quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cachorros de Palha - Introdução

Deixei um pouco de lado o último livro sobre o Instinto da Linguagem, achei o assunto bastante monótono e complicado, portanto comecei a ler outro livro - Cachorros de Palha - John Gray, este sim, fantástico, muito duro e pessimista em relação a humanidade, mas bastante realista.
Vou publicar nas próximas semanas resumo dos capítulos do livro.
Amanhã vou publicar um resumo do prefácio do livro que achei muito bom, resume bem a obra como um todo.
Só para ressaltar, o livro destrói tudo que tenho escrito até hoje aqui no blog, me fez parecer idiota, adoro livros assim.
Todos deveriam ler este livro, muito esclarecedor.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Amazônia: Desenvolvimento Sustentável?

O assunto desta semana foi-me inspirado pelo artigo publicado na Revista Veja – edição 2171 – “Aula de Ética é em casa, não na escola” – por Gustavo Ioschpe.
Neste artigo o autor descreve sua opinião a respeito do desmatamento da Amazônia de forma bem peculiar e que irei descrevê-lo na integra:
Para mim, conforme já expus em artigo aqui, o comportamento ético em um país com nível de desenvolvimento brasileiro deveria ser privilegiar o desenvolvimento material humano, mesmo que isso implique algum desmatamento. O que me parece antiético é deixar gente sem renda para que árvores sejam preservadas. Não gostaria, portanto, que um professor ensinasse o contrário ao meu filho
O argumento acima deve ser avaliado em partes, pois envolve aspectos sociais, econômicos, naturais e ambientais. Este assunto é demasiado complexo para apenas responder de forma direta, sem analisar os diversos aspectos envolvidos.
O ser humano não consegue conviver de forma harmônica com a natureza, não existe um só caso no mundo onde vivem humanos e que não haja perda de fauna e flora, o ser humano não consegue estabelecer um limite para seu avanço, na verdade nenhum ser vivo consegue – o gene de todo ser vivo é egoísta, pensa de forma individual na sua auto-preservação. Nossa forma de lhe dar com os recursos naturais do planeta sempre foi egoísta e predatória, a população humana cresce exponencialmente e, portanto, em qualquer parte do globo onde estabeleça-se comunidades, estas irão crescer e irão inevitavelmente destruir a fauna e a flora local, é somente uma questão de tempo. Vamos aos exemplos na Amazônia, regiões onde houveram assentamentos de sem terra, pouco tempo depois viraram desertos, as comunidades assentadas destruíram a floresta extraindo madeira nobre e outras para comercio de carvão. Na maioria, não conseguiram sequer estabelecer algum tipo de sustento duradouro como a agricultura, o solo amazônico é pobre neste sentido.
O autor fala em desenvolvimento humano, entretanto não há evidências que o aumento de terras, seja para agricultura ou agropecuária, traga algum crescimento econômico ou humano, atualmente países que não possuem terras próprias para o agronegócio ou qualquer recursos naturais se desenvolvem mais rapidamente que o Brasil, devido principalmente ao investimento em educação e conseqüentemente aumento de serviços ligados a área tecnológica. Não é possível estabelecer uma ligação entre desmatamento e desenvolvimento humano. Esta ligação existia no passado, era possível perceber isto no início da colonização das Américas, mas o mundo atual caminha numa outra direção, atividades ligadas ao terceiro setor não agregam muito valor. Arvores e animais vivos trarão muito mais benefícios aos humanos com o meio ambiente harmônico, com a preservação do clima, das águas, com a estabilização do aquecimento global e também no aspecto econômico.
Existe uma riqueza muito maior que poderia ser adquirida com a preservação intacta da floresta que é justamente a Biotecnologia, existem diversos produtos que podem ser derivados de espécies naturais somente encontradas na Amazônia que com certeza multiplicaria os retornos financeiros alcançados com o desmatamento e com o agronegócio.
Boa parte da fauna amazônica não pode conviver com a espécie humana, existem diversos animais que não poderão coexistir pacificamente com a presença humana próxima. A destruição desta fauna e da flora amazônica irá, aos poucos, desestabilizar o ecossistema, extinguindo aos poucos toda riqueza natural da região.
Já destruímos praticamente todos os ecossistemas naturais do planeta e, portanto devemos nos perguntar: porque o ser humano deve se achar tão superior aos outros seres tendo o poder de matá-los quando bem entender? Quem nos deu este direito? Porque é ético exterminar outros seres vivos em prol de alimentar mais humanos? Pode parecer duro, mas viramos uma praga para a maioria dos ecossistemas terrestres, não conseguimos controlar a multiplicação da espécie e com isto estamos destruindo todas as outras. O que não me parece inteligente é, em prol de manter nosso acelerado processo de procriação, destruirmos todos os ecossistema de outros animais, sem ao menos nos perguntarmos aonde isto irá nos levar. Justamente por possuir algum grau de consciência e raciocínio lógico é que deveríamos, de forma ética, preservar o meio de vida de outros seres e também o nosso. Não é possível vivermos sozinho na terra, fazemos parte de um ambiente fechado e complexo, que não é possível criá-lo artificialmente.
Desenvolvimento sustentado é somente outra forma de dizer desmatamento.
Portanto, não me venham com esta história de privilegiar o desenvolvimento humano pelo desmatamento de algumas arvores, este raciocínio é grosseiro, antiquado, antiético, racista (pois privilegia uma espécie em detrimento de outras) e desprovido de embasamento econômico. Esta palavra tão bonita que chamamos de – desenvolvimento sustentável – é falsa e enganadora. Vou alfinetar também as ONGs responsáveis pelas denúncias e preservação da Amazônia que deveriam alocar seus recursos na compra de terras para preservação e não para publicar textos e panfletos com o dizer: “Desenvolvimento Sustentável”. Gastaríamos menos, ganharíamos mais e faríamos muito mais para o ecossistema planetário se simplesmente colocássemos uma cerca em volta da floresta com o dizer: “Fechada para Humanos”.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O mal da publicidade

Chegou a hora de falar um pouco sobre esta carreira, me perdoem os publicitários, mas o que vou falar aqui são reflexões de um programa de TV na TVE (Rede Cultura) chamado Café Filosófico, o tema nesta ocasião era justamente o bombardeio a esta profissão. Num primeiro momento fiquei impressionado com o grau de profundidade do debate, era como se já existisse dentro da filosofia ou sociologia debates acalorados sobre o tema há muito tempo e levando a esta profissão os grandes males da sociedade atual.
Depois deste programa comecei a refletir um pouco sobre isto e desenvolver alguns argumentos sejam a favor ou contra, o que importa aqui é analisar cuidadosamente, sem preconceitos.
Vou começar sobre o princípio da propaganda atual surgidos nos primórdios da revolução industrial, a propaganda surgiu como um meio de divulgação de certos produtos e serviços, com o intuito de tornar o produto conhecido sem qualquer caráter de criação de necessidade ou qualquer outro conceito mais rebuscado.
Acontece que a publicidade tomou um caminho de importância muito maior dentro da sociedade, ainda mais numa sociedade pouco educada, onde pessoas não tem discernimento sobre o que é bom ou ruim, necessário ou não. Neste caso ela tornou-se um meio de manipulação importante de massa, seja política, seja religiosa, seja econômica, ou seja de idéias também.
Com este poder de manipulação tão grande esta matéria tornou-se alvo de muitos debates e de muitas reflexões dentro da academia, e merece sim algum tipo de critica e também de avaliações sobre os rumos que deve tomar no futuro. Acho que Marx não previu este poder e não imaginava que ele seria o principal veículo alienador dentro do sistema capitalista, buscando a manutenção do status deste sistema.
A propaganda deve servir a divulgação das coisas e não para a imposição de idéias, produtos, necessidades ou moda, parece que perdemos o poder individual de avaliar sozinho o que devemos comprar, pensar e fazer de nossas vidas, a mídia nos diz isto, nos mostra um pacote pronto, é mais fácil viver assim, não precisamos pensar nem refletir, a mídia já faz isto por nós. Neste ponto acho que a mídia tornou-se a religião moderna. Ela cria tendências, manipula vontade e determina nossos sonhos.
O debate na TV foi justamente neste ponto, na completa manipulação das pessoas que hoje é feito na mídia, principalmente na TV, e os principais comandantes disto são os publicitários, sim, eles são o veículo condutor, os criadores e os responsáveis pelo conteúdo publicado. Concordo que não são os mandantes do crime, mas deveriam ter a responsabilidade sobre o que levam ao publico e a sociedade.
Gostaria de exemplificar o exposto acima num episódio que aconteceu alguns anos atrás. O grupo de pessoas revoltadas com uma decisão do congresso que agora não lembro bem, provavelmente devido a aumento de verbas para os deputados ou alguma coisa terrível que às vezes eles nos impõem por seu poder de legislar, se revoltou e entrou com tudo no congresso para protestar, como os seguranças não deixaram, eles começaram a quebrar tudo, carros, vidros, portas, cadeiras, e também a ameaçar os próprios deputados que ficaram presos durante algum tempo dentro do plenário.
Não preciso nem dizer que este episódio foi repudiado e muito pelos jornais, principalmente pela Globo, colocaram reportagens com pessoas importantes dizendo sobre o crime contra a democracia e etc. Neste momento percebi a real intenção da mídia em geral, era de manipulação descarada das massas. O que mais o poder teme é justamente uma sociedade organizada, que cobre providencias, que busque se revoltar contra o status quo e que invada e destrua principalmente seus bens materiais.
Neste momento a mídia agiu para reprimir e manter sua importância, mas vamos avaliar melhor o fato. O povo revoltado, organizado e com vontade de protestar deve fazer como, senão fazê-lo na casa onde os representa? Se tiver que destruir algo material deve fazê-lo onde, senão na casa onde se pode mudar alguma coisa?
Desculpe Globo e mídia em geral mas o povo agiu da maneira mais correta possível, foi pressionar seus representantes e ameaçar as pessoas que mais podem mudar os erros de nossos poderosos que é justamente o congresso nacional. A casa é do povo e ele deve se revoltar lá, não vejo lugar melhor.
Percebi claramente o medo da parte mais alta da sociedade contra revoltas ou revoluções, e para inibir isto a mídia rapidamente agiu para manter as coisas em ordem. Agiu errado, agiu de acordo com suas idéias, para benefício próprio e não com uma visão social, nem procurou avaliar as razões do episódio.
Fica difícil mudarmos alguma coisa assim, o poder controla o principal veículo de analise atualmente e vai sempre buscar manipulá-lo da forma a manter-se no topo. O papel do publicitário deveria ser justamente de criticar e procurar veicular a verdade, seja de idéias, seja nos produtos que pretendem vender, ou pelo menos expor as várias correntes de pensamento sobre determinado assunto.
Deste jeito vivemos seguindo os pensamentos da elite, somos jogados de um lado a outro de acordo com esta conveniência; manipulados e desprovidos de opinião própria, sem analise, sem reflexão, sem individualidade, sem vontade, sem sonhos. Tudo se torna genérico, social, o individuo perde sua identidade para viver uma ordem maior.
Não quero viver numa sociedade assim, precisamos incentivar as criações individuais, as idéias contrárias, as reflexões, sem isto nenhuma sociedade evolui, não se cria nada novo e em algum momento este veto da vontade individual vai explodir de forma abrupta com um vulcão e eu quero estar vivo para participar de mais esta mudança social. Precisamos e muito de mais estudo e filosofia, precisamos conhecer mais a realidade a nossa volta.
Boa busca a todos e cuidado com o que vêem na TV.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Clima tropical x subdesenvolvimento

Para variar um pouco segue outro tema bastante polêmico. Há algum tempo venho questionando este tema durante minhas viagens pelo mundo. Percebe-se a incrível exatidão e provas deste fato: partes mais quentes do globo são menos desenvolvidas que as partes mais frias. Isto acontece também dentro dos próprios países, as áreas mais frias dos EUA, Itália, França, Brasil, Inglaterra, China, Índia, Austrália são mais desenvolvidas economicamente que as partes mais quentes destes mesmos países. Quando comparamos entre países o problema é maior, países de clima tropical. São bem mais pobres que os de clima temperado.
Resolvi tocar neste assunto bastante complicado, complicado porque existem várias exceções, porque a edição da revista Veja de 2166 de 26 de maio de 2010 trouxe uma entrevista com um renomado cientista e escritor chamado Jared Diamond que concorda com alguns dos argumentos levantados acima.
Para ele os países de clima temperado são, em média, duas vezes mais ricos que os tropicais. Uma razão é que, nos trópicos, a produtividade agrícola é mais baixa. Há pestes, insetos, doenças, e os solos tropicais tendem a ser menos produtivos. Na América do Sul, os países mais ricos em agricultura são os de clima temperado: Argentina, Uruguai, Chile e a metade sul do Brasil. O poder econômico no Brasil não fica na zona tropical, nas regiões Norte ou Nordeste. Fica mais ao sul, onde o clima é mais temperado. Obviamente, isso não quer dizer que as pessoas no Rio ou em São Paulo sejam mais inteligentes. É pura geografia.
Disse também que um país tropical que queira enriquecer precisa, em primeiro lugar, pensar em saúde pública, para evitar doenças tropicais. Se as pessoas adoecem durante metade do ano, com malária, febre amarela ou dengue, elas morrem mais cedo. Pegue-se o exemplo de um engenheiro que se forme aos 28 anos. Na África, pela expectativa de vida em alguns lugares, esse engenheiro morrerá aos 36 anos. Terá oito anos de vida profissional. No Japão, o engenheiro morrerá aos 81. São 53 anos de exercício de profissão. É indiscutível a vantagem. Malásia e Singapura são países tropicais do Sudeste Asiático. Há meio século, eram paupérrimos. Hoje, Singapura tem nível de Primeiro Mundo, e a Malásia está perto. Uma das primeiras coisas que os dois fizeram foi combater doenças tropicais. Depois, perceberam que sua vocação econômica não era plantar nem criar gado e viraram países de comércio e manufatura.
Tenho visto, inclusive na academia, professores me recriminarem por levantar um assunto deste, como se estivesse determinando o subdesenvolvimento do Brasil e do Nordeste, no entanto esta não é minha intenção. Apenas percebo isto claramente quando vejo um Mapa Mundi. Este assunto deveria ser melhor estudado sem preconceitos, levantando seriamente quais poderiam ser os fatores.
Apesar das exceções é difícil não perceber que o calor trouxe atraso tecnológico e econômico às regiões mais quentes, isto é visível em quase todo mundo.
Outro ponto não levantado acima é que gasta-se muito mais calorias para executar a mesma tarefa em países tropicais, o calor sufoca nossas forças e acabamos produzindo menos, juntando isto a um numero grande de indivíduos gera uma desvantagem muito grande nestas áreas.
Também percebemos a falta de interesse em produzir mais nas áreas tropicais, justamente por não passarem por invernos muito severos e, portanto não precisar gerar excedente em certas épocas do ano, as pessoas acabam se acomodando mais, deixando para depois suas tarefas. Sei que é difícil perceber isto, mas vamos olhar nossa realidade. Se as pessoas não precisam de roupas frias e caras, lares com calefação – na verdade no clima tropical as pessoas podem dormir em qualquer lugar – ou de se prepararem para temperaturas muito severas no inverno, elas não se sentem estimuladas a desenvolverem mais suas potencialidades.
Calma, não fiquem bravos novamente comigo, percebam as incoerências e reportem, porém não tenham medo de admitir certo grau de concordância.
Muitas pessoas tem medo destes determinismos humanos, seja do ambiente, seja dos instintos naturais, seja da linguagem, gostam de imaginar que são capazes de fazer qualquer coisa e que são livres para decidir sozinhos tudo a sua volta. Sinto informar para estes que temos muito pouca liberdade de escolha, quase tudo é determinado pelo ambiente, cultura, linguagem, formação familiar, etc. Então, não podemos ter pensamentos livres? Podemos, com muito conhecimento das coisas e de si mesmos. Parafraseando novamente meu colega Sócrates: conheça-te a si mesmo, esta é a única virtude realmente humana.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A Era do Twitter

Estamos definitivamente na era do superficial, do imediato e do provisório, portanto bem longe de algo que possa ser chamado de filosofia. Ao contrário do que muita gente possa achar, filosofia é uma ciência e como tal não tem “viagem” nenhuma, tem um objeto de estudo próprio e seus métodos racionais e lógicos de linguagem.
Fico imaginando o que podemos escrever em 140 caracteres que seja importante para alguma coisa ou para alguém. Um argumento ou uma idéia não pode ser desenvolvido em tão pouco conteúdo, então para que serve o Twitter? Ora bolas, para merda nenhuma, ou para informar alguém sobre a vida alheia, incrível como sites que contam sobre a vida cotidiana das pessoas prosperam, o facebook é um deles. Não vou mentir que não tenho uma conta lá, mas nunca falei sobre meus afazeres domésticos lá, quem iria querer saber se estou feliz ou triste? Ora bolas, que saco isto, recebo constantemente aviso sobre fulano feliz, sicrano cansado, realmente tem gente que não tem o que fazer, um escrevendo estas bobagens e outros comentando, incrível. Parece que estou mesmo fora de sintonia com o mundo.
Outro site destes é o Orkut, este nem posso falar muito, pois nem conta tenho, mas deve ser do mesmo estilo do facebook. Ora amigos, vamos discutir idéias, posições políticas, filosofia, ou alguma coisa que possa nos proporcionar algum conhecimento. O que está acontecendo com todos a minha volta? Todos parecem preguiçosos em ler algo que tenha mais de 140 letras, que pobreza de espírito. Outro dia um colega disse que não lia o blog da liga porque os textos eram muito extensos, que tristeza, realmente é melhor nem ler, não vai entender nada mesmo, se tem preguiça de ler, imagina para analisar a leitura, muito trabalho, rs.
A era do Twitter é a era do superficial, e encontrou neste site seu ápice, o cumulo do nada. Muita informação inútil. Estes dias li um artigo sobre o fim dos jornais e dos conteúdos jornalísticos, como ninguém quer pagar por nada na internet, os jornais não tem como prosperar e pagar os salários justos dos bons jornalistas. Dizem que será difícil produzir matérias bem feitas num mundo de blogs, facebooks e orkuts, ninguém está interessado em conteúdo, todos querem saber o que o próximo artista global comeu ontem, me poupem. Como alguns dizem por ai: parem o barco que eu quero descer.
Pois é, a Liga precisa fugir disto, e tentar, sempre, produzir conteúdo, idéias, discussões, ou qualquer coisa que estimule o conhecimento. Utilizamos um blog para fazer isto, e blog também não é a melhor ferramenta, não dá para produzir algo fundamentado em tão poucas palavras, no entanto esta é apenas uma ferramenta, vamos começar este ano nossas reuniões semanais onde buscaremos a discussão de textos e artigos com fundamento e também procuraremos produzir os nossos, como muito vinho é claro, aguardem.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Nada é de graça

Acho que este texto vai irritar muita gente, por isto vou tentar ser o mais cauteloso possível, no entanto não sou politicamente correto e, portanto vou acabar sendo rude em alguns momentos. Peço ao atencioso leitor que foque apenas nos argumentos e não na forma como será exposto. Antes de começar com meus argumentos gostaria de falar que este texto é genérico, não refere-se a minha pessoa ou em nada específico, portanto as críticas não devem se basear em minha pessoa e sim aos argumentos propostos, obrigado.
Nada é feito sem interesse, ou seja, nada é simplesmente de graça. Todos suprimos algo quando realizamos uma ação, seja financeiro, seja emocional, seja alguma carência, ou seja simplesmente para satisfazer algum desejo. Nossas ações, sejam lá qual forem, não são desprovidas de algum interesse, nada é feito somente por amor ou qualquer outro sentimento mais nobre ou por algo divino, ou seja lá como queria chamar uma ação desprovida de interesse.
Não encarem interesse num sentido ruim, acho que deveríamos entender esta palavra, neste contexto, como algo necessário, como uma causa para existir esta relação. Tudo, digo TUDO, na natureza tem alguma causa e alguma função a exercer no ecossistema. Alguns seguidores da Liga não gostam das minhas comparações das relações humanas com a natureza, no entanto isto é inevitável, as coisas, assim como o pensamento, a linguagem, a sociedade, ou seja, tudo a nossa volta tem paralelo na sobrevivência da espécie, é difícil nos enxergarmos sempre como animais, mas esta é nossa história, nossa formação e nossa programação prevista no DNA de cada um. Portanto o homem sempre executa alguma ação seguindo instintos naturais, que são sempre baseados na teoria da seleção natural de Darwin. Provem-me o contrario se discordarem, porém, ninguém ainda descobriu nada concreto contra.
Vamos começar pelas amizades, já imagino a angustia de vocês ao lerem esta frase, mas vamos lá. As amizades são baseadas em afinidades, não tem jeito, pode-se dizer o que quiser, somos amigos daquelas pessoas que confiamos e portanto que temos algo em comum, pois não confiamos no desconhecido, ou naquilo que não compreendemos, concordam? Por isto mesmo, buscamos algo em troca nesta relação que pode ser a confiança, a necessidade de convivência social, apoio sentimental e financeiro em alguns casos, posso elencar vários fatores para esta relação, mas em TODOS, irá existir interesse.
Vamos evoluir nos argumentos para o amor conjugal. Ora neste caso tenho muito a comentar. Comecemos pela imposição social, o casamento é um dogma, a família é uma instituição secular, os casados sempre foram convidados a festa e cerimônias, eram chamados a jantares. O casamento é necessário para uma adequada proteção da cria e conseqüentemente, perpetuação da espécie. E o amor? Como disse anteriormente este sentimento surge de um desejo sexual e pode sim evoluir a algo mais forte que chamamos amor, ninguém ama sem exigir nada em troca, nenhum amor é duradouro sem retorno, sem compartilhamento com a outra parte. O casamento também foi utilizado durante os anos como um meio para manter o patrimônio familiar e sua descendência.
Mas Carlos, alguns diriam, o que me diz da doação e caridade, estas pessoas dedicam a vida aos outros sem exigir nada em troca, o que me diz disto? Ora, meus caros, como disse anteriormente: nada é de graça. Afirmo que estas pessoas têm muita carência emocional, e que, portanto precisam do amor do próximo para viver sem depressões ou crises. Não tenho em mãos estudos científicos a respeito, nem acho que alguém vá querer falar mal destas pessoas tão adoradas socialmente. Porém digo que elas recebem aquilo que falta nelas, amor próprio, ajudam os outros para receber gratidão, afeição e algum carinho que normalmente não receberiam por falta de auto-estima. Desculpem pela sinceridade, mas estou analisando as coisas sem emoção mesmo. Racionalmente é sempre mais fácil de perceber a verdade (se existir) a nossa volta. Também tem o lado religioso, muitas acham que com isto estarão assegurando seu lugar no reino dos céus.
Por fim vou novamente comprar uma briga com todos e falar do amor considerado inquestionável, o amor de mãe. Não vou me prolongar muito, pois já falei muito disto em outros textos. Basicamente, afirmo que este amor é TOTALMENTE instintivo e necessário a sobrevivência, principalmente na maioria dos mamíferos que necessitam amamentar por um período muito longo. Percebam, racionalmente, sem este sentimento muito forte, muitas mães abandonariam os filhos (estou falando em geral, algumas abandonam mesmo, mas por outros motivos) e a espécie não perpetuaria.
Já comprei muita briga com este texto para gerar semanas de discussões, portanto podem me bombardear, mas venha com argumentos e sem histórias específicas, sejamos gerais, please.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Linguagem – Introdução

Nas próximas semanas estarei publicando comentários sobre a leitura do livro: O Instinto da Linguagem de Steven Pinker, já comecei a ler o primeiro capítulo e estou impressionado com a confirmação de minhas suspeitas sobre nossa limitação de enxergarmos o mundo, o ser humano só percebe as coisas a sua volta através da linguagem adquirida, veremos nas próximas semanas e na próxima semana começo com o capítulo 1: Um instinto para adquirir uma arte.
Quando falo de linguagem não estou falando de línguas no termo gramatical, esta leitura fala da ciência por trás da forma como percebemos o mundo em nossas mentes, também chamada de ciência cognitiva ou ciência da mente. Estas buscam entendem como nosso cérebro assimila a compreensão do mundo e de nós mesmos.
Acho que será uma leitura muito interessante e de grande valor filosófico para discussão na Liga.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Encontros e desencontros

Tenho viajado muito nas ultimas semanas e venho amadurecendo algumas idéias e argumentos sobre o tema acima. Talvez eu venha a parecer muito comum em minhas palavras, porém me deu muita vontade de refletir novamente sobre a impressionante quantidade de situações inusitadas de encontros e desencontros que acontecem a cada segundos em nossas vidas.
Primeiramente gostaria de tratar do assunto puramente físico destes encontros. Tenho encontrado um numero razoavelmente grande de colegas e amigos há muito não vistos que me impressionaram nos últimos dias, pessoas que não via há anos e em situações bastante curiosas, num virar de esquinas ou num banheiro de festa, incrível! Isto me fez imaginar a quantidade de pessoas que também conheço que devem passar diante de mim uma centena de vezes sem que tenha percebido. Não tenho aqui nenhuma pretensão de parecer supersticioso ou místico em imaginar coisas como: “era para encontrar aquela pessoa” ou “Vocês se encontraram para trocar alguma energia ou coisa parecida”, ainda mais que não acredito nisto mesmo.
No entanto vou contar aqui a história mais esquisita acontecida comigo quando viajava pela Europa há muito tempo atrás. Cheguei de trem em Berlim, provavelmente em alguma data de julho de 1996, quando conheci um americano muito engraçado, viajava pelo mundo há mais de 1 ano e como mochileiro e viajando sozinho, também procurava algum lugar para dormir. Como tínhamos a mesma necessidade logo buscamos um albergue para aquela noite. Bom, ficamos amigos e passamos uns 3 dias conhecendo a cidade de Berlim, que por sinal é linda. Após este período resolvemos ir a Budapeste juntos. A maneira mais rápida de ir de trem de Berlim para Budapeste (Hungria) é passando pela República Tcheca que necessitava de visto para Brasileiros na época, os americanos não. Então o meu trajeto seria mais longo, por Munique e marcamos a hora de minha chegada em Budapeste para 2 dias após, no trem das 9 da manhã.
Bem, como um bom mochileiro acabei conhecendo 2 paulistas no trem para Munique, passamos a noite tocando pandeiro para um grupo de alemãs numa cabine. Formamos um grupo legal e decidimos mudar nossos roteiros para acompanhar uma chilena a Salzburg (Áustria). Achei que o americano iria entender, a vida às vezes nos mostra outro caminho e não gosto de seguir estritamente nada em minha vida. Então me perdi do mochileiro americano. Fiquei imaginado-o me esperando na estação de trem, mas não podia contatá-lo.
Após 120 dias viajando sozinho pela Europa voltei à Inglaterra para trabalhar onde fiquei mais 5 meses e em janeiro de 1997 resolvi conhecer o Egito. A cidade do Cairo é uma loucura, muita confusão, muito tráfego, muita gente para todo lado. Cheguei ao albergue umas 23 h da noite e imagina quem eu encontro na recepção indo embora? Ele mesmo, o americano de Berlim, aproximadamente 6 meses depois, foi difícil explicar a ele o acontecido, ele me esperou na estação por 2 horas, mas logo entendeu que caminhos são traçados e fechados o tempo todo, este imprevisto é o grande barato de viajar sozinho como mochileiro, assim como na vida também.
Por um instante, segundos, teríamos nos desencontrados novamente, que coisa!
Levando para um lado mais filosófico, queria analisar estes eventos numa amplitude de vida e caminhos traçados por todos nós. Ora, estes encontros podem abrir caminhos em nossas vidas assim como desencontros podem fechá-los. Gosto de imaginar novas oportunidades quando reencontro amigos ou também quando faço novos, pessoas são canalizadores ou pontes que nos ligam a novos rumos e conquistas. Nem todos temos a mesma percepção da realidade e quando conversamos com o próximo, devemos ficar atentos as suas experiências, elas podem nos levar a caminhos jamais imaginados.
Outra coisa importante a destacar é que quando viajamos aumentamos estas possibilidades, nossos canais sensoriais estão mais abertos e receptivos a novas experiências e isto nos ajuda a perceber coisas que normalmente nem passariam em nossas mentes ocupadas.
Pois é, só consigo encontrar benefícios nestas minhas andanças pelo mundo, tento mais não consigo encontrar argumentos contrários, alguém consegue?
Boa viagem amigos

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Fábula “O Passarinho”

Com um estilo bem parecido aos textos do Peixinho Doido, apresento abaixo a fábula do Passarinho, muito legal, vale a pena uma leitura com atenção.
A Liga sempre busca a liberdade em todos os sentidos, e textos que procuram libertar nossos desejos e que nos impulsiona para alguma experiência nova sempre será estimulado.
Estou começando a leitura sobre Linguagem, muito interessante, virão textos nas próximas semanas.
Boa leitura.

Era uma vez um passarinho que vivia em uma linda gaiola dourada. Ele tinha aparentemente uma vida invejável. Todos os dias lhe era servida uma boa alimentação, água límpida e sua gaiola era sempre limpa e posta em lugar fresco e agradável. Nos dias de sol ele era levado para fora da casa e ele se aquecia e cantava. Nas noites frias era posto com sua gaiola em lugares protegidos do vento. O passarinho parecia viver contente até o dia em que passou a observar outros passarinhos que não viviam em gaiolas e pareciam mais alegres do que ele. Eles cantavam mais, voavam livres e escolhiam os galhos onde pousar. O passarinho observou também, que os outros passarinhos procuravam no chão e nos galhos a sua comida, parecia às vezes que desprezavam muitas coisas que pegavam para tomar outras um pouco mais distantes no galho de outra arvores. Tinham vários frutos, mas nem de todos eles comiam. Aquela desenvoltura, aquela liberdade, encantou o passarinho que passou também a querer aquela vida. Seria ótimo se pudesse voar também como os outros, cantar com eles e a noite voltar para a sua gaiola. Mas o dono da gaiola não aceitava isso e ele passou a pressionar a porta da gaiola.
À medida que aumentava sua vontade de voar como os outros, parecia-lhe menos agradável a vida que levava, parecia-lhe menos importante o fato de poder estar na gaiola à noite.
Visto seu visível descontentamento na gaiola ele foi passado para um viveiro. Lá estavam muitos passarinhos que viviam como ele, e estavam satisfeitos com o conforto que tinham, apesar de terem visto outros passarinhos livres. Alguns passarinhos do viveiro até achavam ruim a vida dos outros que viviam na árvore.
“Não temos que correr e até brigar por uma minhoca para sobreviver, porque temos o melhor alpiste” – dizia um.
“Nem que voar distâncias incríveis atrás de água” – dizia outro
Mas o que atraía o nosso passarinho era a liberdade. Agora, além da vontade de viver voando com os outros na árvore, nascia nele à vontade de provar aos outros do viveiro, a sua capacidade de voar como os “das árvores”.
Eis que, depois de muitas dúvidas e tentativas, o passarinho saiu do viveiro. Só que talvez por falta de sorte, não saia em um daqueles dias de sol como eles pensava; naqueles dias em que todos cantam e brincam nas árvores.
O dia estava nublado e o passarinho que nunca havia precisado se preocupar com o tempo, não tinha a experiência de saber se o sol voltaria a parecer ou se iria cair uma tempestade. Nesse dia ele teve de se preocupar em buscar um lugar que não ventasse muito.
O outro dia amanheceu mais claro, e o passarinho com fome saiu em busca de alimentos. Mas que dificuldade! Os passarinhos “das árvores” que muitas vezes lhe pareceu dividir os alimentos que encontravam, na verdade os disputavam, brigavam e para ele não deixavam senão os restos. A água que tinha encontrado seguindo os outros tinha um gosto horrível, muitas daqueles frutas que ele imaginava serem desprezadas pelos passarinhos livres, numa escolha de sabor, não eram digeridas por serem intragáveis ou estarem apodrecidas e para seu desespero, a tarde aconteceu-lhe uma coisa terrível: foi apedrejado. Ele desconhecia totalmente o perigo, não sabia que se caçavam passarinhos de badoque, de espingarda e até mesmo de pau.
Apavorado, mal alimentado e decepcionado, voltou ao viveiro. A água ele pode tomar do lado de fora. Que sabor! Que diferença para aquela do charco? A comida, alguns dos passarinhos do viveiro trouxeram até a tela. Todos queriam saber das notícias, muitos prontos para lhe dizer: “Eu não falei!” outros: “está vendo, que eu não passo por uma desta!” a porta estava fechada e o passarinho dormiu fora, e sentiu frio, vendo os outros bem instalados dormirem tranqüilos.
Quando amanheceu, o passarinho tinha de decidir se entrava quando o dono do viveiro viesse mudar a água, ou se ficava fora. A qualidade dos alimentos o atraía, o conforto não tinha comparação e a segurança imensurável. Mas tinha a aceitação da derrota a amargar. Tinha a aceitação das normas do viveiro, que passariam a ser mais desagradáveis, visto o desencanto de mudar, mas tinha algo mais forte, mais válido: a liberdade, pequena, frágil ainda, porém conquistada e a esperança de encontrar água mais limpa numa fonte, frutos melhores em outros pomares, e de construir um ninho em um lugar protegido do vento e da chuva.
Quando o dono do viveiro, satisfeito de vê-lo de volta, trazido por suas necessidades, quando os outros passarinhos esperavam por sua entrada, o nosso passarinho voou, mais alto que o dia anterior e para mais longe.
Nunca mais voltou ao viveiro. Dizem alguns que ele inexperiente sucumbiu com uma pedrada de um menino travesso, outros dizem que ele morreu envenenado ao comer uma semente ruim, outros que ele morreu de sede, mas têm outros que dizem, e eu acredito nestes, que o passarinho aprendeu a escolher os seus alimentos, a fugir do perigo e com ajuda de outro construiu um ninho a beira de um regaço.
Deraldo Gonzaga Pitombo

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O que você está sentindo?

Coração acelerado, suor nas mãos e “frio” no estômago, que sentimento provoca essas reações? Pense um pouco...
Na verdade,vai depender da situação em que você se encontra.Se você estiver diante de um grande público prestes a palestrar pela primeira vez, provavelmente estará apreensivo, ansioso. Se estiver diante de uma situação de perigo, com certeza estará com medo.Mas se estiver diante de alguém especial, pode estar apaixonado.
Estimulada a encontrar explicações neuroquímicas para sentimentos como felicidade e paixão, deparei-me com a constatação de que estas não existem realmente, pelo menos não de maneira conclusiva ou satisfatória. E pior, descobri como as respostas fisiológicas aos sentimentos são inespecíficas, como as manifestações citadas acima (taquicardia, sudorese e contrações estomacais) e o que vai nos ajudar a identificar o que estamos sentindo é o estímulo social ou situacional, segundo alguns estudiosos. Assim, suas mãos podem suar por medo ou por paixão, e o coração acelerar em qualquer das situações supracitadas.
Desse modo, será que até nossos sentimentos nos são socialmente impostos e não nos cabe individualidade alguma no sentir?
Refletindo bem, essa possibilidade não é aceitável. A influência social existe e é inegável em nossas vidas, entretanto, por mais que nos digam como é sentir medo, estar feliz ou apaixonado, só aprendemos seus significados ao experimentarmos cada sentimento, e a experiência é algo vivenciado de maneira bem particular por cada indivíduo.
Cada pessoa experimenta determinado sentimento, nomeando-o de acordo com sua própria avaliação. Ninguém pode experimentar o sentimento do outro para saber se ele está confundindo medo com paixão diante de alguém (os “sintomas” são os mesmos).
Além disso, os sentimentos são desencadeados por estímulos e o mesmo estímulo pode provocar diferentes reações em pessoas diferentes, logo os sentimentos não serão os mesmos.
Como qualquer outro sentimento, assim é a felicidade. Todos que já experimentaram sabem o que é, apesar de não ser a mesma coisa para todos que experimentaram.
Se todos sentissem da mesma forma não haveria um conceito universalmente aceito para a felicidade? Esse conceito não existe. Tentar entender como esse e outros sentimentos acontecem é fascinante, mas, na prática, fundamental é sentir e descobrir quais estímulos movem seu cérebro na “produção” da sua felicidade.
Concluo com isso que mais importante que discutirmos sobre o que é e como ocorre a felicidade, ganhamos mais ao descobrirmos, individualmente, o que faz nosso coração acelerar, as mãos suarem e o estômago contrair de maneira prazerosa (e não nos faz ter vontade de correr ou lutar - só uma dica!) para direcionarmos nossa busca na vida pelo que nos desperta aquele sentimento bom, que todos conhecemos, mesmo que não saibamos definir, e que podemos chamar de felicidade.

Marcela R. da Costa