Há algum tempo tenho pensado em escrever um artigo sobre este tema, muitos têm me questionado sobre como tem sido minhas experiências em ambos os casos. Todos temos opiniões sobre este tema, já que faz parte da vida cotidiana e moderna a passagem habitual entre estes dois estados.
Não pretendo aqui repetir a mesma ladainha de sempre sobre o tema, pretendo tentar ir um pouco além das analises de botequim.
O homem é um animal, um mamífero, somos da mesma linhagem animal dos símios. Como mamíferos temos a necessidade natural de convivência em grupo, todos os mamíferos precisam dos pais por um tempo médio maior que outros gêneros animais. Isto decorre da nossa necessidade de amamentação, alimentação diária, proteção, entre outros. Quando crias, precisamos ser amamentados e nesta fase precisamos dos pais para quase tudo, uma criança humana não pode sobreviver sozinho nem por um dia. Também não temos capacidade de nos alimentarmos sozinho, o homem não tem armas naturais para caçar, nossos membros não são desenvolvidos para este propósito e sem falar em proteção, precisamos conviver em grupo para dividirmos as tarefas de proteção e alimentação.
Com isto, averiguamos a necessidade humana de conviver em grupo e assim desenvolver as características afetivas que temos. Podem perceber que os mamíferos, em geral, desenvolvem laços afetivos muito maiores que outros grupos de animais.
Dentro deste contexto, vejo como natural a união dos humanos em grupo, família ou casais, apesar deste ultimo ser muito mais uma característica desenvolvida pela cultura e religiões, que propriamente da natureza da espécie. No entanto me parece mais coerente vivermos em família que sozinhos ou em grupos maiores. Quanto menor o grupo a que pertencemos mais afetividade e mais proteção recebemos e o homem tem uma necessidade grande de proteção, precisamos nos sentir protegidos o tempo todo para conquistarmos a felicidade
Ora, então parece que pessoas que vivem solteiras ou sozinhas estão indo contra a tendência natural da espécie? Percebe-se que nosso sistema econômico e de governo atual, influenciou em muito nossa cultura e nossa forma de enxergar o mundo nos últimos dois séculos, principalmente após a segunda guerra mundial que trouxe uma aparente sensação de paz e prosperidade no mundo ocidental a partir desta data. Conquistamos as necessidades básicas de alimentação e de moradia, pelo menos para parte da população, mesmo que ainda pequena, hoje é muito maior que na idade média. Para esta classe média, alimentação e proteção não são mais problemas, aquela necessidade natural foi suprida e outras necessidades começaram a surgir.
O homem começou a se diferenciar pela competência individual, cada um passou a ser responsável pelas suas decisões. O grau de sucesso no capitalismo é medido pela diferenciação e pela capacidade individual de fazer mais que o outro. Criaram-se assim indivíduos que não precisam mais de proteção familiar. A mudança do bem do grupo para o bem individual trouxe muitas mudanças culturais e refletem a forma de viver do homem atual.
Ser solteiro é ser responsável por você mesmo, é fugir, também, do conceito: nascer - estudar – trabalhar – criar filhos – morrer. Os solteiros, em geral, saem um pouco deste padrão, eles querem conhecer lugares, ter mais amigos, descobrir o mundo.
Não estou defendendo os solteiros, nem tampouco os casados, acho que ambos têm seu lugar, quero aqui é criar um novo padrão, o Funeiro (junção da palavra em inglês “fun” com companheiro).
Esta classe seria formada por pessoas que gostem de ter relacionamentos com o outro sexo mais não querem deixar de descobrir o mundo. Nesta classe as pessoas se uniram apenas por quererem muito compartilhar experiências, conhecimentos, carinhos e sexo de forma completa. Cada um teria sua própria vida, suas individualidade, suas experiências, mas também compartilhariam as experiências do parceiro. Teriam sim, que ter muitas afinidades, mas poderiam aumentar suas capacidades individuais de experimentar e de descobrir novas potencialidades.
Os casais somente estariam juntos para viver a vida intensamente, sem obrigações, sem casamentos, sem filhos, sem buscar suprir necessidades e proteção nos outros, sem carências, sem compartilhar a vida financeira.
Poderiam viver num mesmo teto ou não (bem que dormir juntinho é bom demais), poderiam dividir a vida financeira, mas cada um precisa ter seu controle financeiro, viver junto não é dividir patrimônio (este conceito é de séculos atrás, quando o casamento era apenas para unir famílias). O interessante é que a convivência precisa ser livre, sem compromissos ou formalidades.
Estaríamos juntos apenas para vivermos intensamente nossas experiências e buscas. Seria um mix entre os solteiros e os casados, tentando unir o lado bom de cada.
Bem, já falei demais, podemos juntos pensar melhor nesta próxima etapa de convivência humana. Tragam-me mais idéias de como poderia ser os Funeiros. Vamos criar um novo mundo juntos.
Obs: se não gostaram do nome, me dêem alternativas, rs.
História: liga criada em 1780, por Henriette Herz na Alemanha com o propósito da virtude e produto das idéias iluministas, pregava a igualdade de todos os seres humanos. Era um local onde intelectuais se reuniam uma vez por semana para falar sobre Deus, política e sobre seus sentimentos. Re-criada em 13 de março de 2009 em Salvador, Brasil, para a expressão livre de pensamento baseada na razão.
sexta-feira, 12 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Peixinho esquentado
Certo dia o peixinho acordou esquentado, havia tido uma noite com muitos sonhos e acordou cansado de tanto sonhar. Na verdade ele não se lembrava dos sonhos, mas sabia que tinha sido uma noite daquelas. Sonhar é sempre viajar para ele, ou vice versa, na verdade ele nunca sabe a diferença.
Nesta última viagem o peixinho percebeu que caminhos não são percorridos sozinhos, outras vidas sempre são afetadas, ninguém passa pela vida do outro sem deixar algo, sem compartilhar valores, sentimentos e emoções. Viagens são momentos de troca de experiências, por isto é legal conhecer sempre gente nova. Elas nos mostram algo novo e que nos ajudarão nas próximas viagens, sejam informações de direção apenas, ou algum aviso importante sobre pedras adiante.
O peixinho tenta controlar as coisas a sua volta, assim como todo mundo, mas tem coisas que a probabilidade de acerto é sempre distante, os riscos e variáveis são complexos e isto o deixa esquentado. Queremos controlar e planejar nossas ações, nosso futuro, mas a vida não pode ser determinada.
O peixinho percebeu o quanto é difícil deixar um companheiro para trás. Quando vivemos e compartilhamos nossas experiências, parece que uma parte de nós ficou pelo caminho. Traçamos um risco no mapa de nossas vidas e este não pode ser apagado por completo, as trilhas ecoam pela eternidade. Assim como falou Nietzsche, devemos viver apenas os momentos que devam ser repetidos pela eternidade e assim tenta viver o peixinho.
Estes encontros alimentam a fome de seguir adiante do peixinho e talvez seja o combustível de sua existência. No fundo o peixinho não sabe mais viver num casulo, num buraquinho protegido sobre um teto de amor. Depois que experimenta-se conquistas é difícil viver de rotinas.
Pois é, mais uma vez o peixinho segue seu caminho rumo ao desconhecido e com aquele friozinho na barriga que ele tanto gosta, a segurança do conhecido cada vez perde espaço em seu coração. Que venham mais esquinas desconhecidas, estranhas coincidências e oportunidades para viver momentos eternos. O que o peixinho não pode mas deixar de viver é o mistério de novas experiências.
Acabou mais uma viagem, finalizou mais uma vida e pintou a eternidade com seu pincel, já gasto, mas sempre disposto a nunca parar de colorir sua vida e das pessoas que conhece.
E assim o peixinho viveu novamente outra caminhada, não sabe se sonho ou realidade, mas quem sabe com certeza a diferença? Às vezes vivemos vidas em sonhos, coisas são traçadas, ações são executadas, companheiros são conquistados e quando acordamos percebemos que era mais um sonho, um sonho aparentemente vivido, mas não tocado.
Sonho ou não, ele acordou atônito e com muita vontade de experimentar algo novo, apesar de ter chegado a um limite, acordou com a vontade de transpô-lo. Alias não foi assim mesmo que ele pulou do aquário?
Nesta última viagem o peixinho percebeu que caminhos não são percorridos sozinhos, outras vidas sempre são afetadas, ninguém passa pela vida do outro sem deixar algo, sem compartilhar valores, sentimentos e emoções. Viagens são momentos de troca de experiências, por isto é legal conhecer sempre gente nova. Elas nos mostram algo novo e que nos ajudarão nas próximas viagens, sejam informações de direção apenas, ou algum aviso importante sobre pedras adiante.
O peixinho tenta controlar as coisas a sua volta, assim como todo mundo, mas tem coisas que a probabilidade de acerto é sempre distante, os riscos e variáveis são complexos e isto o deixa esquentado. Queremos controlar e planejar nossas ações, nosso futuro, mas a vida não pode ser determinada.
O peixinho percebeu o quanto é difícil deixar um companheiro para trás. Quando vivemos e compartilhamos nossas experiências, parece que uma parte de nós ficou pelo caminho. Traçamos um risco no mapa de nossas vidas e este não pode ser apagado por completo, as trilhas ecoam pela eternidade. Assim como falou Nietzsche, devemos viver apenas os momentos que devam ser repetidos pela eternidade e assim tenta viver o peixinho.
Estes encontros alimentam a fome de seguir adiante do peixinho e talvez seja o combustível de sua existência. No fundo o peixinho não sabe mais viver num casulo, num buraquinho protegido sobre um teto de amor. Depois que experimenta-se conquistas é difícil viver de rotinas.
Pois é, mais uma vez o peixinho segue seu caminho rumo ao desconhecido e com aquele friozinho na barriga que ele tanto gosta, a segurança do conhecido cada vez perde espaço em seu coração. Que venham mais esquinas desconhecidas, estranhas coincidências e oportunidades para viver momentos eternos. O que o peixinho não pode mas deixar de viver é o mistério de novas experiências.
Acabou mais uma viagem, finalizou mais uma vida e pintou a eternidade com seu pincel, já gasto, mas sempre disposto a nunca parar de colorir sua vida e das pessoas que conhece.
E assim o peixinho viveu novamente outra caminhada, não sabe se sonho ou realidade, mas quem sabe com certeza a diferença? Às vezes vivemos vidas em sonhos, coisas são traçadas, ações são executadas, companheiros são conquistados e quando acordamos percebemos que era mais um sonho, um sonho aparentemente vivido, mas não tocado.
Sonho ou não, ele acordou atônito e com muita vontade de experimentar algo novo, apesar de ter chegado a um limite, acordou com a vontade de transpô-lo. Alias não foi assim mesmo que ele pulou do aquário?
sexta-feira, 5 de março de 2010
Corpo e Mente
Há algum tempo tenho me defrontado com uma questão emblemática: a separação entre corpo e mente. Aceitar esta separação seria acreditar que a mente provem de outras substancias que não a material e talvez induzir a aceitação da alma.
Há 2 anos me defrontei com alguns estudos sobre Filosofia da Linguagem (matéria acadêmica do ensino de filosofia), li textos que reviraram um pouco este conceito e que me serviram de base para começar a questionar esta máxima, de que a mente e o corpo são objetos de estudos diferentes.
Sempre me pareceu lógico que o pensamento não poderia ter a mesma substancia do corpo, Descartes descreveu muito bem isto: a consciência da existência vem da mente, portanto não existe vida sem pensamento. O corpo seria material, seguiria as leis da natureza enquanto a mente não é espacial e a imaginação não seguiria nenhuma regra natural.
O principio básico desta teoria é a inteligência, como temos a capacidade de refletir antes de agir, então nossa mente não seguiria nenhum comportamento a priori, seria exatamente nossa alma falando para si mesma. Este ponto é fundamental neste estudo, pois coloca nosso pensamento em modo privado, se pensamos de forma individual então o pensamento não pode vir de algo coletivo como o comportamento, por exemplo.
Recentemente me foi disponibilizado alguns textos de B.F.Skinner (Behaviorismo Radical) e de Gilbert Ryle (Filosofia Analítica) onde ambos tentar demonstrar os erros cometidos por Descartes e o senso comum sobre a mente. Para Ryle um pensamento inteligente não antecede reflexão ou reconhecimento de regras ou críticas, como prevê o senso comum, e sim uma disposição de agir desta forma devido à atualização inteligente de experiências passadas. Ser inteligente não é agir de forma inteligente uma única vez, é manifestar determinada atualização quando esta sofrer mudanças em um contexto experimentado no passado. Ser inteligente seria apenas comportar-se de forma diferenciada em determinada situação. Outro ponto importante de Ryle é defender a idéia de que o pensamento, por ser comportamento, não pode compreender as coisas em sua totalidade nem descobrir verdades, tudo seria sempre parcial.
Vamos analisar bem o que acabei de escrever, nosso pensamento e nosso conhecimento do mundo, das coisas e de nossas habilidades são apenas formas de comportamento que podem ser previsíveis e estudadas. Pronto, Carlos está mesmo tentando destruir qualquer resquício de divino em nossa existência; calma, meus amigos, estou apenas, como sempre, tentando mostrar que nosso senso comum pode nos enganar e que nossa individualidade, na verdade, pode não existir e que fomos treinados e educados para nos comportarmos desta forma e termos este comportamento sobre nossas ações.
Nas teorias da Filosofia da Linguagem me foi demonstrado que até nosso pensamento é fruto de nossa forma de comunicação e de expressão. Sem a necessidade de nos comunicarmos com os outros, nem haveria pensamento. O Homo Sapiens adquiriu esta forma inteligente de se expressar justamente quando sentiu a necessidade de se comunicar de forma mais precisa. Estou afirmando que nosso pensamento deriva de uma linguagem aprendida que é fundamental para a sobrevivência da espécie e que é perfeitamente compreendida pelo nosso comportamento das mais diversas ações humanas.
É difícil compreender isto, também para mim é complicado admitir isto, mas fica cada vez mais claro para mim que a mente não cria nada, ela analisa as coisas de acordo com a experiência e com a linguagem adquirida. Inteligência seria então uma disposição para comportarmos de determinada maneira em uma dada circunstância.
Este homem sem mente autônoma demonstrado acima, é um ser ainda mais animal, um ser sem alma totalmente vinculado ao meio externo. Um ser sem individualidade. Desculpem novamente os psicólogos, parece que estou tentando destruir seu campo de estudo, não é isto, estou apenas apresentando outro caminho, me parece que a verdade não está na mente e que nossos problemas mentais são, na verdade, comportamentais. A mente perde com isto importância mas a interpretação do comportamento humano, não.
Nossa individualidade está justamente na forma peculiar de cada um, em se comportar diferentemente dada cada ação ou evento. Apesar de tudo ser comportamento, podemos apenas ter a probabilidade de determinar a ação humana. O fascínio disto tudo foi, é, e continua a ser, a total imprevisibilidade da natureza em praticamente tudo que estudamos. Parece mesmo que alguma coisa, às vezes, precisa andar fora do caminho para as coisas caminharem e se desenvolverem, inclusive em nossa forma de pensar e de agir.
Apesar de certa frustração de admitir e de relatar, mais uma vez, que tudo no universo pode ser demonstrado, estudado e provado sem ter que recorrer ao absoluto; continuo acreditando que a imprevisibilidade dos eventos é que torna o futuro fascinante e dá graça e alegria a nossa existência. Lembram do artigo sobre correr riscos (http://ligadavirtude.blogspot.com/2009/11/com-muito-risco-please.html).
Apesar de cada vez mais me sentir um animal como outro qualquer, continuo a viver buscando correr o maior numero de situações de risco possíveis, pois acredito que, neste momento, estou me diferenciando e ajudando a natureza a encontrar outras formas de se desenvolver.
Novamente... com muito risco, please!
Obs: não estou esgotando o tema com este texto, viram outros, este assunto é muito legal e fundamental. É realmente incrível como a cada dia apredemos algo novo, esta falta de limites é mesmo estimulante e perfeita. E lá vai o peixinho doido novamente, rs.
Há 2 anos me defrontei com alguns estudos sobre Filosofia da Linguagem (matéria acadêmica do ensino de filosofia), li textos que reviraram um pouco este conceito e que me serviram de base para começar a questionar esta máxima, de que a mente e o corpo são objetos de estudos diferentes.
Sempre me pareceu lógico que o pensamento não poderia ter a mesma substancia do corpo, Descartes descreveu muito bem isto: a consciência da existência vem da mente, portanto não existe vida sem pensamento. O corpo seria material, seguiria as leis da natureza enquanto a mente não é espacial e a imaginação não seguiria nenhuma regra natural.
O principio básico desta teoria é a inteligência, como temos a capacidade de refletir antes de agir, então nossa mente não seguiria nenhum comportamento a priori, seria exatamente nossa alma falando para si mesma. Este ponto é fundamental neste estudo, pois coloca nosso pensamento em modo privado, se pensamos de forma individual então o pensamento não pode vir de algo coletivo como o comportamento, por exemplo.
Recentemente me foi disponibilizado alguns textos de B.F.Skinner (Behaviorismo Radical) e de Gilbert Ryle (Filosofia Analítica) onde ambos tentar demonstrar os erros cometidos por Descartes e o senso comum sobre a mente. Para Ryle um pensamento inteligente não antecede reflexão ou reconhecimento de regras ou críticas, como prevê o senso comum, e sim uma disposição de agir desta forma devido à atualização inteligente de experiências passadas. Ser inteligente não é agir de forma inteligente uma única vez, é manifestar determinada atualização quando esta sofrer mudanças em um contexto experimentado no passado. Ser inteligente seria apenas comportar-se de forma diferenciada em determinada situação. Outro ponto importante de Ryle é defender a idéia de que o pensamento, por ser comportamento, não pode compreender as coisas em sua totalidade nem descobrir verdades, tudo seria sempre parcial.
Vamos analisar bem o que acabei de escrever, nosso pensamento e nosso conhecimento do mundo, das coisas e de nossas habilidades são apenas formas de comportamento que podem ser previsíveis e estudadas. Pronto, Carlos está mesmo tentando destruir qualquer resquício de divino em nossa existência; calma, meus amigos, estou apenas, como sempre, tentando mostrar que nosso senso comum pode nos enganar e que nossa individualidade, na verdade, pode não existir e que fomos treinados e educados para nos comportarmos desta forma e termos este comportamento sobre nossas ações.
Nas teorias da Filosofia da Linguagem me foi demonstrado que até nosso pensamento é fruto de nossa forma de comunicação e de expressão. Sem a necessidade de nos comunicarmos com os outros, nem haveria pensamento. O Homo Sapiens adquiriu esta forma inteligente de se expressar justamente quando sentiu a necessidade de se comunicar de forma mais precisa. Estou afirmando que nosso pensamento deriva de uma linguagem aprendida que é fundamental para a sobrevivência da espécie e que é perfeitamente compreendida pelo nosso comportamento das mais diversas ações humanas.
É difícil compreender isto, também para mim é complicado admitir isto, mas fica cada vez mais claro para mim que a mente não cria nada, ela analisa as coisas de acordo com a experiência e com a linguagem adquirida. Inteligência seria então uma disposição para comportarmos de determinada maneira em uma dada circunstância.
Este homem sem mente autônoma demonstrado acima, é um ser ainda mais animal, um ser sem alma totalmente vinculado ao meio externo. Um ser sem individualidade. Desculpem novamente os psicólogos, parece que estou tentando destruir seu campo de estudo, não é isto, estou apenas apresentando outro caminho, me parece que a verdade não está na mente e que nossos problemas mentais são, na verdade, comportamentais. A mente perde com isto importância mas a interpretação do comportamento humano, não.
Nossa individualidade está justamente na forma peculiar de cada um, em se comportar diferentemente dada cada ação ou evento. Apesar de tudo ser comportamento, podemos apenas ter a probabilidade de determinar a ação humana. O fascínio disto tudo foi, é, e continua a ser, a total imprevisibilidade da natureza em praticamente tudo que estudamos. Parece mesmo que alguma coisa, às vezes, precisa andar fora do caminho para as coisas caminharem e se desenvolverem, inclusive em nossa forma de pensar e de agir.
Apesar de certa frustração de admitir e de relatar, mais uma vez, que tudo no universo pode ser demonstrado, estudado e provado sem ter que recorrer ao absoluto; continuo acreditando que a imprevisibilidade dos eventos é que torna o futuro fascinante e dá graça e alegria a nossa existência. Lembram do artigo sobre correr riscos (http://ligadavirtude.blogspot.com/2009/11/com-muito-risco-please.html).
Apesar de cada vez mais me sentir um animal como outro qualquer, continuo a viver buscando correr o maior numero de situações de risco possíveis, pois acredito que, neste momento, estou me diferenciando e ajudando a natureza a encontrar outras formas de se desenvolver.
Novamente... com muito risco, please!
Obs: não estou esgotando o tema com este texto, viram outros, este assunto é muito legal e fundamental. É realmente incrível como a cada dia apredemos algo novo, esta falta de limites é mesmo estimulante e perfeita. E lá vai o peixinho doido novamente, rs.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Zaratustra – Nietzsche – Prólogo – Capítulo X - Final
Texto na Integra:
“São os meus animais!”, dizia Zaratustra, regozijando-se de todo o coração.
“O animal mais altivo sob o sol e o animal mais sagaz sob o sol; vieram saber notícias.
“Querem saber se Zaratustra continua vivo. Na verdade, será que ainda estou vivo?
“Encontrei mais perigos entre os homens que entre os animais, pois perigosos são os caminhos que trilha Zaratustra. Possam meus animais orientar-me.”
A estas palavras, lembrou-se do que lhe havia dito o santo na floresta e suspirou, dizendo para si:
“Quem me dera ser mais sagaz! Quem me dera ser essencialmente sagaz, como a serpente!
“Mas estou querendo o impossível, porque peço à minha altivez que acompanhe sempre a minha sagacidade!
“E, se algum dia, minha sagacidade me abandonar – ah! como ela gosta de voar! – possa minha altivez seguir então o vôo de minha loucura!”
E assim começou o declínio de Zaratustra.
Comentários:
Bem, vamos voltar um pouco aos outros capítulos e demonstrar novamente as idéias do prólogo desta obra fascinante que é Zaratustra, para depois voltar a este ultimo capítulo.
O livro Zaratustra não é poesia, e sim uma obra filosófica, pois envolve análises metafísicas que são objetos da filosofia.
Zaratustra traz um problema grave para a filosofia, Nietzsche parece tender a uma critica a verdade, trazida anteriormente por Heráclito, onde tudo é relativo e mutável, portanto não existiria verdade alguma, assim não existira obra filosófica alguma na obra.
Neste ponto chave da obra, Nietzsche nos traz o Eterno Retorno, os ciclos do tempo e das coisas. O eterno retorno não mede um valor pelo critério de verdade e sim pela importância dos fatos que ela é capaz de explicar, é uma nova metafísica, esta pressupõe que tudo volta uma infinidade de vezes, que cada objeto temporal é eterno. Ao contrário de Platão onde separava o mundo entre o sensível (mutável) e das idéias (imutável), para Nietzsche cada momento é eterno e imutável, a vida é plena e completa, eterna, não no além, mas aqui agora, neste mundo. O autor acaba com o dualismo entre céu e terra, para ele somente existe um mundo, uma vida, uma verdade, é o aqui e agora do presente.
Nietzsche nos traz o super-homem e o eterno retorno, juntos o super-homem somente faz o que merece ser repetido uma infinidade de vezes e durar uma eternidade, seus atos merecem e comprometem-se pela eternidade.
O prólogo é apenas uma introdução do livro Zaratustra, vale a pena à leitura completa da obra que torna e esclarece todos os temas aqui colocados.
Gostaria de terminar estes relatos sobre o gênio de Nietzsche com a seguinte frase:
O Super-Homem só faz ou vive aquilo que merece ser repetido pela eternidade.
X
Zaratustra dizia essas palavras em seu coração, enquanto o sol estava a pino: então lançou um olhar interrogador para os altos cimos – pois ouvia acima de sua cabeça o grito agudo de uma ave. Eis que uma águia atravessa os céus, descrevendo grandes círculos, a transportar uma serpente, não como presa, mas amiga, pois esta lhe pendia no pescoço.“São os meus animais!”, dizia Zaratustra, regozijando-se de todo o coração.
“O animal mais altivo sob o sol e o animal mais sagaz sob o sol; vieram saber notícias.
“Querem saber se Zaratustra continua vivo. Na verdade, será que ainda estou vivo?
“Encontrei mais perigos entre os homens que entre os animais, pois perigosos são os caminhos que trilha Zaratustra. Possam meus animais orientar-me.”
A estas palavras, lembrou-se do que lhe havia dito o santo na floresta e suspirou, dizendo para si:
“Quem me dera ser mais sagaz! Quem me dera ser essencialmente sagaz, como a serpente!
“Mas estou querendo o impossível, porque peço à minha altivez que acompanhe sempre a minha sagacidade!
“E, se algum dia, minha sagacidade me abandonar – ah! como ela gosta de voar! – possa minha altivez seguir então o vôo de minha loucura!”
E assim começou o declínio de Zaratustra.
Comentários:
Bem, vamos voltar um pouco aos outros capítulos e demonstrar novamente as idéias do prólogo desta obra fascinante que é Zaratustra, para depois voltar a este ultimo capítulo.
O livro Zaratustra não é poesia, e sim uma obra filosófica, pois envolve análises metafísicas que são objetos da filosofia.
Zaratustra traz um problema grave para a filosofia, Nietzsche parece tender a uma critica a verdade, trazida anteriormente por Heráclito, onde tudo é relativo e mutável, portanto não existiria verdade alguma, assim não existira obra filosófica alguma na obra.
Neste ponto chave da obra, Nietzsche nos traz o Eterno Retorno, os ciclos do tempo e das coisas. O eterno retorno não mede um valor pelo critério de verdade e sim pela importância dos fatos que ela é capaz de explicar, é uma nova metafísica, esta pressupõe que tudo volta uma infinidade de vezes, que cada objeto temporal é eterno. Ao contrário de Platão onde separava o mundo entre o sensível (mutável) e das idéias (imutável), para Nietzsche cada momento é eterno e imutável, a vida é plena e completa, eterna, não no além, mas aqui agora, neste mundo. O autor acaba com o dualismo entre céu e terra, para ele somente existe um mundo, uma vida, uma verdade, é o aqui e agora do presente.
Nietzsche nos traz o super-homem e o eterno retorno, juntos o super-homem somente faz o que merece ser repetido uma infinidade de vezes e durar uma eternidade, seus atos merecem e comprometem-se pela eternidade.
O prólogo é apenas uma introdução do livro Zaratustra, vale a pena à leitura completa da obra que torna e esclarece todos os temas aqui colocados.
Gostaria de terminar estes relatos sobre o gênio de Nietzsche com a seguinte frase:
O Super-Homem só faz ou vive aquilo que merece ser repetido pela eternidade.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Zaratustra – Nietzsche – Prólogo – Capítulo IX
Texto na Integra:
“Fez-se uma luz em mim: preciso de companheiros, companheiros vivos – não de companheiros mortos ou cadáveres, que eu leve comigo aonde eu for.
“Não, quero companheiros vivos, que me sigam para onde eu for, porque querem seguir a si mesmos.
"Fez-se uma luz em mim: Zaratustra não deve mais falar à multidão, mas a seus companheiros! Zaratustra não se deve tornar pastor nem o cão do rebanho!
“Seduzir e afastar muitos do rebanho – eis a meta a que vim. Multidão e rebanho, que tudo atroe contra mim: Zaratustra quer que os pastores o chamem de bandido.
“Emprego a palavra pastores, mas eles próprios se designam com os bons e os justos. Emprego a palavra pastores, mas eles próprios se de designam como fiéis da fé verdadeira.
“Olhai, esses bons e esses justos! Que mais odeiam? Aquele que destrói suas tábuas de valores, o demolidor, o criminoso – mas este é que é um criador.
“O criador procura companheiros para si e não cadáveres, e bem assim nem rebanhos e nem crentes. O criador procura companheiros de criação, para que inscrevam novos valores sobre novas tábuas.
“O criador procura companheiros, companheiros de colheita: porque nele tudo está amadurecido para a ceifa. Mas faltam-lhe as cem foices: por isso que, na sua cólera, sai arrancando espigas.
“Os companheiros que o criador procura são os que sabem afiar as foices. Serão chamados de destruidores e desdenhosos do Bem e do Mal. Mas na verdade são os ceifadores, aqueles que celebram a festa.
“Companheiros de criação é o que busca Zaratustra, companheiros de ceifa e de festa procura Zaratustra: nada tem a ver com rebanhos, pastores e cadáveres.
“E tu, meu primeiro comparsa, repousa em paz! Estás bem sepulto nesse oco de árvore, posto a salvo dos lobos.
“Mas devo deixar-te, já se foi o tempo. Entre uma aurora e outra, uma nova verdade despontou em mim.
“Não devo ser nem pastor nem coveiro. Não quero nunca mais falar às multidões, pela ultima vez falei a um morto.
“O criador, o ceifeiro, o que celebra a festa, a estes quero unir-se: a eles quero revelar o arco-íris e todos os graus do super-homem.
“Aos solitários vou erguer meu conto e mesmo aos casais que vivem em solidão. Quem ainda tiver ouvidos para o inaudito, a esse quero inundar o coração com a minha felicidade.
“Quero atingir a minha meta, seguir o meu caminho; saltarei por cima dos hesitantes e dos descuidados. E que meu passo seja o seu declínio!”
Comentários:
Infelizmente Zaratustra percebeu a incapacidade do homem em compreender o super-homem. Apesar de compreender a causa do fracasso, achou um remédio: fugir das multidões.
Novamente Nietzsche traz a alusão dos discípulos de Cristo para criticá-lo novamente, em vez de companheiros que o sigam, estes devem seguir a si mesmo. Criar a si mesmo é criar ou recriar eles próprios, lembram do processo criativo do super-homem?
Seguir a si mesmo é, pois, exatamente não mais seguir a Deus, renunciar ás tábuas da lei, diretamente gravadas por Deus, desobedecer a Deus para obedecer somente a si mesmo.
Ainda hoje percebe-se a incapacidade do homem em compreender Nietzsche, vejo alguns colegas falarem que o nazismo de Hitler baseou-se nas idéias nazistas dele. Ora, quem acompanha os textos deste o início pode verificar que Nietzsche não discrimina ninguém em seus textos, ele apenas utiliza personagens e metáforas para defender sua tese, todos podemos compreender o super-homem, não existe raça superior. O super-homem é todo homem que esquece sua moral religiosa e passa a viver e a compreender o mundo a sua maneira, criando valores e transformando sua realidade e o mundo a sua volta.
IX
Por muito tempo esteve adormecido Zaratustra, e os raios da aurora bem como os da manhã giraram-lhe sobre a face. Por fim seus olhos se abriram, e Zaratustra maravilhou-se com a floresta, com o silêncio, e maravilhou-se com também consigo mesmo. Depois ergueu-se de um lance como um marinheiro que de súbito vê terra, e exultou: pois via agora uma verdade nova. E então falou consigo mesmo:“Fez-se uma luz em mim: preciso de companheiros, companheiros vivos – não de companheiros mortos ou cadáveres, que eu leve comigo aonde eu for.
“Não, quero companheiros vivos, que me sigam para onde eu for, porque querem seguir a si mesmos.
"Fez-se uma luz em mim: Zaratustra não deve mais falar à multidão, mas a seus companheiros! Zaratustra não se deve tornar pastor nem o cão do rebanho!
“Seduzir e afastar muitos do rebanho – eis a meta a que vim. Multidão e rebanho, que tudo atroe contra mim: Zaratustra quer que os pastores o chamem de bandido.
“Emprego a palavra pastores, mas eles próprios se designam com os bons e os justos. Emprego a palavra pastores, mas eles próprios se de designam como fiéis da fé verdadeira.
“Olhai, esses bons e esses justos! Que mais odeiam? Aquele que destrói suas tábuas de valores, o demolidor, o criminoso – mas este é que é um criador.
“O criador procura companheiros para si e não cadáveres, e bem assim nem rebanhos e nem crentes. O criador procura companheiros de criação, para que inscrevam novos valores sobre novas tábuas.
“O criador procura companheiros, companheiros de colheita: porque nele tudo está amadurecido para a ceifa. Mas faltam-lhe as cem foices: por isso que, na sua cólera, sai arrancando espigas.
“Os companheiros que o criador procura são os que sabem afiar as foices. Serão chamados de destruidores e desdenhosos do Bem e do Mal. Mas na verdade são os ceifadores, aqueles que celebram a festa.
“Companheiros de criação é o que busca Zaratustra, companheiros de ceifa e de festa procura Zaratustra: nada tem a ver com rebanhos, pastores e cadáveres.
“E tu, meu primeiro comparsa, repousa em paz! Estás bem sepulto nesse oco de árvore, posto a salvo dos lobos.
“Mas devo deixar-te, já se foi o tempo. Entre uma aurora e outra, uma nova verdade despontou em mim.
“Não devo ser nem pastor nem coveiro. Não quero nunca mais falar às multidões, pela ultima vez falei a um morto.
“O criador, o ceifeiro, o que celebra a festa, a estes quero unir-se: a eles quero revelar o arco-íris e todos os graus do super-homem.
“Aos solitários vou erguer meu conto e mesmo aos casais que vivem em solidão. Quem ainda tiver ouvidos para o inaudito, a esse quero inundar o coração com a minha felicidade.
“Quero atingir a minha meta, seguir o meu caminho; saltarei por cima dos hesitantes e dos descuidados. E que meu passo seja o seu declínio!”
Comentários:
Infelizmente Zaratustra percebeu a incapacidade do homem em compreender o super-homem. Apesar de compreender a causa do fracasso, achou um remédio: fugir das multidões.
Novamente Nietzsche traz a alusão dos discípulos de Cristo para criticá-lo novamente, em vez de companheiros que o sigam, estes devem seguir a si mesmo. Criar a si mesmo é criar ou recriar eles próprios, lembram do processo criativo do super-homem?
Seguir a si mesmo é, pois, exatamente não mais seguir a Deus, renunciar ás tábuas da lei, diretamente gravadas por Deus, desobedecer a Deus para obedecer somente a si mesmo.
Ainda hoje percebe-se a incapacidade do homem em compreender Nietzsche, vejo alguns colegas falarem que o nazismo de Hitler baseou-se nas idéias nazistas dele. Ora, quem acompanha os textos deste o início pode verificar que Nietzsche não discrimina ninguém em seus textos, ele apenas utiliza personagens e metáforas para defender sua tese, todos podemos compreender o super-homem, não existe raça superior. O super-homem é todo homem que esquece sua moral religiosa e passa a viver e a compreender o mundo a sua maneira, criando valores e transformando sua realidade e o mundo a sua volta.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Zaratustra – Nietzsche – Prólogo – Capítulo VIII
Texto na Integra:
À porta da cidade, encontrou-se com os coveiros que, aproximando-lhe do rosto seus archotes, reconheceram Zaratustra e se puseram a fazer pesados gracejos a seu respeito: “Lá vai Zaratustra arrastando a cão morto; ainda bem que Zaratustra se fez coveiro! Porque nossas mãos são limpas demais para essa carniça! Zaratustra quer disputar ao diabo a porção que lhe cabe? Pois que faça bom proveito, se regale no festim” Isso, se o diabo não for melhor ladrão que Zaratustra, pois, do contrário, acaba então por devorar os dois!” E, falando uns para os outros, escarneciam entre si.
Zaratustra não disse palavra e seguiu seu caminho. Depois de caminhar por duas horas ao longo de pântanos e bosques, ouvindo o uivo esfaimado dos lobos, a fome o assaltou, por sua vez. Foi então que se deteve diante de uma casa solitária, onde brilhava um lume.
“A fome me assalta como um bandido”, disse Zaratustra. “Minha fome assalta-me no meio dos bosques e dos pântanos e no seio da noite profunda.
Minha fome tem caprichos estranhos. Não raro ela só me vem depois das refeições, e hoje, durante o dia inteiro, não me apareceu: onde teria andado?”
E enquanto assim falava, Zaratustra bateu à porta da casa. Apareceu um ancião, trazendo um lume, que lhe perguntou: “quem chama por mim e pelo meu mau sono?”
“Um vivo e um morto”, respondeu-lhe Zaratustra; “dá-me de comer e beber, pois disso não cuidei durante o dia. Quem nutre o faminto, conforta sua alma: eis a voz da sabedoria.”
O velho retirou-se para logo voltar, oferecendo a Zaratustra pão e vinho. “estas são más paragens para os famintos”, disse ele, “por isso moro aqui. Bichos e homens procuram por mim, o eremita. Mas convida teu companheiro também a beber e comer, ele está mais cansado do que tu.” Zaratustra respondeu: “Meu companheiro é um morto, vai ser difícil convencê-lo disso.”
“Tanto se me dá”, disse o velho, resmungando, “quem bate à minha porta deve aceitar o que ofereço. Comei e passai bem!”
Depois disso, Zaratustra caminhou outras duas horas, guiando-se pelo curso e a luz das estrelas: pois estava habituado a caminhar à noite e gostava de olhar a face de tudo quanto dorme. Mas quando despontou a aurora, Zaratustra se encontrou numa floresta sombria, onde nenhuma passagem parecia haver. Então, vendo uma arvore que tinha um oco à altura de um homem, ali depositou o cadáver – pois queria mantê-lo a salvo dos lobos – estendendo-se no musgo do chão. E logo adormeceu, o corpo fatigado, mas a alma tranqüila.
Comentários:
Nietzsche descreve no que se transformou as quatro virtudes cardinais, segundo a moral humana, são elas;
Coragem
Sabedoria
Temperança
Justiça
Podemos encontrar as quatro virtudes desenhadas no texto acima e sua crítica apontada pelo autor.
Estamos terminando esta leitura, faltam agora apenas 2 capítulos, onde o autor falará sobre o Eterno Retorno, aguardem.
VIII
Após ter falado assim consigo, Zaratustra colocou o cadáver às costas e se pôs a caminho. Mal dera cem passos, surgiu um homem que lhe veio falar junto ao ouvido. E – vejam só! – quem lhe falava assim era o bufão da torre. “Vai-te embora daqui, ó Zaratustra”, disse-lhe, “há gente demais aqui que te odeia. Odeiam-te os bons e os justos, chamam-te inimigo e julgam que os desprezas; os fieis da verdadeira fé também te odeiam, consideram-te um perigo para o povo. Tua sorte foi terem rido de ti; e na verdade falaste como um bufão. Tua sorte foi teres te acumpliciado com esse cão morto; ao te rebaixares assim, te salvaste por hoje. Mas parte da cidade – senão amanhã saltarei sobre ti, eu que estarei vivo, sobre ti que estarás morto.” Com estas palavras, o homem desapareceu; e Zaratustra prosseguiu seu caminho através das escuras ruelas.À porta da cidade, encontrou-se com os coveiros que, aproximando-lhe do rosto seus archotes, reconheceram Zaratustra e se puseram a fazer pesados gracejos a seu respeito: “Lá vai Zaratustra arrastando a cão morto; ainda bem que Zaratustra se fez coveiro! Porque nossas mãos são limpas demais para essa carniça! Zaratustra quer disputar ao diabo a porção que lhe cabe? Pois que faça bom proveito, se regale no festim” Isso, se o diabo não for melhor ladrão que Zaratustra, pois, do contrário, acaba então por devorar os dois!” E, falando uns para os outros, escarneciam entre si.
Zaratustra não disse palavra e seguiu seu caminho. Depois de caminhar por duas horas ao longo de pântanos e bosques, ouvindo o uivo esfaimado dos lobos, a fome o assaltou, por sua vez. Foi então que se deteve diante de uma casa solitária, onde brilhava um lume.
“A fome me assalta como um bandido”, disse Zaratustra. “Minha fome assalta-me no meio dos bosques e dos pântanos e no seio da noite profunda.
Minha fome tem caprichos estranhos. Não raro ela só me vem depois das refeições, e hoje, durante o dia inteiro, não me apareceu: onde teria andado?”
E enquanto assim falava, Zaratustra bateu à porta da casa. Apareceu um ancião, trazendo um lume, que lhe perguntou: “quem chama por mim e pelo meu mau sono?”
“Um vivo e um morto”, respondeu-lhe Zaratustra; “dá-me de comer e beber, pois disso não cuidei durante o dia. Quem nutre o faminto, conforta sua alma: eis a voz da sabedoria.”
O velho retirou-se para logo voltar, oferecendo a Zaratustra pão e vinho. “estas são más paragens para os famintos”, disse ele, “por isso moro aqui. Bichos e homens procuram por mim, o eremita. Mas convida teu companheiro também a beber e comer, ele está mais cansado do que tu.” Zaratustra respondeu: “Meu companheiro é um morto, vai ser difícil convencê-lo disso.”
“Tanto se me dá”, disse o velho, resmungando, “quem bate à minha porta deve aceitar o que ofereço. Comei e passai bem!”
Depois disso, Zaratustra caminhou outras duas horas, guiando-se pelo curso e a luz das estrelas: pois estava habituado a caminhar à noite e gostava de olhar a face de tudo quanto dorme. Mas quando despontou a aurora, Zaratustra se encontrou numa floresta sombria, onde nenhuma passagem parecia haver. Então, vendo uma arvore que tinha um oco à altura de um homem, ali depositou o cadáver – pois queria mantê-lo a salvo dos lobos – estendendo-se no musgo do chão. E logo adormeceu, o corpo fatigado, mas a alma tranqüila.
Comentários:
Nietzsche descreve no que se transformou as quatro virtudes cardinais, segundo a moral humana, são elas;
Coragem
Sabedoria
Temperança
Justiça
Podemos encontrar as quatro virtudes desenhadas no texto acima e sua crítica apontada pelo autor.
Estamos terminando esta leitura, faltam agora apenas 2 capítulos, onde o autor falará sobre o Eterno Retorno, aguardem.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
A institucionalização do racismo
A palavra racismo denota algo pejorativo, pois em geral utilizamos para classificar um crime de discriminação de raças entre os humanos. Vamos começar buscando o significado no dicionário Michaellis. Racismo é a teoria que afirma a superioridade de certas raças humanas sobre as demais. Caracteres físicos, morais e intelectuais que distinguem determinada raça. Ou Ação ou qualidade de indivíduo racista. Ou ainda, apego à raça.
Ora você pode ser racista quando escolhe uma raça de cachorro ou gato em relação à outra, quando prefere uma onça em relação ao leopardo, ou gosta mais de papagaio em contra partida ao canário. No entanto a separação de humanos em raças é ilegal e é crime.
Pode parecer que vou defender o racismo, mas não vou não. Não por querer ser politicamente correto, que todos sabem que não sou, mas por que não consigo admitir que seres humanos tenham raça. Nós não somos diferentes, pretos, brancos, pardos, índios, temos as mesmas características e, portanto não podem ser separados por raça. Vejo muitos grupos étnicos, principalmente de negros afirmarem “Raça Negra”, mas o que seria a raça negra, um labrador (cachorro) pode ser marrom ou preto e mesmo assim pertence à raça labrador. A cor não pode ser utilizada para separação de humanos em raça.
A espécie animal a que pertencemos, o homo sapiens, é nova, bem recente em termos de vida no planeta Terra. De acordo com estudos científicos temos no máximo 200.000 anos, ou seja, somos uma espécie muito nova. A terra tem aproximadamente 5 bilhões de anos. Não houve tempo ainda para que aparecessem características distintas entre nós que poderíamos classificar como separação de raças. Pode até ser que no futuro existam classificações para determinar alguma característica bem acentuada de uma divisão natural da espécie, mas hoje não há.
Outro argumento é que como não temos atualmente nenhum povo ou sociedade isolada, isto traz uma uniformidade na reprodução e não isola a espécie impedindo uma mutação e diferenciação acentuada.
Pois é, não consigo admitir nem aceitar qualquer discriminação entre humanos pela cor, é cientificamente inconsistente, socialmente imoral, e humanamente ignorante. Não existem características diferenciadas a determinada cor, entre humanos, que possa ser catalogada e identificada. Somos totalmente iguais e não podemos, nem devemos nos separar ou diferenciar por ser preto, branco, pardo, moreno ou amarelo. Sim, “amarelo”, na minha certidão de nascimento aparece minha cor como amarelo, já ri muito disto.
Do ponto de vista sociológico, também é absurdo a discriminação racial. Separar a sociedade em raças cria caos social, cria grupos isolados, cria minorias que constantemente exigem serem ouvidas gerando tensão e discriminação entre os indivíduos sem razão aparente.
Dentre deste contexto, não posso aceitar que a constituição ou qualquer lei neste país dê, ou favoreça qualquer separação entre humanos por cor ou raça. Leis como a disponibilização de cotas universitárias para determinada raça, leis que favoreçam índios em certos concursos públicos, e etc. Se temos determinados grupos (não raças) que encontram-se excluídos da sociedade, vamos incluí-los através de políticas públicas de participação e inclusão, não institucionalizando a discriminação com leis absurdas.
As tensões sociais começam exatamente com a separação da sociedade em minorias, sejam lá quais forem. Levar esta separação as leis não me parece racional. Institucionalizar é a dar voz a elas para começarem a se unir e a se rebelar entre os diversos grupos sociais.
Discriminação racial é burrice em qualquer circunstância e devemos, como humanos dotados de alguma razão, nos rebelar contra qualquer forma de separação de grupos em cores ou raças.
Somos humanos, homo sapiens, não importa a cor, mesmo os amarelos (risos).
Ora você pode ser racista quando escolhe uma raça de cachorro ou gato em relação à outra, quando prefere uma onça em relação ao leopardo, ou gosta mais de papagaio em contra partida ao canário. No entanto a separação de humanos em raças é ilegal e é crime.
Pode parecer que vou defender o racismo, mas não vou não. Não por querer ser politicamente correto, que todos sabem que não sou, mas por que não consigo admitir que seres humanos tenham raça. Nós não somos diferentes, pretos, brancos, pardos, índios, temos as mesmas características e, portanto não podem ser separados por raça. Vejo muitos grupos étnicos, principalmente de negros afirmarem “Raça Negra”, mas o que seria a raça negra, um labrador (cachorro) pode ser marrom ou preto e mesmo assim pertence à raça labrador. A cor não pode ser utilizada para separação de humanos em raça.
A espécie animal a que pertencemos, o homo sapiens, é nova, bem recente em termos de vida no planeta Terra. De acordo com estudos científicos temos no máximo 200.000 anos, ou seja, somos uma espécie muito nova. A terra tem aproximadamente 5 bilhões de anos. Não houve tempo ainda para que aparecessem características distintas entre nós que poderíamos classificar como separação de raças. Pode até ser que no futuro existam classificações para determinar alguma característica bem acentuada de uma divisão natural da espécie, mas hoje não há.
Outro argumento é que como não temos atualmente nenhum povo ou sociedade isolada, isto traz uma uniformidade na reprodução e não isola a espécie impedindo uma mutação e diferenciação acentuada.
Pois é, não consigo admitir nem aceitar qualquer discriminação entre humanos pela cor, é cientificamente inconsistente, socialmente imoral, e humanamente ignorante. Não existem características diferenciadas a determinada cor, entre humanos, que possa ser catalogada e identificada. Somos totalmente iguais e não podemos, nem devemos nos separar ou diferenciar por ser preto, branco, pardo, moreno ou amarelo. Sim, “amarelo”, na minha certidão de nascimento aparece minha cor como amarelo, já ri muito disto.
Do ponto de vista sociológico, também é absurdo a discriminação racial. Separar a sociedade em raças cria caos social, cria grupos isolados, cria minorias que constantemente exigem serem ouvidas gerando tensão e discriminação entre os indivíduos sem razão aparente.
Dentre deste contexto, não posso aceitar que a constituição ou qualquer lei neste país dê, ou favoreça qualquer separação entre humanos por cor ou raça. Leis como a disponibilização de cotas universitárias para determinada raça, leis que favoreçam índios em certos concursos públicos, e etc. Se temos determinados grupos (não raças) que encontram-se excluídos da sociedade, vamos incluí-los através de políticas públicas de participação e inclusão, não institucionalizando a discriminação com leis absurdas.
As tensões sociais começam exatamente com a separação da sociedade em minorias, sejam lá quais forem. Levar esta separação as leis não me parece racional. Institucionalizar é a dar voz a elas para começarem a se unir e a se rebelar entre os diversos grupos sociais.
Discriminação racial é burrice em qualquer circunstância e devemos, como humanos dotados de alguma razão, nos rebelar contra qualquer forma de separação de grupos em cores ou raças.
Somos humanos, homo sapiens, não importa a cor, mesmo os amarelos (risos).
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Deus no Haiti
Caros, me enviaram o texto abaixo ontem por email, não sei quem escreveu, também não sei se concordo com os argumentos expostos, mas achei interessante o ponto de vista e gostaria de compartilhar com vocês este debate.
Eu fico me perguntando em porque temos países tão desenvolvidos no mundo, com qualidade de vida e etc., e outros sem a menor infra-estrutura, sem condições de prover o mínimo de condições de sobrevivência. Pode parecer cruel, mas sempre temos que escolher na vida entre Liberdade e Igualdade, esta para mim sempre foi à pergunta básica entre capitalismo e socialismo.
O capitalismo traz liberdade e isto pressupõe diferenças entre seus indivíduos, liberdade traz desigualdade, pois as possibilidades são conquistadas e não dadas, já o socialismo pressupõe igualdade, mas igualdade traz acomodação e falta de competição trazendo falta de liberdade. Esta escolha eu já fiz, quero e busco sempre a liberdade, mas cada sociedade deve ter a opção de escolher e a caminhar na direção escolhida, para isto temos a democracia, quando mais estatizamos as coisas, quanto mais aumentamos o estado, mais estamos tirando a liberdade das pessoas, pensem nisto.
As ajudas humanitárias devem ser sempre por um prazo finito, quando somos assistencialistas estamos tirando as conquistas e a força de vontade das pessoas e com isto sua liberdade.
Texto:
“O Haiti é aqui.”
Não, o Haiti é lá onde ele sempre esteve esquecido.
O Haiti é a prova irrefutável de que Deus não existe. Se ainda aquele povo insiste em glorificá-lo, é porque foi condicionado — todos somos produtos do meio, cães famintos sob vigas que não se sustentam. Foram soterrados pela esperança. Alguém em suas crendices lacrimosas há de dizer, as mãos levantadas aos céus, que, pelo menos, a cruz do Senhor Morto ficou de pé. Ficou de pé porque era feita de boa madeira, ora! Não preguemos, a partir de amanhã, o milagre da cruz. Não há milagre que não seja sustentado pela própria morte para confortar os moribundos. Talvez apenas um milagre seja recomendado ali: o da união dos outros povos para reconstruir aquele povo e soerguer sua pátria carcomida pela fome.
Naquele instante trêmulo, onde estava Deus onipresente que não respondeu aos gritos de socorro? Onde estava Deus onipotente que não freou as lágrimas...? Ah, sim, “Ele escreve certo por linhas tortas”, ou seja: Ele mata por vias indiretas.
Por mais que também soframos com o olhar soterrado da criança, jamais, em tempo algum, sentiremos em toda extensão a dor da mãe. E desta vez, nem se pode creditar à mãe África a desgraça de existir... A tragédia está à porta para uma reflexão momentânea. Daqui a pouco, as notícias vão escasseando e não choraremos mais os mortos-vivos, nem os mortos velhos.
Se Deus existisse, decerto nos ensinaria tão somente uma lição. Uma que não cobrisse de escombros a vida suave de dona Zilda, nem deixasse órfãos dois milhões de crianças. Se alguém por aí adiante ainda teima que Deus existe, Ele está justamente nessa força medonha da natureza, não no homem que a destrói, não na imagem da catedral que foi ao chão.
Assim concluo: Deus é a tragédia do universo à imagem e semelhança do homem que o inventou. Basta olharmos para o Haiti.
Autor: Desconhecido
Eu fico me perguntando em porque temos países tão desenvolvidos no mundo, com qualidade de vida e etc., e outros sem a menor infra-estrutura, sem condições de prover o mínimo de condições de sobrevivência. Pode parecer cruel, mas sempre temos que escolher na vida entre Liberdade e Igualdade, esta para mim sempre foi à pergunta básica entre capitalismo e socialismo.
O capitalismo traz liberdade e isto pressupõe diferenças entre seus indivíduos, liberdade traz desigualdade, pois as possibilidades são conquistadas e não dadas, já o socialismo pressupõe igualdade, mas igualdade traz acomodação e falta de competição trazendo falta de liberdade. Esta escolha eu já fiz, quero e busco sempre a liberdade, mas cada sociedade deve ter a opção de escolher e a caminhar na direção escolhida, para isto temos a democracia, quando mais estatizamos as coisas, quanto mais aumentamos o estado, mais estamos tirando a liberdade das pessoas, pensem nisto.
As ajudas humanitárias devem ser sempre por um prazo finito, quando somos assistencialistas estamos tirando as conquistas e a força de vontade das pessoas e com isto sua liberdade.
Texto:
“O Haiti é aqui.”
Não, o Haiti é lá onde ele sempre esteve esquecido.
O Haiti é a prova irrefutável de que Deus não existe. Se ainda aquele povo insiste em glorificá-lo, é porque foi condicionado — todos somos produtos do meio, cães famintos sob vigas que não se sustentam. Foram soterrados pela esperança. Alguém em suas crendices lacrimosas há de dizer, as mãos levantadas aos céus, que, pelo menos, a cruz do Senhor Morto ficou de pé. Ficou de pé porque era feita de boa madeira, ora! Não preguemos, a partir de amanhã, o milagre da cruz. Não há milagre que não seja sustentado pela própria morte para confortar os moribundos. Talvez apenas um milagre seja recomendado ali: o da união dos outros povos para reconstruir aquele povo e soerguer sua pátria carcomida pela fome.
Naquele instante trêmulo, onde estava Deus onipresente que não respondeu aos gritos de socorro? Onde estava Deus onipotente que não freou as lágrimas...? Ah, sim, “Ele escreve certo por linhas tortas”, ou seja: Ele mata por vias indiretas.
Por mais que também soframos com o olhar soterrado da criança, jamais, em tempo algum, sentiremos em toda extensão a dor da mãe. E desta vez, nem se pode creditar à mãe África a desgraça de existir... A tragédia está à porta para uma reflexão momentânea. Daqui a pouco, as notícias vão escasseando e não choraremos mais os mortos-vivos, nem os mortos velhos.
Se Deus existisse, decerto nos ensinaria tão somente uma lição. Uma que não cobrisse de escombros a vida suave de dona Zilda, nem deixasse órfãos dois milhões de crianças. Se alguém por aí adiante ainda teima que Deus existe, Ele está justamente nessa força medonha da natureza, não no homem que a destrói, não na imagem da catedral que foi ao chão.
Assim concluo: Deus é a tragédia do universo à imagem e semelhança do homem que o inventou. Basta olharmos para o Haiti.
Autor: Desconhecido
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Zaratustra – Nietzsche – Prólogo – Capítulo VII
Texto na Integra:
“Em verdade, Zaratustra fez hoje uma bela pesca! Não pegou um homem, mas assim mesmo um cadáver.
Angustiante é a existência humana, e, até este ponto, desprovida de sentido: um bufão pode lhe ser fatal.
Quero ensinar aos homens o sentido de seu ser: ou seja, o super-homem, raio da nuvem negra que é o homem.
Mas ainda estou longe deles, e o sentido do que falo não lhes fala ainda aos sentidos. Para eles, os homens, ainda estou a meio caminho entre o louco e o cadáver.
Sombria é à noite, sombrios são os caminhos de Zaratustra. Vem, companheiro rígido e frio! Vou levar-te ao lugar onde te sepultarei com minhas próprias mãos.”
Comentários:
Aconselho aqueles que participam do blog pela primeira vez que leiam os artigos anteriores de Zaratustra para uma melhor compreensão dos textos de Nietzsche.
Apesar dos “sombrios caminhos de Zaratustra” e de ironizar seu próprio insucesso de não convencer a multidão de seus propósitos, Zaratustra se mostra ainda mais decidido em sua peregrinação, ele quer ensinar ao homem o sentido do “ser”.
A escuridão que envolve o homem e sua existência “até este ponto, desprovida de sentido”, será revelada pela sua experiência e então irão perceber a necessidade de criar o super-homem em nós.
VII
Enquanto isso, a tarde caíra e a praça do mercado se envolvia na sombra. Então a turba dispersou-se, pois mesmo a curiosidade e o pavor acabam por cansar. Mas Zaratustra continuou sentado no chão ao lado do morto, e, mergulhado em seus pensamentos, esqueceu-se assim do tempo que passava. Por fim, a noite veio, e um vento frio soprou sobre o solitário. Então, Zaratustra levantou-se e disse para si mesmo:“Em verdade, Zaratustra fez hoje uma bela pesca! Não pegou um homem, mas assim mesmo um cadáver.
Angustiante é a existência humana, e, até este ponto, desprovida de sentido: um bufão pode lhe ser fatal.
Quero ensinar aos homens o sentido de seu ser: ou seja, o super-homem, raio da nuvem negra que é o homem.
Mas ainda estou longe deles, e o sentido do que falo não lhes fala ainda aos sentidos. Para eles, os homens, ainda estou a meio caminho entre o louco e o cadáver.
Sombria é à noite, sombrios são os caminhos de Zaratustra. Vem, companheiro rígido e frio! Vou levar-te ao lugar onde te sepultarei com minhas próprias mãos.”
Comentários:
Aconselho aqueles que participam do blog pela primeira vez que leiam os artigos anteriores de Zaratustra para uma melhor compreensão dos textos de Nietzsche.
Apesar dos “sombrios caminhos de Zaratustra” e de ironizar seu próprio insucesso de não convencer a multidão de seus propósitos, Zaratustra se mostra ainda mais decidido em sua peregrinação, ele quer ensinar ao homem o sentido do “ser”.
A escuridão que envolve o homem e sua existência “até este ponto, desprovida de sentido”, será revelada pela sua experiência e então irão perceber a necessidade de criar o super-homem em nós.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Zaratustra – Nietzsche – Prólogo – Capítulo VI
Texto na Integra:
Só Zaratustra permaneceu imóvel; o corpo caiu bem ao seu lado, todo disforme, mas ainda vivo. Após um momento, o homem recuperou os sentidos e viu Zaratustra ajoelhar-se junto dele. “Que fazes aqui?”, disse enfim, “Há muito que sabia que o diabo me daria uma rasteria. E agora, ele me arrasta para o inferno. Acaso podes impedi-lo?”
“Amigo, juro-te pela minha honra”, respondeu Zaratustra, “que isso de que falas não existe: não há nem diabo nem inferno. Tua alma morrerá ainda mais depressa que teu corpo. Agora já não tens o que temer!”
O homem ergueu os olhos, desconfiado. “Se dizes a verdade”, disse então, “nada perco por perder a vida. E não passo de um animal a quem ensinaram a dançar à custa de pancadas e magros bocados.”
“Não”, disse Zaratustra, “fizeste do perigo o teu ofício; não há nada de desprezível nisso. Morres vítima de tua profissão. Por isso, quero te sepultar com minhas próprias mãos.”
Depois dessas palavras de Zaratustra, o moribundo não mais respondeu; moveu apenas a mão como se procurasse a de Zaratustra para agradecer-lhe.
Comentários:
Vamos resumir um pouco o esquema montado por Nietzsche até agora:
DEUS + VONTADE DE POTÊNCIA NEGATIVA + FORÇAS REATIVAS = HOMEM
MORTE DE DEUS + VONTADE DE POTÊNCIA NEGATIVA + FORÇAS REATIVAS = ÚLTIMO HOMEM
MORTE DE DEUS + VONTADE DE POTÊNCIA AFIRMATIVA + FORÇAS ATIVAS = SUPER-HOMEM
Agora o autor vem expressar mais uma possibilidade.
MORTE DE DEUS + VONTADE DE POTÊNCIA NEGATIVA + FORÇAS ATIVAS = HOMEM SUPERIOR
Nesta possibilidade encontramos um homem sem criação de valores mas louvável pois sua moral não é apoiada por uma fé religioso. Se não tem fé não significa que não tenha leis.
Assim, nem engrandecido (como o super-homem), nem apequenado (como o último homem) pela morte de Deus, continua-se a respeitar os valores tradicionais, e, transpondo o catecismo para um código de saber-viver supostamente leigo, age-se em nome desse código.
Mas precisamos criar valores, esta é a função do homem, ou super-homem para Nietzsche, e estes valores precisam de uma vontade afirmativa, sem isto o homem sempre caminhará ao fracasso.
VI
Mas algo então se passou que fez emudecer as bocas e arregalar os olhos. É que, nesse ínterim, o funâmbulo tinha dado início a seu trabalho: saíra de uma pequena porta e estava caminhando sobre a corda estendida entre duas torres, e consequentemente suspensa sobre a praça e a multidão. Achava-se exatamente a meio de seu percurso, quando a porta de novo abriu e nela apareceu um indivíduo todo pintado à maneira dos bufões, que se pôs a seguir o primeiro a passos largos. “Vamos, mais depressa, ó paralítico”, gritava com sua voz terrível, “anda, seu preguiçoso, seu impostor, vil aprendiz! Cuidado, que te vou pisar o calcanhar! Que fazes aqui entre as torres? Lá dentro delas é que é o teu lugar, lá deviam te encerrar para não estorvares o caminho de quem é melhor que tu!” A cada palavra mais se aproximava do outro. Quando estava a apenas um passo dele, aconteceu a coisa terrível que fez emudecer as bocas e arregalar os olhos. Deu um uivo diabólico e saltou por cima daquele que lhe impedia o caminho. Ora, este, vendo seu rival triunfar, perdeu a cabeça e a corda; largou a vara de equilíbrio, e, mais rapidamente do que esta, num rodopiar de braços e pernas, mergulhou no vazio. A praça e a multidão pareciam um mar fustigado pela tempestade. A multidão espalhou-se em atropelo, fugindo do local onde o corpo devia vir se espatifar.Só Zaratustra permaneceu imóvel; o corpo caiu bem ao seu lado, todo disforme, mas ainda vivo. Após um momento, o homem recuperou os sentidos e viu Zaratustra ajoelhar-se junto dele. “Que fazes aqui?”, disse enfim, “Há muito que sabia que o diabo me daria uma rasteria. E agora, ele me arrasta para o inferno. Acaso podes impedi-lo?”
“Amigo, juro-te pela minha honra”, respondeu Zaratustra, “que isso de que falas não existe: não há nem diabo nem inferno. Tua alma morrerá ainda mais depressa que teu corpo. Agora já não tens o que temer!”
O homem ergueu os olhos, desconfiado. “Se dizes a verdade”, disse então, “nada perco por perder a vida. E não passo de um animal a quem ensinaram a dançar à custa de pancadas e magros bocados.”
“Não”, disse Zaratustra, “fizeste do perigo o teu ofício; não há nada de desprezível nisso. Morres vítima de tua profissão. Por isso, quero te sepultar com minhas próprias mãos.”
Depois dessas palavras de Zaratustra, o moribundo não mais respondeu; moveu apenas a mão como se procurasse a de Zaratustra para agradecer-lhe.
Comentários:
Vamos resumir um pouco o esquema montado por Nietzsche até agora:
DEUS + VONTADE DE POTÊNCIA NEGATIVA + FORÇAS REATIVAS = HOMEM
MORTE DE DEUS + VONTADE DE POTÊNCIA NEGATIVA + FORÇAS REATIVAS = ÚLTIMO HOMEM
MORTE DE DEUS + VONTADE DE POTÊNCIA AFIRMATIVA + FORÇAS ATIVAS = SUPER-HOMEM
Agora o autor vem expressar mais uma possibilidade.
MORTE DE DEUS + VONTADE DE POTÊNCIA NEGATIVA + FORÇAS ATIVAS = HOMEM SUPERIOR
Nesta possibilidade encontramos um homem sem criação de valores mas louvável pois sua moral não é apoiada por uma fé religioso. Se não tem fé não significa que não tenha leis.
Assim, nem engrandecido (como o super-homem), nem apequenado (como o último homem) pela morte de Deus, continua-se a respeitar os valores tradicionais, e, transpondo o catecismo para um código de saber-viver supostamente leigo, age-se em nome desse código.
Mas precisamos criar valores, esta é a função do homem, ou super-homem para Nietzsche, e estes valores precisam de uma vontade afirmativa, sem isto o homem sempre caminhará ao fracasso.
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