O brasileiro não se cansa do fracasso, se apega a ele como um carrapato. Por estas bandas comemoram-se a falha, o insucesso. A felicidade generalizada com o malograr-se alheio não é algo novo. Herdamos e somos assim desde sempre.
A exaltação exacerbada ao insucesso não é algo próprio do
brasileiro, é algo inerente a todo ser humano quando começou a enxergar o outro
como um concorrente desde o início da convivência social das primeiras civilizações.
A comparação ao outro, a inveja, não é algo ruim em si, é algo que forjou
muitos a serem melhores e foi uma das responsáveis pelo crescimento humano na
natureza. Esta comparação da convivência social civilizatória nos tornou mais
fortes e moldou o domínio humano na terra.
No entanto, a inveja pode se tornar um problema quando não é
algo que motiva o outro e sim, o incita a prejudicar, caluniar e destruir o próximo.
Querê-lo cair diante dos seus olhos amargos de felicidade na queda do outrem.
Nietzsche demonstrou em “O Anticristo” que nem toda religião
pode ser maléfica, apesar da sua fama na “Morte de Deus”. Nesta obra demonstrou
que existem algumas religiões chamada de “positivas” e que podem elevar o
humano e fazê-lo desenvolver suas potencialidades. Entretanto outras podem ser
muito prejudiciais neste processo e considero a INVEJA como algo muito inerente
no modo que cada cultura enxerga o sucesso em sociedade.
Percebe-se claramente que as sociedades Anglo-saxãs têm um
apetite ao sucesso, valoriza o sucesso individual, não que isto seja algo bom
numa primeira análise, já que o sucesso individual pode não ser o sucesso de
sua sociedade. Mas encontrou no regime econômico atual, o capitalismo, algo sem
igual neste processo, pois o sucesso individual neste regime impulsiona a
sociedade, algo nunca visto antes da história humana. Você pode não gostar deste
egoísmo capitalista, mas é impossível negar seu sucesso onde foi posto a prova.
A valorização ao sucesso do indivíduo nestas sociedades impulsionou estas economias
que se destacaram no cenário global.
Em detrimento deste sucesso coletivo capitalista, percebe-se
o outro lado que não consegue sair deste imbróglio da inveja alheia. Isto é visivelmente
cultural, não é algo biológico ou geográfico. Algumas sociedades não encaram
bem a conquista individual e a reprimem veementemente, chegando, desculpem, a serem
patéticas do ponto de vista excludente de suas reações.
Observa-se isto nesta região do globo onde, nós, brasileiros,
vivemos, a América Latina, e em muito, nos países que nos colonizaram. Voltando
aos casos domésticos mais específicos, tivemos nos últimos anos o caso do Eike
Batista, da Odebrecht, dos irmãos Batistas (JBS), e agora da Virginia Fonseca.
Neste último caso, pior, pois envolve também uma pitada de machismo, ou uma
mulher pode prosperar tão rápido e bem mais que muitos homens? Não importa
neste momento se o sucesso destes brasileiros foi honesto ou não, o foco aqui é
sobre a alegria humana na queda destas pessoas. Isto não acontece nas
sociedades Anglo-saxãs.
A felicidade da desgraça do próximo nestas sociedades, como
já dissemos, é algo cultural/religioso e difícil de ser mudado. Digo religioso,
pois nossa religião católica valoriza muito o insucesso, o miserável, o desaventurado, o
desalojado, pois estes serão bem-vindo no céu:
- Mateus 5:3: "Bem-aventurados os pobres
de espírito, porque deles é o reino dos céus."
- Mateus 5:4: "Bem-aventurados os que
choram, porque eles serão consolados."
- Lucas 6:20 (Bem-aventuranças no Sermão da
Planície): "Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o
reino de Deus."
- Tiago 2:5: "...Deus escolheu os pobres
deste mundo para serem ricos em fé e herdeiros do reino..."
Outro ponto é a busca por um salvador, é como se não tivéssemos
capacidade individual de prosperar, sempre precisamos de um ídolo, de um rei,
de um presidente “Pai”, de alguém que nos forneça o que precisamos, este ciclo
vicioso nos cerca, nos acolhe e nos acomoda.
Menos inveja e acomodação, precisamos de mais apetite ao risco, foi assim que saímos de caçadores coletores para os criadores de inteligências artificiais, por favor.