sexta-feira, 15 de abril de 2011

Homem: bom ou mal?

Como o texto anterior de Marcela me fez pensar muito. Percebi que meu comentário ficaria grande demais, então resolvi escrever outro artigo.
O que é bom? O que é mal? Estes conceitos foram estabelecidos em nossa sociedade no início do cristianismo. Não existia o conceito de bom ou mal antes de cristo, ou não existia um padrão, o homem fazia o que deveria ser feito dependendo da ocasião, portanto o bem ou o mal não existem, são criações da sociedade, imposto principalmente pela religião para controlar o aumento de população nas cidades e nos conglomerados urbanos. Assim estabelecemos a moralidade. No último livro lido aqui na Liga, Cachorros de Palha, o autor nos mostrou bem isto, deem uma olhada: http://ligadavirtude.blogspot.com/2010/09/cachorros-de-palha-3-capitulo-os-vicios_29.html
Nietzsche, também, relatou brilhantemente este fato em Zaratustra, também bastante comentado em textos passados aqui da Liga, então esqueça estes padrões morais.
Tirando isto, nos sobra uma constatação: que o homem é capaz de qualquer coisa, assim como qualquer outro animal, e não tem problema nenhum nisto, todos os seres vivos são capazes de qualquer coisa para sobreviver. É uma lei natural, portanto como pode estar errada?
Volto a tocar neste ponto, somos produto do meio e o meio determina nosso comportamento. Já matamos e continuamos a matar crianças, na China (quando nascem mulheres), na Costa do Marfim e Ruanda (guerras étnicas) ou em qualquer outro lugar. O homem mata sim e quem disse que isto é mal? O que quero dizer é que não existe padrão para certo ou errado, matar para sobreviver é errado? Tudo depende do referencial e este julgamento é temporal e transitório, muda-se de tempos em tempos.
Quanto ao episódio do Rio de Janeiro, não venham inventar mentiras ou calúnias contra o rapaz, é obvio que seus motivos foram absurdos, o ponto não é este. Ele fez o que achou certo em seu referencial de vida, não me parece que tinha nenhum problema mental. Ficamos procurando problemas mentais nas pessoas que fazem as coisas diferentes para não enxergar uma verdade: todos nós poderíamos ter feito aquilo dependendo da ocasião ou do referencial cultural inserido.
A sociedade estabelece alguns referenciais e devemos ser punidos quando caminhamos contra, assim ordena-se uma sociedade através das leis. A vontade individual não pode ir contra a social quando interfere na liberdade de outro membro desta. Emmanuel Kant nos mostrou bem isto.
Não podemos ser ordenados por moral, brigo sempre contra este conceito, devemos ser cobrados pelas leis estabelecidades em cada sociedade, logo um ser totalmente amoral (não sei bem se é possível isto) pode ser um cidadão brilhante, ele deve ser cobrado pelo seu deveres e não por sua religião ou qualquer outro conceito moral.
Portanto, vamos esquecer religião, moral, problemas mentais, diabo, Deus e pensar em como nossa sociedade tem nos tratado, como nosso comportamento é determinado por ela, ela deve procurar suas respostas dentro dela mesma. Não se excluam colegas cidadãos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Sombra e A Maldade

Quando já certa de que nenhum ato cometido por seres humanos poderia chocar-me, sou surpreendida por imagens perturbadoras de crueldade. Não me refiro ao, tão explorado pela mídia, massacre de Realengo, mas a tantas outras cenas de violência que assistimos quase diariamente nos telejornais. Cenas estas que nos fazem pensar como o homem é mau. Será essa maldade natural ao ser humano? Se olharmos a história da humanidade, escrita sobre sangue e cadáveres, teremos certeza que sim. Por outro lado, sabemos de histórias sobre pessoas capazes de sacrifícios para ajudar outras em situações críticas (a exemplo dos brasileiros que viajaram horas de carro para levar água, comida e auxílio aos japoneses mais atingidos pela tragédia recente). Então o ser humano pode ser bom.

No caso do assassino de Realengo, há o atenuante do transtorno mental, o que não ocorre com os policiais que torturaram e friamente atiraram à queima roupa em um adolescente de 14 anos indefeso. Atiraram por 4 vezes no tórax do menino que teimou em não cair e insistiu em continuar vivo. Então o ser humano pode ser mau? Sim, infinitamente cruel. E a insanidade muitas vezes não justifica a maldade. Somos seres muito complexos, repletos de dualismos. Possuímos bondade e maldade naturais em nossa personalidade, entre outras características aparentes ou não. Desde pequenos somos “moldados” para reagirmos da maneira esperada e para assumirmos personalidades que atendam as expectativas sociais. Deste modo, ocultamos, de maneira inconsciente, sentimentos que consideramos inapropriados e, assim, é formada a chamada sombra. A sombra é, de maneira geral, um segredo que guardamos de nós mesmos e do mundo, aspectos inconscientes de nossas vidas e personalidades, mas que em algum momento manifestam-se. Momentos de descontrole nos quais falamos e fazemos coisas, nas quais não nos reconhecemos, geralmente, são manifestações da sombra.

A maldade existe em todos nós, só que suprimimos suas manifestações de maneira consciente ou inconsciente, por medo das consequências do ato ou pelo desejo de sermos virtuosos. Contudo, algumas pessoas, por razões diversas internas e/ou externas, deixam-se tomar pelo prazer da maldade e ainda encontram justificativas para seus atos. Guerras, massacres, roubos, homicídios, entre outros, são sempre justificáveis por aqueles que os cometem.

Todos, em algum momento da vida, descobrem que não são tão bons quanto pensavam (ou tão maus). Negar a existência da maldade em nós não nos ajuda a lidar com ela, precisamos descobrir e aceitar que somos seres dotados de maldade e bondade, e que podemos, em sã consciência, escolher qual predominará em nossas vidas. Não podemos nos desfazer de nossas sombras mas, ao tomarmos conhecimento dela, podemos escolher o que manter sob seu véu.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O PAI DO HOMEM

Todos sabem que não gosto de publicar textos de não membros do blog, mas achei bastante interessante este e deixa para discussão.

Depois de ler o que pude, ouvir o rádio e ver a TV, peguei meu carro, era dia de folga, jornalista folga de quinta-feira, fui até a oficina, vi os dois Weber que colocaram no Meianov, ligamos o carro, o motor ficou com um ronco legal, depois descemos lá onde eles fazem funilaria e pintura, a peruinha já está toda raspada, sem motor, descobrimos a cor original. Descobrir a cor original de um carro de 55 anos é algo emocionante para quem gosta deles, dos carros. Foi arrancar o forro do teto e lá estava o azul, Azul Firenze, segundo o amigo das cores, intocada a pintura, uma coisa bacana, ajuda muito na restauração, mesmo que o Azul Firenze não seja lindo, eu tinha a ideia de fazer creme e vinho, ou branco Lotus e azul-marinho. Mas ela era azul, ora bolas, e se nasceu assim, que continue assim. Acho que será azul, e também encontrei o número do chassi, é umas das únicas 173 fabricadas em 1956, creio que o mais correto seja mesmo fazê-la como era quando saiu da fábrica e tal.
Depois fui ao centro da cidade, com um trânsito curiosamente bom, atrás de um emblema e de umas calotas, o trânsito curiosamente bom.
As irrelevâncias nos movem. Tudo que fiz hoje foi irrelevante, ver uns carburadores, descobrir uma cor, procurar uns emblemas e umas calotas. Foi tudo que consegui fazer. Mergulhar na irrelevância e na indiferença.
O rapaz que entrou na escola atirando não se encaixa em nenhum perfil que permita esbravejar. Até onde se sabe, não era traficante, ladrão, fugitivo. Não era militante de nenhum partido, não lutava jiu-jítsu, não era um skinhead, não pertencia a nenhuma torcida organizada. Até onde se sabe, não usava drogas, não bebia, não era pedófilo, não era evangélico, não era muçulmano, não era judeu, não era cristão, não era xiita, não era sunita, não tirava racha na rua, não tinha suásticas tatuadas na pele, não pertencia a nenhuma seita, não era gótico, não era punk, não ouvia Bossa Nova, não usava piercing, não era rico, não era pobre, não era gordo, não era magro, não estava em liberdade condicional, não tinha passagem pela polícia, não vivia no Complexo do Alemão, não era do Jardim Ângela, não morava numa cobertura da Vieira Souto, não era nada. Segundo sua irmã, ele era estranho.
Estranho.
Seu nome era Wellington de Oliveira, um nome bem brasileiro, há milhares de Wellingtons, Washingtons, Andersons. O Brasil tem um estranho fascínio por W e por nomes que terminam em “on”. Wanderson, Jackson, Jobson, Richarlyson. Ele era um Wellington de Oliveira.
Quando não se pode culpar traficantes, fugitivos, ladrões, militantes, lutadores, skinheads, nazistas, torcedores organizados, drogados, cristãos, bêbados, pedófilos, muçulmanos, góticos, magros, evangélicos, rachadores, punks, gordos, xiitas, ricos, pobres, nem o prefeito, nem o governador, nem a presidenta, nem o ministro, nem o secretário, nem a polícia, nem o senador, nem o deputado, nem a diretora da escola, nem o médico, nem o professor, culpamos quem?
Culpamos quem?
Quando não podemos culpar ninguém, chegou a hora de assumir o que somos. Uma espécie fracassada, violenta, agressiva, condenada à extinção. Uma espécie habituada à barbárie, e que não se imagine que “nos transformamos em”. Sempre fomos assim, indecentes, obscenos, há séculos nos matando em guerras, inquisições, pogroms, chacinas, massacres, genocídios, atropelamentos, assassinatos, latrocínios, torturas, execuções. E pragas, pestes, terremotos, incêndios, tsunamis, deslizamentos, enchentes. Um moto-contínuo de mortes, mortes, mortes, e vinganças, vinganças, vinganças, ódio.
A criança é o pai do homem. Guardo um pequeno cartão com essa frase no meu carro, há anos está lá, era o convite da formatura do meu mais velho no pré-primário. Não o guardo como mantra ou guia espiritual. Está lá porque está lá, porque o carro que nos levou à formatura do pré ainda está comigo, e lá ficaram o cartão e a frase. De vez em quando uso o cartão, de papel de alta gramatura, cartolina, talvez, porque quando o vidro sobe levanta uma rebarba da forração da porta, e o cartão serve para colocar a forração no lugar. É um uso banal, irrelevante, coloco o cartão entre o vidro e a forração da porta, e tudo fica no lugar, tudo volta ao seu lugar. Um uso banal e irrelevante, mas que me faz ler essa frase todos os dias, ou, pelo menos, quando preciso colocar a forração da porta no lugar.
A criança é o pai do homem.
Wellington ajudou a nos matar mais um pouco hoje. É um erro, Wellington, matar-nos aos poucos. Da próxima vez, Wellington, mate-nos a nós, direto, sem intermediários.
Mate o homem, Wellington, não seus pais.
http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2011/04/07/o-pai-do-homem/
Flávio Gomes

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Existe mesmo empresa privada no Brasil?

A pergunta poderia ser outra: existe alguma empresa verdadeiramente independente do estado no Brasil.
Parece que para uma empresa crescer, se desenvolver e criar notoriedade em algum momento ela precisará das mãos do estado brasileiro e assim entrar na cúpula do poder. Em algum instante precisará de um financiamento do BNDES, ou um terreno novo, ou uma liberação especial ou autorização para funcionar, tudo perfeitamente legal, não é? Conhecemos bem nosso país.
A burocracia estatal serve seus fins, o de engessar a todos e demonstrar que ninguém é verdadeiramente livre no país, quem manda são os políticos e mais ninguém. E a eles devemos favores, muitos deles.
Agora acordamos com uma notícia totalmente absurda para um país que se acha democrático e de livre iniciativa: Guido Mantega consegue, finalmente, tirar Roger Agnelli da presidência da Vale. Ora bolas como um ministro de estado pode ter tanto poder e influenciar o que acontece nos bastidores de uma empresa privada. Uma pergunta surge logo a minha mente, a Vale é mesmo privada?
Detectamos, neste caso, um erro tremendo nas privatizações do governo FHC, permitiram que fundos de pensão de empresa estatais participassem e com isto, de certa forma, estas empresas continuam indiretamente ligadas ao estado.
Como vamos criar um ambiente de competitividade desta forma? Dilma deu um grande passo para traz. Vinha admirando suas primeiras atitudes e coragem, coisa que faltou no ultimo governo, mas bastou encontrar novamente o Deus “Lula” que tudo desandou.
E os empresários? Devido à falta de independência do estado, ficam calados, assistindo a tudo de longe.
Não consigo ver luz no fim deste tunel e olha que venho tentando a bastante tempo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Sobre Amor e Paixão

O que é o amor? Certamente, a grande maioria das pessoas tem uma resposta para esta pergunta baseada em experiências pessoais e idéias próprias. Mas o que dizem os especialista a respeito deste assunto? (Sim, existem muitos estudiosos sobre o amor e a paixão além de experimentos científicos para auxiliar no desvendar destes sentimentos).
Buscando respostas, encontrei contradições e deparei-me com a inexistência de um consenso. Inclusive, há pesquisadores que tratam amor e paixão como um mesmo sentimento. Particularmente, descordo desta idéia.
A paixão é o resultado de uma "descompensação" de neurotransmissores: elevação de dopamina e/ou noradrenalina (responsáveis pela excitação - todos os principais vícios estão associados com elevação de dopamina) e redução da serotonina ( neurotransmissor do prazer). A porção do cérebro responsável pelo desejo de recompensa é ativado, por isso, a pessoa apaixonada torna-se obcessiva por sua recompensa (aquela pessoa que eleva seus níveis de serotonina). Por esta razão, a paixão é tratada também como uma obsessão por alguns autores.
Um estudo visando avaliar o cérebro dos apaixonados, comparou as atividades cerebrais de pessoas saudáveis que não estavam apaixonadas, apaixonados confessos e pacientes portadores de transtorno obsessivo-compulsivo, e descobriram que os dois últimos grupos apresentam alterações semelhantes na atividade cerebral.
Apesar da definição não ser consenso, todos concordam que a paixão tem prazo de validade (por volta de 2 anos), que é responsável pelo distanciamento da razão e turvação da visão, pois, só quando a euforia da paixão abranda o (ex)apaixonado consegue realmente enxergar o outro. Quem nunca ouviu: "ele(a) não era assim quando o/a conheci"? Não se encontra controvérsias, também, quanto à paixão ser involuntária e incontrolável.
Para os estudiosos que separam esses sentimentos, só após o fim da paixão pode surgir amor verdadeiro mas este não depende de paixão prévia para acontecer. Outras divergências surgem quanto ao caráter volitivo ou involuntário do amor. Para alguns, o amor é uma escolha inconsciente pois, por mais que se identifique algo no jeito de ser, de sorrir ou na aparência do amado que agrade, nada disto explica a origem do amor. Outros autores assumem que o amor é uma escolha consciente, reunindo razão e emoção.Contudo, esta visão limita-se aos casais que, após o fim da paixão, decidem construir o amor, não abrangendo o amor que surge sem o estágio da paixão.
A paixão é um evento fadado ao fracasso. Uma fixação por um ser perfeito criado pela ilusão romântica e com prazo para expirar. Alguns autores afirmam tratar-se de um instinto natural humano na busca de parceiros para a cópula e manutenção da espécie, tendo em vista os estímulos sexuais intensos provocados por uma paixão.
O amor não nos priva da razão nem da visão plena, talvez aí esteja o segredo de sua maior longevidade. Conhecemos os defeitos do outro (e ainda assim amamos), não somos enganados pela fantasia de perfeição, não há o desejo de fundir dois seres em um (uma das maiores frustações dos apaixonados) pois olhamos o outro em sua individualidade e encontramos razões para amá-lo (mesmo que não justifiquem o surgimento do amor).
Acredito que a razão nos permite selecionar critérios mínimos para nos interessarmos por alguém mas o amor não depende só disso. Mesmo sem a euforia e a obsessão da paixão, o amor também tem a sua química, a química, ainda misteriosa, da compatibilidade. Dentre muitas explicações relativas ao amor e à paixão, não é possível encontrar nenhuma que ajude a entender porque uma pessoa é a "escolhida" entre tantas outras. Muitas pessoas podem atender aos nossos critérios racionais de escolha de parceiros, contudo, só aquela pessoa desperta a vontade persistente de estar perto e mesmo certos de que podemos viver bem sem sua presença, a certeza é de que a vida pode ser bem melhor ao seu lado. Ainda não há explicação para esta escolha.
Concordo com a teoria do amor involuntário, assim como a paixão, mas ao assumirmos o amor podemos deixar de ser objetos para nos tornarmos sujeitos de nossas histórias.
"...o amor é indissociável de um certo não-saber. Apresenta-se como um enigma e nunca se deixa decifrar totalmente." - Betty Milan

segunda-feira, 21 de março de 2011

Desastres Naturais

Bastou acontecer mais um desastre natural para os supersticiosos, religiosos, lunáticos, conspiracionistas e todo tipo de crendice aparecer para tentar arrematar seguidores pelo mundo a fora. É impressionante como muitos acreditam, chocados pelas imagens, pois não conseguem explicar o acontecido.
Vamos separar um pouco as coisas e tentar analisar os fatos sem emoção e sem perplexidade.
Primeiramente, vamos acabar de vez com a ideia de ação divina, ora bolas, que mal o Japão fez para alguém. Um país de paz, onde mora um povo extremamente humilde, trabalhador, honesto e também bastante religioso. Não sei se os religiosos conseguirão encontrar motivos divinos para uma tragédia ao povo japonês, mas lanço o desafio.
Descartada esta primeira hipótese, vamos à segunda: Aquecimento Global e reação da natureza a ação humana. Sou partidário da causa, sempre fui, sou sócio do Greenpeace e do WWF Foundation, no entanto não vamos colocar as coisas de forma irresponsável e fora de propósito. Terremotos são causados por movimentos nas placas tectônicas que movem-se desde que a terra foi formada a 5 bilhões de anos atrás. Gostaria que algum espertinho ou algum cientista possa estabelecer uma relação entre ação humana e aquecimento global a movimentação anormal das placas tectônicas. Esta teoria eu gostaria de ouvir por ai.
Terceira e que será bastante proferida nos próximos dias será a do fim do mundo, seria o começo das previsões Maias e etc., etc. e etc. 2012 vem aí, dirão outros. Bem, esta prefiro nem me aprofundar muito, digo apenas o seguinte: se existe mesmo destino escrito e que tudo não passa de uma novela orquestrada por Deus, ele é um bom de um sacana. Como pôde criar o mundo, e ter tanto trabalho para determinar tudo, escrever cada detalhe e, ainda, planejar seu fim. Neste caso, Deus que me perdoe, mas foi tudo uma tremenda sacanagem divina.
Prefiro não acreditar em nenhum dos absurdos acima e apenas dizer que a terra está em movimento, tudo na natureza sempre esteve e sempre estará em constantes mudanças e acomodações, portanto aguardem os próximos episódios trágicos, é só uma questão de tempo.
Se esqueci de alguma outra teoria, favor relembrá-la abaixo.

Quase ia me esquecendo, minhas sinceras condolências ao povo japonês que admiro muito.

Precisamos mesmo de Paz?

Esta palavra tem me intrigado há tempos, sempre me perguntei pelo seu significado, principalmente quando alguém deseja “Paz” à outra pessoa. Podem apostar, as respostas são bastante variadas quando insisto na definição. Acho que no fundo a palavra “Paz” virou um modismo e as pessoas não sabem seu verdadeiro sentido, e pior, suas consequências.
Não encontramos “Paz” em nada em nossas vidas, não temos paz quando nascemos, não temos paz quando choramos por comida, quando ouvimos milhões de “nãos” dos nossos pais, quando temos que lutar pelo nosso espaço num grupo, seja pessoal ou profissional. Então, ora bolas, porque almejamos tanto isto, já que não faz parte de nossas vidas. Eu somente consigo encontrar alguma definição: na morte. “Paz” nada mais significa que “vazio” e este somente podemos encontrar quando morremos. Uma explicação para este desejo poderia sugerir nossa eterna insatisfação, nosso desejo de querer sempre aquilo que não temos. Poderia ser também por acomodação. Pensando bem, será que desejamos a morte? Bom tema para um próximo artigo, ah como me divirto escrevendo. Sei lá, deixo a pergunta no ar.
Desculpem aos que adoram esta palavra, mas na verdade ela não existe, não existe uma definição adequada para ela que possa ser provada. Digo isto porque não existe em nosso estado psicológico, não faz parte do intelecto humano, nem da natureza humana. Alguém poderia dizer que a meditação é um estado de Paz, entretanto eu diria que é um estado de guerra. Quando meditamos estamos tentando paralisar nossas inquietudes, nossos desejos, nossos conflitos internos e isto é lutar arduamente contra nossa natureza. Dito isto, vou mais longe: se não temos este estado natural, então é porque não precisamos dele.
Vivemos numa eterna luta pela sobrevivência, alias todos os seres vivos, então a Paz nos mataria aos poucos, nos deixaria num estado de desatenção que poderia ser fatal, por isto ela foi excluída de nossas qualidades, já que não constitui num diferencial de sobrevivência. Não poderíamos enxergar novos horizontes com ela, não desenvolveríamos novas habilidades, nem buscaríamos alcançar sonhos. A Paz simplesmente nos paralisaria. Ela nos empobrece, nos deixa sem rumo, sem meta, sem sonhos.
Sem brigas, sem buscas, sem guerras, não seríamos nós mesmos, não teríamos identidade, seríamos mais um ao vento dos outros. Todo o tempo precisamos nos afirmar perante o próximo, este conflito faz parte do convívio humano em sociedade e é importante nas relações sociais. O conflito cria espaço, move montanhas, realiza sonhos e também constrói novos mundos e novas sociedades.
Desculpe os “pró-paz”, mas não teríamos chegado até aqui com ela. Foi através de conflitos e guerras que nos desenvolvemos. Guerras trouxeram tecnologia, saúde, riqueza e também nosso bem maior que é a liberdade. No fundo toda guerra ambiciona liberdade, seja ela boa ou ruim, o referencial será sempre do vencedor. Liberdade jamais será conquista com Paz. Vocês preferem viver em Paz, sobre controle, ou em batalhas buscando a liberdade? Pensem um pouquinho nisto.
Dito isto, chego onde desejava, as guerras são imprescindíveis para a manutenção do mundo livre, justo e fraterno que alcançamos em algumas partes do globo. Se pregarmos demasiadamente a Paz, poderemos ser tomados pelos que querem alterar o status quo e estes últimos estarão muito mais preparados. A mudança nem sempre é boa, muitas vezes voltamos no tempo e regredimos com ela.
Devemos lutar pelos nossos ideais, sem esta meta perderemos qualquer tentativa de realização, triunfo e felicidade em nossas vidas. Então, por favor, não se desejem paz, nem agora, nem no ano novo, nem em vossos aniversários. Precisamos é de força, coragem e paixão (adoro esta palavra). Deveríamos desejar batalhas para que possamos testar nossos limites e nos superarmos, só assim estaremos crescendo e reinventando nossas vidas, nossas metas e nossos sonhos.
Boa guerra para você também.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Egito – Uma nova Revolução Francesa

É sempre bom ver como o povo pode ainda destituir governos, exigir reforma, ou ainda fazer uma revolução e mudar toda a ordem vigente.
O Egito demonstrou como se devem fazer protestos, foi às ruas, exigiu, gritou, pulou, bateu, brigou, tomou pancada, morreu, mas demonstrou sua vontade.
Às vezes não percebemos bem as coisas que estão acontecendo no momento e passamos despercebidos, mas estamos vivendo hoje um momento histórico, países islâmicos não tem cultura de democracia, sinal que a forma vitoriosa de governos ocidentais está influenciando o mundo oriental principalmente nos jovens.
É bem possível que as reformas que serão feitas de agora em diante no Egito mude completamente o quadro daquela região para sempre. Aguardem os outros países da região, o povo não vai parar de protestar.
Em toda revolução há excessos, faz parte do processo, pois o povo é só emoção, não dá para controlar massas num momento como este. Quando leio detalhes sobre a revolução francesa fico admirado como aconteceu e como o povo governou uma nação por 22 anos sem um único governante, nunca tinha acontecido isto antes na história humana e provavelmente nunca mais acontecerá.
Pena que nunca tivemos nada parecido aqui no Brasil, pena que somos acomodados, alienados e otários por assistir as vergonhas que vemos de nossos governos e não fazemos nada.
Viva o Egito, viva o povo que se mexe e muda o mundo!!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Fim da Astrologia

Finalmente algum cientista corajoso resolveu colocar um fim nesta estupidez.
Vamos explicar melhor o fato, de acordo como foi publicado na revista Veja desta semana, o astrônomo Parke Kunkle provou que o alinhamento dos astros quando foi formado o zodíaco há 3.000 anos atrás, muda e não é mais o mesmo atualmente, segue um resumo:
1) Para determinar cada signo, observa-se qual é a constelação alinhada com o trajeto aparente do sol no céu. Os astrólogos antigos observaram que o sol faz um círculo em torno da terra durante um ano (depois, descobriu-se que é o contrário) e que em cada período ele aparentemente coincide com uma constelação no universo. As pessoas têm signo referente ao conjunto de estrelas alinhado com o sol na data em que nascem;
2) Astrônomos, porém, afirmam que a relação feita entre as datas não é mais correta. A posição do eixo da terra mudou devido a força gravitacional do sol e da lua. Ao fenômeno, dá-se o nome de precessão. Tal oscilação faz um círculo do eixo, que realiza uma volta completa, retornando ao ponto inicial a cada 26.000 anos. Como consequência, o ponto de vista terrestre em relação ao cosmo é alterado constantemente;
3) A precessão desloca as estrelas em relação ao trajeto aparente que o sol faz no céu que vemos a olho nu. Assim, alteram-se as datas de alinhamento de cada signo e outra constelação deveria ser incluída no zodíaco, a de Serpentário.
Novo quadro de signos descoberto pelo astrônomo americano Parke Kunkle:


A histórica do zodíaco começou a aproximadamente 300 séculos atrás quando o homem era esmagado pelo imensidão do firmamento e em meio a escuridão não sabia explicar nem decifrar aquela infinidade de estrelas. Em pleno século XXI, com todas as ferramentas racionais que temos a humanidade ainda se deixa escapar, magnetizar e intrigar pela astrologia.
Imaginem agora como ficaram os astrólogos, terão que explicar a seus seguidores que eles não são mais de câncer e sim gêmeos. Realmente não queria estar na sua pele agora. Desde que foi publicado o artigo há 2 semanas muita coisa aconteceu. O pior é que depois de publicado o estudo, provado cientificamente, tem pessoas que não aceitam e dizem que não vão mudar de signo, e os astrólogos não sabem o que dizer, muitos estão calados esperando para ver.
Se a astrologia tinha alguma verdade, porque não passava em nenhum teste de aferição empírica? Os testes empíricos anunciam de forma direta e transparente a realidade e suas fragilidades. Como exemplo temos uma citação de Charles Darwin “apresentem-me um único ser vivo que não teve antepassado e toda minha teoria pode ser jogada no lixo”, agora imaginem um astrólogo falando “Apresentem-me uma única previsão astrológica que não tenha se concretizado e rasgo meus mapas astrais”.
Parece mesmo que temos um problema psíquico para acreditar nestas coisas, de acordo com o psicanalista Paulo Gaudêncio, o homem busca o sobrenatural, mesmo quando sabe que ele não existe e prefere acreditar no mágico, no divino e na fantasia do que optar para uma zona de conforto.
Vamos parar de olhar constantemente para o céu e tomar coragem para perceber que a vida é na terra, aqui e agora.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Tragédia no Rio de Janeiro – Vitória da natureza

Vamos inverter os papéis e tentar enxergar as coisas de um outro ângulo, o homem é um ser destrutivo, predador e egoísta. Digo egoísta porque nos achamos especiais e com o direito de devastar áreas naturais, derrubar árvores, matar animais silvestres e construir casas onde bem queremos.
Vendo algumas imagens da “tragédia” podemos perceber o quanto o homem é destruidor, boa parte da floresta de mata atlântica da região tinha sido ocupada, devastada e transformada apenas em mais um local de moradia para o animal humano, insaciável.
Percebe-se que áreas totalmente impróprias para construções foram utilizadas, locais de encostas e margens de rios, ou seja, destruição total da flora de uma área belíssima.
Devastamos milhares de árvores, de flores, poluimos rios, matamos peixes, caçamos animais, destruímos lugares de ricos ecossistemas e quando a natureza reage, somente pensamos em nós mesmo. É difícil nos julgarmos, não é?
Vidas foram perdidas, não estou sendo indiferente a elas, mas matamos inúmeras vidas quando povoamos aqueles locais, vidas de seres vivos que também tem o direito de viver, ou o ser humano é mais importante?
Jesus não tinha ideia disto, mas quando deixou na sua biografia (Bíblia) que fomos feitos a imagem e semelhança de Deus, criou uma espécie de praga para o planeta. Nos achamos tão especiais por causa disto que não temos vergonha de assumir que temos o direito sobre a terra, somos “inteligentes” e não podemos nos comparar com os outros seres vivos. Nossa, quanta pretensão.
Vamos agora viajar um pouco e imaginar que a fauna e flora também pudessem publicar jornais e filmar as barbaridades que fizemos com aqueles locais. Imaginem as imagens das árvores centenárias, de mais de 30 metros, sendo derrubadas para abrigar mais humanos, imaginem uma jibóia sendo esfaqueada por moradores locais orgulhosos de sua coragem por matar um animal tão perigoso e imaginem os peixes morrendo por falta de oxigénio nas águas poluídas por nossos dejetos.
Não estou me excluindo disto tudo, sei que vivo neste meio e que sou também responsável por esta destruição. No entanto não posso deixar de perceber algumas coisas e de ficar calado.
Vejo as imagens como uma vitória da natureza, como uma vitória da fauna e da flora local que agora terão mais espaço para continuar vivendo em harmonia.