sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A inveja do sucesso alheio

O brasileiro não se cansa do fracasso, se apega a ele como um carrapato. Por estas bandas comemoram-se a falha, o insucesso. A felicidade generalizada com o malograr-se alheio não é algo novo. Herdamos e somos assim desde sempre.

A exaltação exacerbada ao insucesso não é algo próprio do brasileiro, é algo inerente a todo ser humano quando começou a enxergar o outro como um concorrente desde o início da convivência social das primeiras civilizações. A comparação ao outro, a inveja, não é algo ruim em si, é algo que forjou muitos a serem melhores e foi uma das responsáveis pelo crescimento humano na natureza. Esta comparação da convivência social civilizatória nos tornou mais fortes e moldou o domínio humano na terra.

No entanto, a inveja pode se tornar um problema quando não é algo que motiva o outro e sim, o incita a prejudicar, caluniar e destruir o próximo. Querê-lo cair diante dos seus olhos amargos de felicidade na queda do outrem.

Nietzsche demonstrou em “O Anticristo” que nem toda religião pode ser maléfica, apesar da sua fama na “Morte de Deus”. Nesta obra demonstrou que existem algumas religiões chamada de “positivas” e que podem elevar o humano e fazê-lo desenvolver suas potencialidades. Entretanto outras podem ser muito prejudiciais neste processo e considero a INVEJA como algo muito inerente no modo que cada cultura enxerga o sucesso em sociedade.

Percebe-se claramente que as sociedades Anglo-saxãs têm um apetite ao sucesso, valoriza o sucesso individual, não que isto seja algo bom numa primeira análise, já que o sucesso individual pode não ser o sucesso de sua sociedade. Mas encontrou no regime econômico atual, o capitalismo, algo sem igual neste processo, pois o sucesso individual neste regime impulsiona a sociedade, algo nunca visto antes da história humana. Você pode não gostar deste egoísmo capitalista, mas é impossível negar seu sucesso onde foi posto a prova. A valorização ao sucesso do indivíduo nestas sociedades impulsionou estas economias que se destacaram no cenário global.

Em detrimento deste sucesso coletivo capitalista, percebe-se o outro lado que não consegue sair deste imbróglio da inveja alheia. Isto é visivelmente cultural, não é algo biológico ou geográfico. Algumas sociedades não encaram bem a conquista individual e a reprimem veementemente, chegando, desculpem, a serem patéticas do ponto de vista excludente de suas reações.

Observa-se isto nesta região do globo onde, nós, brasileiros, vivemos, a América Latina, e em muito, nos países que nos colonizaram. Voltando aos casos domésticos mais específicos, tivemos nos últimos anos o caso do Eike Batista, da Odebrecht, dos irmãos Batistas (JBS), e agora da Virginia Fonseca. Neste último caso, pior, pois envolve também uma pitada de machismo, ou uma mulher pode prosperar tão rápido e bem mais que muitos homens? Não importa neste momento se o sucesso destes brasileiros foi honesto ou não, o foco aqui é sobre a alegria humana na queda destas pessoas. Isto não acontece nas sociedades Anglo-saxãs.

A felicidade da desgraça do próximo nestas sociedades, como já dissemos, é algo cultural/religioso e difícil de ser mudado. Digo religioso, pois nossa religião católica valoriza muito o insucesso, o miserável, o desaventurado, o desalojado, pois estes serão bem-vindo no céu:

  • Mateus 5:3: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus."
  • Mateus 5:4: "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados."
  • Lucas 6:20 (Bem-aventuranças no Sermão da Planície): "Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus."
  • Tiago 2:5: "...Deus escolheu os pobres deste mundo para serem ricos em fé e herdeiros do reino..." 

 Isto está mais presente na personalidade destas sociedades do que seus cidadãos podem perceber e insisto, isto é muito difícil de mudar, e nos torna menos aptos ao sucesso gerado pela liberdade econômica individual e seus desdobramentos na riqueza coletiva.

Outro ponto é a busca por um salvador, é como se não tivéssemos capacidade individual de prosperar, sempre precisamos de um ídolo, de um rei, de um presidente “Pai”, de alguém que nos forneça o que precisamos, este ciclo vicioso nos cerca, nos acolhe e nos acomoda.

Menos inveja e acomodação, precisamos de mais apetite ao risco, foi assim que saímos de caçadores coletores para os criadores de inteligências artificiais, por favor.