quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita – Proposições 8º e 9º

Finalizando o tema “liberdade humana” onde começamos com a 1º de 9º proposições de Kant, descrevo abaixo um resumo das últimas proposições 8º e 9º. Quem ainda não leu da 1º a 7º favor dar uma olhada nos artigos anteriores para melhor compreensão.

Oitava proposição

Kant agora nos revela seu interesse em determinar a história humana, e que esta história é determinada pela disposição natural da raça humana e não depende da vontade individual de seus indivíduos.
Estas disposições naturais, na verdade, caminharão para o estabelecimento de uma constituição republicana, pois será determina pela vontade da maioria de seus cidadãos e das relações entre seus estados vizinhos.
Aparentemente não conseguimos hoje vislumbrar esta constituição perfeita, que Kant chama de estado cosmopolita universal, no qual poderemos desenvolver todas as nossas disposições originais da espécie humana. Vivemos ainda em conflitos de relações muito acirradas entre nações que impedem o estado de direcionar seus recursos para o aperfeiçoamento, através da educação, de seus cidadãos.

Nona proposição

A tentativa de Kant de estabelecer uma história universal do mundo e aonde esta historia irá nos levar, não é seu objetivo, e seria impossível esta determinação, a razão não pode ser determinada, pois não sabemos com exatidão o caminho e os obstáculos que serão encontrados, nem tão pouco podemos determinar aonde é o ponto de chegada.
Mas Kant procura deixar claro que seu objetivo não é determinar o ponto de chegada e sim estabelecer um fio condutor deste caminho e que poderá servir, como um sistema, para determinar um plano das ações humanas.
Podemos concluir ao observar o desenvolvimento humano até agora que existe sim um curso regular do aperfeiçoamento de uma constituição civil buscando revolver os conflitos gerados pelo excesso de liberdade entre os estados e seus cidadãos.
Parece-me louvável este estudo e a conclusão de Kant sobre o curso da história humana até os dias atuais, mas farei algumas considerações a seguir.

Considerações Finais

A história da humanidade realmente parece caminhar como Kant nos revela, o desenvolvimento da raça humana pressupõe o desenvolvimento da razão humana e esta acontece no estabelecimento de leis que regulam as relações entre os seres. No entanto parece-me um pouco exagerado a idéia que o desenvolvimento da razão e da sociedade humana seja regulado e determinado por leis naturais. Não me parece que a razão possa ter limites tão estabelecidos de seu desenvolvimento e que estes sejam totalmente determinados.
A liberdade do desenvolvimento da razão pode ser direcionada pelos conflitos gerados nas relações humanas e sociais, mas não podem ser controlados e determinados individualmente. Não creio que nosso fim como homens possa ser determinado.
A razão humana pode ser direcionada por leis naturais, entretanto não pode ser medida por estas leis. O desenvolvimento da razão humana, segundo Kant, não pode ser controlado individualmente, mas poderia e é medida coletivamente através do desenvolvimento das sociedades. Este argumento é forte mais ainda não foi provado, já que ainda estamos em estágios inicias desta história; o desenvolvimento humano também é marcado por idéias e brilhantismo de seres individuais que romperam as leis criadas pelas sociedades na história, e que influenciaram o modo de viver de gerações futuras. A liberdade no pensamento individual pode também influenciar o coletivo e não somente o contrário, e como este não pode ser determinado então às variáveis neste sistema, não podem ser determinadas, nem controladas, da maneira como Kant as apresenta.
As relações humanas moldam e amplificam nossa razão e nosso modo de pensar, mais não determinam isto, por isto não podemos afirmar qual será o destino da raça humana. As relações humanas podem ser alteradas e modificadas e por isto não podemos determinar qual será esta constituição perfeita universal. A razão em si também sofre evolução e uma constituição perfeita em determinado espaço e tempo, pode ser derrotada em outro.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Re-socialização x Punição

Primeiramente gostaria de dizer que não tenho a pretensão de discorrer de forma acadêmica sobre o assunto, já que não tenho formação em direito nem tenho embasamento jurídico para formar opinião conclusiva sobre o assunto. A intenção seria descrever um ponto de vista do cidadão, de um membro da sociedade sobre um assunto de tamanha importância e que deveria ser merecedor de muita discussão acadêmica e nos meios jurídicos.
Constantemente temos escutado decisões jurídicas baseadas na frase “... o papel de pena é a re-socialização do preso...” ou “... o preso que não oferece mais risco a sociedade não deve mais continuar preso...”, temos visto várias decisões de juízes baseadas nestas premissas. O que devemos avaliar neste momento não é se estas decisões são justas, ou são corretas, ou ainda se são baseadas em princípios universais, devemos analisá-las sobre o aspecto social, ou seja, esta decisão tem amparo nos anseios e expectativas da sociedade?
Desde Kant as leis foram criadas para transparecer um desejo social de convivência mútua e não de serem impostas pelos legisladores ou pelos princípios de justiça estabelecidos pelos juristas, alias qual seriam estes princípios? Não existem verdades neste terreno, não existe certo ou errado, quem define o papel de limitador para uma boa convivência social é a própria sociedade. Esta sim deve estabelecer os limites do certo ou errado e que é diferente em cada sociedade do planeta.
Após esta breve descrição sobre os princípios da justiça, vamos discorrer mais sobre os diversos pontos de vista deste tópico.
A re-socialização do preso deve sempre ser uma das metas a serem alcançadas, já que em algum momento este indivíduo será devolvido à sociedade e devemos nos assegurar que ele tenha condições de viver novamente sem cometer crimes. No entanto esta meta é de responsabilidade do sistema prisional, dos presídios e do poder executivo que é o responsável pelo cárcere destes presos. Considero inadequado que o poder judiciário tenha em suas leis a previsão de reduções altíssimas de pena, como exemplo de 5/6 em caso de bom comportamento, ora quem deve avaliar se o preso tem condições ou não de viver novamente em sociedade? Um juiz ou o responsável pela guarda deste elemento? Precisa-se ter muito cuidado quando o poder judiciário começa a participar demais da execução das ações sociais, o principal papel deste poder é de regular, controlar e julgar os atos cometidos pelos outros poderes, não te interferir em sua execução.
Dentro deste contexto considero que o papel do poder judiciário não é de buscar a re-socialização dos condenados e sim de puni-los, de avaliar a pena para o delito que cometeram e de estipular a pena que deve ser cumprida pelo erro cometido. Quando a sociedade prende um cidadão pelo erro cometido, em primeiro lugar, este cidadão deve pagar através de uma pena pelo seu erro. A função da justiça é estabelecer uma pena para o delito e não buscar a re-socialização do mesmo, esta busca é responsabilidade do poder executivo.
Esta dissonância entre os anseios da sociedade e o poder judiciário é a principal causa de descontentamento entre estes entes, a sociedade precisa ter a certeza que quando alguém comete um crime este será julgado e pagará a pena estabelecida como PUNIÇÃO pelo delito infringido.
Pelo pretexto de re-socialização soltam presos de crimes graves que cumpriram apenas 1/6 da pena, ora cadê a punição? Para que serve um julgamento sem punição? Toda a sociedade brasileira precisa de uma reformulação, os problemas não são somente políticos, o poder judiciário não atende mais os anseios da sociedade, sua principal função de reguladora não está sendo atendida; crimes considerados sem periculosidade como sonegação, corrupção são julgados através de penas leves como prisão domiciliar, liberdade condicional ampliada, cestas básica. Entretanto são estes crimes, entre outros, que destroem a sociedade por dentro, pois são crimes que envolvem a moral e ética de uma sociedade, sonegação é um crime gravíssimo, quando sonega, um cidadão está roubando seu próximo, está tirando de seu vizinho uma parte de seus benefícios sociais.
O poder judiciário deve começar a rever os princípios que tem regido a maioria de suas decisões, muitas vezes buscando diminuir o contingente de presos devido a falta de condições mínimas de dignidade no sistema prisional, a justiça passa para o descrédito quando solta criminosos que ainda não cumpriram a totalidade de sua pena com o pretexto de que este não oferece mais risco a sociedade. Volto a bater nesta tecla, o papel da justiça é estabelecer uma pena para um crime cometido, esta pena tem caráter PUNITIVO.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita – Proposições 6º e 7º

Dando seguimento ao tema “liberdade humana” onde começamos com a 1º de 9º proposições de Kant, descrevo abaixo um resumo das proposições 6º e 7º. Quem ainda não leu da 1º a 3º favor dar uma olhada nos artigos anteriores para melhor compreensão. Posteriormente estarei enviando as proposições seguintes, da 8º a 9º.

Sexta proposição
Kant nos coloca agora a seguinte pergunta: como podemos desenvolver nossas potencialidades com liberdade de vontade, com oposição e coerção social e com limitação, sem gerar conflitos que tornem impossível o convívio social?
O homem sempre abusará de sua liberdade individual e sempre se inclinará em sua busca, por isto ele tem necessidade de um senhor, de alguém que o regule e quebre sua vontade particular e o obrigue a obedecer à vontade universalmente válida.
Esta realmente parece ser um dos maiores desafios para a espécie humana, como encontrar alguém, humano, que lance mão de suas vontades particulares e submeta-se a cumprir e a estabelecer metas universais, contrariando sua própria natureza egoísta e individual.
Parece-me que este ponto será atingido pela espécie em inúmeras tentativas de erros e acertos, onde a experiência adquirida irá, aos poucos, estabelecer critérios de escolhas onde se possa atingir uma constituição possível, e uma boa vontade de sua maioria para aceitar esta imposição.

Sétima Proposição
O estabelecimento de uma constituição civil perfeita é um objetivo que a razão deve alçar, e que somente pode ser alcançado com a resolução dos problemas gerados entre as próprias sociedades existentes. A relação entre os estados tem a mesma origem dos conflitos descrito na proposição sexta, ou seja, do mesmo desafio de limitar a liberdade de uma sociedade em contra posição a liberdade da outra.
Para uma sociedade atingir uma constituição perfeita, ela precisa primeiramente resolver seus problemas e conflitos com outros estados concorrentes e isto somente pode ser alcançado quando estas sociedades também saírem do estado sem leis dos selvagens e buscarem nas leis resolverem seus conflitos e desavenças.
Como comentado na proposição anterior, o estado precisa abdicar de sua liberdade total sem limites e buscar numa constituição seus limites em relação aos outros. Somente assim poderá encontrar um equilíbrio para o pleno desenvolvimento das finalidades naturais de seus cidadãos.
Um estado que não busque este equilíbrio estará privando seus indivíduos de seus propósitos e em algum momento e viverá em conflito até que perceba que seus propósitos expansionistas e muitas vezes egoísta, quando tentar impor seu modo de agir e pensar, estará indo de encontro com o perfeito desenvolvimento de suas partes, seus cidadãos.
Considero que Kant coloca com muita propriedade esta questão. O desenvolvimento dos humanos depende muito do desenvolvimento da sociedade em que estão dispostos, pois as relações humanas dependem das relações entre as sociedades e estas últimas moldam sua constituição civil.
O homem pode viver sem conflitos em seu estado selvagem, mais jamais atingirá suas disposições naturais sem conviver com seus pares. Contrariando Rousseau, é justamente na desigualdade gerada nas relações humanas que desenvolvemos nossas capacidades e saímos de um estado animal para uma realidade humana. Nossa razão somente é plenamente desenvolvida com a desigualdade e competição entre nossos pares.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita – Proposições 4º e 5º

Dando seguimento ao tema “liberdade humana” onde começamos com a 1º de 9º proposições de Kant, descrevo abaixo um resumo das proposições 4º e 5º. Quem ainda não leu da 1º a 3º favor dar uma olhada nos artigos anteriores para melhor compreensão.
Percebe-se nestas proposições e tentativa de diálogo com Rousseau (“A Origem da Desigualdade entre os homens”), enquanto este último prega uma certa desgraça do homem no início do convívio social, sua perda de inocência, o inicio da corrupção, Kant traz uma visão totalmente oposta. Para Kant é justamente o inicio da vida social que traz desenvolvimento a razão humana, trazendo o desenvolvimento de talentos e potencialidades. O homem natural é um ser preguiçoso e acomodado, o homem social é inquieto e colocado em constante provação em sua busca de superar o próximo.
Posteriormente estarei enviando as proposições seguintes, da 6º a 9º.

Quarta proposição
O homem não poderia desenvolver sua razão vivendo individualmente, pois, assim, seria apenas um animal buscando suas necessidades instintivas. O homem sozinho seria apenas um animal solitário vivendo apenas para satisfazer suas necessidades básicas de sobrevivência.
Para desenvolver suas potencialidades, o homem precisa conviver com outros de sua espécie, o convívio social faz o homem sair de seu estado tendencioso a preguiça e ao isolamento, de um ser puramente animal, para em oposição ao próximo buscar sempre mais de si mesmo. A sociedade tornou o homem um ser em conflito, as relações humanas trouxeram ao homem a desigualdade, a busca de projeção, a inveja, a cobiça e com isto trousse a ele a possibilidade de melhorar e de potencializar suas capacidades máximas a fim de superar seu concorrente, ou seja, o próximo. A desigualdade humana trazida pelo convívio social, ao contrário de muitos pensadores, possibilitou ao homem o desenvolvimento de sua razão. A discórdia e os conflitos gerados pelas relações humanas permitiram que ele desenvolvesse seus talentos, e preenchesse o vazio da criação em vista de seu fim como natureza racional. Na busca pelo melhor de si, na superação de seu opositor, o homem busca sua concórdia, mas a natureza quer sua discórdia, pois somente aí ele poderá atingir suas disposições.
O homem quer instintivamente viver prazerosamente, comodamente satisfeito de seus instintos naturais, mas no convívio social ele é colocado em discórdia, precisa abandonar sua indolência e lançar-se no trabalho árduo visando ultrapassar seus pares.

Quinta proposição
No entanto, em continuação do exposto na proposição anterior, as desigualdades geradas pelos conflitos de diferentes interesses individuais poderiam gerar a desgraça a espécies humana se não for regulado por um direito universal, que possibilite a coexistência de liberdades individuais para a obtenção do desenvolvimento de todas as suas disposições.
A necessidade de viver coletivamente em sociedade e mesmo assim desenvolver a máxima liberdade de suas vontades traz ao homem a necessidade de submeter-se a regras sociais que limitem sua liberdade quando esta interfira na liberdade de seus pares.
Esta limitação, mesmo parecendo primeiramente algo inibidor de seu desenvolvimento pleno, ao contrário, permite que ele caminhe de forma mais perfeita na produção de conhecimento mais engajado de sua espécie, num conhecimento mais coletivo que individual, visando desta forma no desenvolvimento de toda sua espécie e não no desenvolvimento apenas individual.
Esta limitação da liberdade individual permite o desenvolvimento da cultura numa sociedade e torna o convívio social algo positivo que disciplina e potencializa a capacidade individual de todos.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Cérebro humano artificial pode ser construído em 10 anos

Olhem a notícia abaixo, se alguém ainda duvida do artigo publicado anteriormente (http://ligadavirtude.blogspot.com/2009/06/seremos-todos-cyborgs.html) é melhor começar a mudar seus conceitos:

Cérebro humano artificial 'pode ser construído em 10 anos' , diz cientista

Um cérebro humano artificial pode ser construído dentro dos próximos 10 anos, segundo Henry Markram, um proeminente cientista sul-africano. "Não é impossível construir um cérebro humano e podemos fazer isso em 10 anos", disse Markram, diretor do Blue Brain Project (BBP), à conferência acadêmica global TED na cidade de Oxford, na Inglaterra.
O BBP é um projeto científico internacional, financiado pelo governo suíço e doações de indivíduos, cujo objetivo é construir uma simulação computadorizada do cérebro de mamíferos.Markram já construiu elementos do cérebro de um camundongo. A equipe do cientista se concentra especificamente na coluna neocortical, conhecida como neocortex.'10 mil laptops' O projeto atualmente tem um modelo de software de dezenas de milhares de neurônios, cada um deles diferente, que os ajudou a construir, artificialmente, uma coluna neocortical.A equipe coloca os dados gerados pelos modelos junto com alguns algoritimos - uma sequência de instruções para solucionar um problema - em um supercomputador."Você precisa de um laptop para fazer todos os cálculos para um neurônio", disse ele."Portanto você precisa de 10 mil laptops", afirmou.Em vez disso, a equipe usa um supercomputador com 10 mil processadores.As simulações já começaram a fornecer pistas aos pesquisadores sobre o funcionamento do cérebro. Elas podem, por exemplo, mostrar ao cérebro uma imagem, como uma flor, e seguir a atividade elétrica da máquina, ou seja, como é feita a representação da imagem."Você estimula o sistema e ele cria sua própria representação", disse ele.O objetivo é extrair esta representação e projetá-la, permitindo que os pesquisadores vejam diretamente como o cérebro funciona.Segundo Markram, além de ajudar na compreensão dos mecanismos do cérebro, o projeto pode oferecer novos caminhos para se entender os problemas mentais."Cerca de dois bilhões de pessoas no planeta sofrem de distúrbios mentais", disse o cientista, reforçando os benefícios em potencial do projeto.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Fé x Razão

É realmente muito difícil escrever um artigo sobre os limites da convivência entre as pessoas religiosas e outras que não acreditam em fé, digo isto porque estas últimas não necessariamente são ateias, apenas não acreditam em fé, não acreditam em algo que não seja concreto para elas. Concreto, neste caso, seria alguma prova física de algo.
A vida é realmente um mistério, mas cada vez que a estudamos e a analisamos não encontramos prova alguma de uma existência superior. Não acho que devamos sair por aí dizendo que Deus não existe por que ainda não encontramos prova nenhuma do vazio absoluto, e a ciência jamais provará isto, não é objeto da ciência provar a existência do absoluto, logicamente é impossível provar isto, apenas acho que não deveríamos dizer que ele existe sem uma prova, o ônus da prova está na religião e não com os ateus, pois eles dizem que Deus existe sem, de fato, ter alguma prova disto.
O estranho é pensarmos que uma sociedade sem fé talvez fosse mais feliz, mais tolerante com as diferenças e mais evoluída em termos de direitos civis. Devemos viver respeitando o próximo e não a Deus, as pessoas com que convivemos são mais reais que Deus e por isto viveríamos mais felizes se tivéssemos uma relação mais harmônica com nossos vizinhos.
Qualquer forma de pré-conceito, nacionalismo, religião e racismo não nos ajuda a construir uma sociedade mais feliz, pois qualquer tipo de separação e segregação da sociedade em grupo gera conflitos e ódio. Portando na verdade a religião destrói a sociedade por dentro, já que cria indivíduos que reúnem-se em grupos e que não gostam de se relacionar com outros grupos. Uma sociedade sadia aceitaria a forma individual de cada um, sempre tendo uma idéia de comunidade maior, aqui e agora, e não após sua morte.
Podemos perceber que as sociedades mais harmônica são aquelas que apresentam menor grau de religiosidade como a Holanda, Suécia, Noruega, Finlândia, nestas sociedades as pessoas sempre tem uma idéia de convivência social como mais importante que suas ideais individuais.
Quando algum cidadão diz que é preto, que é branco, que é brasileiro, que é cristão, está na verdade colocando seu grupo social acima da sociedade geral e isto é que gera os conflitos. Este indivíduo está dizendo que seu grupo é importante para ele e que o outro está errado. Quando pensamos e acreditamos em nós mesmos e que o respeito na convivência é mais importante que tudo, não existem mais conflitos, continuaremos tendo nossas diferenças individuais, mais não estaremos colocando-as como superior ao respeito ao próximo.
Pode parecer exagero para vocês, mas direi que a religião é fascista, ela segrega os grupos sociais e impõe seu ideal como superior a eles e a sociedade.
O que me deixa decepcionado com minha sociedade hoje, é que ela não aceita um mundo sem religião, ela rejeita pessoas sem fé e consideram-na sem ética e sem moral, quando na verdade estas pessoas são muito mais tolerantes com o mundo a sua volta, pois não precisam explicá-los através de pensamentos abstratos. Religiosos preferem uma sociedade que não evolua, que não questione o mundo nem a vida, que apenas aceite o mundo como Deus nos entregou. Esta falta de crítica é também fascista, indivíduos que pensem da mesma forma são mais fáceis de ludibriar e de manipular.
Porque é tão difícil para alguém enxergar um mundo sem um criador? Será o medo do vazio? Medo da morte? Medo da falta de perspectiva? Não é um pergunta fácil de responder, pois envolvem aspectos sociais e individuais. Seres humanos envolvidos em família são mais fáceis de dominar, pois tem algo para cuidar e zelar. A religião valoriza a família para agregar pessoas e criar domínio sobre elas, o homem em seu estado natural não era um ser familiar, a família limita o homem em vários aspectos e o faz perder sua vontade de descobrir e criar coisas novas. O relacionamento em família também é uma forma de segregação social, pois torna seus membros mais importantes que os de fora do grupo. Este amor exacerbado entre os membros de uma família o faz respeitar menos sua sociedade e o próximo e o faz valorizar demasiadamente seus membros, trazendo conflitos menores que destroem nossas vidas individuais.
Quando a religião diz que este sentimento familiar é importante e é divino ela está querendo lhe dizer que você não é mais um ser individual, e sim um ser familiar, o que importa não são seus conflitos internos e sim a relação de sua família com o meio, é mais fácil dominar um ser assim, um ser que precisa ser aceito socialmente para manter sua família segura, neste momento a religião destrói nosso poder individual de criação e construção de uma sociedade melhor e mais justa.
O amor não pode ser algo divino, o amor apenas mantém a prole segura por um período grande de tempo. O ser humano é o animal mais dependente da mãe que existe neste planeta, nenhum outro animal precisa de 10 anos, em média, para poder caçar sozinho e poder se manter, isto traz muitas conotações sociais que não estamos acostumados a nos deparar. Sua dependência cria laços muito fortes com sua família. Sem este sentimento estaríamos extintos há muito tempo, portanto o amor é necessário a nossa existência, mas não é algo sobrenatural.
Uma sociedade sem religião não é algo distante e utópico, podemos experimentar isto hoje em diversos países do mundo. Estas sociedades são mais harmônicas, são mais igualitárias e mais felizes sobre diversos pontos de vistas.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Até quando?

Ao contrario de muitos estudiosos, filósofos, psicólogos, entre outros, considero que a vida é muito mais simples do que se pensa. As leis que regem a natureza são todas baseadas em fórmulas simples, já que no processo de evolução do universo as formas tomam sempre o caminho mais fácil ou mais simples.
No entanto, os seres humanos procuram sempre as respostas mais complexas sobre os mais variados temas, seja lá o que está se discutido no momento, parece que a resposta tem que ser a mais bem elaborada, a mais misteriosa, a quem ninguém pode provar. As fórmulas matemáticas, mais precisas, são, em geral, as mais simples, mas no universo das ciências humanas não, tudo precisa ser de difícil entendimento.
Quando as respostas são diretas, sem rodeios, chamam de calculistas e racionais demais. O ser humano precisa mesmo de mistério, necessita imaginar que tem algo a mais que sua insignificante vida, quer esquecer seus problemas para não viver magoado com sua falta de coragem para mudar.
Tenho lido alguns blogs por aí e o que tenho visto é que os textos mais sem significado, mais abstratos, são justamente os mais comentados, inclusive entre os postados neste blog. É incrível como o ser humano não gosta de ser posto a prova, não gosta de encarar a realidade, é melhor viver nas nuvens do que sentir o cheiro e o desafio do presente.
Pois é, maltratando ou não meu próximo, sendo popular ou não, prefiro continuar a escrever assim, falando sem rodeios sobre os problemas cotidianos que todos preferem esquecer. Somente encarando com coragem nossos desafios é que buscamos momentos de felicidade em nossa existência.
Em algum momento de nossas vidas nossos medos irão cobrar seu preço, iremos olhar para trás e perceber que perdemos nossa vida, nos preocupamos demais com coisas inúteis, não tivemos coragem para seguir nossos sonhos, isto é pesado e cruel, gera arrependimento e geralmente acontece no leito de morte. Então até quando você vai ficar aí parado sem fazer nada?
Até quando você vai ficar parado? Parado sem ação, parado sem coragem, parado com medo do desafio de fazer diferente.
Até quando você vai ficar congelado? Congelado sem força para dizer não para algumas coisas em sua vida e sim para outras.
Até quando você vai ficar sentado no sofá? Levanta, pois quando queremos realmente mudar, parece que todas as energias do universo conspiram a nosso favor e tudo muda a nossa volta.
Até quando?
Portanto, desculpem os chorosos, prefiro os valentes.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O Fim da Família

Família sempre foi um assunto polêmico, principalmente por trazer sentimentos fortes, sejam de amor ou ódio, por isto peço compreensão, paciência e reflexão antes de avaliar os argumentos expostos. Como adoro polêmica não poderia perder esta oportunidade.
Primeiramente vamos avaliar o motivo para indivíduos unirem-se no intuito de formar uma família. Podem-se encontrar vários pretextos para sua formação, entretanto o principal motivo foi, é e continuará sendo a criação de outro ser, no caso, os filhos. A família somente tem razão de ser para prover proteção, segurança e sustento na criação e perpetuação da espécie, provavelmente foi este o motivo, lá atrás, que homens e mulheres se uniram para a formação das primeiras famílias.
Tem sido assim até os dias recentes, os seres humanos sempre buscaram formar e manter as famílias para suprir as necessidades de criação dos filhos. Estou colocando o amor em segundo plano, pois considero que o amor sozinho não constitui o objetivo e sim a causa da união. Todavia o amor não mantém uma família, a maioria das uniões hoje é sustentada pela necessidade de criação dos filhos, considero que muitos casais se mantém juntos sem amor.
Vamos nos alongar mais neste sentimento, o amor. Se vocês não sabem, o conceito da palavra amor como conhecemos não tem mais de 200 anos, começou provavelmente no século XIX com a emancipação da mulher, antes os casais se formavam apenas para criar os filhos, tudo era arranjado e o amor, este amor pelo sexo oposto, paixão, amar pela vida inteira, alma gêmea, nunca existiu. Vocês não encontrarão bibliografia datada de antes do século XVIII falando sobre este amor romântico pelo outro sexo, isto não existia, não fazia parte da nossa cultura, a mulher era a genitora, apenas isto. Acho que a visão da religião sobre as mulheres contribuiu para manutenção desta discriminação, porém isto é assunto para um outro artigo.
Antes casávamos para a vida inteira por que a mulher não tinha o direito de se separar, de viver outra vida, de amar outra pessoa, ou de ir contra seja lá o que for. Com esta mudança de paradigma a partir do iluminismo, o principal elo de manutenção dos casais acabou e, durante o século XX, mulheres passaram a não ter mais a obrigação de se manterem unidas e o principal elo de união, antes obrigação, passou a ser à vontade e o amor.
Querendo ou não este fato desencadeou o inicio do fim da família, é muito difícil amar para a vida toda, muito mesmo, vivemos um momento em que a maioria dos casais se suporta ou acomodam-se com a união, decretando um golpe muito duro na instituição “Família”. Digo que esta instituição está passando pelo seu momento mais difícil de sua história.
Bem, posso prever o golpe fatal, posso até parecer um pouco futurista, mas vai acontecer não tenho dúvidas. A descoberta e desenvolvimento da engenharia genética será um divisor de águas. Podemos tornar as gerações futuras mais aptas com a manipulação dos genes, não será uma opção, será uma obrigação, pois ninguém vai querer filhos fracos, com doenças hereditárias, menos capazes e etc.
Querendo ou não, ainda em meados deste século, não teremos mais filhos naturalmente, todos nascerão modificados geneticamente e em laboratório. Gravidez, parto, hospitais, médicos, tudo isto será coisa do passado, daremos risada de nossos avôs quando ainda tinham filhos através de tanto sacrifício.
Neste momento em que não precisaremos de uma união entre sexos opostos, a família acabará, casais se unirão apenas por um sentimento, o amor ou desejo. Estes teriam muito mais liberdade de separação, poucos se manteriam unidos apenas pelos filhos pois não passaram nove meses curtindo a vinda deste novo ser e não se sentirão obrigados a se suportar por eles.
Critico muito nosso modelo familiar atual, temos que aturar muitos membros familiares somente por que é da família, poxa, cadê a afinidade? Cadê o desejo de estar junto e compartilhar momentos com pessoas que realmente gostamos. No modelo atual aturamos muito mais que curtimos alguns eventos em família.
Os laços familiares são muito fortes nos seres humanos devido ao elevado tempo de desenvolvimento da cria, nenhum outro ser vivo conhecido precisa de tanto tempo dos cuidados dos pais que nós, por isto mesmo o sentimento de afeto entre pais e filho precisa ser forte. Pode parecer frio, porém este amor é natural da raça humana, necessário para sua sobrevivência, não tem nada de divino nisto.
Em relação a este sentimento, penso que as coisas poderiam ainda piorar, pois a inexistência de gravidez traria menos afeto entre pais e filhos diminuindo a necessidade de convivência mútua de, estimo, 24 anos, em média atualmente, para 12 anos, transferindo para a sociedade a responsabilidade na criação destes adolescentes. Isto sim poderia trazer conseqüências drásticas em nossa maneira de viver.
Penso, ainda, que isto traria dias melhores para os humanos, somente nos uniríamos por vontade, amor, desejo. As relações seriam muito mais sinceras, muito mais honestas, a palavra obrigação e fidelidade seriam extintas de nosso vocabulário cotidiano. Viveríamos nossos amores intensamente, sem obrigações.
E aí? Têm muitas idéias novas neste texto, devemos sempre buscar melhorar nossas relações interpessoais, portanto não as rejeite, apenas curta e reflita sobre quais seriam plausíveis ou não? Tragam suas idéias.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A voz do povo é a voz de Deus?

Sinceramente nunca ouvir nada tão absurdo quanto isto. Platão já dizia: não podemos consultar a maioria, a informação será sempre restrita a alguns, o voto de uma pessoa informada não pode valer o mesmo de uma desinformada.
É impressionante como o povo é jogado de um lado para o outro o tempo todo, manipulam este com informações desencontradas, o fazem opinar sobre o que não sabem, exigem sua decisão quando não tem informação suficiente sobre as opções e ainda dizem que sua voz é a voz de Deus.
Nunca gostei de nada que venha da maioria, nunca liguei para moda ou para políticos muito populares, se muitas pessoas gostam de algo é por que este algo está cercado de propaganda e publicidade e, portanto, ninguém o conheceu de verdade.
As coisas que realmente tem um significado maior precisam de análise, de conhecimento e reflexão. A maioria nunca tem tempo ou vontade para se aprofundar em algo, quando precisa-se pensar de mais é assunto de intelectual, assim afirma o “povo”.
Coragem, esta é palavra que precisamos para nunca, digo nunca, acreditarmos ou afirmarmos algo sem reflexão, ir contra a opinião de uma maioria é sempre uma forma sábia de resposta, e que, no mínimo, pode trazer aprimoramento a uma idéia original.
Sei que este assunto não pode se esgotar aqui, já que não conhecemos outra forma bem sucedida de escolha que não seja da maioria, nossa endeusada democracia. Minha intenção é estimular o debate sobre novas formas de tomarmos decisões importantes, pensando sempre no todo, numa sociedade ou nação. Assunto complexo e difícil que não podemos mais deixar de lado, a virtude da Democracia reside em aliviar as tensões impostas pelo livre mercado e não como forma eficiente de escolha.
A informação estará sempre na mão de poucos, os poucos que se interessam em pesquisar, ler, refletir e analisar qualquer assunto ou opção, portanto afirmo: A voz do povo é a voz do marqueteiro ou do diabo, pegaram o trocadilho?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Filosofia é inspiração

Estou aqui lendo um mais um texto filosófico, no caso, Kant, e parei para me perguntar por que ler Kant, Platão, Nietzsche, entre outros é tão importante, e pensando um jeito de tornar a filosofia mais prática para que todos percebam sua importância.
Homens que transcendem sua existência e que são lembrados como homens além de seu tempo, indivíduos que mudam e transformam a sociedade e seu meio de vida para sempre, devem ser estudados, não apenas para nos deslumbrados com seus feitos, e sim para REPLICARMOS SUA FORÇA DE VONTADE. Vocês poderiam me perguntar que força de vontade? Força para ir além, força para ir contra uma ordem vigente, mais ainda, força para pensar no todo em vez de em si mesmos. Olha, tem muitos professores e estudiosos em filosofia que não percebem isto, ler filosofia não é ficar restrito a determinado pensamento ou idéia, é perceber a força transformadora por detrás das letras, das frases e do conhecimento.
O conhecimento é passageiro, a sabedoria é mutável, verdades são verdades dependendo da referência de sua realidade, mas a força de transformar é deslumbrante. Este é um ponto primordial em minha vida, a aceitação de um Deus que influencia nossas vidas é a aceitação de uma verdade. O homem não foi constituído para aceitar verdades, nossa razão é questionadora e inquisitória, ela quer sempre mais. O paraíso deve ser um saco, imaginem todos iguais, partilhando um mesmo ideal, que monotonia, não quero viver isto, não consigo enxergar o paraíso que não seja aqui mesmo na terra, temos todas as condições para o encontrarmos em cada esquina deste planeta e em cada minuto de nossas vidas.
A razão amplia nossos horizontes transformando a vida de quem tem visão ilimitada.
Chegamos ao ponto principal: o que é ser alguém diferente? Pessoas que deixam suas marcas para a eternidade são pessoas que pensam no todo, que deixam suas vidas restritas para pensar nos problemas gerais.
Acho que a força de mudar a realidade em nossa volta e de mudar o universo se for preciso está dentro de cada um de nós, temos este poder, mas preferimos ignorá-lo pela sua dificuldade de implantação. Nossos problemas cotidianos não deixam nossa visão ir além do nosso quintal, que pena, pois, todos, temos a capacidade de enxergar além de nossa cidade, país, continente, mundo, e mais importante, de nossas vidas.
O filósofo é aquele inquieto, está sempre buscando e querendo mais. Replicar esta impaciência é um dever do filósofo. Nem todos realizarão obras maravilhosas, mas a multiplicação desta força de vontade aumentará e trará mais possibilidades para o surgimento de idéias inovadoras e que poderão transformar e melhorar a realidade.
Para mudarmos o mundo e em conseqüência nossas vidas precisamos pensar além, perceber que a força da mudança está dentro de cada um de nós. Pois é, ler filosofia não é apenas admirar estes caras geniais, é também, inspiração, perceber que, todos podemos e devemos fazer a diferença.