A ditadura trouxe muitos problemas ao país, problemas estes que, ainda hoje, refletem negativamente até em nossa democracia. Enquanto no mundo inteiro partidos de Direita tomam o poder, se auto afirmar Direita no Brasil é pecado mortal. A ditadura rotulou os partidos de Direita como aqueles ligados ao poder, aos ricos, aos endinheirados, aos militares e ao maldito PFL. No entanto a realidade não é bem assim.
Qual, então, a definição de Direita e Esquerda?
Direita: partidários de um ideal – a liberdade. Indivíduos e partidos de Direita são considerados conservadores, pois buscam manter o estado mais longe da sociedade, ou seja, dar mais liberdade de escolha aos indivíduos e menos acolhimento por parte deste. Partidos de Direita são contra o estado assistencialista, por isto são muito identificados, no Brasil, com os ricos e poderosos. Cada um precisa correr atrás do seu sustento e os melhores serão recompensados. Direita = Liberdade
Esquerda: a esquerda faz o contraposto do estado mínimo da Direita. Busca melhorar a distribuição de renda por meio de transferência de recursos do estado para as camadas mais pobres da sociedade, e neste momento precisa aumentar a influencia do estado sobre a mesma, aumentando os programas assistencialistas, aumentando os impostos e também aumentando o poder do estado sobre a sociedade, já que busca influenciar os investimentos, controlar as empresas privadas e influenciar a vida dos cidadãos direcionando-os para o caminho dos ideais estatais e não individuais. Esquerda = Igualdade.
Esta luta entre igualdade e liberdade acirra a disputa entre estas duas ideologias. O problema é que igualdade não pode ser decretada, ela somente pode ser alcançada através do esforço individual, não resolve-se o problema de alguém que não quer correr atrás de seu sustento simplesmente dando a ele. Pode parecer duro, mas ninguém morre de fome se não quiser. A iniciativa individual é a chave de sucesso de um país ou nação, então devemos incentiva-la, faz-se, hoje, justamente o oposto disto. Outro ponto é que igualdade não é boa, igualdade traz acomodação, as pessoas não são iguais e deve-se valorizar, sim, aqueles que se esforçam mais. Em qual ambiente propicia-se este quadro? Num ambiente de liberdade, não existe outro. Liberdade traz igualdade de desafios, traz responsabilidade individual e sucesso e riqueza para aqueles que a perseguem.
Porque a Esquerda tem perdido espaço no mundo? Ora, os países desenvolvidos passam por uma crise severa, esta crise está associada a um exagerado gasto estatal. Estes países gastam bem mais do que arrecadam, devido principalmente a enormes programas assistencialistas e que tem que ser sustentados pelos impostos. Isto decorre da administração de Esquerda por um longo período no passado. A Esquerda sempre reinou na maioria dos países europeus. Agora, a conta precisa ser paga, quem vai pagar? Os cidadãos precisam entender que o estado não é um ente divino e de recursos ilimitados, o estado é sustentado pela sociedade e se ela quer o bolsa família, bolsa gás, aposentadoria, saúde, universidade pública, ela precisa pagar por isto. No ultimo levantamento apenas 5 países da Europa tem governos de esquerda e a expectativa é de que percam as próximas eleições.
A sociedade tem se manifestado contra aumento de impostos e gastos exagerados dos governos municipais, estaduais e federais, mas ela precisa entender que se quer um estado menor, com gastos estatais menores, vai perder benefícios, vai ter que mudar e votar em partidos de direita. Entretanto quem é esquerda e quem é direita neste país? Ninguém tem coragem para assumir uma posição com medo de perder votos, com isto temos políticos sem identidade, sem ideais e sem compromissos. Cada vez mais percebo a importancia dos partidos políticos fortes. Deveríamos votar nos partidos, ou seja, na idéia, não em pessoas, elas não são importantes. Guardem isto para debatermos na reforma política que vem ai.
O que é importante destacar é algo mais intrínseco, existe algo por traz desta discussão e que considero o mais importante, é a palavra Liberdade. Queremos alguém influenciando nossas vidas? Sugando mais de nossos rendimentos em prol de uma melhor distribuição de renda? Aumentando o poder do estado sobre nós. Isto gera perda de liberdade, quando o estado cresce, cresce a corrupção, aumenta os conchavos de apadrinhados, eleva-se o monopólico de setores controlados pelo estado. Estado forte é sinônimo de má administração, de mais gente sendo sustentada a custa de impostos. É realmente isto que queremos?
A liberdade traz muita responsabilidade, pois necessita que de agora em diante tenhamos que para de reclamar que o estado não dá isto, não dá aquilo. Precisamos entender que não é papel do estado dar nada, ele não pode e não deve ser o Pai, nem o Deus de ninguém. O estado deveria apenas regular as relações sociais e não influenciá-las ou mesmo participar dela. Temos que ter consciência que precisamos ir à luta quando queremos algo, e que depende apenas de nós, do nosso esforço pessoal. Isto é cultural, não seria fácil mudar este paradigma rapidamente, mas precisamos começar. Chega de reclamar, chega de pedir as pessoas, aos outros, ao estado. Os brasileiros precisam entender que eles precisam ir à luta, somente assim mudamos o ideal de país que queremos e tornamos realmente este país em um grande lugar para viver.
Menos estado é menos impostos e mais renda para a população decidir individualmente onde pretende gastar e não deixar na mão de poucos políticos esta decisão.
O problema é que ninguém tem coragem de dizer isto aos eleitores, imaginem uma campanha politica que o candidato diz: fim do bolsa família, fim da universidade pública, fim dos incentivos fiscais, privatização das empresas publicas, e diminuição dos funcionários públicos e fim da aposentadoria integral destes. O estado deveria apenas regular, auditar, fiscalizar. No máximo prover educação, segurança e saúde para promover a igualdade de competição entre seus membros, porém como um estado tão grande e com tantas prioridades poderia concentrar esforços? Impossível. Seria o fim da campanha mesmo antes de começar, mesmo pregando a diminuição substancial dos impostos, provavelmente ele nunca seria eleito.
Bem, estou lançando a minha candidatura nas próximas eleições com estes slogans, que acham? Terei apoio? Seria viável? Só rindo mesmo.
Carlos, um candidato com coragem de afirmar: Sou Direita.
História: liga criada em 1780, por Henriette Herz na Alemanha com o propósito da virtude e produto das idéias iluministas, pregava a igualdade de todos os seres humanos. Era um local onde intelectuais se reuniam uma vez por semana para falar sobre Deus, política e sobre seus sentimentos. Re-criada em 13 de março de 2009 em Salvador, Brasil, para a expressão livre de pensamento baseada na razão.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Legalização das Drogas
Como este assunto voltou aos noticiários, principalmente com o novo filme "Quebrando Tabu", estou publicando novamente este artigo postado no blog no dia 18/09/2009, com alguns novos comentários.
Vamos falar sobre um assunto para lá de polêmico, envolve nosso cotidiano, nossas vidas, a de parentes e amigos e afeta nossa liberdade individual. Mas uma vez não quero expor minha opinião como algo imutável nem definitivo, temos poucos exemplos de casos bem sucedidos no mundo e, portanto não devemos aceitar nem tomar nada como conclusivo.
Vou avaliar o tema de acordo com alguns tópicos importantes como:
A violência gerada neste negócio é extremamente elevada, não tenho dados sobre isto, gostaria de saber se alguém tem um numero aproximado de pessoas que morrem todos os anos em decorrencia do tráfico.
Econômico: A quantidade de dinheiro ilegal que movimentam é enorme, somente com cocaína estima-se em 50 bilhões de dólares, este dinheiro é utilizado para outros crimes, como lavagem de dinheiro, corrupção de políticos, advogados, contadores, juízes entre outros.
Outro ponto importante é a falta de cobrança de impostos destes produtos, deixamos de arrecadar bilhões em impostos sobre um produto de consumo.
Político: Imaginem uma organização criminosa influenciando a política, pois temos vários exemplos no mundo, das favelas do rio até em países como Colômbia e Venezuela. Isto é bem retratado no filma Tropa de Elite 2.
As drogas estão em todo lugar e influenciam tudo em nossas vidas
Social: Não vou entrar no debate das pessoas que se destroem usando drogas, de acordo com estudos, somente 15% dos usuários de drogas se viciam ao ponto de desestabilizar suas vidas. A grande maioria dos usuários vive normalmente e usa drogas regularmente. Muitas pessoas não tem consciencia disto, mas grande parte dos usuários utilizam as drogas normalmente como o alcool e não mudam sua rotina, conseguem controlar e separar o uso regular do uso descontrolado da mesma.
Vamos avaliar os aspectos positivos e negativos da liberação das drogas e debatê-los.
Aspectos negativos:
Aspectos positivos:
Afirmo isto com muita convicção e sei que será tema de muita discussão. A sociedade não pode interferir, nem tomar partido, nem emitir opinião na vida privada dos indivíduos por isto sou a favor da liberação total das drogas e de tudo que possa ser consumido ou vivenciado na vida particular de cada um, porém a liberdade de cada um termina quando interfere na do seu próximo, combinado.
Toda mudança traz pontos positivos e negativos, vamos encontrá-los sempre, precisamos avaliar se os positivos são maiores que os negativos, isto deve ser debatido e experimentado antes de uma decisão final, estou propondo apenas um debate, nada de sociedade alternativa (risos).
Vamos falar sobre um assunto para lá de polêmico, envolve nosso cotidiano, nossas vidas, a de parentes e amigos e afeta nossa liberdade individual. Mas uma vez não quero expor minha opinião como algo imutável nem definitivo, temos poucos exemplos de casos bem sucedidos no mundo e, portanto não devemos aceitar nem tomar nada como conclusivo.
Vou avaliar o tema de acordo com alguns tópicos importantes como:
- Violência
- Econômico
- Político
- Social
A violência gerada neste negócio é extremamente elevada, não tenho dados sobre isto, gostaria de saber se alguém tem um numero aproximado de pessoas que morrem todos os anos em decorrencia do tráfico.
Econômico: A quantidade de dinheiro ilegal que movimentam é enorme, somente com cocaína estima-se em 50 bilhões de dólares, este dinheiro é utilizado para outros crimes, como lavagem de dinheiro, corrupção de políticos, advogados, contadores, juízes entre outros.
Outro ponto importante é a falta de cobrança de impostos destes produtos, deixamos de arrecadar bilhões em impostos sobre um produto de consumo.
Político: Imaginem uma organização criminosa influenciando a política, pois temos vários exemplos no mundo, das favelas do rio até em países como Colômbia e Venezuela. Isto é bem retratado no filma Tropa de Elite 2.
As drogas estão em todo lugar e influenciam tudo em nossas vidas
Social: Não vou entrar no debate das pessoas que se destroem usando drogas, de acordo com estudos, somente 15% dos usuários de drogas se viciam ao ponto de desestabilizar suas vidas. A grande maioria dos usuários vive normalmente e usa drogas regularmente. Muitas pessoas não tem consciencia disto, mas grande parte dos usuários utilizam as drogas normalmente como o alcool e não mudam sua rotina, conseguem controlar e separar o uso regular do uso descontrolado da mesma.
Vamos avaliar os aspectos positivos e negativos da liberação das drogas e debatê-los.
Aspectos negativos:
- Existe um medo muito grande do aumento imediato do consumo principalmente das drogas leve, como maconha. É bem possível que isto aconteça, com a venda liberada, jovens que ainda não experimentaram poderão vir a utilizar pela primeira vez. No entanto não temos como afirmar que estes jovens, após a primeira experiência voltem a consumir.
- Aumento do numero de acidentes de transito ou acidentes em decorrência do uso inadequado das drogas;
- Aumento do numero de problemas decorrentes do acréscimo de usuários, principalmente em família;
- Aumento dos gastos com saúde em decorrência de um numero maior de usuários;
- Aumento, provavelmente significativo, do numero de outros crimes como roubo, furtos e etc. Estatísticas provam que um aumento na fiscalização das drogas trazem um aumento no índice de outros crimes pela migração dos criminosos para outras formas de práticas ilegais.
Aspectos positivos:
- Fim do submundo envolvido no trafico e venda de drogas;
- Cobrança de impostos elevados sobre a venda de droga, visando suprir o aumento dos gastos com saúde;
- Controle maior sobre o numero de usuário e estabelecimento de estratégias para as campanhas de conscientização;
- Fim do dinheiro ilegal que alimenta outras formas de crime. O dinheiro das drogas faz girar um mercado negro de financiamento de corrupção, e outros crimes ligados;
- Aumento do numero de policias e detetives para os outros crimes em geral, pois atualmente estão ligados ao combate ao tráfico;
- Fim dos homicídios ligados ao tráfico de drogas;
- Fim da corrupção dos poderes públicos ligados ao mercado das drogas;
Afirmo isto com muita convicção e sei que será tema de muita discussão. A sociedade não pode interferir, nem tomar partido, nem emitir opinião na vida privada dos indivíduos por isto sou a favor da liberação total das drogas e de tudo que possa ser consumido ou vivenciado na vida particular de cada um, porém a liberdade de cada um termina quando interfere na do seu próximo, combinado.
Toda mudança traz pontos positivos e negativos, vamos encontrá-los sempre, precisamos avaliar se os positivos são maiores que os negativos, isto deve ser debatido e experimentado antes de uma decisão final, estou propondo apenas um debate, nada de sociedade alternativa (risos).
terça-feira, 31 de maio de 2011
Como surgiu o universo?
Com base no livro “Do Big Bang ao universo eterno”, farei um resumo com comentários sobre um tema bastante importante do ponto de vista da ciência, da filosofia e da religião.
Primeiramente gostaria de escrever um pouco sobre a filosofia da ciência ou o estudo e base desta forma de pensamento. Na verdade ao contrário do que muitos pensam, afirmo: A ciência não busca verdades absolutas, ela jamais descobrirá algo universal e que possa ser descrito como definitivo. E sabe por quê? Por que a ciência utiliza a observação e a indução como base de seu conhecimento. Um argumento indutivo não pode conclusivo e, portanto verdadeiro do ponto de vista lógico.
Vou explicar melhor:
Observei um corvo preto
Observei novamente um corvo preto
Observei mais 10 mil corvos, todos pretos.
Mesmo assim não posso afirmar que todos os corvos do universo serão pretos
Por isto as ditas “verdades científicas” são na verdade teorias cientificas, pois a qualquer momento podem ser negadas e falsificadas. Mas é justamente ai que encontramos a maravilha da ciência, todo conhecimento pode ser falsificável e, portanto questionável, com isto ao longo dos séculos as teorias se tornaram cada vez mais fortes, prevendo e descrevendo, cada vez mais precisamente, a realidade dos eventos naturais. Quando a dita verdade é coloca a prova ela pode ser falsificada com o aumento dos testes ou fortalecida com o grau de previsibilidade de seus argumentos.
Com este breve introdução da filosofia da ciência (se gostaram, tenho um livro somente descrevendo a filosofia por traz da ciência, é muito interessante e revelador, posso me aprofundar mais neste tema num outro artigo) vamos continuar com o tema proposto. De acordo com o autor a origem do universo através de uma explosão não explica sua origem apenas uma fase de sua história. O Big Bang não explica, por exemplo, se houve uma fase colapsante anterior, o que teria colapsado e por quê? O livro descreve como é a teoria do Big Bang, traz suas fragilidades e demonstra que existem outras possibilidades para o inicio de tudo.
Estas questões trouxeram a discussão atualmente não mais para um universo iniciado há 15 bilhões de anos e sim para um universo dinâmico, e incrível: eterno. Eterno sim, as novas teorias cientificas baseadas na cosmologia, estão mostrando que nosso universo, na verdade, nunca teve um começou, e, sim, sempre existiu, com fases de expansão e contração.
A aceitação geral para mais de 30 anos do Big Bang foi sua fácil explicação dos eventos observáveis e de grande aceitação da religião, pois explicava de forma bastante precisa as escrituras sagradas da Bíblia. Esta junção de concordância cegou os cientistas por mais de 30 anos e que agora começaram a perceber que logicamente o Big Bang não pode ser explicável, existem várias contradições de um começo com massa infinita de acordo com as teorias atuais.
Que fantástica é a ciência, como é bom viver num universo sem verdades absolutas, sem determinismo e sem regras pré-estabelecidas. O barato de tudo isto não é descobrir nenhuma verdade e sim nos deslumbrarmos a cada descoberta e de percebermos que as possibilidades são infinitas e mutáveis. Que delícia é a procura. Buscar é mais importante que descobrir, não acham?
Um Universo eterno, já tinha pensado nisto antes?
Boa busca para você também.
Primeiramente gostaria de escrever um pouco sobre a filosofia da ciência ou o estudo e base desta forma de pensamento. Na verdade ao contrário do que muitos pensam, afirmo: A ciência não busca verdades absolutas, ela jamais descobrirá algo universal e que possa ser descrito como definitivo. E sabe por quê? Por que a ciência utiliza a observação e a indução como base de seu conhecimento. Um argumento indutivo não pode conclusivo e, portanto verdadeiro do ponto de vista lógico.
Vou explicar melhor:
Observei um corvo preto
Observei novamente um corvo preto
Observei mais 10 mil corvos, todos pretos.
Mesmo assim não posso afirmar que todos os corvos do universo serão pretos
Por isto as ditas “verdades científicas” são na verdade teorias cientificas, pois a qualquer momento podem ser negadas e falsificadas. Mas é justamente ai que encontramos a maravilha da ciência, todo conhecimento pode ser falsificável e, portanto questionável, com isto ao longo dos séculos as teorias se tornaram cada vez mais fortes, prevendo e descrevendo, cada vez mais precisamente, a realidade dos eventos naturais. Quando a dita verdade é coloca a prova ela pode ser falsificada com o aumento dos testes ou fortalecida com o grau de previsibilidade de seus argumentos.
Com este breve introdução da filosofia da ciência (se gostaram, tenho um livro somente descrevendo a filosofia por traz da ciência, é muito interessante e revelador, posso me aprofundar mais neste tema num outro artigo) vamos continuar com o tema proposto. De acordo com o autor a origem do universo através de uma explosão não explica sua origem apenas uma fase de sua história. O Big Bang não explica, por exemplo, se houve uma fase colapsante anterior, o que teria colapsado e por quê? O livro descreve como é a teoria do Big Bang, traz suas fragilidades e demonstra que existem outras possibilidades para o inicio de tudo.
Estas questões trouxeram a discussão atualmente não mais para um universo iniciado há 15 bilhões de anos e sim para um universo dinâmico, e incrível: eterno. Eterno sim, as novas teorias cientificas baseadas na cosmologia, estão mostrando que nosso universo, na verdade, nunca teve um começou, e, sim, sempre existiu, com fases de expansão e contração.
A aceitação geral para mais de 30 anos do Big Bang foi sua fácil explicação dos eventos observáveis e de grande aceitação da religião, pois explicava de forma bastante precisa as escrituras sagradas da Bíblia. Esta junção de concordância cegou os cientistas por mais de 30 anos e que agora começaram a perceber que logicamente o Big Bang não pode ser explicável, existem várias contradições de um começo com massa infinita de acordo com as teorias atuais.
Que fantástica é a ciência, como é bom viver num universo sem verdades absolutas, sem determinismo e sem regras pré-estabelecidas. O barato de tudo isto não é descobrir nenhuma verdade e sim nos deslumbrarmos a cada descoberta e de percebermos que as possibilidades são infinitas e mutáveis. Que delícia é a procura. Buscar é mais importante que descobrir, não acham?
Um Universo eterno, já tinha pensado nisto antes?
Boa busca para você também.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Verdades Absolutas
Acho interessante republicarmos alguns artigos do passado, pois as vezes os assuntos necessitam de mais profundidade ou reflexão. Publiquei este texto em dezembro de 2009 e como Marcela trouxe este tema novamente, resolvi continuar a discussão, apenas uma ressalva, acho que estava de mal humor quando escrevi, o que acham?
Publicado em Dez/2009:
Hoje vou escrever sobre algo que me atormenta há 1 semana. Aprendi que escrever é uma forma de aliviar as tensões e de refletir sobre as coisas que nos afligem no dia-dia.
Na semana passada tive uma briga com uma grande amiga e isto nunca é bom, discutimos sobre nós mesmos, nada de filosofia ou assuntos polêmicos, mas o que me afetou foi a forma com que ela terminou a discussão simplesmente dizendo para eu ficar com minhas verdades absolutas.
Verdades absolutas? Logo Eu. Gostaria, então, de falar um pouco sobre isto e tentar me defender desta acusação. Verdades absolutas dependem de algo absoluto. Acreditar em um criador ou Deus ou algo maior é sim acreditar em verdades absolutas. Ora, se existe um Deus existe alguma verdade ou razão para tudo isto existir, neste caso pessoas que acreditam em Deus devem necessariamente acreditar em verdades absolutas. Sendo assim, por favor, quem tem fé em Deus ou em algo absoluto e me diz que verdades absolutas não existem não está sendo coerente e fiel a suas idéias.
Pois é, eu não acredito em Deus, nem em algo maior, nem em nada absoluto, me considero agnóstico, portanto somente acredito naquilo que posso provar, ou seja, em mim mesmo, em minha própria existência. Como posso acreditar em verdades absolutas? Ou ainda mais, como posso ter verdades absolutas?
Depois de me analisar e de reler alguns de meus textos anteriores no blog comecei a perceber algumas afirmações que poderiam dar margem a interpretações errôneas por parte dos leitores, principalmente daqueles que não me conhecem muito.
Se vocês perceberem nestas leituras vão compreender que vários textos são contraditórios entre si, ou seja, afirmações feitas em alguns são rebatidas em outros. Comecei então a perceber que é justamente minha forma afirmativa de escrever que poderia sugerir tal interpretação.
Vamos discorrer um pouco sobre esta forma de escrever. Sou estudante de filosofia e, portanto, minha forma de escrever traz alguns traquejos de textos filosóficos e também científicos que adoro. Filosofia é uma ciência e como tal precisa estabelecer alguns elementos essenciais da ciência, que são teses, teorias, provas, experiências, observação, etc. Todos os filósofos e cientistas publicam suas obras de forma afirmativa, pois querem provar algo e para isto afirmavam suas idéias como verdades. Foi assim que o conhecimento humano se dissipou e evoluiu.
Apenas quando somos bastante afirmativos em nossas idéias é que despertamos o interesse da contradição. Engraçado, mas é assim mesmo que a filosofia, o conhecimento humano e a ciência evoluíram. A discordância entre as idéias desenvolveu e aprofundou o conhecimento, os debatedores defendiam suas idéias, não a mudaram através destes debates, porém a exposição destas, as fizeram serem postas a prova da contradição e assim as fortaleceram.
Vejam como exemplo: se colocássemos duas pessoas para debater sobre o governo Lula, uma petista e outra do PSDB teríamos um debate acalorado, e bastante rico em argumentos, provavelmente nenhum dos 2 mudaria suas idéias, mas alguém que estivesse assistindo ou lendo este debate poderia tirar várias conclusões e opiniões sobre isto. Ao contrário se tivéssemos um debate morno com pessoas, digamos “equilibradas”, com opiniões muito pautadas, não teríamos divergências ou diferenças exarcerbadas de idéias. O que quero dizer é que os extremos são importantes no estabelecimento e desenvolvimento do conhecimento humano.
Todos os grandes pensadores, filósofos e cientistas na história humana foram bastante afirmativos em suas idéias, as defenderam com unhas e dentes e eram também presunçosos, orgulhosos e arrogantes. Com isto, despertaram outras idéias e opiniões e ajudaram, cada um de sua forma, ao desenvolvimento do conhecimento humano. Como exemplo temos Platão, Aristóteles, Nietzsche, Isaac Newton, Maomé e o próprio Jesus Cristo. Para eles, suas idéias eram verdades absolutas e eles mudaram o mundo.
Portanto, não se deixem levar pelo modismo de serem maleáveis e bonzinhos. Sejam sim coerente com suas idéias e doa a quem doer sejam afirmativos, pois somente assim irão gerar as discussões e debates necessários para criar algo novo e evoluir o mundo a sua volta. Acreditem, qualquer um de nós pode mudar o mundo, todos temos este poder e esta força.
Não tenho nenhuma verdade absoluta, pois não acredito nisto, mas escrevo e debato minhas idéias como se as tivesse, assim como fizeram todos os grandes homens que nos antecederam. Quero estimular o debate sempre pautado em idéias, não em coisas ou pessoas. Com isto procuro desenvolver meus pensamentos e das pessoas que me cercam para que, quem sabe, um dia, alguém possa pensar, criar e desenvolver algo novo que vá mudar a vida de todos e serem lembrados pela eternidade. Que a diversidade de opiniões prospere.
Sejamos arrogantes e presunçosos, por favor.
Publicado em Dez/2009:
Hoje vou escrever sobre algo que me atormenta há 1 semana. Aprendi que escrever é uma forma de aliviar as tensões e de refletir sobre as coisas que nos afligem no dia-dia.
Na semana passada tive uma briga com uma grande amiga e isto nunca é bom, discutimos sobre nós mesmos, nada de filosofia ou assuntos polêmicos, mas o que me afetou foi a forma com que ela terminou a discussão simplesmente dizendo para eu ficar com minhas verdades absolutas.
Verdades absolutas? Logo Eu. Gostaria, então, de falar um pouco sobre isto e tentar me defender desta acusação. Verdades absolutas dependem de algo absoluto. Acreditar em um criador ou Deus ou algo maior é sim acreditar em verdades absolutas. Ora, se existe um Deus existe alguma verdade ou razão para tudo isto existir, neste caso pessoas que acreditam em Deus devem necessariamente acreditar em verdades absolutas. Sendo assim, por favor, quem tem fé em Deus ou em algo absoluto e me diz que verdades absolutas não existem não está sendo coerente e fiel a suas idéias.
Pois é, eu não acredito em Deus, nem em algo maior, nem em nada absoluto, me considero agnóstico, portanto somente acredito naquilo que posso provar, ou seja, em mim mesmo, em minha própria existência. Como posso acreditar em verdades absolutas? Ou ainda mais, como posso ter verdades absolutas?
Depois de me analisar e de reler alguns de meus textos anteriores no blog comecei a perceber algumas afirmações que poderiam dar margem a interpretações errôneas por parte dos leitores, principalmente daqueles que não me conhecem muito.
Se vocês perceberem nestas leituras vão compreender que vários textos são contraditórios entre si, ou seja, afirmações feitas em alguns são rebatidas em outros. Comecei então a perceber que é justamente minha forma afirmativa de escrever que poderia sugerir tal interpretação.
Vamos discorrer um pouco sobre esta forma de escrever. Sou estudante de filosofia e, portanto, minha forma de escrever traz alguns traquejos de textos filosóficos e também científicos que adoro. Filosofia é uma ciência e como tal precisa estabelecer alguns elementos essenciais da ciência, que são teses, teorias, provas, experiências, observação, etc. Todos os filósofos e cientistas publicam suas obras de forma afirmativa, pois querem provar algo e para isto afirmavam suas idéias como verdades. Foi assim que o conhecimento humano se dissipou e evoluiu.
Apenas quando somos bastante afirmativos em nossas idéias é que despertamos o interesse da contradição. Engraçado, mas é assim mesmo que a filosofia, o conhecimento humano e a ciência evoluíram. A discordância entre as idéias desenvolveu e aprofundou o conhecimento, os debatedores defendiam suas idéias, não a mudaram através destes debates, porém a exposição destas, as fizeram serem postas a prova da contradição e assim as fortaleceram.
Vejam como exemplo: se colocássemos duas pessoas para debater sobre o governo Lula, uma petista e outra do PSDB teríamos um debate acalorado, e bastante rico em argumentos, provavelmente nenhum dos 2 mudaria suas idéias, mas alguém que estivesse assistindo ou lendo este debate poderia tirar várias conclusões e opiniões sobre isto. Ao contrário se tivéssemos um debate morno com pessoas, digamos “equilibradas”, com opiniões muito pautadas, não teríamos divergências ou diferenças exarcerbadas de idéias. O que quero dizer é que os extremos são importantes no estabelecimento e desenvolvimento do conhecimento humano.
Todos os grandes pensadores, filósofos e cientistas na história humana foram bastante afirmativos em suas idéias, as defenderam com unhas e dentes e eram também presunçosos, orgulhosos e arrogantes. Com isto, despertaram outras idéias e opiniões e ajudaram, cada um de sua forma, ao desenvolvimento do conhecimento humano. Como exemplo temos Platão, Aristóteles, Nietzsche, Isaac Newton, Maomé e o próprio Jesus Cristo. Para eles, suas idéias eram verdades absolutas e eles mudaram o mundo.
Portanto, não se deixem levar pelo modismo de serem maleáveis e bonzinhos. Sejam sim coerente com suas idéias e doa a quem doer sejam afirmativos, pois somente assim irão gerar as discussões e debates necessários para criar algo novo e evoluir o mundo a sua volta. Acreditem, qualquer um de nós pode mudar o mundo, todos temos este poder e esta força.
Não tenho nenhuma verdade absoluta, pois não acredito nisto, mas escrevo e debato minhas idéias como se as tivesse, assim como fizeram todos os grandes homens que nos antecederam. Quero estimular o debate sempre pautado em idéias, não em coisas ou pessoas. Com isto procuro desenvolver meus pensamentos e das pessoas que me cercam para que, quem sabe, um dia, alguém possa pensar, criar e desenvolver algo novo que vá mudar a vida de todos e serem lembrados pela eternidade. Que a diversidade de opiniões prospere.
Sejamos arrogantes e presunçosos, por favor.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Reflexões, Verdades e Realidades
A existência de verdades absolutas não era um tema o qual me despertasse dúvidas, tinha certeza de que verdades seriam sempre relativa. Contudo, deparei-me com a seguinte afirmação de Aldo Vannucchi: "A verdade é sempre absoluta: existe ou não existe. Relativo é o conhecimento que ajuntamos dos fatos, situações e idéias, conhecimento mais ou menos preciso, mais ou menos completo, dependendo de um sem número de circunstâncias."
Minha certeza virou fumaça...
Através do pensamento "criamos" idéias e opiniões, julgamos e concluímos. Tudo que envolve o pensamento, conhecimento, memórias e experiências, tudo aquilo que o pensamento agrupou resulta na realidade do indivíduo, sendo esta um produto de interação e reação. Estes elementos compõem nossa realidade individual e realidade nada tem haver com verdade.
A realidade depende do homem e da sua maneira de enxergar e entender o mundo. A verdade não depende do homem. A verdade existe, nós a conhecemos ou não. Ela é maior que todos os homens e suas realidades. Aquilo que pensamos e acreditamos ser real de fato é, ao menos para nós, mas não é necessariamente verdade.
Eis a problemática mais complexa: como saber o que é verdade?
Filósofos colocam que a verdade é revelada ou intuída a partir de evidências objetivas ou raciocínio claro e correto de um homem mentalmente saudável. Voltamos, assim, ao homem e sua incurável inclinação ao engano, tendo a responsabilidade de julgar a verdade.
Nesta difícil missão, estamos constantemente incorrendo o erro, o engano. Enganamo-nos quando confundimos verdade com utilidade prática e tomamos por verdadeiro aquilo que nos interessa ou melhor convém. Enganamo-nos quando consideramos verdade uma afirmação proferida por uma autoridade (grande filósofo, psicanalista, professor, pais etc), critério válido mas passível de engano como outros. O consenso geral é outro critério que nos leva ao engano. Aquilo que é sustentado por muitos como verdade passa a não mais ser questionável. Compreendendo estas variáveis podemos questionar possíveis verdades nas quais acreditamos e que se enquadram nestes critérios, entretanto, a verdade continua difícil de ser definida.
Nietzsche coloca que nenhuma expressão da língua contém verdade, pois a língua reporta-se a termos criados pelo homem através de interpretações arbitrárias. Se definimos que a pedra é dura, este é o resultado da percepção humana, diferenciada da percepção de outras espécies e não mais correta nem mais íntima da verdade. Do mesmo modo, ao criarmos o conceito de mamífero e, após avaliação de um camelo, concluimos tratar-se de um mamífero, surge neste ponto a repetição de uma verdade criada pelo homem, dependente dele e que, afinal, nada tem haver com verdade. Apenas conceitos.
Diante deste quadro, chego a acreditar que a verdade não nos cabe, apesar de sua busca fazer parte da natureza humana. Vamos, então, discutir idéias e opiniões, observar e tentar entender diferentes realidades, criar julgamentos, mas deixemos a verdade para o universo, pois onde quer que ela esteja, certamente não está nos homens. Ninguém é mesmo dono da verdade.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O Casamento Real – Fantasia coletiva
Estamos assistindo o ultimo suspiro desta celebração milenar, será o ultimo casamento importante da história humana. Casamento não faz e não fará mais parte do cotidiano humano, isto é positivo? É negativo? Vamos por partes.
Quando estudamos a história da união humana entre um homem e uma mulher, o casamento, percebemos que suas bases não têm mais sustentação. Suas causas não permaneceram durante os séculos e está afetando há décadas esta união.
Porque as pessoas se uniam em família? Primeiramente porque a mulher não era capaz de cuidar sozinha de sua cria por 10 anos seguidos (tempo médio de proteção para a prole humana), então buscava no convívio social a segurança e suporte necessário para sua sobrevivência. Temos vários exemplos de tribos indígenas que não tinham parceiras fixas, ou famílias, estas uniões começaram com a convivência com os povos europeus. Portanto não nascemos com o dever ou compromisso natural para viver em família, para mim isto é bem claro, podemos criar nossos filhos com ajuda de outros membros da sociedade e não somente com a mãe ou o pai deles.
O casamento foi criado para transferências de patrimônio através das crias, seu inicio decorre do começo da divisão humana em sociedade e do estabelecimento da propriedade privada. Com isto bens que eram públicos passaram a ser privados ou individuais, portanto precisavam ser preservados e consequentemente herdados. A função básica, do casamento, neste início, era gerar herdeiros e uniões onde seriam preservados os patrimônios familiares, percebemos isto ainda hoje em várias sociedades orientais. A mulher era uma mera mercadoria, ela apenas servia de troca ou de contrapartida para que as heranças fossem transferidas para a próxima geração.
Não existiam sentimentos envolvidos no casamento, ninguém, ou quase ninguém, casava-se por amor, por carinho, por paixão ou por qualquer outro sentimento. É difícil pensarmos assim hoje, mas as sociedades não valorizavam isto. Já falei antes aqui no blog, o sentimento de amor entre um homem e uma mulher começou com o romantismo europeu, não temos literatura de “Amor” antes deste período na história humana. Pessoas se uniam para procriar e para transferir e manter seus pertences.
Casamento era uma imposição social, quem não era casado não participava de festas, comemorações e baquetes, o casamento era uma instituição básica da sociedade e por isto quem não era casado não participa dela.
Um ser sem obrigações e livre era perigoso demais para a ordem vigente na época, um ser sem família podia fazer qualquer coisa, uma revolta, questionar leis, impor vontades, criar uma revolução, duvidar de Deus, ele simplesmente não tinha com o quer se preocupar, por isto até hoje são os jovens que iniciam as revoltas, eles não tem família para se preocupar, são livres para arriscar suas vidas e não têm nada a perder. Que perigo para a classe dominante. Por isto a religião estimulou e estimula à família, um ser familiar é um ser mais fácil de domar, mais fácil de convencimento, mais propenso a aceitar a ordem vigente das coisas, pois sua maior prioridade é a sobrevivência da prole. Ele não podia se revoltar contra nada.
A religião se utilizou desta ferramenta de opressão das vontades individuais em nome da família por séculos e ainda usa hoje, incrível como não percebemos isto. Quem disse que a família é importante: Deus? A sociedade? Seus amigos? Sua família? Pode até ser, mas não foi você com certeza, não foi por vontade própria que escolhemos este caminho, foi por imposição social, poderíamos ter filhos sem uniões conjugais, poderíamos fazer quase tudo em nossas vidas sem casamento, como sempre fizemos antes na história humana. Filhos não são consequências de casamentos bem sucedidos, isto também foi inserido em nós pela sociedade e pela religião. Também nossa velhice, muitos colocam no casamento aquela sensação de não envelhecer sozinhos, mas temos nossos amigos, temos toda a sociedade a nossa volta com todos seus recursos, sejam gratuitos ou não. No Japão as pessoas são respeitadas e convivem bem com sua comunidade até a morte, são importantes e tem funções até o fim.
Alguém poderia dizer que a razão mudou, agora casa-se por amor, neste caso temos um problema, amor é algo com várias definições e muito volátil. Se realmente os casamentos, de agora em diante, forem baseados no amor, então serão breves e com bastantes turbulências. Poucos serão capazes de mantê-lo por muito tempo. Amor não gera compromisso, gera conveniência, podemos amar vários parceiros numa vida, e portanto o casamento “para sempre” será cada vez mais raro.
Não quero acabar com o casamento, ele já acabou, as bases para sua sobrevivência vem sendo derrubadas há séculos e afirmo que atingiu seu ápice neste ponto, no casamento real inglês. Começaremos a ver uma diminuição destas uniões e consequentemente o fim delas no futuro. Não precisamos mais de uma família para transferir heranças, as mulheres já trabalham e tem condições de viverem sem os homens, alias não precisam deles nem mais para procriar. O dinheiro traz segurança nas sociedades moderna, ou seja, mulheres não precisam mais de homens para cuidar da prole, casamento não é mais uma imposição social, ele é agora apenas fantasia no imaginário popular, como o teatro, alias todo este casamento inglês não parece um teatro, tudo tão ensaiado e lindo, palco, atores, segurança, roupas, pacote completo.
Viva a fantasia teatral do casamento, somente assim mesmo para lembrarmos daquele tempo remoto e perceber que não precisamos mais dele. Viva os relacionamentos sinceros, cheios de paixão e que não vivem num mundo fantasioso, o mundo real é bem mais complicado. Sem amarras, os relacionamentos precisarão se reinventar a cada momento, desafios a cada dia e um parceiro para reconquistar a cada instante.
Bem vindo ao mundo real
Quando estudamos a história da união humana entre um homem e uma mulher, o casamento, percebemos que suas bases não têm mais sustentação. Suas causas não permaneceram durante os séculos e está afetando há décadas esta união.
Porque as pessoas se uniam em família? Primeiramente porque a mulher não era capaz de cuidar sozinha de sua cria por 10 anos seguidos (tempo médio de proteção para a prole humana), então buscava no convívio social a segurança e suporte necessário para sua sobrevivência. Temos vários exemplos de tribos indígenas que não tinham parceiras fixas, ou famílias, estas uniões começaram com a convivência com os povos europeus. Portanto não nascemos com o dever ou compromisso natural para viver em família, para mim isto é bem claro, podemos criar nossos filhos com ajuda de outros membros da sociedade e não somente com a mãe ou o pai deles.
O casamento foi criado para transferências de patrimônio através das crias, seu inicio decorre do começo da divisão humana em sociedade e do estabelecimento da propriedade privada. Com isto bens que eram públicos passaram a ser privados ou individuais, portanto precisavam ser preservados e consequentemente herdados. A função básica, do casamento, neste início, era gerar herdeiros e uniões onde seriam preservados os patrimônios familiares, percebemos isto ainda hoje em várias sociedades orientais. A mulher era uma mera mercadoria, ela apenas servia de troca ou de contrapartida para que as heranças fossem transferidas para a próxima geração.
Não existiam sentimentos envolvidos no casamento, ninguém, ou quase ninguém, casava-se por amor, por carinho, por paixão ou por qualquer outro sentimento. É difícil pensarmos assim hoje, mas as sociedades não valorizavam isto. Já falei antes aqui no blog, o sentimento de amor entre um homem e uma mulher começou com o romantismo europeu, não temos literatura de “Amor” antes deste período na história humana. Pessoas se uniam para procriar e para transferir e manter seus pertences.
Casamento era uma imposição social, quem não era casado não participava de festas, comemorações e baquetes, o casamento era uma instituição básica da sociedade e por isto quem não era casado não participa dela.
Um ser sem obrigações e livre era perigoso demais para a ordem vigente na época, um ser sem família podia fazer qualquer coisa, uma revolta, questionar leis, impor vontades, criar uma revolução, duvidar de Deus, ele simplesmente não tinha com o quer se preocupar, por isto até hoje são os jovens que iniciam as revoltas, eles não tem família para se preocupar, são livres para arriscar suas vidas e não têm nada a perder. Que perigo para a classe dominante. Por isto a religião estimulou e estimula à família, um ser familiar é um ser mais fácil de domar, mais fácil de convencimento, mais propenso a aceitar a ordem vigente das coisas, pois sua maior prioridade é a sobrevivência da prole. Ele não podia se revoltar contra nada.
A religião se utilizou desta ferramenta de opressão das vontades individuais em nome da família por séculos e ainda usa hoje, incrível como não percebemos isto. Quem disse que a família é importante: Deus? A sociedade? Seus amigos? Sua família? Pode até ser, mas não foi você com certeza, não foi por vontade própria que escolhemos este caminho, foi por imposição social, poderíamos ter filhos sem uniões conjugais, poderíamos fazer quase tudo em nossas vidas sem casamento, como sempre fizemos antes na história humana. Filhos não são consequências de casamentos bem sucedidos, isto também foi inserido em nós pela sociedade e pela religião. Também nossa velhice, muitos colocam no casamento aquela sensação de não envelhecer sozinhos, mas temos nossos amigos, temos toda a sociedade a nossa volta com todos seus recursos, sejam gratuitos ou não. No Japão as pessoas são respeitadas e convivem bem com sua comunidade até a morte, são importantes e tem funções até o fim.
Alguém poderia dizer que a razão mudou, agora casa-se por amor, neste caso temos um problema, amor é algo com várias definições e muito volátil. Se realmente os casamentos, de agora em diante, forem baseados no amor, então serão breves e com bastantes turbulências. Poucos serão capazes de mantê-lo por muito tempo. Amor não gera compromisso, gera conveniência, podemos amar vários parceiros numa vida, e portanto o casamento “para sempre” será cada vez mais raro.
Não quero acabar com o casamento, ele já acabou, as bases para sua sobrevivência vem sendo derrubadas há séculos e afirmo que atingiu seu ápice neste ponto, no casamento real inglês. Começaremos a ver uma diminuição destas uniões e consequentemente o fim delas no futuro. Não precisamos mais de uma família para transferir heranças, as mulheres já trabalham e tem condições de viverem sem os homens, alias não precisam deles nem mais para procriar. O dinheiro traz segurança nas sociedades moderna, ou seja, mulheres não precisam mais de homens para cuidar da prole, casamento não é mais uma imposição social, ele é agora apenas fantasia no imaginário popular, como o teatro, alias todo este casamento inglês não parece um teatro, tudo tão ensaiado e lindo, palco, atores, segurança, roupas, pacote completo.
Viva a fantasia teatral do casamento, somente assim mesmo para lembrarmos daquele tempo remoto e perceber que não precisamos mais dele. Viva os relacionamentos sinceros, cheios de paixão e que não vivem num mundo fantasioso, o mundo real é bem mais complicado. Sem amarras, os relacionamentos precisarão se reinventar a cada momento, desafios a cada dia e um parceiro para reconquistar a cada instante.
Bem vindo ao mundo real
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Homem: bom ou mal?
Como o texto anterior de Marcela me fez pensar muito. Percebi que meu comentário ficaria grande demais, então resolvi escrever outro artigo.
O que é bom? O que é mal? Estes conceitos foram estabelecidos em nossa sociedade no início do cristianismo. Não existia o conceito de bom ou mal antes de cristo, ou não existia um padrão, o homem fazia o que deveria ser feito dependendo da ocasião, portanto o bem ou o mal não existem, são criações da sociedade, imposto principalmente pela religião para controlar o aumento de população nas cidades e nos conglomerados urbanos. Assim estabelecemos a moralidade. No último livro lido aqui na Liga, Cachorros de Palha, o autor nos mostrou bem isto, deem uma olhada: http://ligadavirtude.blogspot.com/2010/09/cachorros-de-palha-3-capitulo-os-vicios_29.html
Nietzsche, também, relatou brilhantemente este fato em Zaratustra, também bastante comentado em textos passados aqui da Liga, então esqueça estes padrões morais.
Tirando isto, nos sobra uma constatação: que o homem é capaz de qualquer coisa, assim como qualquer outro animal, e não tem problema nenhum nisto, todos os seres vivos são capazes de qualquer coisa para sobreviver. É uma lei natural, portanto como pode estar errada?
Volto a tocar neste ponto, somos produto do meio e o meio determina nosso comportamento. Já matamos e continuamos a matar crianças, na China (quando nascem mulheres), na Costa do Marfim e Ruanda (guerras étnicas) ou em qualquer outro lugar. O homem mata sim e quem disse que isto é mal? O que quero dizer é que não existe padrão para certo ou errado, matar para sobreviver é errado? Tudo depende do referencial e este julgamento é temporal e transitório, muda-se de tempos em tempos.
Quanto ao episódio do Rio de Janeiro, não venham inventar mentiras ou calúnias contra o rapaz, é obvio que seus motivos foram absurdos, o ponto não é este. Ele fez o que achou certo em seu referencial de vida, não me parece que tinha nenhum problema mental. Ficamos procurando problemas mentais nas pessoas que fazem as coisas diferentes para não enxergar uma verdade: todos nós poderíamos ter feito aquilo dependendo da ocasião ou do referencial cultural inserido.
A sociedade estabelece alguns referenciais e devemos ser punidos quando caminhamos contra, assim ordena-se uma sociedade através das leis. A vontade individual não pode ir contra a social quando interfere na liberdade de outro membro desta. Emmanuel Kant nos mostrou bem isto.
Não podemos ser ordenados por moral, brigo sempre contra este conceito, devemos ser cobrados pelas leis estabelecidades em cada sociedade, logo um ser totalmente amoral (não sei bem se é possível isto) pode ser um cidadão brilhante, ele deve ser cobrado pelo seu deveres e não por sua religião ou qualquer outro conceito moral.
Portanto, vamos esquecer religião, moral, problemas mentais, diabo, Deus e pensar em como nossa sociedade tem nos tratado, como nosso comportamento é determinado por ela, ela deve procurar suas respostas dentro dela mesma. Não se excluam colegas cidadãos.
O que é bom? O que é mal? Estes conceitos foram estabelecidos em nossa sociedade no início do cristianismo. Não existia o conceito de bom ou mal antes de cristo, ou não existia um padrão, o homem fazia o que deveria ser feito dependendo da ocasião, portanto o bem ou o mal não existem, são criações da sociedade, imposto principalmente pela religião para controlar o aumento de população nas cidades e nos conglomerados urbanos. Assim estabelecemos a moralidade. No último livro lido aqui na Liga, Cachorros de Palha, o autor nos mostrou bem isto, deem uma olhada: http://ligadavirtude.blogspot.com/2010/09/cachorros-de-palha-3-capitulo-os-vicios_29.html
Nietzsche, também, relatou brilhantemente este fato em Zaratustra, também bastante comentado em textos passados aqui da Liga, então esqueça estes padrões morais.
Tirando isto, nos sobra uma constatação: que o homem é capaz de qualquer coisa, assim como qualquer outro animal, e não tem problema nenhum nisto, todos os seres vivos são capazes de qualquer coisa para sobreviver. É uma lei natural, portanto como pode estar errada?
Volto a tocar neste ponto, somos produto do meio e o meio determina nosso comportamento. Já matamos e continuamos a matar crianças, na China (quando nascem mulheres), na Costa do Marfim e Ruanda (guerras étnicas) ou em qualquer outro lugar. O homem mata sim e quem disse que isto é mal? O que quero dizer é que não existe padrão para certo ou errado, matar para sobreviver é errado? Tudo depende do referencial e este julgamento é temporal e transitório, muda-se de tempos em tempos.
Quanto ao episódio do Rio de Janeiro, não venham inventar mentiras ou calúnias contra o rapaz, é obvio que seus motivos foram absurdos, o ponto não é este. Ele fez o que achou certo em seu referencial de vida, não me parece que tinha nenhum problema mental. Ficamos procurando problemas mentais nas pessoas que fazem as coisas diferentes para não enxergar uma verdade: todos nós poderíamos ter feito aquilo dependendo da ocasião ou do referencial cultural inserido.
A sociedade estabelece alguns referenciais e devemos ser punidos quando caminhamos contra, assim ordena-se uma sociedade através das leis. A vontade individual não pode ir contra a social quando interfere na liberdade de outro membro desta. Emmanuel Kant nos mostrou bem isto.
Não podemos ser ordenados por moral, brigo sempre contra este conceito, devemos ser cobrados pelas leis estabelecidades em cada sociedade, logo um ser totalmente amoral (não sei bem se é possível isto) pode ser um cidadão brilhante, ele deve ser cobrado pelo seu deveres e não por sua religião ou qualquer outro conceito moral.
Portanto, vamos esquecer religião, moral, problemas mentais, diabo, Deus e pensar em como nossa sociedade tem nos tratado, como nosso comportamento é determinado por ela, ela deve procurar suas respostas dentro dela mesma. Não se excluam colegas cidadãos.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
A Sombra e A Maldade
Quando já certa de que nenhum ato cometido por seres humanos poderia chocar-me, sou surpreendida por imagens perturbadoras de crueldade. Não me refiro ao, tão explorado pela mídia, massacre de Realengo, mas a tantas outras cenas de violência que assistimos quase diariamente nos telejornais. Cenas estas que nos fazem pensar como o homem é mau. Será essa maldade natural ao ser humano? Se olharmos a história da humanidade, escrita sobre sangue e cadáveres, teremos certeza que sim. Por outro lado, sabemos de histórias sobre pessoas capazes de sacrifícios para ajudar outras em situações críticas (a exemplo dos brasileiros que viajaram horas de carro para levar água, comida e auxílio aos japoneses mais atingidos pela tragédia recente). Então o ser humano pode ser bom.
No caso do assassino de Realengo, há o atenuante do transtorno mental, o que não ocorre com os policiais que torturaram e friamente atiraram à queima roupa em um adolescente de 14 anos indefeso. Atiraram por 4 vezes no tórax do menino que teimou em não cair e insistiu em continuar vivo. Então o ser humano pode ser mau? Sim, infinitamente cruel. E a insanidade muitas vezes não justifica a maldade. Somos seres muito complexos, repletos de dualismos. Possuímos bondade e maldade naturais em nossa personalidade, entre outras características aparentes ou não. Desde pequenos somos “moldados” para reagirmos da maneira esperada e para assumirmos personalidades que atendam as expectativas sociais. Deste modo, ocultamos, de maneira inconsciente, sentimentos que consideramos inapropriados e, assim, é formada a chamada sombra. A sombra é, de maneira geral, um segredo que guardamos de nós mesmos e do mundo, aspectos inconscientes de nossas vidas e personalidades, mas que em algum momento manifestam-se. Momentos de descontrole nos quais falamos e fazemos coisas, nas quais não nos reconhecemos, geralmente, são manifestações da sombra.
A maldade existe em todos nós, só que suprimimos suas manifestações de maneira consciente ou inconsciente, por medo das consequências do ato ou pelo desejo de sermos virtuosos. Contudo, algumas pessoas, por razões diversas internas e/ou externas, deixam-se tomar pelo prazer da maldade e ainda encontram justificativas para seus atos. Guerras, massacres, roubos, homicídios, entre outros, são sempre justificáveis por aqueles que os cometem.
Todos, em algum momento da vida, descobrem que não são tão bons quanto pensavam (ou tão maus). Negar a existência da maldade em nós não nos ajuda a lidar com ela, precisamos descobrir e aceitar que somos seres dotados de maldade e bondade, e que podemos, em sã consciência, escolher qual predominará em nossas vidas. Não podemos nos desfazer de nossas sombras mas, ao tomarmos conhecimento dela, podemos escolher o que manter sob seu véu.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
O PAI DO HOMEM
Todos sabem que não gosto de publicar textos de não membros do blog, mas achei bastante interessante este e deixa para discussão.
Depois de ler o que pude, ouvir o rádio e ver a TV, peguei meu carro, era dia de folga, jornalista folga de quinta-feira, fui até a oficina, vi os dois Weber que colocaram no Meianov, ligamos o carro, o motor ficou com um ronco legal, depois descemos lá onde eles fazem funilaria e pintura, a peruinha já está toda raspada, sem motor, descobrimos a cor original. Descobrir a cor original de um carro de 55 anos é algo emocionante para quem gosta deles, dos carros. Foi arrancar o forro do teto e lá estava o azul, Azul Firenze, segundo o amigo das cores, intocada a pintura, uma coisa bacana, ajuda muito na restauração, mesmo que o Azul Firenze não seja lindo, eu tinha a ideia de fazer creme e vinho, ou branco Lotus e azul-marinho. Mas ela era azul, ora bolas, e se nasceu assim, que continue assim. Acho que será azul, e também encontrei o número do chassi, é umas das únicas 173 fabricadas em 1956, creio que o mais correto seja mesmo fazê-la como era quando saiu da fábrica e tal.
Depois fui ao centro da cidade, com um trânsito curiosamente bom, atrás de um emblema e de umas calotas, o trânsito curiosamente bom.
As irrelevâncias nos movem. Tudo que fiz hoje foi irrelevante, ver uns carburadores, descobrir uma cor, procurar uns emblemas e umas calotas. Foi tudo que consegui fazer. Mergulhar na irrelevância e na indiferença.
O rapaz que entrou na escola atirando não se encaixa em nenhum perfil que permita esbravejar. Até onde se sabe, não era traficante, ladrão, fugitivo. Não era militante de nenhum partido, não lutava jiu-jítsu, não era um skinhead, não pertencia a nenhuma torcida organizada. Até onde se sabe, não usava drogas, não bebia, não era pedófilo, não era evangélico, não era muçulmano, não era judeu, não era cristão, não era xiita, não era sunita, não tirava racha na rua, não tinha suásticas tatuadas na pele, não pertencia a nenhuma seita, não era gótico, não era punk, não ouvia Bossa Nova, não usava piercing, não era rico, não era pobre, não era gordo, não era magro, não estava em liberdade condicional, não tinha passagem pela polícia, não vivia no Complexo do Alemão, não era do Jardim Ângela, não morava numa cobertura da Vieira Souto, não era nada. Segundo sua irmã, ele era estranho.
Estranho.
Seu nome era Wellington de Oliveira, um nome bem brasileiro, há milhares de Wellingtons, Washingtons, Andersons. O Brasil tem um estranho fascínio por W e por nomes que terminam em “on”. Wanderson, Jackson, Jobson, Richarlyson. Ele era um Wellington de Oliveira.
Quando não se pode culpar traficantes, fugitivos, ladrões, militantes, lutadores, skinheads, nazistas, torcedores organizados, drogados, cristãos, bêbados, pedófilos, muçulmanos, góticos, magros, evangélicos, rachadores, punks, gordos, xiitas, ricos, pobres, nem o prefeito, nem o governador, nem a presidenta, nem o ministro, nem o secretário, nem a polícia, nem o senador, nem o deputado, nem a diretora da escola, nem o médico, nem o professor, culpamos quem?
Culpamos quem?
Quando não podemos culpar ninguém, chegou a hora de assumir o que somos. Uma espécie fracassada, violenta, agressiva, condenada à extinção. Uma espécie habituada à barbárie, e que não se imagine que “nos transformamos em”. Sempre fomos assim, indecentes, obscenos, há séculos nos matando em guerras, inquisições, pogroms, chacinas, massacres, genocídios, atropelamentos, assassinatos, latrocínios, torturas, execuções. E pragas, pestes, terremotos, incêndios, tsunamis, deslizamentos, enchentes. Um moto-contínuo de mortes, mortes, mortes, e vinganças, vinganças, vinganças, ódio.
A criança é o pai do homem. Guardo um pequeno cartão com essa frase no meu carro, há anos está lá, era o convite da formatura do meu mais velho no pré-primário. Não o guardo como mantra ou guia espiritual. Está lá porque está lá, porque o carro que nos levou à formatura do pré ainda está comigo, e lá ficaram o cartão e a frase. De vez em quando uso o cartão, de papel de alta gramatura, cartolina, talvez, porque quando o vidro sobe levanta uma rebarba da forração da porta, e o cartão serve para colocar a forração no lugar. É um uso banal, irrelevante, coloco o cartão entre o vidro e a forração da porta, e tudo fica no lugar, tudo volta ao seu lugar. Um uso banal e irrelevante, mas que me faz ler essa frase todos os dias, ou, pelo menos, quando preciso colocar a forração da porta no lugar.
A criança é o pai do homem.
Wellington ajudou a nos matar mais um pouco hoje. É um erro, Wellington, matar-nos aos poucos. Da próxima vez, Wellington, mate-nos a nós, direto, sem intermediários.
Mate o homem, Wellington, não seus pais.
http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2011/04/07/o-pai-do-homem/
Flávio Gomes
Depois de ler o que pude, ouvir o rádio e ver a TV, peguei meu carro, era dia de folga, jornalista folga de quinta-feira, fui até a oficina, vi os dois Weber que colocaram no Meianov, ligamos o carro, o motor ficou com um ronco legal, depois descemos lá onde eles fazem funilaria e pintura, a peruinha já está toda raspada, sem motor, descobrimos a cor original. Descobrir a cor original de um carro de 55 anos é algo emocionante para quem gosta deles, dos carros. Foi arrancar o forro do teto e lá estava o azul, Azul Firenze, segundo o amigo das cores, intocada a pintura, uma coisa bacana, ajuda muito na restauração, mesmo que o Azul Firenze não seja lindo, eu tinha a ideia de fazer creme e vinho, ou branco Lotus e azul-marinho. Mas ela era azul, ora bolas, e se nasceu assim, que continue assim. Acho que será azul, e também encontrei o número do chassi, é umas das únicas 173 fabricadas em 1956, creio que o mais correto seja mesmo fazê-la como era quando saiu da fábrica e tal.
Depois fui ao centro da cidade, com um trânsito curiosamente bom, atrás de um emblema e de umas calotas, o trânsito curiosamente bom.
As irrelevâncias nos movem. Tudo que fiz hoje foi irrelevante, ver uns carburadores, descobrir uma cor, procurar uns emblemas e umas calotas. Foi tudo que consegui fazer. Mergulhar na irrelevância e na indiferença.
O rapaz que entrou na escola atirando não se encaixa em nenhum perfil que permita esbravejar. Até onde se sabe, não era traficante, ladrão, fugitivo. Não era militante de nenhum partido, não lutava jiu-jítsu, não era um skinhead, não pertencia a nenhuma torcida organizada. Até onde se sabe, não usava drogas, não bebia, não era pedófilo, não era evangélico, não era muçulmano, não era judeu, não era cristão, não era xiita, não era sunita, não tirava racha na rua, não tinha suásticas tatuadas na pele, não pertencia a nenhuma seita, não era gótico, não era punk, não ouvia Bossa Nova, não usava piercing, não era rico, não era pobre, não era gordo, não era magro, não estava em liberdade condicional, não tinha passagem pela polícia, não vivia no Complexo do Alemão, não era do Jardim Ângela, não morava numa cobertura da Vieira Souto, não era nada. Segundo sua irmã, ele era estranho.
Estranho.
Seu nome era Wellington de Oliveira, um nome bem brasileiro, há milhares de Wellingtons, Washingtons, Andersons. O Brasil tem um estranho fascínio por W e por nomes que terminam em “on”. Wanderson, Jackson, Jobson, Richarlyson. Ele era um Wellington de Oliveira.
Quando não se pode culpar traficantes, fugitivos, ladrões, militantes, lutadores, skinheads, nazistas, torcedores organizados, drogados, cristãos, bêbados, pedófilos, muçulmanos, góticos, magros, evangélicos, rachadores, punks, gordos, xiitas, ricos, pobres, nem o prefeito, nem o governador, nem a presidenta, nem o ministro, nem o secretário, nem a polícia, nem o senador, nem o deputado, nem a diretora da escola, nem o médico, nem o professor, culpamos quem?
Culpamos quem?
Quando não podemos culpar ninguém, chegou a hora de assumir o que somos. Uma espécie fracassada, violenta, agressiva, condenada à extinção. Uma espécie habituada à barbárie, e que não se imagine que “nos transformamos em”. Sempre fomos assim, indecentes, obscenos, há séculos nos matando em guerras, inquisições, pogroms, chacinas, massacres, genocídios, atropelamentos, assassinatos, latrocínios, torturas, execuções. E pragas, pestes, terremotos, incêndios, tsunamis, deslizamentos, enchentes. Um moto-contínuo de mortes, mortes, mortes, e vinganças, vinganças, vinganças, ódio.
A criança é o pai do homem. Guardo um pequeno cartão com essa frase no meu carro, há anos está lá, era o convite da formatura do meu mais velho no pré-primário. Não o guardo como mantra ou guia espiritual. Está lá porque está lá, porque o carro que nos levou à formatura do pré ainda está comigo, e lá ficaram o cartão e a frase. De vez em quando uso o cartão, de papel de alta gramatura, cartolina, talvez, porque quando o vidro sobe levanta uma rebarba da forração da porta, e o cartão serve para colocar a forração no lugar. É um uso banal, irrelevante, coloco o cartão entre o vidro e a forração da porta, e tudo fica no lugar, tudo volta ao seu lugar. Um uso banal e irrelevante, mas que me faz ler essa frase todos os dias, ou, pelo menos, quando preciso colocar a forração da porta no lugar.
A criança é o pai do homem.
Wellington ajudou a nos matar mais um pouco hoje. É um erro, Wellington, matar-nos aos poucos. Da próxima vez, Wellington, mate-nos a nós, direto, sem intermediários.
Mate o homem, Wellington, não seus pais.
http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2011/04/07/o-pai-do-homem/
Flávio Gomes
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Existe mesmo empresa privada no Brasil?
A pergunta poderia ser outra: existe alguma empresa verdadeiramente independente do estado no Brasil.
Parece que para uma empresa crescer, se desenvolver e criar notoriedade em algum momento ela precisará das mãos do estado brasileiro e assim entrar na cúpula do poder. Em algum instante precisará de um financiamento do BNDES, ou um terreno novo, ou uma liberação especial ou autorização para funcionar, tudo perfeitamente legal, não é? Conhecemos bem nosso país.
A burocracia estatal serve seus fins, o de engessar a todos e demonstrar que ninguém é verdadeiramente livre no país, quem manda são os políticos e mais ninguém. E a eles devemos favores, muitos deles.
Agora acordamos com uma notícia totalmente absurda para um país que se acha democrático e de livre iniciativa: Guido Mantega consegue, finalmente, tirar Roger Agnelli da presidência da Vale. Ora bolas como um ministro de estado pode ter tanto poder e influenciar o que acontece nos bastidores de uma empresa privada. Uma pergunta surge logo a minha mente, a Vale é mesmo privada?
Detectamos, neste caso, um erro tremendo nas privatizações do governo FHC, permitiram que fundos de pensão de empresa estatais participassem e com isto, de certa forma, estas empresas continuam indiretamente ligadas ao estado.
Como vamos criar um ambiente de competitividade desta forma? Dilma deu um grande passo para traz. Vinha admirando suas primeiras atitudes e coragem, coisa que faltou no ultimo governo, mas bastou encontrar novamente o Deus “Lula” que tudo desandou.
E os empresários? Devido à falta de independência do estado, ficam calados, assistindo a tudo de longe.
Não consigo ver luz no fim deste tunel e olha que venho tentando a bastante tempo.
Parece que para uma empresa crescer, se desenvolver e criar notoriedade em algum momento ela precisará das mãos do estado brasileiro e assim entrar na cúpula do poder. Em algum instante precisará de um financiamento do BNDES, ou um terreno novo, ou uma liberação especial ou autorização para funcionar, tudo perfeitamente legal, não é? Conhecemos bem nosso país.
A burocracia estatal serve seus fins, o de engessar a todos e demonstrar que ninguém é verdadeiramente livre no país, quem manda são os políticos e mais ninguém. E a eles devemos favores, muitos deles.
Agora acordamos com uma notícia totalmente absurda para um país que se acha democrático e de livre iniciativa: Guido Mantega consegue, finalmente, tirar Roger Agnelli da presidência da Vale. Ora bolas como um ministro de estado pode ter tanto poder e influenciar o que acontece nos bastidores de uma empresa privada. Uma pergunta surge logo a minha mente, a Vale é mesmo privada?
Detectamos, neste caso, um erro tremendo nas privatizações do governo FHC, permitiram que fundos de pensão de empresa estatais participassem e com isto, de certa forma, estas empresas continuam indiretamente ligadas ao estado.
Como vamos criar um ambiente de competitividade desta forma? Dilma deu um grande passo para traz. Vinha admirando suas primeiras atitudes e coragem, coisa que faltou no ultimo governo, mas bastou encontrar novamente o Deus “Lula” que tudo desandou.
E os empresários? Devido à falta de independência do estado, ficam calados, assistindo a tudo de longe.
Não consigo ver luz no fim deste tunel e olha que venho tentando a bastante tempo.
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