terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Não vou defender corruptos

Não vou defender corruptos, mas existe uma sensação de felicidade geral quando um empresário rico e poderoso é preso.
Não vou defender corruptos, mas a sociedade precisa entender que é muito difícil alguém ficar rico ou ter sucesso empresarial com um estado tão grande, sem depender dele para alguma coisa, nem que seja um alvará ou autorização para alguma coisa.
Não vou defender corruptos, mas não estamos criando atualmente as condições básicas para um país prospero, rico e poderoso.
Não vou defender corruptos, mas a corrupção é gerada pelo excesso de burocracia e de intervenção estatal em tudo que existe a nossa volta.
Não vou defender corruptos, mas quando votamos querendo tanta coisa pública e quando cobramos tantos direitos do estado, não estamos na verdade aumentando seu poder e criando um monstro que acaba nos engolindo, a todos? Que investe e gera empregos? Quem gera riqueza e faz qualquer nação progredir? Estamos criando as bases para termos Bill Gates e Steve Jobs ou para José Dirceu, Cunha e Renan?
Não vou defender corruptos, mas o que nossos jovens cidadãos querem? Oportunidade para se arriscarem, criarem coisas novas, mudarem o mundo ou um concurso público?
Não vou defender corruptos, mas quais são as causas para tanta corrupção? Estamos nos certificando em acabá-las de vez? Estamos criando as condições necessárias para termos um lugar no mundo onde se crie inovação, tenha-se curiosidade, ambição e apetite ao risco?
Não vou defender corruptos, mas esta sensação de satisfação em ver empresários ricos presos não é, no fundo, um pouquinho que seja, de inveja?

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O problema não é a educação

Temos dado um foco errado para os problemas deste país chamado Brasil. Parece que ninguém mais discorda ou tem outra opinião sobre como mudar este país, toda discussão sempre acaba na palavra: EDUCAÇÃO. Entretanto parece que as coisas não são tão claras assim.
Grande partes dos países ditos atualmente como desenvolvidos, tinham péssima educação quando começaram a se desenvolver de fato, ou seja, quando começaram a se transformar socialmente como nação, gerando desenvolvimento social e econômico.
EUA e Europa tinham péssima educação no início do século XX, a maior parte da população nem sequer tinha acesso à educação, era caro educar, nem era a prioridade na época. Na verdade, foi justamente o crescimento econômico que impulsionou a educação, assim como a democracia, o fim da escravidão, direitos das mulheres, ou seja, grande parte das conquistas sociais, inclusive a universalização da educação, veio após o desenvolvimento econômico, portanto não foi sua causa.
Estudar a história é fundamental, muitas coisas que experimentamos hoje já foi testada em algum momento da história humana e é sempre importante relembrarmos seus resultados.
Aquela história que lhe contaram na escola que a colonização na America do Norte foi diferente da exploração que sofremos por aqui, e determinou nosso status atual, não é verdade, mentiram descaradamente, mas isto é assunto para outro artigo.
Somente após haver algum crescimento econômico que a população destes países, chamados desenvolvidos, pelo seu alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) começaram a desenvolver sua educação e com isto, claramente, tiveram seu processo de crescimento acelerado. Porém o ponto não é este, não estou eliminando a importância da educação, apenas vou demonstrar que ela não é o ponto principal do processo.
Voltemos aos primórdios do capitalismo, século XVIII, início do século XIX, mais precisamente, a Adam Smith. Engraçado que o pai do capitalismo nunca mencionou a educação como fundamental para o desenvolvimento econômico, vamos relembrar sua ideia principal:
o   a riqueza das nações resultava da atuação de indivíduos que, movidos inclusive (e não apenas exclusivamente) pelo seu próprio interesse (self-interest), promoviam o crescimento econômico e a inovação tecnológica.
o   Adam Smith ilustrou bem seu pensamento ao afirmar "não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu "auto-interesse".
o   Acreditava que a iniciativa privada deveria agir livremente, com pouca ou nenhuma intervenção governamental. A competição livre entre os diversos fornecedores levaria não só à queda do preço das mercadorias, mas também a constantes inovações tecnológicas, no afã de baratear o custo de produção e vencer os competidores.
o   Ele analisou a divisão do trabalho como um fator evolucionário poderoso a propulsionar a economia. Uma frase de Adam Smith se tornou famosa: "Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta (self-interest), é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade." Como resultado da atuação dessa "mão invisível", o preço das mercadorias deveria descer e os salários deveriam subir.
O que impulsiona o desenvolvimento de uma nação não é, nunca foi e nunca será a Educação. O capitalismo é movido por uma única força: O interesse egoísta, a mão invisível, que cria o bem-estar e desenvolvimento social.
A demanda da educação e a cobrança efetiva pelo seu aprimoramento, só começa, quando sua população percebe que sem ela seu “interesse egoísta” não trará mais riqueza. Portanto existe ai, outro fator fundamental que precisa ser criado.
Tenho me perguntado muito sobre as causas de países se desenvolverem e outros não e apesar da complexidade do assunto, tenho algumas conclusões diferentes de muitos estudiosos.
Bem, já sabemos a principal causa para o desenvolvimento de uma nação: o interesse egoísta de cada indivíduo de querer mais e enriquecer, de buscar o sucesso e assim desenvolver, sem querer, toda a sociedade. Mas porque em alguns países esta cultura é disseminada e em outros não.
Já discorri em alguns textos sobre estas causas e apesar de termos elementos importantes na colonização, na cultura portuguesa (cultura e não forma de colonização), no clima, nos aspectos geográficos, vou relatar agora um aspecto que nunca levei em conta antes e que nunca li a respeito: o aspecto religioso.
A religião é o principal criador de cultura numa sociedade. Reparem que praticamente todas as nações católicas tem dificuldade no seu desenvolvimento econômico (países da América Latina, hispânicos e a Itália) e isto acontece por causa da falta de incentivo destes para com o sucesso individual. Não estamos falamos do cristianismo, e sim, da visão católica deste.
Para o católico vivemos para provar algo ao divino, provar que temos condições de irmos ao seu encontro no céu e esta provação requer sacrifícios. Existem várias passagens no livro sagrado cristão que a Igreja Católica interpreta com um efeito negativo e que na verdade são a chave para o desenvolvimento capitalista. Vou destacar o sucesso e riqueza individual.
o   “ O reino do céu é dos desafortunados” ou “A porta do paraíso será dos carentes e necessitados”
A palavra sucesso e riqueza nunca foi valorizada em sociedades católicas e isto é cultura, dificilmente se muda cultura, não é um processo rápido, leva-se muito tempo para mudar um aspecto cultural e religioso e esta mudança precisa primeiramente ser identificada, quem vai falar abertamente sobre isto?
Os EUA, Inglaterra e Alemanha, tiveram seu processo cultural e religioso influenciado pelo protestantismo que prega o sucesso individual como algo fundamental em sua passagem pela terra e isto faz toda a diferença.
Nada é verdade absoluta nas relações humanas, entretanto considero o aspecto religioso como fundamental na educação assistencialista que vivemos na América Latina, até enxergo a visão católica da vida com muita semelhança ao comunismo. “todos são iguais”, “Deus lhe proverá de tudo com fé”, “ no paraíso não haverá diferenças, todos seremos iguais perante Deus”. São ideias que destroem a força criativa de cada indivíduo na sua busca pelo sucesso e o paraíso se parece muito com os ideias comunistas e assistencialistas.
Portanto o desenvolvimento da educação vem da necessidade individual de querer sucesso, de buscar enriquecer e não o contrário. Antes de melhorar a educação temos que mudar a cultura vigente que é totalmente assistencial. As pessoas só irão buscar o sucesso se este for recompensador. Estimular a riqueza empreendedora impulsionará do toda a sociedade, e isto infelizmente só é possível com menos estado e mais liberdade econômica. Por causa de nossa cultura e religião não é isto que os brasileiros e latinos querem.
AQUILO QUE O POVO QUER, NÃO É AQUILO QUE ELE PRECISA.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

As Aventuras de João



Em uma vez um marido exemplar que morava numa grande cidade, no centro do mundo, seu nome era João, sua vida era trabalhar e cuidar da família, na verdade sua vida era bem atarefada, vivia entretido com sua rotina diária de afazeres no trabalho e com sua família a noite.
João tinha uma rotina tão bem definida que não lhe sobrava tempo para mais nada, muitas vezes pensava nas viagens que queria fazer, nas aventuras inexploradas, nos desejos particulares e sonhos ainda não realizados, mas sua vida não lhe permitia, tinha muitas responsabilidades, e elas ocupavam praticamente todo o seu tempo.
Dentro deste contexto de rotinas intensas, sua vida se tornou muito racional, o cotidiano funcionava sem ele precisar pensar muito, seu inconsciente já fazia suas tarefas, muitas vezes, sem nem ele mesmo ter consciência do que estava fazendo. A rotina impôs a ele uma vida onde suas emoções foram reprimidas e quase esquecidas.
Um dia aconteceu algo que paralisou sua vida e que o abalou, estes momentos são marcos em muitas vidas, em outras são apenas passagens, mas João sentiu o baque, desta vez o abateu profundamente.
Acordou bem cedo, deu beijos nas duas filhas lindas e amorosas, e em sua esposa e partiu para o trabalho. Naquele dia nevava muito, ele morava nos arredores da cidade e diariamente tinha que perfazer um trajeto de aproximadamente 20km até o centro da cidade onde ficava, durante o trajeto seu carro derrapou e ele foi arremessado para fora da estrada abruptamente.
Até hoje ele não sabe exatamente o que aconteceu, mas no segundo seguinte ele estava sentado ao lado de uma velhinha muito abatida que em silencio aguardava algo acontecer em frente a uma porta branca. Ficaram assim durante uns bons 30 minutos, como a senhora não tirava os olhos da porta ele esperou até acontecer algo, após este tempo ele ficou intrigado com tudo que tinha acontecido e perguntou o que era aquilo tudo e o que estavam fazendo ali.
Então a senhora o olhou profundamente e disse:
- sabe eu não sei o que você está fazendo aqui ao meu lado mas me pediram para aguardar um anjo entrar pela aquela porta e me contar o que devo fazer de minha vida lá na terra, tenho muito medo de viver, tenho medo de tudo, vou a igreja diariamente e pedi a Deus em meus sonhos que me mostrasse um caminho ou me trouxesse para junto dele.
João achou aquilo tudo muito estranho, não acreditava em Deus, mas achou intrigante a história da senhora e continuou ouvindo:
- tenho uma vida na terra que não me traz mais alegrias, vivi honestamente toda a minha vida, trabalhei, criei 3 filhos, nunca trai meu marido, nunca o amei mas sempre o respeitei, minha vida foi marcada pela rotina e nunca tive tempo para mim, acho que era feliz. Mas a monotonia me deixou sem esperanças e depois de tanto tempo não queria mais viver, me sentia sozinha ao redor de pessoas que estavam mais interessadas nos seus próprios problemas. Perdi a vontade de viver.
Neste momento João sentiu uma grande semelhança em sua vida e começou a questionar e comparar com seu momento: será que ele amava mesmo sua esposa, ou teria casado por conveniência, ele gostava mesmo de seu trabalho, ou era uma fuga para esquecer seus sonhos (sabe, viver nossos sonhos demandam muita coragem e determinação, isto cansa muito). Na verdade ele não sabia quais eram seus sonhos, ele não tinha tempo para sentir o mundo a sua volta, sem isto jamais se conheceria de verdade. Vivia uma vida padrão para ser aceito, não importando o que ele realmente queria.
Sua vida racional, rotineira e padrão o fazia esquecer de viver, ocupava o tempo com isto e aos poucos fugia de si mesmo, deixava de curtir suas emoções, desejos e sonhos e assim a rotina o tornava mais um robô, autômato, que repete o comportamento geral.
João sentiu neste momento uma angustia muito grande, passou sua vida ouvindo sua razão, inibiu suas emoções como pode, então percebeu algo que o mudaria para sempre, se ele tivesse outra chance, ouviria mais seus sentimentos, pois somente através deles conseguiria desvendar seus sonhos, neste momento ouviu uma voz no além: -sem vivermos nossos sentimentos jamais poderemos nos conhecer, seja feliz ou triste, ame ou tenha raiva, alegre-se ou chore, sinta o mundo João. Esta frase o marcou muito.
Após esta reflexão João foi acordado por um policial a beira da estrada, tinha batido numa arvores e teria ficado inconsciente por 1 hora. E agora João, o que será de sua vida? Teve um sonho louco, não diria divino, mas que o colocou em conflito com a vida que levava. Terá João coragem para viver seus sonhos? Viver intensamente seus sentimentos?
João percebeu outra coisa, sua vida era cinzenta, sua rotina o afastava de si mesmo e a história que tinha escrito até aquele momento não tinha as cores que gostaria de pintar, ele queria, no fundo, lambuzar-se todo com todas as cores que pudesse, queria pintar sua vida com as emoções pois sem elas jamais se conheceria de verdade.
Seja bem-vindo João a um mundo novo, cheio de possibilidades, sem caminhos certos a seguir, mas com páginas em branco para preenchê-las da forma que quiser, coragem para viver suas emoções, elas são a porta para transformar o mundo a nossa volta.
O MUNDO É A REPRESENTAÇÃO DE NOSSAS VONTADES.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Triste do povo que precisa de um salvador

Quando analisa-se os aspectos que tornaram os países latino subdesenvolvidos percebe-se um erro histórico ao afirmar que foi decorrente ao tipo de colonização exploratória que ensinam no ensino médio. Na verdade a causa é outra, mais profunda e enraizada na cultura até os dias atuais.

Os países colonizados pelos ingleses tem nível de desenvolvimento superior nos aspectos econômicos e sociais (IDH - Indice de Desenvolvimento Humano) que os países colonizados pelos portugueses e espanhóis. E as causas remotam justamente destas sociedades nos séculos XV e XVI.

A sociedade portuguesa e espanhola do século XV caracteriza-se, sobretudo, por uma forte estratificação social. A divisão da sociedade em ordens, cujo topo era ocupado pela nobreza. A diferença de estatuto social era também uma diferença no estatuto jurídico. Os nobres gozavam então de inumeráveis prerrogativas possíveis pela sua posição no topo da hierarquia. Eram os detentores dos cargos públicos mais importantes. Relativamente aos encargos fiscais também saíam beneficiados em comparação com os restantes estratos sociais. Ou seja, era uma sociedade onde basicamente o estado induzia a economia, as relações sociais, e a ordem vigente.

Bem diferente da sociedade inglesa que a esta altura já pregava a liberdade individual como valor maior, a própria monarquia na época teve que ceder poder aos comerciante e mercadores por conta de se manter no poder, pois foi duramente atacada no século XVI e quase perdeu seu poder politico. A Inglaterra, portanto, vivia e pregava a liberdade, seja nos valores (se separou da igreja católica), seja nas relações econômicas e sociais.

Portanto esta necessidade que o Brasil e os países latinos tem de um "Salvador" é impressionante e totalmente derivada de nossos colonizadores. Em geral, os indivíduos destes países, não tem livre iniciativa, vivem por uma ajuda governamental (de algum salvador) e consequentemente não param de reclamar dele. Passam suas vidas como coitados e abandonados. Bem diferentes dos países colonizados pelos ingleses, onde o sucesso e o fracasso depende de cada um. É justamente por isto que a eleição presidencial vira uma distribuição de favores, uma propaganda inútil e desnecessária de quem dá mais.

A Inglaterra e suas colônias (EUA, Austrália, Canadá, Hong Kong que foram colonizadas, como o Brasil e não conquistadas como a África e Índia) já demostraram que o desenvolvimento social se dá pelo estimulo pessoal do sucesso. Não existe outra formula, pelo menos que tenha dado certo até hoje. Quando percebemos que nosso esforço pessoal é recompensado, com um mercado livre, poucos impostos, ou seja, num ambiente propício ao empreendedorismo, é que o desenvolvimento humano, social e econômico prospera gerando riqueza a sua volta. Nestas sociedades a escolha individual de onde gastar seu dinheiro é mais importante que dar ao estado para ele decidir.

Triste de um país onde a discussão central se dá ao aumento dos gastos públicos e de suas benesses, num apadrinhamento estatal sem controle, onde tira-se dos cidadãos, através dos impostos, para ajudar os amigos do rei ou para aqueles que o mantem lá, através do voto.

Triste de um país que clama por mais serviços públicos, por mais ajuda de um salvador. Claro que o estado deve procurar assistir aos desamparados, neste caso estamos falando de pessoas que não conseguem prover seu sustento, mesmo se quisessem. Porém não é isto que vemos nos programas sociais, nem nas propagandas políticas.

Continuamos a discutir os assuntos errados e a caminhar numa rota fadada ao fracasso, como fazemos há 500 anos e que nossos vizinhos latinos também não conseguem voltar.

Triste a situação dos países latinos e do Brasil que precisam tanto de um salvador.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Direita Ultra Conservadora

Neste artigo procuro entender melhor esta linha política e imaginar um governo com esta plataforma política. Se por um lado a direita conservadora pode ajudar a economia, pois tem um viés liberal econômico, por outro, precisamos pesar os impactos sociais de seus princípios.
Vamos a definição do que é direita política, pela wikipedia: “O significado de direita, varia entre sociedades, épocas históricas, sistemas políticos e ideologias. De acordo com o The Concise Oxford Dictionary of Politics, nas democracias liberais, a direita política se opõe ao socialismo e a democracia social. Os partidos de direita incluem conservadores, democratas-cristãos, liberais e nacionalistas,21 e os da extrema direita incluem racistas e fascistas". "O termo "conservador" denota a adesão a princípios e valores atemporais, que devem ser conservados a despeito de toda mudança histórica, quando mais não seja porque somente neles e por eles a História adquire uma forma inteligível. Por exemplo, a noção de uma ordem divina do cosmos ou a de uma natureza humana universal e permanente."
Como podemos perceber, a direita pode atingir um status de fascista quando seu ideal é levado ao extremo e vejo isto como algo muito natural no caso da direita conservadora, pois quando acreditamos muito, em algo tão forte quanto nossos valores morais conservadores e religiosos, temos a tendência de impor isto aos outros. No poder, um grupo, com este potencial explosivo, tenderia, muito, a um estado fascista.
Vamos estudar melhor o fascismo: “Hostil à democracia liberal, ao socialismo e ao comunismo, os movimentos fascistas compartilham certas características comuns, incluindo a veneração ao Estado, a devoção a um líder forte e uma ênfase em ultranacionalismo, etnocentrismo e militarismo”, “O fascismo tomou emprestado teorias e terminologias do socialismo, mas aplicou-as sob o ponto de vista que o conflito entre as nações e raças fosse mais significativo, do que o conflito de classes e teve foco em acabar com as divisões de classes dentro da nação
Quais seriam então as diferenças entre um governo de esquerda e outro de direita conservadora? Os radicais de esqueça pregam seus ideais a qualquer custo, no entanto eles estão baseados, principalmente, na igualdade e não em seus valores morais. Igualdade e liberdade, no contexto de sociedade, são conceitos sociais, pois derivam das relações entre os indivíduos de uma sociedade, então são públicos. Valores morais tem sua base nas crenças individuais de cada um, portanto são privados. Quando um governo tentar se meter na vida privada de cada um, pode mexer num vespeiro enorme. A esquerda para se manter no poder também tenta alterar os direitos individuais, pois precisa controlar a população e força-la a aceitar princípios em nome de um bem maior: a igualdade, porém com o tempo, ela tende a fracassar.
Um governo de direita conservadora tenderia a impor valores privados aos seus cidadãos e isto fere em muito as liberdades conquistadas por nós ao longo da história humana, conservadores acreditam saber a "verdade" e não suportam ver outras pessoas fora dela. Estes são contra a descriminalização das drogas e do aborto, eutanásia, e também contra o casamento homossexual. Quando vivemos num estado liberal e laico o estado não influencia assuntos particulares como estes, portanto não deve criminalizá-los, quem deve decidir é o próprio individuo, nunca o estado.
Concluo que os problemas de um governo de esquerda tendem a se dissipar com o tempo, pois economicamente não se sustentam, com o passar dos anos eles caem pelo colapso de sua economia e consequente revolta popular. Por outro lado, um governo de direita conservadora iria buscar controlar os valores morais de cada cidadão, destruindo a sociedade em seu interior, ou seja, na sua vida privada, tirando-lhe a liberdade de decidir suas crenças, valores e ideais. Já imaginou uma nação onde teríamos que obedecer uma única moral? Não consigo prever nada pior que isto.
Outro ponto é que para o governo conseguir interferir nos valores morais de uma nação, ele precisará recorrer a métodos já testados e que também não duram muito tempo que é com limitação da liberdade individual, assim como no comunismo.
Então, deixo a discussão em aberto sobre novas formas de organização política que poderiam funcionar e também sugestões outras ainda não testadas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Crenças: não podemos viver sem elas

Depois de uma longa ausência no blog e aproveitando a semana de comemoração da psicologia, não poderia perder a oportunidade de cutucar novamente os profissionais da área. Meu artigo neste mês será sobre o novo livro do psicólogo Michael Shermer chamado em português “Cérebro e Crença”. Já falamos muito por aqui sobre a necessidade humana de explicar as coisas por crenças, a imaginação parece fazer parte da nossa capacidade de processar as informações do mundo externo e de compreendê-lo. Este grande psicólogo procura mostrar que tudo não passa de um processo natural da espécie, o de viver no pensamento mágico totalmente fora da realidade.
Nossa dita inteligência, na verdade, nada mais é que uma espécie de máquina de reconhecimento de padrões naturais, estes padrões, às vezes são até reais, mas, em sua maioria, são fruto da imaginação. Porque isto acontece? Tudo na vida tem uma função para existir, pela teoria da Seleção Natural, tudo que fica, seja comportamento ou diferenças físicas ficam porque ajudaram em algum momento estes indivíduos na sua adaptação ao meio, então se temos como padrão a criatividade de imaginar as coisas, esta deveria ter uma função para a espécie, não é? Qual seria?
De acordo com Shermer este padrão, há milhares de anos atrás, ajudou o homem a se proteger de ameaças, ao ouvir um barulho vindo da mata o homem poderia supor que seria um predador e seria melhor se prevenir “imaginando” o perigo que ser morto depois. Imaginar o perigo e fugir garantiu a sobrevivência. Começou assim a capacidade humana de não conseguir adequadamente distinguir a ficção da realidade. Portanto a convicção que o pensamento mágico e ilusório é o que basta para compreender o universo gera uma sensação de prazer. Ficamos felizes em imaginar seres místicos, sejam Deuses ou extraterrestres, que cuidam de nós. Em geral somos muito solitários e inseguros em relação a vida.
Brilhantemente os psicólogos modernos pararam de viajar em matéria de coisas sobrenaturais e explicações fora do campo científico, ou seja, sem comprovação científica (coloco muito dos estudos de Freud aqui) e passaram a estudar mais o cérebro humano, com a neurociência. Hoje já é possível provar a sensação de prazer quando se ativa as partes ligadas a imaginação, isto alivia os momentos de tensão quando enfrentamos estresse elevado, como nos casos de morte de parentes ou quando ficamos mais velho e próximos do fim.  Somos mais abertos a religiões quando envelhecemos ou quando somos jovens, o apelo a Deus explica melhor a confrontação com a tragédia (morte em filosofia).
Shermer afirma que a religião empobrece o homem pois não há debates ou conhecimento em acreditar em algo que não se pode provar. Para ele a ciência alimenta o ceticismo e a busca para encontrar a verdade, com isto favorece o progresso humano. A ciência é democrática, qualquer um pode estudá-la. Cientistas estão sempre abertos à possibilidade de estarem errados, ao contrário da religião. A crendice é intolerante e ditadora, fixa uma verdade e não abre espaço para perguntas. Se continuássemos apenas nas crença é provável que ainda estivéssemos nas florestas.
Crer não é de todo mal, a crença, na verdade, move a ciência. Qualquer experimento nasce da premissa de que seja verdade, como ainda não foi provado, não passa de uma crendice. Mas a crença das verdades absolutas, como a religião, não fazem bem ao homem e são as grandes responsáveis pelas guerras e massacres durante a história humana.
Os países menos religiosos do mundo atualmente, são justamente os mais tranquilos e seguros para se viver. Os países do norte europeu tem apenas um quarto da população que acredita em Deuses ou seguem alguma religião, com isto tem índices de criminalidade, suicídios e de doenças sexualmente transmissíveis bem inferiores a outros países como Brasil e EUA. Levantamos assim outra questão, os defensores das religiões alegam que a crença controla os conflitos sociais, no entanto, se isto é verdade porque os estados teocráticos são mais suscetíveis a criminalidade e as guerras?
Muitos me perguntam porque tento combater as religiões. Na verdade acredito que esta crença faz mal ao homem e é perigosa. Acreditar na medicina alternativa é um exemplo, se os remédios homeopáticos são eficientes porque não passam nos testes de placebo? Na verdade podem sim fazer muito mal ao organismo já que não passam nos testes laboratoriais e no rigor das agencias reguladoras. Esta metáfora serve para demonstrar o perigo de se acreditar em qualquer coisa.
Quem tem que provar se Deus existe são os religiosos, já que afirmam que existe. O fato de não se provar que Deuses não existem não é motivo para acreditarmos neles. Não há diferença em acreditar em Deus, ou em Duendes, ou em fadas madrinhas, nenhum destes pode ser provado. Se realmente existe um Deus e este nos deu a capacidade para duvidá-lo então devemos fazer isto o tempo todo, ele com certeza não deixou nenhum caminho a seguir na terra, cada um de nós deve escolhê-lo.
Prefiro viver com minhas escolhas que com as dos outros, como fazem os religiosos. Façam a sua, mas, ao menos, utilizem a maior capacidade humana: a de buscar a verdade das coisas ou seja, a curiosidade.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Rio + 20: O medo da verdade

E mais uma vez o homem busca uma solução para salvar o planeta, sempre na esperança de encontrar algum avanço tecnológico que resolva o problema que ele criou ou algum jeitinho para alterar seu modo de vida. No entanto precisamos deixar uma coisa bem clara, a culpa para o desequilíbrio da natureza não está no modo de vida humano, e sim na sua própria existência.
Buscando encontrar uma solução mágica para um problema cada vez mais iminente, o homem senta novamente em exaustivas reuniões, tentando encontrar uma solução, sempre pautando-se numa suposta alteração da consciência coletiva. O curioso é que as soluções, ditas sustentáveis, concluem que a esperança do planeta está ou no avanço tecnológico ou na alteração do modo de vida humano. Já falei anteriormente sobre isto, não existe desenvolvimento sustentável, é apenas uma palavra bonita para ganhar notoriedade. Qualquer ação humana para minimizar seu impacto na natureza será apenas mais uma ação para MINIMIZAR, e nunca acabar com a destruição causada pela ação humana.
O homem vive sempre na esperança, vivemos por esperança, sonhamos com a esperança, ou seja, vivemos fora da realidade. Enxergo a palavra esperança com a conotação de espera, já que, uma palavra deriva da outra, portanto esperança denota “espera por um milagre”. Nunca gostei desta palavra. Salvar o planeta tornou-se um desafio para a ciência, e desenvolvimento sustentável tem uma base muita sólida na esperança de um avanço tecnológico. Não enxergamos o óbvio: a natureza é muito mais complexa que a capacidade humana de reinventar-se, portanto nunca salvaremos o planeta, nem a nós mesmos.
A habilidade humana em se adaptar ao ecossistema e de modifica-lo é notável, a destruição natural provocada por ele, ou contrário do que muitos pensam é normal e perfeitamente compatível com as leis naturais. Todos os seres vivos são egoístas quando se trata de sua própria sobrevivência, portanto nada mais natural o homem explorar os recursos naturais visando sua própria existência. Qualquer animal na terra que não encontrasse predadores, como nós, se multiplicaria até a destruição dos outros seres vivos, isto é natural e perfeitamente compatível com as teorias de seleção natural de Darwin.
O problema e a solução para salvarmos o planeta é bem simples, muitos cientistas já perceberam isto, mas ninguém tem coragem de falar publicamente. O medo da verdade é enorme.
O animal humano tornou-se uma praga para o ecossistema global (é tão obvio isto), estamos em todos os cantos do planeta, destruímos o habitat dos outros animais, utilizamos os recursos naturais para nossa sobrevivência e não nos importamos com a flora e a fauna, pois isto não nos diz respeito. Agimos de forma natural como todos os outros seres vivos, ou seja, nos preocupamos com nossa própria existência. Alguns intelectuais procuram em vão, através de reuniões, congressos e etc., que a ética e a moral humana mude, alterando assim o curso programado em seu DNA, ora, quanta ilusão.
O homem não age de forma consciente em 99% de suas ações, agimos de forma comportamental, programada, portanto nossas ações correspondem, na maioria dos casos, aos nossos instintos e a programação estabelecida para nossa espécie contida no nosso DNA. Quem ainda não percebeu isto, existem diversos estudos a respeito, alguns até já publicados em textos anteriores aqui no blog. Nossa parte consciente não é capaz de processar mais que 0,01% do que é percebido pelo cérebro. Porém, deixemos isto de lado, o fato é que não iremos mudar nosso comportamento natural, alguém poderia apontar em algum lugar do planeta onde o homem estabeleceu-se sem destruir parte da fauna e flora do local, apenas um exemplo?
A solução, como dito, é simples, precisamos diminuir a população humana com urgência, para isto precisamos estabelecer metas de controle populacional por país, afim de não acabar definitivamente com todos os recursos naturais do planeta. Precisamos fazer isto com urgência senão a natureza encontrará outras formas de impedir seu extermínio pelo parasita destruidor, o Ser Humano.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Cotas raciais nas universidades públicas

Mais um tema polêmico atinge o STF. Parece que as leis realmente não conseguem alcançar as mudanças sociais e precisamos de 10 senhores para nos dizer o que devemos fazer. Devem ser os Deuses do Olimpo. E novamente eles tomaram uma decisão com base na opinião pública, sem qualquer fundamento constitucional, nem racional. Nos julgamentos feitos pelos Deuses do Olimpo, percebemos  que os motivos foram pessoais, quase nenhum tomou sua decisão baseado nas leis já existentes, nem na constituição.
Continuamos julgando as pessoas pela sua cor, o ser humano não aprende nunca. Muitos intelectuais vêm defendendo o uso de cotas raciais para diminuição de um abismo social a um certo grupo social e para recompensar este grupo pelos anos de escravidão a que foram expostos, muito nobre. No entanto esqueceram-se de uma coisinha só, assumiram que existem raças entre os humanos e pior ainda atestaram que podemos ser diferenciados pela cor, ou seja, foram racistas, alias legalmente racistas agora.
Temos outros textos publicado aqui no blog sobre o racismo e não custa nada repetir, o ser humano não pode ser diferenciado pela cor, pois esta não determina nenhum característica especifica de diferenciação entre eles e é estupidez achar o contrário, portanto não podemos nos nomear branco, preto ou amarelo, somos todos SERES HUMANOS.
Segue o texto publicado por mim em 27/01/2010.
A institucionalização do racismo
Postado por Carlos
A palavra racismo denota algo pejorativo, pois em geral utilizamos para classificar um crime de discriminação de raças entre os humanos. Vamos começar buscando o significado no dicionário Michaellis. Racismo é a teoria que afirma a superioridade de certas raças humanas sobre as demais. Caracteres físicos, morais e intelectuais que distinguem determinada raça. Ou Ação ou qualidade de indivíduo racista. Ou ainda, apego à raça.
Ora você pode ser racista quando escolhe uma raça de cachorro ou gato em relação à outra, quando prefere uma onça em relação ao leopardo, ou gosta mais de papagaio em contra partida ao canário. No entanto a separação de humanos em raças é ilegal, é crime e não possui fundamento biológico.
Pode parecer que vou defender o racismo, mas não vou não. Não por querer ser politicamente correto, que todos sabem que não sou, mas por que não consigo admitir que seres humanos tenham raça. Nós não somos diferentes, pretos, brancos, pardos, índios, temos as mesmas características biológicas e, portanto não podemos ser separados por raça. Vejo muitos grupos étnicos, principalmente de negros afirmarem: “Raça Negra”, mas o que seria a raça negra, um labrador (cachorro) pode ser marrom ou preto e mesmo assim pertence à raça labrador. A cor não pode ser utilizada para separação de humanos em raça.
A espécie animal a que pertencemos, o homo sapiens, é nova, bem recente em termos de vida no planeta Terra. De acordo com estudos científicos temos no máximo 200.000 anos, ou seja, somos uma espécie muito nova. A terra tem aproximadamente 5 bilhões de anos. Não houve tempo ainda para que aparecessem características distintas entre nós que poderíamos classificar como separação de raças. Pode até ser que no futuro existam classificações para determinar alguma característica bem acentuada de uma divisão natural da espécie, mas hoje não há.
Outro argumento é que como não temos atualmente nenhum povo ou sociedade isolada, isto traz uma uniformidade na reprodução e não isola a espécie impedindo uma mutação e diferenciação acentuada.
Pois é, não consigo admitir nem aceitar qualquer discriminação entre humanos pela cor, é cientificamente inconsistente, socialmente imoral, e humanamente ignorante. Não existem características diferenciadas a determinada cor, entre humanos, que possa ser catalogada e identificada. Somos totalmente iguais e não podemos, nem devemos nos separar ou diferenciar por ser preto, branco, pardo, moreno ou amarelo. Sim, “amarelo”, na minha certidão de nascimento aparece minha cor como amarelo, já ri muito disto.
Do ponto de vista sociológico, também é absurdo a discriminação racial. Separar a sociedade em raças cria caos social, cria grupos isolados, cria minorias que constantemente exigem serem ouvidas gerando tensão e discriminação entre os indivíduos sem razão aparente. Neste contexto, não posso aceitar que a constituição ou qualquer lei neste país dê, ou favoreça qualquer separação entre humanos por cor ou raça. Leis como a disponibilização de cotas universitárias para determinada raça, leis que favoreçam índios em certos concursos públicos, e etc. Se temos determinados grupos (não raças) que encontram-se excluídos da sociedade, vamos incluí-los através de políticas públicas de participação e inclusão, não institucionalizando a discriminação com leis absurdas. As tensões sociais começam exatamente com a separação da sociedade em minorias, sejam lá quais forem. Levar esta separação as leis não me parece racional. Institucionalizar é a dar voz a elas para começarem a se unir e a se rebelar entre os diversos grupos sociais. Discriminação racial é burrice em qualquer circunstância e devemos, como humanos dotados de alguma razão, nos rebelar contra qualquer forma de separação de grupos em cores ou raças.
Somos humanos, homo sapiens, não importa a cor, mesmo os amarelos (risos).

sexta-feira, 9 de março de 2012

Democracia: ruim com ela, pior sem ela?

Eu realmente não gosto do comum, do trivial, do popular e nem das coisas ditas como verdades universais. Existem muitas ideias por aí que ninguém quer debater, temos a religião, temos as relações familiares, o amor, temos Jesus Cristo, temos Deus e temos também a dita salvadora Democracia. Salvadora? Sim, pois assim nos é apresentado este modelo de organização social. Bem, vamos decorrer um pouco sobre ela e analisar seus pontos positivos e negativos. A finalidade deste artigo é criar novas formas de organização social e evoluirmos em nossas interações com o próximo.
Qual a origem da palavra Democracia? Tal como “monarquia” significa “governo pelo monarca”, “democracia” quer dizer “governo pelo demos”. Mas o que é o demos? Em grego clássico tanto pode ser entendido como “o povo” ou “a populaça”. No segundo sentido, então, a democracia é o governo pela populaça: o governo da ralé, do vulgo, dos sujos, dos inaptos.
Como Platão dizia em sua mais renomada obra “A República”: a democracia é a segunda pior forma de governo (a pior era a Tirania). Podem não acreditar, mas ele disse isto mesmo, mesmo na recém-criada democracia grega. Platão percebeu os absurdos desta forma de governo desde seus primórdios e devemos sim voltar o tempo e dialogar com ele este pontos. Vamos a eles:

  1. A sua arma básica é a chamada “analogia das profissões”. O argumento é muito simples. Se estivéssemos doentes, e precisássemos de nos aconselhar com alguém em matéria de saúde, procuraríamos um especialista — o médico. Por outras palavras, quereríamos consultar alguém que tenha tido formação específica para desempenhar a tarefa. A última coisa que desejaríamos seria reunir uma multidão e pedir aos presentes que elegessem, através de voto, o remédio certo. Segundo Platão, é função que se deveria deixar aos especialistas. Permitir que o povo decida é como navegar em alto mar consultando os passageiros, ignorando ou desprezando aqueles que são verdadeiramente competentes na arte da navegação. Tal como um navio assim comandado se transviará e irá a pique, também — diz Platão — o navio do estado naufragará;
  2. A sociedade justa é impossível, a menos que os reis se tornem filósofos ou os filósofos se tornem reis. A formação filosófica, afirma Platão, é uma qualificação necessária para governar;
  3. À primeira vista, o argumento de Platão contra a democracia parece devastador. Se governar é uma arte, e uma arte apenas dominada por poucos, então a democracia parece obviamente absurda e irracional. O defensor da democracia tem de encontrar uma resposta para a analogia das profissões.
Platão tocou num ponto chave da democracia, ela iguala todos os cidadãos, para muitos este é o principal trunfo dela, este direito social conquistado e disseminado principalmente após a revolução francesa do século XVIII, colocou o mundo a seus pés e até hoje, mais de 200 anos depois, ninguém questiona sua eficácia. Bem, não até este momento, eu não posso deixar de analisar e criticar algo tão solido, não é mesmo?
Vou começar atacando seu coração, ou seja, o direito universal de igualdade dos cidadãos. Acontece que a democracia pode até funcionar de certa maneira bem numa sociedade bem equilibrada de pensamento e de um forte sentimento de nação como as sociedades mais antigas da Europa e das descendentes diretas como a Americana, Canadense e Australiana, minha discórdia vem de sua implantação nas sociedades em formação, que são formadas por diferentes culturas e etnias e que não possuem uma identidade bem formada de nação.
Para estas sociedades a democracia é um tormento, pois em geral uma etnia majoritária pode tornar suas ideias dominantes eternamente. Para os indivíduos sua raça ou grupo social é mais importante que sua nação. Partindo desta análise temos um problema bem grande nas mãos: como disseminar a democracia em sociedades sem uma identidade bem formada de nação?
A democracia também traz muita demagogia, pois os eleitos precisamos ser populares e para isto abdicam da razão e tornam-se escravos das massas, o alvo é tornar-se Deus para elas e para isto destroem a máquina administrativa e os recursos do estado, fogem da razão e viram dependentes de aplausos, ai começa o caos. Temos inúmeros exemplos na América Latina e Brasil e nenhum país desta região conseguiu sair deste imbróglio, talvez o Chile, mas ainda tenho minhas dúvidas.
Outro ponto da igualdade de direito vem da formação dos grupos sociais, indivíduos isoladamente não são capazes de fazer maldades, mas quando reunidos em grupo são capazes de atos muito cruéis. Indivíduos são seres morais, mas o povo, ou os eleitores não tem moral. O homem em grupo é um ser coletivizado e dominado e pode se vender e praticar qualquer ato escuso.
O povo, assim como os eleitores não agem de forma racional, segundo o principio de bem comum e de acordo com os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia. Portanto os eleitores, como grupo, podem ser facilmente enganados, ele são movidos pelo interesse das imagens e da emoção. Quem acaba vencendo uma eleição são justamente aqueles que não deveriam alçar o poder, são aqueles que manipulam a produção de imagem e seduzem a massa popular. As ideias não importam, imagens criam heróis e deuses, não é mesmo? Como elegermos os melhores para nos governarmos assim?
A democracia não gerou desenvolvimento social e econômico em países em formação cultural, não vemos isto em parte alguma, importamos este conceito dos europeus mas ele não trouxe grandes ganhos para nós, nem para nenhum outro país fora do circulo cultural europeu. Não deu certo na Índia, na China, no Japão, na Rússia, em nenhum país latino, na África, ou seja, a democracia somente deu certo na Europa e em seus descendentes diretos, por causa de seu sentimento único de nação.
Acontece que a razão não pertence à massa, nem ao povo, portanto ele não pode, nem tem capacidade de escolher seu representante. Mas como fazer então? Como podemos determinar de forma arbitrária quem tem o poder de voto ou não? O homem é fraco, portanto os detentores deste poder acabariam legislando em causa própria, não é mesmo?
Um alternativa seria eleger os capazes de governar através de concursos públicos bem elaborados, mas os eleitos teriam poder demais nas mãos e duvido da moral cívica do homem sem uma devida cobrança efetiva de resultados.
Outra alternativa, imitando novamente a Grécia antiga, seria sortear dentro de um grupo de pessoas qualificadas aquelas que representariam o povo em um cargo legislativo com prazo curto de, no máximo, 1 ano.
Difícil, não tenho neste momento a resposta para estas perguntas, acho que com a democracia os países em formação serão sempre países em formação, pois nunca conseguirão eleger os melhores, ou seja, os detentores da razão. No entanto sem a democracia a sociedade não teria sua válvula de escape contra as desigualdades sociais, nem o ser humano é capazes de escolher, dentre muitos, alguns com virtudes suficientes para governar em nome dos outros. Platão não conseguiu criar uma alternativa a democracia, ele tentou governar duas cidades-estados sem sucesso através de um sistema aristocrático.
O importante é não desistirmos e continuarmos a procurar alternativas. No momento vejo como essencial esta questão no Brasil e no mundo a seguir, principalmente, após as revoluções árabes.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ilusão Necessária


Como tema inesgotável que é, o amor reaparece aqui sob outro olhar e, diante de novas argumentações e reflexões, permito-me contradizer minhas próprias afirmações em outra publicação.
Identificamos como elemento diferenciador entre o amor e a paixão a idealização do ser amado originada através da deturpação dos sentidos provocada pela paixão, sendo esta ilusão a principal implicada no caráter conhecidamente efêmero da paixão. O amor, então, é tido como um sentimento mais duradouro por ter suas fundações bem estabelecidas no conhecimento aprofundado do outro, certo? Errado.
É certo que o amor nos permite enxergar além da paixão mas todo relacionamento é baseado em idealizações e decepções. Como Nietzsche constatou e não há como negar: idealizar é um vício humano. A duração do sentimento ou do relacionamento vai depender da capacidade dos indivíduos resgatarem os ideais criados no início para amenizar os efeitos das decepções inevitáveis ao convívio.
Somos seres mutáveis, em cada etapa da vida encontramos características que não reconhecíamos em nós mesmos há tempos atrás. Como os sentimentos podem ser conservados intactos ao longo dos anos? Simplesmente impossível. Nossos sentimentos mudam conosco, amadurecem (ou não). Assim sendo, como é possível manter um bom relacionamento amoroso por anos? Através da memória afetiva que nos permite revisitar o sentimento original e as idealizações construídas inicialmente. Além da capacidade de adaptação do casal às novas demandas individuais em cada fase, obviamente.
Não pretendo aqui desacreditar o amor, apenas valorizar a marginalizada ilusão, pois, para aqueles que desejam um longo e bom relacionamento a dois, este ingrediente torna-se indispensável. Segundo Freud, a ilusão pode ser um elemento de alienação ou de estruturação nos relacionamentos amorosos. Fiquemos com a segunda opção.
O amor proposto por Nietzsche, despido de qualquer idealismo romântico, natural, cru e cruel, elimina qualquer possibilidade de felicidade proveniente do relacionamento amoroso, assim fadado ao trágico. Contudo, o próprio Nietzsche coloca, em uma de suas conhecidas frases, um pouco de equilíbrio entre razão e emoção ao referir-se ao amor: “Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.”
Somos seres racionais mas não apenas isto, somos também seres emocionais. Utilizemos a racionalidade ao máximo, inclusive para decidirmos o momento de silenciá-la dando vazão à ilusão necessária.