Como consequência, o ponto de vista terrestre em relação ao cosmo é alterado constantemente;
3) A precessão desloca as estrelas em relação ao trajeto aparente que o sol faz no céu que vemos a olho nu. Assim, alteram-se as datas de alinhamento de cada signo e outra constelação deveria ser incluída no zodíaco, a de Serpentário.
Novo quadro de signos descoberto pelo astrônomo americano Parke Kunkle:


A histórica do zodíaco começou a aproximadamente 300 séculos atrás quando o homem era esmagado pelo imensidão do firmamento e em meio a escuridão não sabia explicar nem decifrar aquela infinidade de estrelas. Em pleno século XXI, com todas as ferramentas racionais que temos a humanidade ainda se deixa escapar, magnetizar e intrigar pela astrologia.
Imaginem agora como ficaram os astrólogos, terão que explicar a seus seguidores que eles não são mais de câncer e sim gêmeos. Realmente não queria estar na sua pele agora. Desde que foi publicado o artigo há 2 semanas muita coisa aconteceu. O pior é que depois de publicado o estudo, provado cientificamente, tem pessoas que não aceitam e dizem que não vão mudar de signo, e os astrólogos não sabem o que dizer, muitos estão calados esperando para ver.
Se a astrologia tinha alguma verdade, porque não passava em nenhum teste de aferição empírica? Os testes empíricos anunciam de forma direta e transparente a realidade e suas fragilidades. Como exemplo temos uma citação de Charles Darwin “apresentem-me um único ser vivo que não teve antepassado e toda minha teoria pode ser jogada no lixo”, agora imaginem um astrólogo falando “Apresentem-me uma única previsão astrológica que não tenha se concretizado e rasgo meus mapas astrais”.
Parece mesmo que temos um problema psíquico para acreditar nestas coisas, de acordo com o psicanalista Paulo Gaudêncio, o homem busca o sobrenatural, mesmo quando sabe que ele não existe e prefere acreditar no mágico, no divino e na fantasia do que optar para uma zona de conforto.
Vamos parar de olhar constantemente para o céu e tomar coragem para perceber que a vida é na terra, aqui e agora.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Tragédia no Rio de Janeiro – Vitória da natureza

Vamos inverter os papéis e tentar enxergar as coisas de um outro ângulo, o homem é um ser destrutivo, predador e egoísta. Digo egoísta porque nos achamos especiais e com o direito de devastar áreas naturais, derrubar árvores, matar animais silvestres e construir casas onde bem queremos.
Vendo algumas imagens da “tragédia” podemos perceber o quanto o homem é destruidor, boa parte da floresta de mata atlântica da região tinha sido ocupada, devastada e transformada apenas em mais um local de moradia para o animal humano, insaciável.
Percebe-se que áreas totalmente impróprias para construções foram utilizadas, locais de encostas e margens de rios, ou seja, destruição total da flora de uma área belíssima.
Devastamos milhares de árvores, de flores, poluimos rios, matamos peixes, caçamos animais, destruímos lugares de ricos ecossistemas e quando a natureza reage, somente pensamos em nós mesmo. É difícil nos julgarmos, não é?
Vidas foram perdidas, não estou sendo indiferente a elas, mas matamos inúmeras vidas quando povoamos aqueles locais, vidas de seres vivos que também tem o direito de viver, ou o ser humano é mais importante?
Jesus não tinha ideia disto, mas quando deixou na sua biografia (Bíblia) que fomos feitos a imagem e semelhança de Deus, criou uma espécie de praga para o planeta. Nos achamos tão especiais por causa disto que não temos vergonha de assumir que temos o direito sobre a terra, somos “inteligentes” e não podemos nos comparar com os outros seres vivos. Nossa, quanta pretensão.
Vamos agora viajar um pouco e imaginar que a fauna e flora também pudessem publicar jornais e filmar as barbaridades que fizemos com aqueles locais. Imaginem as imagens das árvores centenárias, de mais de 30 metros, sendo derrubadas para abrigar mais humanos, imaginem uma jibóia sendo esfaqueada por moradores locais orgulhosos de sua coragem por matar um animal tão perigoso e imaginem os peixes morrendo por falta de oxigénio nas águas poluídas por nossos dejetos.
Não estou me excluindo disto tudo, sei que vivo neste meio e que sou também responsável por esta destruição. No entanto não posso deixar de perceber algumas coisas e de ficar calado.
Vejo as imagens como uma vitória da natureza, como uma vitória da fauna e da flora local que agora terão mais espaço para continuar vivendo em harmonia.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Almas sem rumo

O mundo vive um dilema sem precedentes na história humana: a falta de ideais, a falta de objetivos, a falta de rumo. Não sabemos mais para onde ir, nem aonde chegar, e este desnorteio surgiu justamente após a conquista do bem maior alcançado pelas sociedades modernas: a liberdade.
O homem não é um ser domesticável, não aceita as coisas do jeito que são, sempre busca mudar, melhorar e desenvolver o ambiente que vive. Porém, quando mudamos, incomodamos muita gente e geramos conflitos, revoltas, guerras e revoluções. Assim a historia humana se desenvolveu, assim conquistamos continentes, nos aventuramos no espaço, desenvolvemos tecnologia e atingimos um certo grau de convivência social pacífica.
Atualmente é permitido qualquer tipo de discordância, todos podem dizer o que pensam, temos excesso de liberdade. Nas sociedades modernas somente mudamos as coisas pelo voto, pela democracia, ou seja, pela maioria. No entanto, conquistar a maioria é bem complicado, precisa-se conquistar primeiro os meios de comunicação em massa e isto é bem mais complexo. Não se mudam mais as coisas pela minoria insatisfeita. Mudanças e revoluções não são feitas por conversas, pelo menos, nunca foi até hoje.
As revoluções atuais terão que ser feitas aos poucos, conscientizando as pessoas e isto é desgastante e difícil. Na maioria das vezes os revolucionários desistem, eles não se sentem dispostos a mudar algo tão demorado e complicado. Consequentemente estamos sem visionários no mundo, pessoas que mudam eras e sociedades, que pensam a longo prazo e que não seguem a ordem vigente, estão em extinção. Pobre mundo que vivemos.
O capitalismo venceu, a liberdade venceu e o mundo ficou um tédio. Sem disputas, sem debates, sem discussões e por que não, sem guerras por ideais, o mundo ficou empobrecido. Estamos sem rumo. Não lutamos mais pelas coisas, parece que tudo ficou tão fácil e, ao mesmo tempo, tão difícil. Aceitamos as coisas como se fossem determinadas, não questionamos, não indagamos. Infeliz mundo que vivemos.
Sem ideais, não sabemos para onde vamos, vivemos uma vida determinada pelo poder maior, pela ordem social. Revoltas não são mais aceitas, ninguém mais briga por nada, parece até vergonhoso questionar, chamam de estressado. Coitado mundo que vivemos.
Como mudar isto? Não sei, mas temos que encontrar uma forma, do jeito que as coisas estão, não dá. Onde estão as palavras que mudaram a história humana? Cadê a coragem? Onde foi parar a virtude? Alguém sabe por onde anda a justiça? Sem ideais ficamos sem rumo. Sem lenço nem documento.
Quem se aventura a encontrar um caminho e se tornar parte da história?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A carta de um viajante solitário

Para minha total surpresa, recebi um presente que não esperava neste Natal de minha mãe.
Durante a celebração ela leu uma carta que enviei a ela quando estava morando na Europa, a carta data de 01/06/1996, e para a surpresa de todos vejam só o conteúdo da mesma.

“Minha Mãe,
Resolvi escrever esta carta num momento muito particular. Estou sentindo que todas as energias estão a meu favor.
A todo o momento, minha mãe, eu sinto uma energia muito forte ao meu lado, me acompanhando e dizendo para mim que eu estou no caminho certo.
Eu estou escrevendo esta carta sentido esta força.
Eu estou muito feliz, estou me sentindo vivo, cheio de energia e com forças para enfrentar qualquer coisa.
A cada dia acontece algo novo, a cada dia eu aprendo alguma coisa nova, a cada dia a vida se mostra mais e mais bonita para mim.
Se você me perguntar agora o que eu vou fazer ou como estará minha vida daqui a um mês, eu direi para você: eu não sei. Porque eu confio no mistério da vida e estou aprendendo a viver com ele, estou perdendo completamente o medo do amanhã.
Sabe, minha mãe, para te falar a verdade é justamente por mim e ninguém no planeta saber o que ocorrerá amanhã é que a vida é maravilhosa. Eu amo a vida e confio nela.
Estou evoluindo a cada dia, meu espírito se sente melhor a cada dia.
O Carlos esta aprendendo a confiar nele, e está descobrindo que ele é capaz de qualquer coisa.
O mais importante nesta viagem não era conhecer o mundo, era justamente testar se o Carlos era capaz de fazer qualquer coisa para realizar seus sonhos.
Eu sempre disse para mim mesmo que as pessoas são o que elas querem ser, pois isto está certíssimo.
De agora em diante o Carlos vai fazer o que ele quer, o que seu coração mandar.
Sabe, existe uma grande diferença entre o que sua cabeça e seu coração diz. Nosso coração fala! Eu estou aprendendo a ouvi-lo.
As pessoas vivem em países diferentes, em culturas diferentes, em sociedades diferentes, mas no fundo, são todas iguais. Eu conheço uma pessoa diferente a cada dia e percebo isto. Como o mundo é pequeno, minha mãe, e como é maravilhoso saber que as diferenças existem e como elas são importantes.
SOMOS TODOS IGUAIS FAZENDO AS COISAS DE MANEIRA DIFERENTE.
Mas uma coisa é certa, estamos todos vivos graças ao amor de um ser muito especial, eu estou começando a sentir este amor de uma forma mais intensa.
O nosso destino é simplesmente perseguir este amor, onde nós encontrarmos sinal deste amor saberemos que estamos no caminho certo.
De algum lugar do universo para você,
De seu filho Carlos”

O mundo dá voltas mesmo, apesar de mudar um pouco minha forma de enxergar o mundo hoje, esta paixão por tudo a minha volta continua. Esta criança que se deslumbra com as coisas nunca vai morrer dentro de mim.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Chegou o Natal

Sei que tem muita gente esperando este texto, imaginando as barbaridades que relatarei sobre a festa mais importante do mundo ocidental. Mas uma vez não tenho medo deste desafio e espero que novamente não tomem minhas ideias como algo pessoal, já que passei o Natal com minha família como todos vocês. São apenas divagações sobre temas variados. Outra coisa, não vivo por ai criticando todos ou tudo a minha volta, deixo isto somente para o blog, tudo tem sua hora e a da critica é aqui, kkk.
Vou começar leve desta vez e falar sobre o lado bom desta data. O natal é tempo de encontrarmos pessoas queridas, não posso criticar isto. Muita gente vem de longe para reencontrar amigos, familiares e pessoas nas quais têm afinidade e celebram com elas o sentimento comum de amizade.
Entretanto não posso deixar de criticar as besteiras que ouvimos e fazemos durante o Natal.
Presentes: apesar de gostarmos de ganhar presentes, vamos admitir, eles não são uma boa razão para nos reunirmos, acabamos gastando o dinheiro que muitos não têm, somente para satisfazer um capricho capitalista. De acordo com relatos, o Papai Noel foi criado em 1886, por um cartunista chamado Thomas Nast, ou seja, em pleno desenvolvimento econômico capitalista. Alias, varias datas foram criadas para incentivar o consumo, dia das mães, dia das crianças, dias dos pais, entre outras. Recebemos e damos presentes e nem sabemos o porquê. Outro aspecto seria o de dar presentes às crianças simplesmente por dar, sem razão alguma e demonstrando para elas que não se precisa lutar para conquistar as coisas, é só pedir que papai dar, terrível!!!
Religião: muitas pessoas celebram o natal como um encontro familiar e não para comemorar o nascimento de Jesus, na verdade por estudos das histórias descritas na própria bíblia, Jesus nasceu na primavera provavelmente entre abril e maio, portanto não estamos comemorando o nascimento do mesmo em 25 de dezembro. Não vou entrar na discussão religiosa, nem sobre os absurdos de se acreditar num livro chamado Bíblia, nem de outro absurdo de se acreditar que nasceu um ser humano há 2 mil anos atrás que se dizia filho de Deus. Deixa para lá, cada um acredita no que quer.
Ajudar ao próximo: as pessoas que celebram o natal como o nascimento do filho de Deus deveria repensar melhor suas atitudes nesta data, Jesus dedicou sua vida aos outros, repartiu o que tinha com todos e, portanto não nutria nenhum sentimento egoísta de ter. Posso abrir um parêntese, só um, prometo: sou egoísta mesmo, e não vejo nada de errado nisto, cada um precisa cuidar de sua própria vida, quem precisa de ajuda é justamente aquele que não consegue ter coragem para seguir em frente e não pode ser ajudado senão nunca vai sai dali. Voltando ao tema, muitos passam o dia celebrando com a família com muita fartura, enquanto o principal motivo de celebração, dizia justamente o contrário: ame o próximo como a si mesmo. Temos que pensar nisto, não?
Família: reunir toda a família é bom, mas também é um saco às vezes, tem muitos parentes que são um saco, adoram fofocar sobre a vida alheia e o natal é um prato cheio para estes. Perguntam sobre sua vida somente para depois espalhar boatos. Não são casos particulares, acho até que minha família é diferente neste aspecto, por ser muito pequena, estou generalizando novamente. Família é bom, mas próxima demais é um aborrecimento só, pois tentam a todo momento dirigir nossas vidas. Este fato é cultural, em outras culturas o laço familiar é rompido cedo e não acontece isto, principalmente nos EUA e Europa.
Amigo secreto: caramba, tem coisa mais chata que isto?
Bem, depois de falar muita coisa ruim sobre esta data preciso me redimir um pouco, sem estas datas a vida seria uma droga, sem a ilusão e sem emoção a vida não tem graça, então esqueçam tudo que eu disse e se divirtam no natal e celebrem muito com as pessoas que gostam por estarem vivos e com saúde para buscar seus sonhos.
Feliz natal

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Feliz Ano Velho

Este texto foi publicado no ano passado, mas achei interessante coloca-lo novamente no blog. Quanto ao Natal, vou pensar um pouquinho e soltar a bomba na semana que vem. Segue minha maneira de desejar bom fim de ano a todos.

Na verdade o intuito deste artigo é falar um pouco sobre os sentimentos e desejos que surgem sempre ao fim de cada ano e início de outro.
Como um questionador de tudo e principalmente dos padrões sociais, sempre tive muita ressalva nas comemorações natalinas e de fim de ano. Parece-me que trata-se de algo tão enraizado em nossa sociedade e que muitas vezes nunca nos perguntamos sobre porque agimos assim.
Gostaria muito de criticar o Natal, tenho muita coisa para falar sobre esta festa cristã, mas vamos deixar para um outro artigo, pois acho que irá gerar muita polêmica por tocar no assunto “fé” e religião.
Vamos falar sobre o ano novo, sobre os sentimentos de renovação e esperança que todos tem nesta época do ano. As pessoas ligam para as outras, desejam feliz ano novo, falam sobre seus sonhos, sobre uma vida melhor.
Vida melhor? Para que? Se estamos vivendo de forma sensata na busca de nossos sonhos e felicidade, já estamos vivendo no clímax. Quem vive de verdade não precisa de vida melhor; deseja pelo menos que as coisas continuem assim. Sabe por quê? Porque quem vive sua vida com coragem, vive intensamente seus momentos, não os deixam para depois, viveu e vive tudo que poderia, não tem porque ter esperança em nada nem imaginar nada melhor do que o presente. Nada é mais importante que o presente, é nele que vivemos e que podemos mudar e alterar os rumos, somente mudamos o presente, não esqueçam isto.
Este sentimento de esperança numa vida melhor é falso e deve ser abolido de nossa cultura, sempre espera-se a virada do ano para mudar algo, para criar algo, para pensar em algo, e na verdade, deveria ser para avaliação, para calcular a que distância que estamos de realização de nossos sonhos, e sobre se os rumos tomados estão os corretos ou não. Neste momento dever-se-ia ficar triste, alegre ou desapontado com a falta de coragem de buscá-los.
Quem deixa para depois algo tão importante quanto seus sonhos não está preparado para mudar e transformar sua vida, quem espera data para mudar não mudará nunca, para mim isto é muito claro. Um ano novo é somente mais um ano de vida e pronto, se for para comemorar o ano que passou eu concordo, vamos festejar os sonhos alcançados, as realizações, as buscas, as lutas, os momentos de conquistas. Pensando bem, sugiro mudarmos o conceito de ano novo para ano velho e sugerir a vocês que é mais importante comemorar as conquistas que ter esperanças.
Ano novo não deveria ser motivo de alegria e festas, e sim de reflexão sobre o rumo que estamos tomando, na verdade deveríamos fazer isto diariamente e não a cada 365 dias, mas se nossa cultura escolheu este dia, que seja de debate, de questionamentos, de pura filosofia, as festas deveriam ser substituídas por reuniões e análise interior. Estamos buscando nossos sonhos? Que rumo estamos seguindo? E mais importante, estamos fazendo o que para melhorar o mundo a nossa volta?
As festas são justamente para esconder tudo que deveríamos estar buscando, quando há festas há alienação, pois não há reflexão. As festas servem para nos enganarmos, para não analisarmos e percebermos que estamos jogando fora nossas vidas no cotidiano e nos afastando de nós mesmo e dos nossos sonhos.
Quem tem esperança não tem coragem, esperança é para aqueles que não têm coragem para mudar, ou seja, para os fracos; nunca gostei desta palavra, ela não tem uma conotação boa, esperança sugere espera, quem quer alguma coisa precisa ir à luta, precisa batalhar. Ninguém e nada fará as coisas acontecerem por mágica, chega de esperança, precisamos de coragem, esta é a palavra de ordem.
Momentos de alegria deveriam ser diários, se precisamos de uma data para isto, não estamos aproveitando nossas vidas.
Vamos comemorar as conquistas!
Viva o Ano Velho